comparaison sur la base d’analyses pétrographiques et chimiques
3 Comparaison avec d’autres sites de consommation
Consideramos que a política salarial dos professores públicos municipalizados dá-se em um contexto conjuntural cuja política nacional experimenta um Estado de
paradigma neoliberal que influenciou as ações do governo do Pará. Este contexto
possibilita esboçar nas considerações em tela uma avaliação geral, a partir do objeto
estudado. Isto significou verificar que prefeitos e governo estadual, em grande maioria,
seguiram a lógica de construir políticas educacionais municipalizantes, executadas sob a
diretriz da Municipalização do Desenvolvimento Regional e serviu para distribuir medidas
administrativas estruturantes sob os interesses do governo estadual em parceria com o
setor privado. Isto representou transferir responsabilidades do governo do Estado para os
municípios. No âmbito da educação esta ação se deu com o ensino fundamental e as suas
modalidades, além da educação infantil, pois esta força construtiva fez acelerar processos
de municipalização do ensino, alcançando exatos 101 Convênios, dos seus 143 municípios, dados de 2008. Neste cenário, o município de Tucuruí, firmou-se como o
primeiro ente federado do processo de ME do Pará, e assumiu todo o ensino fundamental
educação infantil e os professores atuantes nestas etapas e modalidades de ensino.
Frente ao contexto estadual da ME, numa linha de contradição ao volume de municipalização implementado- 101- fica evidenciado um fator quantitativo decrescente
dos municípios aderentes aos Convênios de Cooperação Técnica, o que nos parece
demonstrar um enfraquecimento desta política. Entre 1997 a 1998, dois anos de implementada a ME, os Convênios alcançaram 61 prefeituras. Entre 1999 a 2001, a
quantidade dos Convênios cai para 26, e entre 2002 a 2006, o número declina para 14
municípios, entre 2007 a 2008, não há novos Convênios. 160
O fator decrescente atinge os professores municipalizados, quando em 2002 a folha de pagamento da SEDUC contabiliza 4.197, em 2008, apenas 2.486 professores
estão presentes na folha dos municipalizados, o que corresponde a uma declinação para
cerca de 40% de municipalizados. O município de Tucuruí, acompanha essa tendência de
professores declinante, quando em 2002, a folha de pagamento referente ao município
conta com 56 professores, em 2006, aparecem 40, e em 2008, constam apenas 33
municipalizados. Este pequeno número de professores municipalizados corresponde ao
montante de R$ 59.913,10 brutos para o pagamento de salários, face ao valor da folha
geral de servidores do Estado que correspondente a R$ 4.983.126,81 para pagar salários.
A situação dos professores municipalizados, diante reduzido número do
quadro funcional em cerca de 40%, mostrado pelos dados, caminha para a conformação de
um cargo de pessoal em extinção, semelhante aos servidores pertencentes ao quadro
suplementar previsto no Estatuto do magistério Estadual. E se esta observação confirmarse
por meio de um outro estudo, é possível que os parcos investimentos financeiros dedicados a sua carreira levem a uma questão que este estudo não se preocupou: qual o
governo estadual e prefeito apostariam em professor municipalizado cujo cargo está em
extinção?
No que tange à gestão dos cargos dos professores municipalizados, referente à execução do pagamento dos seus salários e aos recursos humanos, identificamos a
existência de um vácuo administrativo na seguinte direção. Os professores, não se sentem
pertencentes efetivamente, a nenhuma das instituições de ensino, nem a SEDUC nem
SEMED, melhor identificada esta característica de gestão quando os docentes procuram
pela concessão de licenças funcionais e pelo pagamento dos seus salários, às vezes em
atraso, pois as duas instituições agem, frente ao pedido com certo descaso no trato destas
solicitações. No caso da concessão de licença a única deferida pela SEMED é para o gozo
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de mandato eletivo, as demais são expedidas pela SEDUC. Quanto ao pagamento dos
salários a SEMED a assume ser mera repassadora do contra cheque dos professores
municipalizados.
Os Recursos do FUNDEF incluídos na estrutura orçamentária do Estado, conta com a complementação dos valores da União para, através destes recursos, garantir a
execução da valorização salarial dos professores municipalizados, mas o município de
Tucuruí, que gerencia os professores transferidos da rede estadual, colabora com irrisórios
valores no pagamento de gratificações para três diretores das unidades de ensino e destina
para tanto cerca de R$1.800,00, em investimento nesta vantagem. Diferentemente, a
SEDUC destina R$ 59.913,10 para pagamento dos salários dos professores municipalizados, dados de 2008.
A Política Salarial dos professores municipalizados no contexto da ME foi
alterada na medida que grande parte dos componentes da remuneração variável são
cortados do contracheque, como os auxílio transporte, auxílio alimentação, a movimentação bancária para fins de financiamento pessoal, a gratificação pela função de
diretor e vice das escolas e a carga horária. Percebemos que a condição do cargo efetivo
do municipalizado flexibilizou-se e o fragilizou frente às medidas da gestão municipal de
manter estes cortes das vantagens autorizadas pela SEDUC entre estes, uma é prevista no
Termo do Convênio como a gratificação de função do diretor. A demissão dos professores
da função temporária causou perda integral dos salários.
Conformam-se duas características de política salarial. A praticada com
reajustes de alinhamento aos valores do SMN; a outra se utiliza da concessão de salários
indiretos representada pelo abono do FUNDEF/FUNDEB e pelo auxílio transporte
alimentação. 162
Não há entre os professores municipalizados, a promoção de progressão funcional
pelo aprimoramento, o que significa que uma professora municipalizada no cargo efetivo
AD-1, permanece na mesma classificação do cargo quando municipalizada, embora no
município tenha sido promovido concurso público. Ainda os professores tiveram alterada
a titularidade por meio da formação continuada, mas não implicou alteração em sua
remuneração, pelo menos, em conseqüência desta nova situação.
As referidas considerações buscam sintetizar as discussões presentes nas
questões norteadoras e nos objetivos do estudo. Portanto, sugerimos uma parada do
processo de municipalização do ensino, em todo o Estado, visto que é provável existir a
extensão desta avaliação aos demais municípios. E que governo estadual, prefeituras
atingidas, representação sindical e demais representantes dos segmentos sociais discutam a
partir de um diagnóstico educacional, a fim de implementá-lo, o regime de colaboração
previsto na C.F/88 e na LDB, reivindicado pelo movimento de educadores mais progressistas desde a década de 1980. E que o governo do Estado execute a lei do Piso
Salarial Nacional e com isso busque efetivar a política salarial e carreira do magistério
condignas. Estas, a nosso ver, representam política pública de Estado e permanente.
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