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O termo economia remete automaticamente ao sistema capitalista, cujo modo de produção – fundamentado nos princípios do direito de propriedade individual aplicado ao capital e do direito à liberdade individual – é dominante, conseqüentemente, divide a sociedade em duas classes: os possuidores de capital e os vendedores da força de trabalho. Nesta sociedade, os primeiros são vencedores, acumulam vantagens para competições futuras e os últimos são alvos de preconceito e de discriminação.

Na empresa capitalista prevalecem o poder e o interesse dos acionistas. Aplica-se a heterogestão, administração hierárquica constituída por níveis sucessivos de autoridade, entre os quais, as informações fluem dos que estão abaixo, hierarquicamente, para os que estão acima. A cada nível galgado, comumente, encontra-se maior noção sobre a empresa, contudo, no nível mais alto o conhecimento não é total, devido à competição entre os setores e grupos intermediários, entre os quais há forte rivalidade. Os lucros - excedentes anuais – dividem-se em duas parcelas: a primeira é apropriada pelos acionistas, conforme a distribuição da assembléia dos mesmos (quase sempre constituída por um pequeno grupo de capitalistas, nomeados “grupo controlador”), cujo voto individual, em regra geral, tem peso proporcional ao número de ações que possui; e, a segunda, é reservada para fundos de investimentos. Os empregados recebem salários escalonados por carreiras – os dirigentes recebem ordenados muito superiores aos dos outros trabalhadores, além de prêmios se as metas forem atingidas. Assim, são fortalecidas a competição e a polarização entre ganhadores e perdedores, produzindo sociedades profundamente desiguais. Em relação à solidariedade, praticam um solidarismo filantrópico, doador de riquezas, ou melhor, esmolas para os pobres, para mantê-los minimamente, sem buscar soluções definitivas que conduzam a uma melhor qualidade de vida (SINGER, 2000).

A economia solidária é bem diferente da economia capitalista, representa uma sociedade mais igualitária e solidária e menos competitiva. Sua atuação respeita princípios básicos de propriedade coletiva ou associada do capital e o direito a propriedade individual. Seus princípios baseiam-se nos princípios cooperativistas e associativistas2. Portanto, também, colabora com a construção da consciência da classe trabalhadora, fomentando a cidadania (ROCHA, 2002). E, para alguns autores como Singer (2000) é uma invenção com uma metodologia de continuidade dos trabalhadores lutando contra as agruras do sistema capitalista, que pode ser uma opção criativa ao enfrentamento das dificuldades impostas aos trabalhadores pelo sistema capitalista.

Originou-se na Grã-Bretanha no período de difusão das máquinas e organização da produção fabril e como reação ao empobrecimento dos artesãos e crítica operária e socialista ao capitalismo. Diante da exploração do trabalho nas fábricas, elevou-se o índice de mortalidade e morbidade dos trabalhadores (adultos e crianças), impedindo o aumento de produtividade. Alguns industriais esclarecidos perceberam este paradoxo e propuseram leis de proteção aos trabalhadores. Entre eles Owen, proprietário de um complexo têxtil. Nos primeiros anos do século XIX, proibiu o emprego de crianças na sua instituição e passou a construir escolas para elas. O industrial, por um lado, aumentou o gasto com a folha de pagamentos e, por outro, aumentou a produtividade e, conseqüentemente, os lucros, respeito, admiração e fama de filantropo, atraindo visitantes do mundo inteiro Nas primeiras décadas de 1800, findava a Revolução Francesa e a Grã-Bretanha entrou em profunda depressão, pela falta de trabalho que havia sido dinamizado no período de guerra. Diante disto, Owen propôs ao governo britânico reverter os fundos de sustentos, dados aos pobres (que estavam se multiplicando) em compras de terras e construção de Aldeias Cooperativas, para expandirem a criação de riquezas, permitindo a rápida recuperação do valor investido, mas, o Governo britânico não aceitou sua proposta.

A primeira cooperativa owenista foi criada em Londres e publicou o primeiro jornal cooperativo o The Economist e a primeira Aldeia Cooperativa surgiu nos Estados Unidos da América (EUA) no estado de Indiana. A ascensão do cooperativismo owenista foi assumida pelo crescente movimento sindical e cooperativo da classe trabalhadora,

vinculando diretamente as cooperativas com as lutas de classes. Um “curto mais inolvidável momento da história da Grã-Bretanha e também do cooperativismo, que vai deste modo, ainda imaturo, a pia batismal da revolução”, chamado mais tarde de “República Cooperativa” (SINGER, 2002 p. 33). Curto, porque, rapidamente os empregadores reagiram militando o lock-out (greve patronal) e, em muitas áreas, demitindo trabalhadores afiliados ao owenismo, sob declarada hostilidade do governo. Owen sintetizando o pensamento e a ação, foi um apoiador dos movimentos sociais e políticos da Grã-Bretanha., inspirando seus sucessores.

Portanto, empresas que observam o regime de economia solidária não aceitam o alicerce do sistema capitalista, separação das posses dos meios de produção e trabalho. Sua célula mater foi à cooperativa de produção (onde se produz em terra coletiva), de consumo (proporciona máxima satisfação a baixo custo, só vende produtos aos seus sócios.), comercialização (produtores autônomos que fazem compras em comum) e de crédito (aplicam depósitos em empréstimos pessoais aos cooperados). Seus proprietários são os trabalhadores da mesma, membros plenos, que visam maximizar a qualidade e a quantidade do trabalho e dividir o excedente anual ou as sobras em partes iguais, deixando uma parte para o re-investimento.

No Brasil, as experiências de economia solidária surgiram nos anos 1980, com reflexo dos movimentos sociais que eclodiram da recessão naquele período. Nos anos 1990 introduziram-se Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCP) em universidades brasileiras, que desenvolveram seus trabalhos de forma integrada, reunindo- se trimestralmente – integradas a fundação UNITRABALHO, com mais de 80 universidades filiadas; “Agências de Desenvolvimento Social (ADS)” pela Central Única dos Trabalhadores (CUT)”, mobilizando sindicatos em apoio à economia solidária e busca a criação de uma rede nacional de crédito solitário; “Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)”, considerando o cooperativismo popular uma possibilidade de inserir o trabalhador do campo no mercado. Clama-se na atualidade e divulga-se pelos meios de comunicação, por uma possibilidade de desenvolvimento que reverta à condição dos trabalhadores inseridos no contexto do capitalismo neoliberal. (ROCHA,2002).

Mais recentemente, os estudos acadêmicos estão se aproximando da sociedade e focalizando organizações solidárias populares (ROCHA, 2002). Alguns autores, como Singer (2002), entenderam-nas como uma estratégia que possibilita transformações nas

relações de trabalho e no sistema produtivo e distributivo. Porque, nas empresas de economia solidária, a assembléia de todos os sócios é a maior autoridade. Segundo ele, praticam a autogestão, cada trabalhador desempenhando o seu papel e preocupando-se, também, com toda a empresa, implica que nas pequenas empresas, todas as decisões importantes são tomadas em assembléias; e, nas grandes, há eleição de delegados para deliberar em nome de todos com eventuais assembléias gerais; de grandes dimensões, os gestores recebem ordens de “baixo para cima” e ordenam as demandas e informações de “cima para baixo”. Assim, para este autor, a economia solidária pode impulsionar muitas organizações a serem bem sucedidas e obterem resultados positivos ou êxito, apesar dos obstáculos enfrentados.

Nesta direção Souza (2006), observou que há diferentes visões sobre o êxito na literatura específica, estas serão detalhadas a seguir.

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