RÉFLEXION SUR LES MÉTHODES
A- FORMES ET ENJEUX DE LA MÉDICALISATION
2) UNE MODALITÉ DE PRISE EN CHARGE DES « PROBLÈMES »
Segundo Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI, 2008) o setor de EMHO é “constituído por fabricantes de equipamentos, eletroeletrônicos ou que utilizam outra fonte de energia, inclusive energia potencial da gravidade, incluindo as partes aplicadas, sensores e dispositivos de controle e sistemas de proteção” (ABDI, p.37). Somam-se ainda a produção de equipamentos e dispositivos utilizados no suporte aos diagnósticos e procedimentos médicos, e produtos de mobiliário hospitalar. A partir disso podemos, ao observar a figura 2, elaborada por Oliveira e Porto (2004), podemos compreender a organização da cadeia produtiva do setor que, além das indústrias, envolve um conjunto de organizações prestadoras de serviços em saúde que são as consumidoras dos produtos fabricados.
Figura 2: Mapeamento da Cadeia Produtiva do setor de EMHO. Fonte: Oliveira e Porto (2004, p.8).
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Como pode ser observado, no modelo elaborado por Oliveira e Porto (2004) existem diferentes agentes na cadeia e que estão organizados entre atores principais, atores secundários fabricantes e consumidores, podendo construir relações entre si, estando em um contexto geral e que envolve toda a cadeia. Para os autores, o contexto que evolve a cadeia se refere às influências políticas governamentais, os reflexos da política econômica, o impacto no meio ambiente e a dimensão da infraestrutura do entorno, como estradas, aeroportos, portos, saneamento básico, eletricidade. As universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas, além de gerar conhecimento cientifico, fornecem força de trabalho qualificada.
As empresas, sobretudo as de base tecnológica, são responsáveis pela utilização, difusão e multiplicação da inovação. O poder público (federal, estadual e municipal) estabelece as políticas gerais em Ciência, Tecnologia & Inovação (CT&I), assim como, as prioridades particulares em Saúde, subsidiando a maior parte dos estudos e processos responsáveis pela criação dos ambientes de Inovação.
Caracterizada a cadeia produtiva, podemos apresentar os principais traços que definem o setor de EMHO. Inicialmente, o setor apresenta uma grande variedade de produtos com diferentes níveis de emprego tecnológico, desde produtos mais tradicionais até o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e nanotecnologia. Segundo a ABDI (2008) a indústria do setor de EMHO é composta por seis subsetores ou segmentos produtivos: laboratórios; radiologia e diagnóstico por imagem; equipamentos médico-hospitalares; implantes e reabilitação; material de consumo e odontológicos. No quadro 12 é apresentado à descrição de cada subsetor.
Quadro 12: Descrição dos subsetores.
Subsetores Descrição Produtos
Laboratórios Produção de equipamentos e
materiais para laboratórios de análises clínicas, de pesquisa e de empresas.
Contadores de células; equipamentos automáticos para exames clínicos; microscópios de laboratório; espectrofotômetros; agitadores; câmaras climáticas; centrífugas; reagentes para diagnóstico, para determinação de tipo sanguíneo e de fator Rh; sistemas coletores; tubos de ensaio; pipetas; recipientes em vidro; dentre outros.
Radiologia e
diagnóstico por imagem
Produção de equipamentos para raios X, processadores, filmes (diagnóstico) e de consumo.
Aparelhos de raios X móvel, estacionário ou telecomandado; arcos cirúrgicos; simuladores de radioterapia e braquiterapia; protetores plumbíferos; chassis radiográficos; processadores e identificadores de filmes; filmes de raios X para uso médico e odontológico; contrastes e outros.
67 Equipamentos médico- hospitalares Produção de eletromédicos, mobiliários hospitalares, instrumentais cirúrgicos, equipamentos fisioterápicos, cozinhas e lavanderias.
Mesa cirúrgica; bisturi elétrico; incubadora; aparelho de anestesia; ventilador pulmonar; monitor cardíaco; eletrocardiógrafo; equipamentos para hemodiálise; endoscópio; aparelho para tomografia computadorizada e para diagnóstico por ressonância magnética; pinças; tesouras; aparelho de ultra-som e de ondas curtas; esterilizadores e outros.
Implantes e
reabilitação Produção implantáveis, destinados a de produtos
usos ortopédicos, cardíacos, neurológicos e outros.
