Chapitre IV : Les activités des marxistes (1947-1959)
4.1 Les activités du pôle marxiste en faveur du panjabi entre 1947 et 1955 .1 Activités du groupe progressiste
4.2.1 La page panjabie
4.2.1.1 Un essai sur la langue : Le programme de Shaukat Ali
Vimos atrás a importância de questionar o meio artístico de Braga e do Minho, embora apenas com alguns exemplos colhidos em Braga, Guimarães e Ponte de Lima. Infelizmente, a documentação é excessivamente escassa nesta matéria de gosto e educação artística para nos permitir ter informações mais concretas.
Pode dizer-se que o mesmo se passará com os artistas que trabalharam nestes anos. Os criadores de riscos, desenhos e plantas, ou executores / criadores, ou “tão só” executores daqueles projectos, não são em grande número e sê-lo-ão mais na talha que na arquitectura, atendendo apenas às duas artes que criam obras de maior superfície e volume, logo mais visíveis.
André Soares, Frei José Vilaça e Carlos Amarante, todos nascidos em Braga, são os nomes maiores num universo em que, já noutra escala, também se devem colocar os de José Álvares de Araújo, Luís Manuel da Silva, igualmente de Braga e António da Cunha Correia Vale, para a área de Guimarães e em que se têm obrigatoriamente de lembrar outras obras importantes, mas ainda sem atribuição de autoria segura, como são os casos da igreja do Mosteiro de S. Miguel de Refojos de Basto440; a capela da casa da Praça, ou Malheiros Reimão, em Viana do Castelo441; a casa dos Lobo
440
O Mosteiro de S. Miguel de Refojos tem uma boa monografia do ponto de vista histórico (DIAS, Geraldo José Amadeu Coelho – O mosteiro de São Miguel de Refojos. Jóia barroca em
terras de Basto. Cabeceiras de Basto, Câmara Municipal, 2009), mas não tem nenhum estudo
consequente do ponto de vista artístico, embora se devam referir SEQUEIRA, Maria Olga Portela Gonçalves de Paz – A Igreja do Mosteiro de São Miguel de Refojos de Cabeceiras de Basto. In Estudos de Homenagem ao Professor Doutor José Amadeu Coelho Dias, vol. 2. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2006, p. 223-231 que atribui a André Soares a obra mas apenas do ponto de vista formal e sem apresentar razões que nos pareçam consequentes. Paulo Oliveira, por sua vez, lança a hipótese de ter sido riscado por António Rodrigues, um mestre de pedraria natural de Minhotães, Barcelos, que trabalhou com Nasoni na igreja do Senhor de Matosinhos (OLIVEIRA, Paulo – A obra da Igreja do Mosteiro de Refojos de Basto. Diário do Minho, Braga, 12 e 26 de Outubro de 2009, p. 24 e 10, respectivamente).
441
Robert Smith (SMITH, Robert C. – Frei José de Santo António Ferreira Vilaça: escultor
beneditino do século XVIII. vol. 1. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1972, p. 337, nota
310) é muito cuidadoso e deixa no ar alguma suspeita que o retábulo (e não a arquitectura da capela) possa ser da autoria de André Soares. Em contrapartida, José Vieira Caldas e Paulo Varela Gomes depois de se inclinarem para a hipótese de José Álvares de Araújo, dizem que
Machado, de Guimarães442 (fig. 379); a tardia capela do Ecce Homo, no ermo que era então – e ainda é, de certa forma - Padornelo, Paredes de Coura443 (fig. 386 e 387). Ou o retábulo da capela do Horto, Lanhoso, Póvoa de
naquela época, talvez só André Soares estivesse em condições de a projectar (Viana do
Castelo, Lisboa: Presença, 1990, p. 80). Paulo Pereira (As formas. In Minho. Traços de
identidade. Braga: Universidade do Minho, 2009, p. 536) não tem dúvidas em dar a autoria a
Soares, não só da capela mas também da Casa; antes, porém, foi mais cuidadoso na sua apreciação, ao afirmar que esta casa fora construída segundo os preceitos estilísticos de André Soares, que influenciou a composição (Viana do Castelo. In Dicionário de Arte Barroca. Lisboa: Presença, 1989, p. 519). Finalmente, Manuel Fernandes Moreira não tem dúvida em atribuir ao entalhador João de Brito o risco da planta da capela das Malheiras (O Barroco no Alto Minho. In CAPELA, José Viriato – As freguesias do distrito de Viana do Castelo nas memórias
paroquiais de 1758: Alto Minho: memória, história e património. Monção: Casa Museu,
Universidade do Minho, 2005, p. 536 ou p. 94 na segunda versão deste texto publicada no ano seguinte) sem, porém, indicar as razões que o levaram a fazer esta afirmação.
