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“Procurem informações para fazer projetos que sejam grandes. Não tenham medo”.

Diante do que foi exposto, é importante dizer que políticas públicas tendem a configurar-se de uma maneira muito importante nas esferas não-governamentais. A partir destas organizações, realidades de pobreza e miséria podem ser transformadas em significantes e positivas experiências. Como visto na organização social “de cima para baixo”, ocorrida em SNN, cujos efeitos foram qualitativamente diferenciados tanto da previsão científica da literatura específica, como dos resultados dos projetos desenvolvidos no estado. Este quadro suscita o uso mais ampliado do conceito políticas públicas e requer a atuação governamental além de sua esfera, criando possibilidades, planejando, avaliando, etc, para valorar qualitativamente as ações não governamentais, inclusive das associações rurais, que estão atuando ativamente nas políticas públicas. Sobre estas avaliações, adverte- se para uma escolha que considere a opinião dos diferentes grupos de interesses para julgá- la como “sucesso” ou “fracasso”. Porque, a avaliação das mudanças tem importância local e mesmo quando não são permanentes podem ter importantes significados para a população alvo. Roche (2002) observou que áreas em situação de emergência, dificilmente têm o tipo de mudanças “sustentadas ou duradouras” consideradas como o sucesso dos programas e projetos.

E, finalmente, refletiu-se sobre a importância, principalmente, de regiões carentes - que necessitam de políticas públicas de combate à pobreza - receberem orientações associativistas. Porque, se no caso dos projetos financiados pelo PCPR I no RN milhares de associações foram contempladas por estes recursos, e, nas avaliações realizadas pelo IICA/RN a região do Seridó destacou-se por seus resultados diferenciados (Justamente, a região onde, desde o início do século XX, a Rádio Rural e as escolas dirigidas pela igreja católica - que compunham a grande maioria das escolas - propagaram o associativismo), este não deve ser um resultado isolado. Esta reflexão não reproduz a tese de Putnam e o

capital social, antes atentou as advertências de Santos e Rodríguez (2002), sobre o novo olhar empregado nas associações de trabalhadores. Exemplificada, nestas considerações pela fala dos agricultores familiares que deixaram transparecer uma energia associativista na síntese dos anseios de suas comunidades rurais. Nas quais, reconheceram a importância dos incentivos institucionais; da liderança consciente – honesta e justa -, que inspira exemplo aos associados, busca conhecimento e reproduz a ideologia associativista. E, também, da perseverança; da transparência no uso dos recursos comunitários; e, da coragem para realizar grandes projetos, baseando-se no respeito, harmonia e participação de toda a comunidade.

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