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La deuxième conférence des progressistes (1949)

Chapitre IV : Les activités des marxistes (1947-1959)

4.1 Les activités du pôle marxiste en faveur du panjabi entre 1947 et 1955 .1 Activités du groupe progressiste

4.1.1.2. La deuxième conférence des progressistes (1949)

É bem possível que Isabel Ribeira tenha passado a morar na rua de S. Miguel-o-Anjo após a morte do marido e ter recebido, por forma que desconhecemos, a casa em que morara sua tia e madrinha de André, Vitória Francisca. Isabel mudou para esse edifício juntamente com os filhos. Deixava assim a casa onde vivera com seu marido e onde lhe tinham nascido os filhos e ia para outra que estava mais próxima das suas origens de gente ligada à arte da sapataria. Uma casa que era imediatamente contígua aquela onde vivia o padre Lourenço Jácome, o padrinho de André. Sabemos que em 1756, pelo menos, André Soares já lá estava a morar, como mais adiante iremos ver com o devido pormenor.

Após a morte do seu irmão, Francisco Ribeiro da Silva, Isabel deverá ter-se dedicado à recolha dos “sinco contos de reis” que em testamento ele lhe deixara, para a efectivação de um vínculo em seu favor e de seus sucessores, conforme ficara consignado em testamento244. Conhecem-se, pelo menos, duas procurações nesse sentido, ambas enviadas para Lisboa, a favor do “sargento mor João da Costa Carneiro cavaleiro professo na ordem de christo e

escrivão da meza grande da Alfandega”: Uma foi feita conjuntamente com sua

irmã Catarina, também beneficiária de igual benesse; outra, sozinha. Ambas foram lavradas no dia 13 de Outubro de 1761, no tabelião Rafael da Rocha Malheiro245.

243

ADB. Paroquial de Braga (São João de Souto), óbitos 4, livro 166, fól. 15v. Ver também Robert SMITH, André Soares... p. 52, nota 11. Indica erradamente a página onde foi lançado o assento de óbito (p. 25).

244

Este testamento de Francisco Ribeiro da Silva vai transcrito no volume 2 desta dissertação.

245

ADB. Nota Geral, vol. 758. fól. 169: Procuração de Izabel Ribeira, viuva de João Soares da

Isabel Ribeira morreu sem testamento no dia 27 de Junho de 1762. Como tantos outros membros da sua família, foi sepultada no Claustro de Santo Amaro, na Sé246.

2.6 Os irmãos

A documentação permite-nos apenas ter algum conhecimento de dois dos irmãos: António, que viria a ser padre, e Apolónia Maria. Das duas irmãs mais velhas, nada mais restou que o assento de nascimento e o óbito de uma.

Antónia nasceu a 22-6-1712 e foi baptizada, em perigo, a 25 em São João do Souto, sendo padrinhos Bento de Sá, da rua Nova e Isabel Lopes, sua avó, mulher de Manuel Ribeiro, da rua Nova. Foram testemunhas Domingos Ferreira Braga e Francisco Araújo, ambos da rua do Souto247. Apesar de ter nascido em condições difíceis, conseguiu sobreviver embora tenha morrido nova, com 21 anos, em 5 de Dezembro de 1732248. Foi enterrada com o hábito de Santa Teresa. Como todos ou quase todos os membros da sua família, pertenceu à irmandade dos Prazeres e foi sepultada no Claustro de Santo Amaro, da Sé.

Maria, nasceu a 17-12-1713 e foi baptizada a 21, também em São João de Souto, sendo padrinhos António de Carvalho e mulher Maria Pereira, da rua Nova; foram testemunhas Francisco de Araújo e Manuel Ferreira, ambos da rua do Souto249.

É ainda muito pouco conhecido o percurso do irmão António Soares da Silva. Sabemos que nasceu em 13 de Outubro de 1716 e foi baptizado dois dias mais tarde na freguesia de São João do Souto, sendo padrinhos António Carvalho e Francisca da Silva, mulher de Bento de Sá, da rua Nova, freguesia

Nota Geral, vol. 758. fól. 169v: Procuração de Izabel Ribeira, viuva de João Soares da Silva

desta cidade.

246

ADB. Paroquial de Braga (Sé), óbitos 1751-1784, livro 349, fól. 70.

247

ADB. Paroquial de Braga (São João de Souto), nascimentos 5, livro 144, fól. 322v.

248

No volume 2 desta dissertação transcrevemos o assento de óbito.

249

da Sé e testemunhas João Vieira Machado e Francisco de Araújo, da rua do Souto250. Fez Inquirição de Genere em 29 de Setembro de 1730251.

