• Aucun résultat trouvé

Une lutte contre un occupant considéré comme « illégitime »

Partie I : La violence armée (1969-1972)

III. L’IRA et le discours républicain

III.2 Une lutte contre un occupant considéré comme « illégitime »

O Hipercortisolismo, ou Hiperadrenocorticismo (HAC), é uma doença frequente no cão, e rara no gato (Reusch et al., 2010), que pode ser definida como o conjunto de alterações clínicas e bioquímicas que resultam da exposição crónica a excessivas concentrações de glucocorticóides (GC). O neurocirurgião Dr. Harvey Cushing foi o primeiro investigador a descrever, clinicamente, esta doença à qual se denominou de Síndrome de Cushing (Kooistra e Galac, 2010; Melián et al., 2010).

O HAC tem duas causas espontâneas, a excessiva secreção da hormona adrenocorticotrófica (ACTH), que origina o hiperadrenocorticismo dependente da hipófise (HAC-DH), a presença de um tumor funcional da glândula adrenal (HAC-TAF), e uma causa iatrogénica (Melián et al., 2010).

No cão, 80 a 85% (Kooistra e Galac, 2010; Melián et al., 2010; Reusch et al., 2010) dos casos de HAC são dependentes da hipófise, onde a excessiva secreção de ACTH origina a hiperplasia bilateral da glândula adrenal e a excessiva produção de glucocorticóides. Os restantes 15 a 20% (Kooistra e Galac, 2010; Melián et al., 2010; Reusch et al., 2010) resultam de tumores, adenoma ou adenocarcinoma, adrenocorticais funcionais, que realizam hipersecreção autónoma de glucocorticóides. No HAC-DH, mais de 90% dos casos apresentam tumor (adenoma) da hipófise, dos quais 70% têm localização na pars distalis e 30% na pars intermedia (Melián et al., 2010).

Em Medicina Humana, 12 a 17% dos doentes com síndrome de Cushing apresentam secreção ectópica de ACTH (Isidori e Lenzi, 2007). As suas causas mais frequentes estão associadas a vários tumores benignos e malignos. Entre eles estão tumores de localização

19

torácica e abdominal como o carcinoma pulmonar de pequenas células, os carcinóides brônquicos, os tumores tímicos, os tumores de ilhas pancreáticas, o carcinoma medular da tiróide e os feocromocitomas (Isidori e Lenzi, 2007). Em Medicina Veterinária esta situação endócrina é rara sendo, pela primeira vez documentado em 2005, um caso de secreção ectópica de ACTH, num Pastor Alemão com 8 anos de idade. A sua origem esteve, possivelmente, num tumor neuroendócrino abdominal (Galac e Feldman, 2005).

O HAC espontâneo é uma doença de cães de idade média e idosos, mas pode ser diagnosticado em animais dos 6 meses até aos 20 anos de idade. A média de idades ao diagnóstico é de 11 anos e a maior parte dos animais apresenta mais de 6 anos. Assim, o diagnóstico de HAC, num animal com idade inferior a 6 anos, deve ser cuidadoso, visto não ser uma doença comum nesta faixa etária (Melián et al., 2010). No HAC-DH, não existe predisposição sexual. Porém, nos tumores adrenocorticais, 60 a 64% são fêmeas. A nível racial, ocorre em todas as raças, havendo uma maior predisposição para Daschounds e Poodles miniatura (Kooistra e Galac, 2010). Segundo Mélian et al. (2010) juntam-se, às raças anteriormente mencionadas, as Terriers e Boxer no grupo de cães com maior predisposição para HAC-TAF. Este mesmo autor acrescenta que, neste tipo de tumor, 50% dos cães apresentam peso superior a 20Kg e, em contrapartida, 75% dos animais com HAC-DH têm peso inferior a 20Kg.

O HAC tem um início insidioso, mas é de progressão lenta (Reusch et al., 2010). No geral, o excesso de GC resulta no catabolismo de tecidos periféricos, como o músculo e a pele, de forma a estes órgãos fornecerem o substrato (Kooistra e Galac, 2010). Os sinais clínicos encontrados no HAC espontâneo são semelhantes aos observados no HAC iatrogénico (Huang

20

5.3.1. Hiperadrenocorticismo versus Hipertensão Arterial

A incidência de HT na população canina com HAC varia segundo os autores: 69,3% (Goy-Thollot et al., 2002), 66,7% (Novellas et al., 2008) e 31,4% (Lien et al., 2010). Segundo Reusch et al.(2010), a prevalência actual de HT (≥150mmHg) em cães com esta doença endócrina, é de 78%, 58% dos quais com risco leve a moderado e 42% com risco grave de sofrem lesão nos órgãos alvo. Porém, segundo alguns autores, em certos estudos de HAC, a prevalência de HT está sobrestimada devido a erros na técnica de medição da PA (Schellenberg et al., 2008).

