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Les réseaux de promoteurs de l’éducation physique du sapeur-pompier Logiques de diffusion, 1914-

B. Accumuler des positions institutionnelles

Do final do século XIX às primeiras décadas do XX, Porto Alegre teve à frente da Intendência Municipal José Montaury de Aguiar Leitão, cuja administração (1897- 1924) pautou-se pela implantação de uma política de reformas urbanas para atender as novas demandas. Em 1892 foi criada a Secretaria da Intendência Municipal, que comportava sete departamentos, sendo um deles a Seção de Engenharia, responsável pela construção e manutenção de jardins públicos. Fato que, até então,

Chicago cresceu em função da industrialização, consequentemente, do transporte. Seguindo os

passos de Nova Iorque e Filadélfia, Chicago compôs o trio das cidades mais importantes industrialmente nos Estados Unidos do início do século XX. Segundo Freitas, a cidade de Chicago, fundada em 1833, com 350 habitantes, viu sua população aumentar para 1,7 milhões em 1900, quando assumiu a posição de principal pólo industrial do centro-oeste americano. Antes disso, a cidade iniciou seu crescimento acelerado a partir da construção do canal que ligou suas margens às da Bacia do Mississipi, em 1848 e, posteriormente, com a construção da ferrovia, em 1852, que uniu Chicago à costa leste norte-americana, tornando-a um dos principais centros ferroviários dos EUA.

42 Ibid. p. 66.

não era valorizado, pois as praças eram pavimentadas e a vegetação era deixada para o espaço do campo.44

Na administração Montaury foi elaborado o primeiro estudo de caráter urbano da cidade, o Plano de Melhoramentos, desenvolvido pelo engenheiro-arquiteto João Moreira Maciel, em 1914. No Plano de Melhoramentos é possível constatar que desde a primeira década do século XX, havia na cidade uma atenção à organização do espaço urbano, visando adequar e melhorar a área central em relação ao embelezamento, circulação e saneamento, mesmo que só tenha sido de fato implantado na administração de Otávio Rocha (1924-1928).45 As propostas do Plano em relação às questões estéticas incluíam a contemplação do Guaíba e o contato com elementos naturais:

Os planos de “melhoramentos e embelezamentos” de Porto Alegre, propostos no início deste século, previram na nova avenida marginal ao Guaíba, canteiros ajardinados com locais para a contemplação do cenário e das atividades portuárias. Porém, o foco das atividades de lazer contemplativo ligado ao rio, foi estruturado na Ponta da Cadeia, em conexão com a Praça da Harmonia, ponta oeste da península.46

Contudo, havia problemas de infra-estrutura e esses estavam relacionados ao tráfego intra-urbano e regional, o que gradativamente transformou-se em uma questão imprescindível à política urbana. Vias de fluxo mais acentuado foram propostas e, se por um lado se faziam necessárias, por outro deixavam na cidade marcas profundas dos novos tempos.

O Plano de Melhoramentos desenvolvido durante a administração de Montaury não pôde ser executado no seu tempo. No entanto, a partir de 1924, Porto Alegre começou a ver na prática a execução das ideias de Moreira Maciel. Nesse sentido, o estudo urbano de 1914 firmou-se ao longo do século XX como o orientador do planejamento urbano da cidade, pois trazia em si todos os preceitos das escolas parisienses de estética urbana.47

44 Ibid. p. 86. 45 Idem.

46 VELASQUES, Iara Ferrugem. Vivência ambiental no cenário de Porto Alegre. In: PANIZZI, Wrana e

ROVATTI, João F. (orgs.). Estudos Urbanos: Porto Alegre e seu planejamento. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1993, p. 68.

Posteriormente, em 1924, Porto Alegre teve à frente de sua Intendência Otávio Rocha, engenheiro que inaugurou a fase de execução das intervenções urbanas propostas na administração anterior, principalmente no que diz respeito ao saneamento, através da construção de redes de esgoto e de água, e de melhoramentos viários, como a abertura das avenidas Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos.

A partir de 1927, após o falecimento de Otávio Rocha, a cidade passou ao comando de Alberto Bins, empresário que deu continuidade às obras iniciadas pelo antecessor. Em 1937, decretado o Estado Novo, José Loureiro da Silva inaugurou uma nova geração de administradores políticos municipais.48

No ano seguinte, em função da contratação do urbanista Arnaldo Gladosch, o então prefeito criou o Conselho do Plano Diretor, o qual ficou encarregado de elaborar e discutir intervenções urbanas junto à prefeitura. O Conselho visava desenvolver o Plano Diretor da cidade baseado nos estudos prévios, como o Plano

de Melhoramentos de Moreira Maciel e a Contribuição ao Estudo de Urbanização de Porto Alegre, datado de 1936, de autoria dos engenheiros Ubatuba de Faria e

Edvaldo Pereira Paiva. Contudo, o primeiro Plano Diretor de Porto Alegre de fato somente foi aprovado durante a administração de Leonel Brizola em 1959.49

Ambos engenheiros já faziam parte da Seção de Cadastros da Prefeitura, na qual executaram um levantamento topográfico de Porto Alegre que resultou em um estudo exposto em 1936. Em 1938, o trabalho foi publicado com o título de

Contribuição ao Estudo de Urbanização de Porto Alegre50. Em 1942, depois de

compilado, o estudo foi chamado de Expediente Urbano. No ano de 1943, ao final da administração de Loureiro da Silva, os estudos urbanos desenvolvidos foram organizados e apresentados no Plano de Urbanização.51

Assim, a partir da segunda metade dos anos 1950, notou-se um crescimento de políticas efetivas em relação às áreas verdes na cidade. Em 1954, o então Plano Diretor de Porto Alegre determinava 10% da área dos loteamentos para a implementação de praças, em 1966, o percentual subiu para 15%, e em 2008 correspondeu a 20%. Em 1979, Porto Alegre possuía 3 parques e 151 praças. Já em

48 SOUZA, Célia Ferraz de. op. cit., p. 86.

49 LEME. Maria Cristina da Silva (coord). op. cit. p., 380-381. 50 Ibid. p. 379-380.

2008, a cidade possuía 8 parques e 571 praças.52 Nesse sentido, a chegada dos

anos 1960 iniciou a consolidação do discurso ecológico aliado às demandas sociais de preservação das características estruturais da cidade, que se tornava metrópole e alterava-se rapidamente.

Segundo Maderuelo, o prazer estético proporcionado por elementos naturais em praças e parques vem sendo modelado desde o século XVIII para chamar as pessoas à contemplação. Contudo, afirma o autor, a imagem idílica que temos da natureza, seja em paisagens pitorescas ou inseridas na malha urbana, está diretamente ligada a um projeto técnico e estético vinculado ao espírito da época.53

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