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O recente estudo, bastante cuidadoso, de Fernando CONCEIÇÃO – A Casa dos Lobo
Machado: uma perspectiva histórica. In A Casa dos Lobo Machado: De espaço privado a espaço de interesse público. Guimarães: Associação Comercial e Industrial, 2011, p. 18-47,
leva-o a concluir que o projecto da Casa dos Lobo Machado foi de André Soares ou que, pelo
menos teve a sua influência. Pensamos, contudo, que com os materiais que temos – o
contrato de obra não indica o autor do risco –, esta situação está ainda muito longe de ser resolvida.
Sobre esta casa veja-se ainda Manuel Alves de OLIVEIRA – Rectificação a uma nota de Robert C. Smith a propósito da Casa dos Lobos Machados. Bracara Augusta, Braga, 31 (83-84), 1977, p. 217-223.
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Não conhecemos as razões que levaram Narciso Alves da Cunha (No Alto Minho: Paredes
de Coura, Porto: 1909, p. 501-504) a afirmar que a construção da capela remonta a 1776 e a
refutar a afirmação de José Augusto Vieira que a data de 1779; refira-se que Carlos Alberto Gouveia SILVA no seu livro (Igrejas Barrocas do Concelho de Paredes de Coura. Paredes de Coura, Câmara Municipal, 1993, p. 36-38), que em geral é cuidadoso no que respeita à documentação, também não refere nenhum tipo de documentação. Mas a verdade é que há mais alguma – e importante! – que se pode ler no Registo Geral, do ADB, e que é ligeiramente discordante daquelas datas: no volume 212, fls. 273v–274, está lançada uma Provisão para a
erecção da Capela do Senhor Ecce Homo sita na Igreja da freguesia de Santa Marinha de Padornelo, a favor do juiz e oficiais da Confraria do Santíssimo Sacramento da dita freguesia,
datada de 10 de Junho de 1781; no volume 205, fls. 263v-264, e também com a mesma data, o que é facilmente explicável, pode ler-se uma Provisão para bênção da capela do Senhor Ecce
Homo da freguesia de Santa Marinha de Padornelo e escritura de dote para a mesma, a favor do juiz e mais oficiais da Confraria do Santíssimo Sacramento da dita freguesia da comarca.
Feitas estas precisões cronológicas, importa dizer que esta capela não tem qualquer tipo de paralelo com os demais templos do Alto Minho e vale sobretudo pela fachada, alta, como altos costumam ser os retábulos laterais das igrejas dali, não só das freguesias vizinhas mas também de muitas outras do Alto Minho. Tem uma singelíssima porta que bebe directamente em obras de André Soares (na Casa de Fresco do Paço Arquiepiscopal de Braga transferida em 1920 para a mata do Bom Jesus do Monte; e na porta interior da Capela de Santa Maria Madalena, da Falperra); e ainda na porta da Igreja do Mosteiro de Cabeceiras de Basto. Pela leveza do desenho há que não esquecer a já referida portada dos Estatutos da confraria de Santo Amaro, da Sé, embora estes sejam um pouco mais avançados cronologicamente, o que num período final de afirmação de um estilo poderá ganhar outras dimensões.
Esta porta é encimada por um grande janelão que por sua vez é sobreposto pelas armas de D. Gaspar de Bragança. O facto desta obra se colocar sob a alçada directa deste arcebispo – do que não conhecemos outro paralelo no Alto Minho – permite colocar a ideia que o projecto poderá ter uma origem que não a local.
Lanhoso444; o mar de talha miúda que é a capela da Lapa, em Vila Nova de Famalicão, etc.445 (fig. 397). E em que se excluem nomes de fora de Braga porque foram esporádicas as suas intervenções nesta área: Mateus Vicente de Oliveira veio de Lisboa a Braga, em 1756, para fazer a relação dos reparos que necessitava o Paço Arquiepiscopal446; e a Lisboa foi pedido em 1774 um risco para o retábulo que se queria fazer na capela-mor da igreja de Santa Cruz447. Ao Porto foi também pedido um risco para o mesmo local, supondo Robert Smith que a encomenda foi dirigida a Francisco Pereira Campanhã448.