Vejamos os parcos dados que pudemos inventariar:

Em Abril de 1741 estava a paroquiar na freguesia de Santiago de Lustosa, concelho de Lousada, onde pedira o embargo de capítulos de visita deixados na sua igreja252. Em 25 de Outubro de 1752 já conseguia estar mais próximo de Braga pois fora nomeado para a igreja de São Bartolomeu de São Gens, concelho de Fafe253.

A Braga voltou, pelo menos, em 1754 pois fora escolhido para ser o escrivão da Casa do Despacho da Mitra254. Temos conhecimento que em 22 de Janeiro de 1768 continuava a servir na Casa do Despacho255. Em 1758 era o secretário da confraria de Santa Maria Madalena da Falperra256.

Sabe-se também que 19 de Julho de 1769 estava na direcção da confraria do Santíssimo Sacramento, da Sé, data em que redigiu a acta da sessão da Mesa por doença do secretário, o seu irmão André: "... padre

Antonio Soares da Silva que por molestia do secretario atual o escrevi e assinei... "257.

Há, porém, um aspecto da vida do padre António, clérigo de Epístola conforme se pode ler na Inquirição de Genere de seu irmão André, que deve merecer uma atenção muito especial. É que para além da actividade pastoral,

250

ADB. Paroquial de Braga (São João de Souto), nascimentos 6, livro 145, fól. 87.

251

ADB. Inquirição de genere 5736.

252

1741. 23 de Outubro: Registo de provisão a favor do Reverendo Antonio Soares da Silva,

Abade de Santiago de Lustosa, para embargar uns capitulos de visita deixados na sua igreja.

ADB. Registo Geral. Vol. 104, fls. 25v-26.

253

1752. 25 de Outubro: Registo de carta de encomendação por tempo de um ano para a igreja

e vigararia ad nutum da igreja de São Bartolomeu de São Gens a favor do Padre Antonio Soares da Silva da freguesia de São João de Souto desta cidade. ADB. Registo Geral. Vol.

107, fls. 659v-660v.

254

1754. 27 de Março: Registo de provisão para a serventia do oficio de Escrivão da Casa do

Despacho desta Corte, a favor do Padre Antonio Soares da Silva desta cidade. ADB. Registo

Geral. Vol. 108, fls. 181-181v.

255

1768. 22 de Janeiro: Registo de provisão a favor de Antonio Soares da Silva desta cidade,

para servir o oficio da Casa do Despacho desta mesma cidade. ADB. Registo Geral. Vol. 149,

fls. 206v-207.

256

Arquivo da Confraria de Santa Maria Madalena da Falperra. Memorias da Confraria de

Santa Maria Magdalena do Monte, fls. 86-88.

257

1769. 19 de Julho. Arquivo da Sé Catedral de Braga. Confraria do Santíssimo Sacramento.

Termo das eleicões dos oficiais e mesas 1667-1792, fól. 110. Termo de juramento aos novos oficiais.

também estendeu a sua atenção à arte (fig. 326). Efectivamente, em 25 de Fevereiro de 1760, o entalhador Teodoro Álvares de Araújo contratara com o comendador da comenda de São Tiago de Caldelas a

... a fação do retabollo para a cappella mor da igreja da sua commenda de Sam

Tiago de Caldellas o mandara por a lansos para se rematar a quem bem e por menos o fizesse na forma da planta que para elle havia feito o reverendo Antonio Soares da Silva e risco e apontamentos delles e andandão a pregão e lanssos ultimamente lanssara na fação do dito retabollo exceto o trono, o dito mestre entalhador Theodozio Alvares, duzentos e outo mil reis e por não haver menor lansso se lhe ouve por rematado, por termo que disse no tabellião João de Barros Pereira que elle e dito procurador asinarão e com testemunhas e se obrigou a fação do dito retabollo na forma do risco e apontamentos que rubricarão e firmara o dito tabellião que tudo vai junto ao treslado desta... feito e acavado com prefeição na forma do mesmo risco e apontamentos the o janneiro do anno seguinte de mil e setecentos e sessenta e hu e satisfazendo o ditto presso em tres pagamentos...258

O padre António Soares da Silva surge assim ao lado do irmão, embora pontualmente, a mostrar que a arte não era para si uma entidade estranha, que também tinha alguma apetência nesse sentido. Só não sabemos se foi um ensaio único, ou se foi um entre vários. A verdade é que naquela data são raras as obras que estão assinadas ou em que a documentação nos permite afirmar sem qualquer margem de dúvida que tinham sido riscadas por um determinado criador.