Próteses articulares de quadril, ombro, cotovelo; implantes para coluna, buco-maxilares, placas, parafusos; marca-passos, desfibriladores; válvulas; stents; cateteres; válvulas e cateteres; implantes cocleares, de mama e testículos.
Material de
consumo São empresas fabricantes de materiais de consumo
hipodérmicos.
Agulha, seringa, escalpe, materiais têxteis e outros.
Odontológicos São empresas fabricantes de
equipamentos odontológicos, materiais de consumo e de implantes odontológicos.
Cadeiras odontológicas, equipos, refletores, mochos, dosadores e misturadores de amálgamas, resinas, amálgamas, ceras, cimentos para restaurações, massas para moldagem, etc.
Fonte: ABDI (2008, p. 38 – 39).
Com o apresentado no quadro 12, a diversidade de produtos exibe uma relação intrínseca entre pesquisa e desenvolvimento, oque tem demandado um maior emprego tecnológico. A inovação é um imperativo do setor, agregando inclusive, tecnologias de diferentes áreas do conhecimento, como a microeletrônica, a engenharia, a mecânica de precisão, a química fina e a física. As indústrias do setor podem ser desde grandes empresas multinacionais altamente capacitadas tecnologicamente, com grande variedade de produtos e tendo ou não filiais em diferentes regiões do mundo, até empresas de pequeno porte, com certa especialização produtiva e de atuação estritamente nacional, salvo casos que são beneficiadas por programas de apoio a exportação.
A necessidade de as empresas, independente do porte, de inovar (P&D) se deve as tendências do próprio mercado, no qual intensifica a competitividade. Segundo Moreli et al (2010, p.10) “as empresas do setor de EMHO concentram seus esforços inovadores na busca por soluções que visem a diminuição do trauma e tempo no hospital com procedimentos menos invasivos”, fazendo uso de materiais e componentes miniaturizados, além de melhorar as técnicas de diagnóstico por imagem e desenvolvimento da telemedicina. No quadro 13, indicamos as tendências tecnológicas no setor de EMHO.
68 Quadro 13: Tendências tecnológicas no setor de EMHO.
Equipamentos
Médicos Procedimentos menos invasivos que envolvam sangue (redução da transfusão de sangue quanto os direcionados para melhoria das análises).
Novos equipamentos e técnicas de endoscopia, cateterismo e laparoscopia em virtude do desenvolvimento e aplicação de materiais e componentes miniaturizados.
Melhoria das técnicas de Diagnóstico por imagem (fontes de radiação não ionizante).
Equipamentos
Odontológicos Medicina preventiva e estética. Imagens por processos não radioativos:
- exames sem injeção de substâncias radioativas no organismo, ou que possibilitam que a substância seja ativada somente durante o período da realização dos exames;
- aperfeiçoamento de técnicas de formação de imagens por meio de fontes não radioativas como ultra-som.
Fonte: MORELI et al, 2010 apud Porto, Kannebley Jr. e Alves (2008).
Um aspecto que deve ser mencionado em relação às estratégias lançadas pelas empresas do setor para alavancar a sua capacidade competitiva, isso porque ao dependerem da oferta tecnológica externa ao setor, vê-se a emergência de um ambiente industrial caracterizado por aglomerações como os clusters ou APLs, expondo assim a opção por estratégias baseadas na interação com fornecedores de outras indústrias, com fabricantes do próprio setor, de associações, universidades e centros de pesquisa. Além disso, os investimentos e avanços tecnológicos no campo de equipamentos médicos têm sido liderados, em geral, pelos grandes fabricantes mundiais oriundos de países desenvolvidos, tradicionais produtores e consumidores de equipamentos médicos, mas também têm gerado oportunidades para a atuação de institutos e de laboratórios de pesquisa, frequentemente associados a universidades, bem como de diversos tipos de empresas, inclusive de menor porte e de capital nacional, localizadas em países menos desenvolvidos. (PIERONI, REIS, SOUZA, 2010, p. 3)
Com isso pode-se considerar também a importante atuação do poder público para o avanço tecnológico da indústria de EMHO, seja “na forma de financiamento às atividades de pesquisa na área da saúde, de injeção de recursos estatais nas empresas de base tecnológica (NBF) e de indução de parcerias entre universidades e empresas” (ABDI, 2009, p.2). Esse é um aspecto importante do setor equipamentos médico, bem como de todo o complexo da saúde, no Brasil.
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