4.2 Le Tirumur
4.2.2 Les œuvres de Nampi ¯ An.t.¯ar Nampi
O stresse tem sido apontado como responsável por aspectos tão variados como “a primeira úlcera gástrica do moderno executivo”,
“o acidente de automóvel de certa personalidade”, “o fraco rendimento da figura do desporto no campo de jogo”,
“a incapacidade de uma pessoa para ter prazer sexual”, “a inexplicável depressão da cantora da moda”.
(Labrador, 1992)
Se fosse atribuído um prémio ao possível culpado pela maior parte das desgraças pessoais, especialmente as relacionadas com a saúde, certamente que o stresse seria um destacado candidato.
O cenário da vida humana decorre num mundo no qual o stresse é entendido como um fenómeno comum à vida, de tal forma que invade o círculo privado de qualquer ser humano. A capacidade que cada um tem de se adaptar ao stresse constitui um factor determinante para a sobrevivência do Homem.
No entanto, ao longo do seu desenvolvimento, o ser humano é colocado perante acontecimentos ou situações consideradas como causadoras ou desencadeadoras de stresse, tais como o emprego, o casamento, o divórcio, a viuvez, as mudanças de escola, de casa, as catástrofes, entre outras. Estas situações podem estar na base de problemas de saúde (Holmes e Rahe, cit. in Fonseca, 2005). Esta ideia não é, porém, consensual. Autores como Felner, Farber e Primavera (cit. in Fonseca, 2005), revelam que em alguns estudos se constatou que, mesmo perante situações como as acima referidas, muitas pessoas se mantêm saudáveis. Aparentemente, cada indivíduo dispõe de “recursos” para lidar com as situações de stresse, permanecendo saudável e podendo
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mesmo prevenir o aparecimento da doença.
Parece lógico pensar que esta capacidade (“recursos”) que o indivíduo possui é de particular importância, principalmente quando falamos de stresse, uma vez que a ideia convergente aponta para perceber o stresse como responsável por grande parte dos problemas, quer físicos quer psicológicos, do Homem contemporâneo. O Homem, como ser social que é, tem necessidade de acompanhar a evolução, a fim de se sentir integrado na sociedade. No seu horizonte surgem vários obstáculos e problemas, que procura vencer, ultrapassar e resolver, caminhando sempre na busca de bem-estar e de felicidade. No entanto, quando se sente impotente face a um obstáculo ou problema que não consegue vencer, surge a ansiedade, o mal-estar e por vezes o stresse. Embora não seja claro como é que o stresse produz efeitos ou afecta de maneira tão decisiva a vida das pessoas, o facto é que passou a ser um dos temas mais estudados nos dias actuais, o que tem permitido ajudar a compreender os limites entre o patológico e o normal, bem como a relação entre o biológico, o psicológico e o social (Serra, 2007).
Existem muitas opiniões quanto ao sentido da palavra “stresse” e não é fácil encontrar um significado que seja aceite de forma unânime (Maslach e Jackson, 1986).
Etimologicamente, a palavra “stresse” deriva do latim clássico “stringo, stringere, strinxi”, que significa “apertar, comprimir, restringir ou limitar” (Graziani e Swendsen, 2007). As primeiras referências sobre o termo remontam ao século XIV, e nesta altura foi acrescentada pelo vocabulário inglês a conotação de “pressão ou constrição de natureza física” (Mazure e Druss, cit. in Loureiro, 2005). Mais tarde, a ideia foi alargada com o conceito de “pressões que incidem sobre o órgão corporal, sobre o corpo ou sobre a mente” (Schauffer, cit. in Loureiro, 2005). O termo surge então relacionado com os conceitos de “força, esforço e tensão” (Benevides-Pereira, 2002). O conceito de stresse está também presente na Física, no âmbito da qual designa uma contracção excessiva que um material sofre (Doran e Parrot, 2001), tendo sido também usado na Engenharia. Assim, este conceito generaliza-se, e por analogia foi adoptado pelas ciências humanas. Neste sentido, no século XVII, Hooke constitui um marco histórico do estudo do stresse ao lançar este termo referindo-se às forças exercidas sobre um objecto que levariam a
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que este sofresse deformações. A dimensão do stresse dependia então não só da força exercida, mas também do tipo de material (Frasquilho, 2005). O stresse representa neste sentido uma relação estabelecida pelo ser humano entre a “carga” e a “resposta psicofisiológica” que o indivíduo desencadeia perante a mesma (Lazarus, cit. in Serra, 2007).
Para Pafaro e Martino (2004), o stresse é um dos factores responsáveis por alterações do estado de saúde e de bem-estar do indivíduo, que podem levar à doença e à morte.
Segundo Cox, Griffiths e Cox (1996), a experiência do stresse representa um estado psicológico e é um importante outcome da exposição às adversidades de qualquer situação.