Ficam assim de lado figuras que quanto a nós não são efectivamente tão importantes quanto a literatura artística tem querido demonstrar, como são os casos de Jacinto da Silva, Marceliano de Araújo e Paulo Vidal, em Braga e João de Brito, em Viana do Castelo. E dizemos isto não pela sua qualidade artística de executores, que foram excelentes, no caso dos dois primeiros, mas sim, porque ou apenas deram vida a desenhos e projectos de outros ou porque
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Este retábulo, um dos mais grandiosos do rococó minhoto, ainda por cima colocado numa pequeníssima capela, nunca foi estudado. Data de 13 de Julho de 1772 (ADB. Nota Geral, 1ª Série, vol. 799, fls. 134v-135). Foi dado a conhecer numa conferência (que não publicamos) que fizemos no Santuário de Nª Sª de Porto de Ave, Póvoa de Lanhoso, em Julho de 2007. Absolutamente notável, também, nesta capela é o intrincado jogo das escadas que a ligam com a entrada virada a Sul, à vila.
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A talha desta capela é um dos mistérios mais estranhos da talha minhota: embora os seus três retábulos sejam de amplos volumes, sobretudo o principal, a talha dos ornatos é uma obra finíssima, em tudo contrastante com a que André Soares desenhou e José Álvares de Araújo executou em Tibães. Está muito mais próxima de outros santuários da talha minhota como, por exemplo, o Santuário do Socorro, em Labruja, Ponte de Lima, cujos retábulos laterais foram contratados em 1767: OLIVEIRA, Eduardo Pires de – Aspectos do barroco e do rococó
periférico minhoto. In OLIVEIRA, Eduardo Pires de – Os alvores do rococó em Guimarães e outros estudos sobre o barroco e o rococó do Minho. Braga: APPACDM Distrital de Braga,
2003, p. 166.
Estes retábulos de Famalicão deverão ter sido de preço muito elevado, pese o facto de não serem de grandes dimensões pois pertencem a uma capela. São de grande qualidade de execução. Mas, mesmo assim, não conhecemos qualquer documento sobre a sua encomenda. A. Martins VIEIRA, no seu livro As capelas no concelho de Vila Nova de Famalicão. Vila Nova de Famalicão, Câmara Municipal,. 2000, p. 192, alvitra ter sido esta talha desenhada por Frei José Vilaça, mas não informa as razões que o levaram a fazer a afirmação.
Depois de passar por diversas obras, a capela foi benzida em 18 de Maio de 1763 (OLIVEIRA, Eduardo Pires de – O culto de Nª Sª da Lapa no espaço geográfico do arcebispado minhoto. In
Os alvores do rococó em Guimarães e outros estudos sobre o barroco e o rococó do Minho.
Braga: APPACDM Distrital de Braga, 2003, p. 214; ADB. Registo Geral, vol. 63, fls. 168v-169v, então ainda sob a designação primitiva de Capela de S. Sebastião).
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ADB. Colecção Cronológica, nº 2820.
447
SMITH, Robert C. – Frei José de Santo António Ferreira Vilaça: escultor beneditino do
século XVIII. vol. 2. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1972, p. 432 e 434.
448
SMITH, Robert C. – Frei José de Santo António Ferreira Vilaça: escultor beneditino do
as obras que conceberam não podem ser classificadas como peças de grande impacto criador.
Olhemos, porém, um pouco mais para estes homens:
Jacinto da Silva é um caso extremamente complexo: tem sido muito justamente reconhecido como um excelente executor. Bastará o facto de haver uma entrada sobre a sua obra no “Dicionário de Arte Barroca em Portugal”449 para o colocar entre os nomes mais conhecidos entre nós da arte de entalhar. A sua actividade cobre diferentes períodos, sem que alguma vez a sua mão trema, o “joanino”, a regência e o rococó, embora nos pareça ser este o período em que a obra que lhe tem sido documentadamente atribuída apresenta maior qualidade, como se pode ver pelo retábulo-mor da capela de Santa Maria Madalena da Falperra.
Como já atrás vimos, de Jacinto da Silva apenas conhecemos, no respeitante à criação, a autoria dos apontamentos do retábulo de Parada de Cunhos, Vila Real
Mas há outro aspecto extraordinário da sua obra que não tem sido referido: a sua qualidade como gestor de uma oficina de talha que talvez englobe artistas que até agora têm sido estudados isoladamente mas que a documentação parece apontar terem trabalhado sobre a supervisão de mestre Jacinto. Relembre-se que o seu filho, o notável entalhador Luís Manuel da Silva, morava numa casa quase contígua; e que André António da Cunha residia também quase a seu lado, numa casa do pequenino Largo dos Penedos. Poderá dizer-se que nada é mais natural que os entalhadores se terem organizado entre si e servido de fiadores uns aos outros; mas parece- nos que neste caso há algo mais, há uma organização que gira em volta de uma cabeça, a de Jacinto da Silva. Mais do que analisar aqui obra a obra, veja- se o quadro abaixo, salientando nós que:
Em 1763 intervém em três contratos e cinco retábulos, sendo que três foram para colocar em capelas-mor; são obras, portanto, mais cuidadas ou de maior dimensão.
