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Persona moralis »

Dentre os instrumentos aplicados nessa investigação, o primeiro a ser descrito foi adaptado do Questionário de adesão ao tratamento da HAS (QATHAS) após anuência do autor. Ele identifica as características sociodemográficas e clínicas dos idosos e o nível de adesão ao tratamento da hipertensão. O instrumento foi respondido de forma oral pelo idoso, sendo as respostas anotadas pelo entrevistador (RODRIGUES, 2012), (ANEXO A).

O QATHAS está dividido em duas partes. A primeira parte contém as características socioeconômicas e nela foram alteradas as variáveis renda e nível de instrução, sendo a renda familiar substituída por renda pessoal, e adicionadas à variável nível de instrução as respostas: não frequentou escola e alfabetizado (sabe ler e escrever somente). A variável raça também foi acrescentada ao instrumento, pois atendia às necessidades desse estudo. As variáveis clínicas do instrumento utilizada nessa pesquisa foram: possui alguma doença além da HAS, acuidade visual e auditiva, percepção sobre o estado de saúde, pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAD), peso, altura, índice de massa corpórea (IMC), circunferência abdominal (CA).

A segunda parte do QATHAS tem doze itens acerca do uso da medicação, consumo de sal, gordura, carne branca, doces e bebidas com açúcar, além de investigar a prática de atividade física e o seguimento regular das consultas agendadas para o tratamento da HAS. Todas essas variáveis foram mantidas no instrumento utilizado nesta pesquisa.

A partir de dez dos doze itens que compõem a segunda parte do QATHAS Rodrigues (2012) elaborou a escala de adesão ao tratamento da HAS, a qual tem níveis que variam de 60 a 110. No primeiro nível da escala, nível 60, contemplam-se os dois primeiros itens do instrumento (o uso da medicação e o uso da medicação conforme a dose prescrita pelo profissional de saúde). No segundo nível da escala, nível 70, o indivíduo não faz uso da medicação nos horários prescritos ao menos uma vez por semana. Nos níveis 80 a 100 contemplam-se os itens referentes ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso. Do nível 110 da escala em diante, os hipertensos estão no mesmo nível de adesão, mas possuem escores diferentes.

A classificação proposta pela escala de adesão ao tratamento da HAS permite entender exatamente qual o significado do escore e não apenas indica a gravidade ou não da adesão. Isso quer dizer que os indivíduos hipertensos podem apresentar o mesmo escore total e não serem considerados iguais por não apresentarem o mesmo perfil de respostas.

Ao localizar o usuário na escala, o profissional de saúde saberá com exatidão em quais aspectos do tratamento o hipertenso deverá ser mais cuidadoso para ascender na escala de adesão. Dessa forma, a equipe de saúde pode reforçar positivamente os ganhos do paciente na escala e ambos irão perceber os avanços no tratamento (RODRIGUES, 2012).

O Quadro 6 mostra com mais detalhes o significado de cada nível da escala de adesão ao tratamento da HAS.

Quadro 6 – Escala de adesão ao tratamento da HAS.

Níveis da escala Significado

60 Neste nível, os hipertensos não tomam o anti-hipertensivo, ao menos uma vez por semana. E também não o tomam na dose prescrita, ao menos uma vez por semana. 70 Os hipertensos posicionados neste nível deixam de tomar a medicação para

hipertensão nos horários estabelecidos, ao menos uma vez por semana, e comparecem às consultas agendadas.

80 Ao atingirem este nível, os hipertensos deixam de tomar a medicação conforme a dose prescrita ao menos uma vez por mês, e fazem uso da medicação independente de sentir algum sintoma, seguem o tratamento medicamentoso rotineiramente e reduziram a terça parte do sal, da gordura, e de doces e bebidas com açúcar.

90 Os hipertensos localizados neste nível deixam de tomar a medicação, nos horários estabelecidos, ao menos uma vez por mês; reduziram à metade o sal, gordura, e doces e bebidas com açúcar.

100 Neste nível, os hipertensos deixam de tomar a medicação para hipertensão, ao menos uma vez por ano, e comem praticamente sem gordura e sem doces e bebidas com açúcar.

110 A partir deste nível, os hipertensos não deixam de tomar a medicação para hipertensão, comem praticamente sem sal e seguem o tratamento não medicamentoso rotineiramente.

Fonte: Rodrigues (2012).

O segundo instrumento utilizado determina o LS de pessoas idosas (ANEXO B), e se compõe por questões abertas e fechadas, tendo sido elaborado por pesquisadores canadenses (KWAN; FRANKISH; ROOTMA, 2006) e validado para uso no Brasil (PASKULIN et al., 2011). Na presente investigação, as variáveis utilizadas estão relacionadas à alfabetização em saúde, busca por informações em saúde, entendendo e compartilhando as informações em saúde e repercussões das informações em saúde, não sendo contempladas as variáveis de identificação do idoso, já compreendidas no QATHAS.

Este instrumento possui perguntas abertas e fechadas. Assim, para as primeiras, o entrevistador coletou as respostas de forma escrita e, para as segundas, foi utilizado um gravador de voz digital.

Os itens de investigação partem de um interesse/preocupação em saúde vivenciado e escolhido pelo participante, que responde às questões com base em uma situação concreta (“No ultimo mês, o que o Sr(a) pensou sobre sua saúde?”).

As questões versam acerca do significado de envelhecimento saudável às pessoas idosas; a autopercepção de saúde, as fontes de informação utilizadas pelas pessoas idosas no que tange às questões relacionadas à sua saúde; a satisfação e confiança nas informações obtidas; a utilidade das informações e o entendimento delas pelos idosos; a coerência das informações recebidas; as pessoas com quem o idoso dividiu, o que aprendeu e o impacto das informações em saúde em sua vida (PASKULIN et al., 2012).

Esses instrumentos foram aplicados pelo pesquisador e por uma equipe treinada por ele, a qual foi composta por acadêmicos de enfermagem e enfermeiros do Grupo de Pesquisa em Saúde Coletiva (GPESC) da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Durante o treinamento, os instrumentos foram apresentados e aplicados entre os componentes da equipe, sendo esse momento propício para tirar dúvidas e treinar o seu uso junto aos respondentes. Ao final de cada dia, os membros da equipe relatavam suas expectativas e eram convidados a trazer para o próximo encontro dúvidas e sugestões para melhor abordagem aos idosos de acordo com cada instrumento utilizado.

Também foram considerados instrumentos para coleta de dados as etapas dos Círculos de Cultura por meio do registro fotográfico e filmagem (MONTEIRO, 2007). Nelas foram contempladas as falas e narrativas dos participantes sobre o tema e a atividade realizada.

O pesquisador participou do Círculo como facilitador/pesquisador/enfermeiro, assim, para o registro do som e da imagem fez-se necessária a participação de uma equipe colaboradora treinada para auxiliar na coleta de dados, respeitando a espontaneidade das pessoas e sem interferir na dinâmica dos Círculos (MONTEIRO, 2007).