Para Lipp (cit. in Camelo e Angerami, 2004), as primeiras referências à palavra stresse com significado de “aflição” e “adversidade” datam do século XIV. Para Spielberger, citado ainda pelos mesmos autores, no século XVII o vocábulo de origem latina passou a ser utilizado em inglês para designar “opressão”, “desconforto” e “adversidade”.
Nas suas várias definições, o stresse diz portanto respeito ao esforço de uma função que está além da sua capacidade adaptativa (Lipp, cit. in Loureiro, 2005).
De acordo com Labrador (1992), o termo “stresse” veio da Física; neste contexto, significa uma força ou peso que produz diferentes graus de tensão ou deformação em diferentes materiais.
Para Más, Escribá e Cárdenas (1999), existem múltiplas definições do termo “stresse” em função das características especiais de cada disciplina, assim como do tipo de problemas estudados por cada uma dessas mesmas disciplinas. De uma forma geral, estas definições podem ser agrupadas em cinco categorias, segundo a conceptualização: como um estímulo ou condição ambiental susceptível de ser medido objectivamente, como uma percepção subjectiva de uma condição ambiental, como uma resposta ou reacção a um estímulo ambiental, como um desajuste ou falta de equilíbrio entre as
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exigências ambientais e as capacidades do indivíduo para fazer frente a essas mesmas exigência, e como um processo mais complexo no qual intervêm outros factores, como a apreciação cognitiva da situação de desequilíbrio por parte do sujeito, os mecanismos ou estratégias de confronto postos em prática e a reavaliação posterior da situação.
Lipp, citado por Costa, Lima e Almeida (2003), considera que tudo o que cause uma quebra da homeostase interna, que exija alguma adaptação, pode ser chamado “stressor”.
Conforme Margis, Picon, Cosner e Silveira (2003), o termo stresse refere-se a um estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e que, ao perturbarem a homeostase, “disparam” um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento de secreção de adrenalina, produzindo diversas manifestações sistémicas, com distúrbios fisiológicos e psicológicos. O termo “stressor”, por sua vez, define o evento ou estímulo que provoca ou conduz ao stresse.
Mas quando Selye o utilizou no contexto das Ciências da Saúde, deu-lhe um significado algo diferente. Neste contexto, o termo “stresse” não faz referência ao estímulo (o peso ou a carga na Física) mas sim à resposta do organismo a este estímulo. Assim, o termo “stresse” é utilizado para descrever a soma das alterações inespecíficas do organismo em resposta a um estímulo ou situação estimulante (Selye, cit. in Labrador, 1992).
Tal definição, diferente na substância da utilizada na Física, levou à “confusão” que reina (e que dificulta, assim, a definição) tanto na literatura científica quanto na linguagem do quotidiano, não se sabendo, afinal, se no contexto da Saúde o termo “stresse” faz referência a um estímulo (ou situação estimulante) ou à resposta que o organismo lhe dá. É por isso que alguns autores utilizam outras expressões (expressões compostas e alternativas, dir-se-á) para tentar mostrar claramente ao que se referem em cada momento. Assim, se estão a falar de um estímulo ou de uma situação estimulante, referem-se-lhe como “stressante” ou “situação stressante”; se estão a falar da resposta do organismo a esse stressante ou a essa situação stressante referem-se-lhe como “resposta de stresse”.
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Nos dias de hoje, o conceito de “stresse” tem sido caracterizado como resposta fisiológica e psicológica, condição ambiental e como estímulo na interacção das exigências com o meio, tendo em conta os recursos pessoais e sociais e a capacidade de resposta que resulta da avaliação que o indivíduo efectua quanto às exigências externas e aos recursos essenciais para lidar com elas (Cardoso, cit. in Loureiro, 2005).
É verdade que em muitos casos não está esclarecido como é possível que o stresse produza os efeitos por tantos e em tantos locais descritos ou afecte de maneira tão decisiva a vida das pessoas. Não obstante, reina generalizadamente a ideia, tácita ou explícita, de que o stresse é o principal responsável pela maior parte dos males das pessoas (Labrador, 1992).
Em documento de 2002 da Comissão das Comunidades Europeias é escrito, segundo Murofuse, Abranches e Napoleão (2005) que as enfermidades consideradas emergentes, como o stresse, a depressão e a ansiedade, entre outras, são responsáveis por 18% dos problemas de saúde associados ao trabalho.
Cada vez mais se recorre à palavra “stresse” associada a sensações de desconforto, e é cada vez maior o número de pessoas que se definem como “stressadas” ou que se referem a outros indivíduos na mesma situação. Costuma dizer-se que a situação está cada vez pior porque a sociedade actual gera cada vez mais stresse e, portanto, provoca uma progressiva diminuição da qualidade de vida.
É isto realmente verdade? É o stresse assim tão negativo? Estará o Homem condenado a viver cada vez pior por sua causa?
