Partie II. LE PROTOCOLE DE RECHERCHE
Section 2. Cadre conceptuel
2.2 Pour une sociologie politique des usages
Os resultados da análise de frequência da prevalência de dor e de tratamento por género, idade e duração da DM2 são apresentados em percentagem (tabelas 2 e 3); já a análise descritiva da idade e duração da DM2 são apresentados em média ± desvio padrão (ẋ ± dp) (tabela 4). A comparação das médias das variáveis analisadas foi testada através do teste T de Student (tabela 5), bem como as diferenças das variáveis através do teste Qui-quadrado (tabela 6). Os dados foram analisados com o software IBM SPSS Statistics 23 ®.
3. Resultados
Dos 48 sujeitos entrevistados (N=30 género feminino e N=18 género masculino), 75 % referiram ter dor (N=36 em 48). Quanto à presença de dor por género, 61,11% dos homens (N=11 em 18) e 83,33% das mulheres (N=25 em 30) referiram ter dor (tabela
95 2); os utentes de meia-idade (N=21 em 28) revelaram 75% de prevalência de dor e os idosos (N=15 em 20) a mesma prevalência (tabela 2). A prevalência de dor para a menor duração da DM2 (N=18 em 28) foi de 64,29 % e para a maior duração foi de 90% (N=18 em 20) (tabela 2).
Tabela 2 - Resultados das estatísticas de frequência da percentagem de prevalência de dor por género, idade e duração da DM2
Variáveis Com dor
Género Idade Duração da DM2
Masculino Feminino Meia-idade
(50-64) Idosos (65-80) Menor (≤5 anos) Maior (≥6 anos) Dor Utentes 75% (36 em 48) 61,11% (11 em 18) 83,33% (25 em 30) 75% (21 em 28) 75% (15 em 20) 64,29% (18 em 28) 90% (18 em 20)
Em relação ao tratamento, a prevalência deste foi de 36,11% (N=13 em 36), 15,38% dos homens (N=2 em 13) e 84,62% das mulheres (N=11 em 13). Quanto à prevalência de tratamento para a meia-idade foi de 28,57% (N=8 em 13) e de 25% para os idosos (N=5 em 13); na duração menor da DM2 (N=7 em 13) a prevalência de tratamento foi de 53,85% e na duração maior (N=6 em 13) foi de 46,15% (tabela 3).
Tabela 3 - Resultados das estatísticas de frequência da percentagem de prevalência de tratamento por género, idade e duração da DM2
Variáveis Com
tratamento
Género Idade Duração da DM2
Masculino Feminino Meia-idade Idosos Menor
duração Maior duração Tratament o 36,11% (13 em 36) 15,38% (2 em 13) 84,62% (11 em 13) 28,57% (8 em 13) 25% (5 em 13) 53,85% (7 em 13) 46,15% (6 em 13)
A média de idades dos sujeitos quando recrutados foi de 63,21 ± 7,18 e a DM2 havia sido diagnosticada em média há 5,48 ± 4,24 anos (tabela 4).
Tabela 4 - Resultados das estatísticas descritivas das variáveis idade e duração da DM2
Variáveis m ± dp
Idade (anos) 63,21 ± 7,18
96 A tabela 5 revela que há diferenças para a intensidade mínima de dor e para a intensidade média de dor entre os géneros (a intensidade destas é superior nas mulheres), dado que o valor de significância de (p) <0,05; há ainda diferenças na intensidade mínima de dor na duração da DM2, esta apresenta uma média superior para a maior duração da DM2. Também foram encontradas diferenças a nível da interferência da dor na disposição e no trabalho normal, para a variável idade (a intensidade destas é superior nos utentes de meia-idade).
Tabela 5 - Resultados das comparações das médias, através do teste T de Student, das diferentes variáveis da dor por género, idade e duração da DM2
ẋ ± dp ẋ ± dp ẋ ± dp
Variáveis Masculino Feminino p Meia-
idade Idosos p Menor duração Maior duração p Máximo de dor 5,36±2,20 6,56±1,98 ,116 6,24±2,30 6,13±1,85 ,885 5,89±2,1 4 6,50±2,0 7 ,389 Mínimo de dor 1,64±1,50 3,08±1,98 ,038 2,48±2,27 2,87±1,41 ,560 2,00±1,3 3 3,28±2,2 7 ,047 Média de dor 3,27±1,56 4,92±2,00 ,021 4,43±2,20 4,40±1,77 ,967 3,94±1,8 3 4,89±2,1 1 ,161 Dor no momento 1,09±1,38 2,20±2,74 ,116 2,24±2,43 1,33±2,44 ,279 1,89±1,8 4 1,83±2,9 8 ,947 % de alívio 40,00±14, 14 35,45±29, 79 ,841 33,75±27, 22 40,00±30,8 2 ,709 45,71±25 ,73 25,00±27 ,39 ,188 Atividade geral 4,45±2,81 5,12±3,67 ,596 5,76±2,88 3,73±3,81 ,077 5,28±3,2 9 4,56±3,5 7 ,532 Disposiç ão 4,18±3,63 4,60±3,98 ,768 5,62±3,38 2,87±3,94 ,031 4,72±3,8 9 4,22±3,8 6 ,701 Andar a pé 4,18±3,74 4,16±3,71 ,987 4,81±3,87 3,27±3,26 ,217 4,39±3,8 4 3,94±3,5 7 ,721
97 Trabalho normal 4,55±2, 88 4,88±3,86 ,799 5,76±3,05 3,40±3,83 ,047 5,50±3,2 2 4,06±3,8 0 ,227 Relações 2,64±3,11 2,08±3,14 ,626 2,62±3,15 1,73±3,04 ,405 2,94±3,4 4 1,56±2,6 2 ,182 Sono 3,27±3,74 4,04±3,71 ,572 3,90±3,54 3,67±3,99 ,851 4,00±3,7 6 3,61±3,7 0 ,756 Prazer de viver 3,18±2,68 3,72±3,52 ,654 4,00 ±3,07 2,93±3,52 ,340 3,56±3,0 5 3,56±3,5 4 1,00 0 Nível de significância p < 0,05
A tabela 6 mostra através do teste de Qui-quadrado que existem diferenças apenas entre as variáveis dor e duração da DM2, verifica-se que os indivíduos que têm maior duração da DM2 relatam maior percentagem de prevalência de dor.