Este retábulo está muito longe dos que foram concebidos pelo seu irmão, mais parece uma superfície plana com uma rica série de ornatos assimétricos a preencher espaços vazios e com fortes ressonâncias ao que alguns anos antes André Soares fizera na fachada da capela de Santa Maria Madalena da Falperra, conforme se pode ver na zona do embasamento. Bem mais interessante é o sacrário, esse sim com os volumes a assumirem-se e a serem conjugados com os ornatos e até com a cor; infelizmente foi retirado para uma dependência, substituído que foi por outro, invulgar, da autoria do antigo pároco, o padre João Freitas, autor também da nova fachada da capela

258

mais exótica do Minho, senão do país, a de Santo António de Mixões da Serra, em Valdreu, Vila Verde, nos contrafortes da Serra Amarela (1952)259.

Faleceu a 3 de Junho de 1770 na casa da rua de S. Miguel-o-Anjo260. O seu assento de óbito não indica as confrarias que acompanharam o seu corpo pelo que não podemos saber se também foi membro da irmandade de Nª Sª dos Prazeres, na igreja dos Jesuítas. Foi envolto em vestes sacerdotais e, como seus pais e irmão, enterrado no então denominado claustro de Santo Amaro, na Sé, que corresponde ao espaço interior que defronta a entrada da capela de São Geraldo. Não deixou testamento.

Da mesma forma que seu irmão, também se não sabe qual foi a causa da morte. Mas nesse ano houve, segundo Alberto Feio261, um surto de tifo exantemático, doença de morte rápida que se resolve em 14 dias. Esta epidemia grassou desde o último trimestre de 1769 até meados de 1770, com pico maior em Abril de 1770. É uma hipótese que fica em aberto.

Apolónia Ribeiro da Silva nasceu em 9 de Fevereiro de 1724 e foi baptizada a 11 na freguesia de São João do Souto pelo padre António Tavares, morador na rua de Paio Manta262, freguesia da Sé Primaz. Foram seus padrinhos o padre João Soares, vice-reitor do Seminário e sua a tia Catarina. Foram testemunhas Custódio Sousa Picado e André Loureiro, ambos da rua do Souto263.

Sabemos que em 27 de Março de 1748 seu tio Francisco lhe estabeleceu uma pequena renda de 38$000 reis264. Sucedeu a seu irmão André265 na administração do vínculo instituído por aquele tio, no valor de cinco

259

MARQUES, António Pereira – Valdreu. Apontamentos históricos sobre a mui nobre vila

Balderedi. Vila Verde, s/s, 1992.

260

ADB. Paroquial de Braga (Sé), óbitos 1751-1784, livro 349, fól. 128v.

261

FEIO, Alberto – Coisas memoráveis de Braga e outros textos. Braga: Biblioteca Pública / Universidade do Minho, 1984, p. 38-39.

262

Esta rua desapareceu da toponímia municipal após a transformação do conjunto de ruas que hoje integram a rua Dom Afonso Henriques.

263

ADB. Paroquial de Braga (São João de Souto), nascimentos 7, livro 146, fól. 74v.

264 ANTT. PT – TT – RGM / C / 37121. Registo Geral de Mercês, livro 21, fól. 503v, com data

de 1749. 20 de Dezembro. Este documento vai lançado no volume 2 desta dissertação.

265

Ana Maria Macedo diz-nos que Apolónia foi a segunda cabeça do vínculo deixado pelo tio Francisco. Como a Mãe morreu sem testamento, o vínculo passou naturalmente para André

contos de reis, dinheiro que aplicou em bens de raiz, sitos na freguesia de Santo André de Gondizalves e outras. Foi madrinha, juntamente com seu irmão André, de Francisco Jácome de Sousa, filho de sua prima direita D. Maria Ribeiro da Silva, a quem viria a instituir como sua herdeira universal, segundo testamento lavrado a 15 de Setembro de 1800266.

Em sua vida, mas em data desconhecida, ofereceu uma imagem de Santa Rita, em barro, à capela de S. Miguel-o-Anjo, para onde seu irmão riscara em 1756 toda a talha que, porém, só viria a ser executada meia dúzia de anos mais tarde267. A peça surge pela primeira vez na documentação da confraria no Inventário de 1783. Esta imagem, que ainda hoje se conserva no altar do lado da Epístola, é de pequenas dimensões, extremamente expressiva, de um barroquismo intenso. É uma das raras imagens de barro de Setecentos que se conservam na cidade de Braga268.

Apolónia Maria faleceu em 8 de Março de 1808.

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