Foi realizado um estudo para avaliar o efeito da hidrocortisona na PA (Schellenberg et

al., 2008). Para tal, foi administrada hidrocortisona em 6 cães com idade média de 3,5 anos e

avaliada a PA através de um método indirecto de oscilometria. Os autores observaram um

TABELA VIII. Sinais clínicos, no cão, associados ao hiperadrenocorticismo (adaptados de Kraft & Egner, 2003). SINAIS CLÍNICOS

Poliúria/Polidipsia - ↓reabsorção de água pelos túbulos renais: aumento da filtração glomerular e inibição da ADH.

“Panting” - ↓ complacência pulmonar, fraqueza dos músculos respiratórios, hipertensão pulmonar, efeitos directos do cortisol no centro respiratório.

Alopécia e alterações dermatológicas - Região do tronco, bilateral simétrica. Pele fina e hipotónica, comedões, hiperpigmentação, aumento da predisposição a pioderma.

Fraqueza muscular - Secundário aos efeitos catabólicos dos glucocorticóides.

AbdómenpPendular - Ao qual contribui a hepatomegália, a distensão da bexiga, a redistribuição de gordura no mesentério abdominal e a fraqueza dos músculos abdominais.

Atrofia dos músculos e pele- Devido à acção catabólica dos glucocorticóides. Polifagia com aumento de peso - Acção directa do excesso de glucocorticóides.

Mineralização bronquial e intersticial - Alteração no tecido conjuntivo intersticial pulmonar, contribuindo para a hipoxemia em alguns animais.

Calcificação distrófica da pele - Placas irregulares no tecido cutâneo ou subcutâneo, principalmente na linha média dorsal, no pescoço, no abdómen ventral, nas áreas inguinais, na cabeça e na área temporal.

Desenvolvimento de Diabetes mellitus - Hiperglicemia persistente.

Desenvolvimento de resistência à insulina – Cortisol é antagonista da acção da insulina.

Infecções do tracto urinário inferior - Efeito imunossupressor do cortisol em excesso, diminuição da densidade urinária, retenção urinária, atonicidade de bexiga.

Sinais neurológicos - Letargia (mais comum): excesso de ACTH e cortisol interferem na acção de enzimas cerebrais e na síntese de neurotransmissores. Alterações de comportamento, depressão, convulsões, diminuição de apetite e perda de peso: efeitos compressivos do crescimento do tumor hipofisário.

Atrofia testicular (macho); Infertilidade (fêmea) - Elevada concentração de cortisol provoca feedback negativo na hipófise: ↓FSH e ↓LH.

21

aumento da PA apenas a partir do dia 28 após a sua administração e o aumento da PS foi de apenas 20mmHg em 1-2 meses, nunca atingindo valores superiores a 150mmHg de PS e 95mmHg de PD. Para além disso, a partir do terceiro mês de tratamento os valores de PA foram diminuindo e voltaram aos valores basais após a finalização da administração da hidrocortisona.

No HAC espontâneo, os valores de PA são muito superiores aos obtidos neste estudo. A possível explicação destes resultados reside no facto de terem sido utilizados animais saudáveis cujo único parâmetro alterado foi o aumento da hidrocortisona. Além disso no HAC espontâneo estão descritos outros factores que podem ter um papel decisivo no desenvolvimento de HT, são exemplo destes o excesso de produção de precursores de GC, dos mineralocorticóides e de aldosterona (Schellenberg et al., 2008). O aumento da aldosterona foi verificada em cães com HAC-TAF e relacionada com o desenvolvimento de HT (Javadi et al., 2003) porém o mesmo não foi descrito em animais com HAC-PDH (Goy-Thollot

et al., 2002). Por outro lado, o HAC espontâneo é uma doença endócrina de animais de

meiaidade e idosos. Relacionado com a idade há diversos factores, como a obesidade e a aterosclerose, que podem ter um papel preponderante no desenvolvimento de HT. Pelo contrário, neste estudo, foram usados animais com idades de 3,5 anos (Schellenberg et al., 2008).

Lien et al.(2010) não encontraram correlação entre a elevada concentração de cortisol, como factor singular, e o aparecimento de HT, havendo, portanto, outros factores implicados.

Em suma, os mecanismos pelos quais os GC estão envolvidos, de forma directa ou indirecta, na HT são vários (Smith et al., 2001; Duke et al., 2008; Reusch et al., 2010):

 a actividade intrínseca dos mineralocorticóides (aumento da reabsorção renal de sódio com consequente retenção de fluído resultando num aumento do fluído vascular);

 a activação do SRAA;

 o aumento do inotropismo cardíaco e da actividade de substâncias vasoactivas (como as catecolaminas, a vasopressina e a angiotensinaII) e a supressão do sistema vasodilatador.