449 FERREIRA-ALVES, Natália Marinho – Silva, Jacinto. In Dicionário de Arte Barroca. Lisboa:
De 1763 a 1766 deixou de ter obras; em contrapartida, e como se poderá ver no quadro que vai junto ao texto sobre Luís Manuel da Silva, este seu filho e André António da Cunha assinaram vários contratos. E mestre Jacinto só voltou a aparecer como responsável principal em Maio de 1767, exactamente após Luís Manuel ter assinado o contrato para a capela-mor da igreja de Santa Cruz (Janeiro de 1767), obra que se arrastou por vários anos, segundo a documentação conhecida; foi, aliás, uma obra de parceria, atingindo o preço mais alto conhecido para uma obra deste tipo.
Tabela 4 - Trabalhos de Jacinto da Silva
Obra Data Contratante 1 Fiador Notas
Cap. S Miguel o Anjo. Ret mor e os 2 laterais
1 761
Jacinto da Silva Luís Manuel da Silva
... e também na mesma
mesa apareceu o mestre entalhador Luís da Silva e seu pai dizendo que careciam de dinheiro tanto para continuarem com a obra que tinham tomado dos retábulos...
Irm Nª Sª Ó. Livro eleições,
termos e acórdãos, 1761-1780, fól. 19,
Ret mor cap Sta Maria Madalena
da Falperra,
Braga
1 763
Jacinto da Silva Luís Manuel da Silva
Ret cap. casa
da Praça, V
Castelo
1 763
Jacinto da Silva Luís Manuel da Silva Ret mor e 2 ret
laterais Cap. Sª Pena, Mouçós, V Real.
1 763
Jacinto da Silva Luís Manuel da Silva e José Jácome Caldeirão Ret mor. Ig Reédios. Lamego 1
764 Luís Manuel da Silva Jacinto Silva da
Ret mor. Conv
Sto António Vale Piedade. V N Gaia 1 766 André António da Cunha Jacinto da Silva e Luís Manuel da Silva Ret mor. Ig Sta
Cruz, Braga 1 767 Luís Manuel da Silva Manuel Carneiro da Costa Jacinto da Silva Ret mor. Arentim, Braga 1 767 Jacinto da Silva Ret Nª Sª da Boa Memória. Sé 1 767 Jacinto da Silva Cadeiral. Conv Cabeceiras de Basto. 1 768 Manuel Carneiro da Costa Jacinto da Silva Varanda coro. Ig S Vicente, Braga 1 769 Luís Manuel da Silva Jacinto da Silva 13 de Junho 1769
... mais se mandou passar
bilheta ao mestre Luís Manuel da Silva e seu pai Jacinto da Silva de setenta mil réis por conta do segundo pagamento das grades e talha da varanda do coro na forma das condições da escritura...
Ig S Vicente. Irm S Vicente. vol 3349. Livro 7 dos termos 1765-
1772,fls 122v
d com Luis Manuel Silva e seu pai Jacinto Silva 70$000 por conta do segundo pagamento das grades do coro (mais) o resto do ultimo quartel da obra das grades do coro e talha do órgão 76$666
Ig S Vicente. Irm S Vicente. vol 3632. Livro despezas 1769 ate 1807, fól 4.
d com Jacinto da Silva e Luis Manuel da Silva 57$600 por conta do ultimo pagamento.
Ig S Vicente. Irm S Vicente. vol 3632. Livro despezas 1769 ate 1807, fól. 23.
Ret mor. Ig Lapa. Arcos Valdevez 1 769 André António da Cunha. Com Jacinto da Silva e Luís Manuel da Silva? Jacinto da Silva. Luís Manuel da Silva Sanefas arco cruzeiro e dos altares colaterais. Ig S Vicente, Braga 1
770 Manuel Sampaio de Jacinto Silva. Luís da Manuel da Silva 2 Ret laterais. Ig Lapa. Arcos Valdevez 1 771 André António da Cunha Jacinto da Silva. Luís Manuel da Silva 1774. 18 de Setembro E por se achar nesta vila o escultor Luís da Silva assentando os retábulos da capela de Nossa Senhora da Lapa.