Para Barstow (cit. in Stacciarini e Tróccoli, 2001), o stresse é quase sempre visualizado como algo negativo, que ocasiona prejuízo no desempenho global do indivíduo.
Para Labrador (1992), é verdade que se associam ao stresse muitos aspectos negativos, mas isso não quer dizer que o stresse seja em si algo a extirpar da vida de cada um, a qualquer preço e seja de que maneira for. O stresse, como o sal, em quantidades e
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condições adequadas, não apenas não é mau mas é necessário e pode ser decisivo ou, pelo menos, muito importante para que se tenha uma vida satisfatória. Já um excesso de stresse, como de sal, pode ser desagradável ou mesmo biologicamente nefasto.
A realidade não é tão simples e muito menos tão negativa. A visão contemporânea do stresse é de que a sua existência não é automaticamente má ou deva ser evitada a todo o custo. Selye (cit. in Hespanhol, 2005), distingue dois tipos de stresse: o “eustresse”, enquanto força poderosa que acrescenta excitação e desafio às nossas vidas, que propicia a felicidade, a saúde e a longevidade; e o “distresse”, que ocorre quando existe uma tensão não aliviada, que conduz à destruição, à doença e à morte prematura.
É possível que as actuais condições de vida provoquem nas pessoas grandes reacções de stresse, reacções que são provavelmente diferentes das que o stresse causou noutras épocas, mas dificilmente se poderá dizer que são maiores ou menores. As investigações sobre o stresse concordam em afirmar que a maneira como se percebe, se interpreta e se procura fazer frente a estas situações é mais importante do que as situações em si para provocar respostas de stresse.
Como afirma Batista (2005), os seres humanos vivem num ambiente propício a mudanças e alterações, que muitas vezes são percebidas como desafiadoras, ameaçadoras ou lesivas do equilíbrio dinâmico, e que acabam por originar o estado de stresse. Muitas vezes, a grande exigência imposta às pessoas pelas mudanças da vida moderna e, consequentemente, a necessidade imperiosa de ajustar-se a tais mudanças, acabaram por expô-las a uma frequente situação de conflito, ansiedade, angústia e desestabilização emocional (Ballone, 1999). A adaptação consiste no modo como a pessoa irá enfrentar o problema, exigindo-lhe uma modificação na sua própria estrutura organizacional.
Assim, o stresse, em determinados condições, é um mal que atinge a população em geral, sendo altamente incapacitante e interferindo de modo decisivo e intenso na vida pessoal, social e profissional do indivíduo. É ainda um problema de grande impacto económico (Ward, Jones e Phillips, 2003).
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É crescente a preocupação referente ao stresse. Segundo Bauer (cit. in Batista e Bianchi, 2006), anteriormente, o tema vinculava-se à abordagem da auto-ajuda. Mas nas mais recentes publicações literárias, verifica-se um aumento de artigos e pesquisas científicas relacionadas com os métodos de como lidar com o stresse; e com grande preocupação na área da enfermagem.
Desde que, em 1926, Hans Selye introduziu o termo “stresse” no âmbito da Saúde, este tornou-se um dos termos mais utilizados. Selye apercebeu-se de que muitas pessoas sofriam de várias doenças físicas e apresentavam algumas queixas em comum, como fadiga, hipertensão, desânimo e falta de apetite (Spilberger, cit. in Pafaro e Martino (2004) e deu assim um significado um pouco diferente ao termo, definindo-o como a resposta geral do organismo perante qualquer estímulo ou situação stressante (Labrador, 1992). Posteriormente, o termo foi utilizado de diversas formas e em diferentes contextos, passando a servir, no caso dos aspectos ligados à Saúde e ao comportamento humano, para designar tanto a resposta do organismo como a situação que desencadeia ou os efeitos produzidos em consequência da exposição repetida a situações stressantes.
O stresse tem sido estudado, assim, sob diversas perspectivas. Primeiramente, tanto a teoria quanto a investigação sobre o stresse focalizava-se em causas físicas, sendo apenas mais tarde consideradas nestes estudos as causas psicológicas (Feijóo, 2004).
Para Lautert, Chaves e Moura (1999), as investigações têm demonstrado que os eventos stressantes podem vir a ser factores etiológicos de vários problemas físicos e emocionais. Nessas investigações, o stresse tem sido considerado, sucessivamente, como estímulo, resposta e interacção.
Para McVicar (2003), Lazarus e Folkman integraram esta visão do stresse numa teoria cognitiva, que se tornou a mais largamente aplicada no estudo tanto do stresse profissional quanto das formas de lidar com o stresse. O conceito básico, para este autor, é o de que o stresse se relaciona quer com a percepção individual sobre as exigências que recebe do meio quer com a percepção da capacidade ou competência para dar resposta a essas mesmas exigências.
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