Arcos de Valdevez. Arquivo da Santa Casa da Misericórdia. Termos da Mesa, 1769-1788, fls. 31v-32v
Ret mor Ig S
João Souto,
Braga
1
772 Jacinto da Silva e Luís Manuel da Silva Sanefas arco cruzeiro e dos altares colaterais. Ig S Vicente, Braga 1 773
Jacinto da Silva 15 de Junho 1773: ... como também veio a esta mesa Luís da Silva, entalhador que tinha tomado as sanefas do arco cruzeiro e altares colaterais...
Ig S Vicente. Irm S Vicente. vol 3348. Livro 8 dos termos 1772-1781, fól. 29v
9 de Novembro 1774 ... mais se mandou passar bilheta ao mestre Luis Manuel Silva de 25$650 reparo da sanefa do arco cruzeiro...
Ig S Vicente. Irm S Vicente. vol 3348. Livro 8 dos termos 1772-1781, fól. 79
21 de Dezembro 1774 ... mais se passou uma bilheta de 30$000 réis para pagar ao nosso irmão Luís Manuel Silva de fazer os caixilhos das frestas da igreja
Ig S Vicente. Irm S Vicente. vol 3348. Livro 8 dos termos 1772-1781, fól. 82v
d com Luis Manuel Silva, entalhador 30$000 para pagamento dos caixilhos
Ig. S. Vicente. Irm. S. Vicente. Vol. 3632. Livro das despezas 1769 ate 1807, fól. 40v Ret Sto António, Cap. Sta Maria Madalena, Falperra 1 776 Jacinto da Silva
Por este quadro se pode ver que Jacinto da Silva tem uma obra imensa, entre Braga, Minho e Trás-os-Montes. Mas a partir do ano que tem o filho Luís Manuel a trabalhar, quiçá consigo, o que é natural, é visível que a sua obra se estende, que há outros entalhadores a colaborar:
- Em 1761 o filho Luís Manuel pediu dinheiro à confraria de S. Miguel o Anjo dizendo que tinham necessidade de dinheiro. A obra tinha sido contratada apenas pelo seu pai.
- Em 1769 Luís Manuel tomou a obra da talha da varanda do coro da igreja de S. Vicente. Mas o segundo e o terceiro pagamento desta obra são feitos em conjunto a si e seu pai.
- Em 10 de Janeiro de 1770 Manuel Sampaio contratou a obra do sanefão, das sanefas dos retábulos laterais e outras obras de talha do corpo da igreja de S. Vicente. No documento que assinou informava que estava a morar em casa de Jacinto da Silva.
Esta obra, embora tendo sido desenhada por Frei José Vilaça, ou não ficou ao gosto da confraria ou ficou mal executada. O certo é que ao contrário do que seria normal não foi este entalhador que emendou o trabalho mas sim Luís Manuel da Silva, estendendo-se os pagamentos até 1775, sendo que dois, relativos ao ano económico de 1773-1774, são feitos, individualmente, um a Jacinto e o outro a Luís Manuel.
- Em 1772 André António da Cunha contratou a obra dos altares laterais da igreja da Lapa, nos Arcos de Valdevez. O assentamento destes retábulos foi feito, porém, juntamente com Luís Manuel da Silva. Ou seja: pelo menos esta parte da obra não foi executada apenas pelo contratante, mas sim a quatro mãos.
Marceliano de Araújo. Não encontramos na documentação conhecida nenhum documento que nos informe que Marceliano de Araújo foi o autor de um qualquer risco, o que já demonstramos noutro local450. Não vamos entrar aqui pelas suas qualidades, quer como entalhador, quer e sobretudo como escultor que são absolutamente notáveis.
É esse outro problema que precisa de ser equacionado, tal a quantidade de esculturas existentes nas suas obras, sobretudo no retábulo da igreja da Misericórdia e nas caixas dos órgãos da Sé, trabalhos que são
450
OLIVEIRA, Eduardo Pires de – Revisitar Marceliano de Araújo. Misericórdia de Braga, Braga, 2. Dez. 2006, p. 115-140.
cronologicamente muito próximos, 1735 e 1737, o que poderá levar a pensar que ou foram ambos concebidos para aproveitarem as capacidades artísticas de Marceliano, ou que este poderá ter exercido alguma intervenção no risco, o que era corrente na época451. É possível que o autor dos dois riscos seja a mesma pessoa, não só atendendo aos aspectos formais de ambas as obras, mas também ao facto de o cónego Diogo Borges Pacheco Pereira ser, naquela data e simultaneamente, pela segunda vez provedor da Santa Casa da Misericórdia452 e chanceler-mor da Relação453.
Marceliano de Araújo deixou muito cedo de trabalhar. O último