Tabela 6 - Resultados das diferenças através do teste de Qui-quadrado, entre as variáveis género e dor, género e tratamento, idade e dor, idade e tratamento, duração da DM e dor, duração da DM e tratamento.
Género e dor Género e
tratamento
Idade e dor Idade e
tratamento Duração da DM e dor Duração da DM e tratamento p ,085 ,054 1,000 ,784 ,043 ,701 Nível de significância p < 0,05 4. Discussão
Este foi um estudo que visou investigar as diferenças entre género, idade e duração da DM na dor crónica em indivíduos com DM2 que habitam em Vila Real, aderentes ao programa Diabetes em Movimento®.
Setenta e cinco porcento dos utentes reportaram dor. Verificaram-se diferenças para a intensidade mínima de dor e para a intensidade média de dor entre os géneros (a
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intensidade destas é superior nas mulheres); há ainda diferenças na intensidade mínima de dor na duração da DM2, esta apresenta uma média superior para a maior duração da DM2. Também encontraram-se diferenças a nível da interferência da dor na disposição e no trabalho normal, para a variável idade (a intensidade destas é superior nos utentes de meia-idade). Quanto às variáveis dor e duração da DM2, existem diferenças, que revelam que os indivíduos que têm maior duração da DM2 relatam maior percentagem de prevalência de dor.
De acordo com os resultados obtidos, a literatura refere conclusões semelhantes: o aumento da dor crônica está associado, principalmente, com o género feminino, a idade avançada e o baixo nível socioeconômico; menor prevalência de dor crónica tem estado relacionada a ter trabalho remunerado, níveis elevados de escolaridade e condição socioeconômica, bem como à prática regular de AF72 a prevalência destas e
da dor neuropática acresce com a idade82,83, afetando 53% dos homens e 79% das
mulheres pela idade de 70 anos84,85; existe prevalência de dor neuropática em
pacientes com DM2 e associação dessa variável com o tempo de diagnóstico da doença19; e a capacidade para o exercício, como caminhar, realizar tarefas
domésticas e manter um estilo de vida independente são reportadas como severamente afetadas pela dor crónica em grande parte das pessoas com a mesma.85,86
O método utilizado para avaliação da dor foi o BPI, este é um questionário rápido e simples, com uma perspetiva multidimensional87-90 de boas propriedades psicométricas88-92, e com uma crescente utilização em contexto clínico e de investigação.81 Como mostram as evidências, é um instrumento válido na deteção, acompanhamento e caracterização da dor87,92, podendo a sua qualidade e importância ser demonstradas pelas várias versões validadas93-103 e por este ser recomendado por vários grupos na área da medição e avaliação da dor.81,91
Os aspetos positivos deste estudo são o facto de ser um programa de terreno, com reduzidos custos de aplicação, simples e rápido de aplicar e de ser altamente replicável em outras instituições (lares, centros de dia, projetos comunitários, etc).
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O presente estudo apresentou algumas limitações, como o tamanho restrito da amostra (48 utentes), o facto de o mesmo ser apenas transversal e de se verificar distribuição desigual entre géneros. O facto de existem vários questionários para a mensuração e avaliação da dor, mas nenhum específico para a população idosa, também poderá ser considerado uma limitação.104,105
Os idosos relutam referir a dor devido à crença de que esta é parte natural da idade avançada, porque a aliam a doenças graves, ou até mesmo, à morte. No entanto, há motivos que contribuem para que estes não mencionem a ocorrência de dor, como o medo de submeterem-se a métodos diagnósticos, ao uso de medicamentos com efeitos indesejáveis, ou como receio de perda da autonomia e da independência. A identificação da dor nos idosos é também dificultada devido a défices sensoriais ou cognitivos.105,106
Futuramente, para colmatar estes aspetos menos positivos, seria importante numa próxima intervenção deste estudo: intervir junto dos utentes para serem o mais fiéis possível ao que sentem, transmitindo-lhes que se trata apenas de um estudo, que quanto mais verdadeiras forem as respostas mais realistas serão as conclusões, e que em nada terá consequências para os mesmos; tornar a amostra o mais abrangente possível, alargando este estudo à comunidade portadora da doença; aplicar este questionário em dois momentos de avaliação (antes das sessões do Programa de exercício iniciarem e no final) e comparar a influência do exercício físico em todas estas variáveis, de forma a não ser um estudo tão limitado no espaço e nas variáveis estudadas.
Nao foram encontrados estudos sobre a prevalência de dor crónica nas variáveis género, idade e duração da DM2 em conjunto, nem sobre dor crónica e duração da DM2. Frequentemente outros estudos falam de outras variáveis que não estas.
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5. Conclusões
Este estudo revelou que os utentes com DM2, em geral apresentam uma alta percentagem de prevalência de dor. Os indivíduos com maior duração da doença relatam maior percentagem de prevalência de dor. A intensidade mínima e média de dor tem uma maior prevalência no género feminino, bem como a intensidade mínima de dor é mais prevalente quanto maior a duração da DM2. A interferência da dor na disposição e no trabalho normal, tem maior prevalência para os utentes de meia- idade.
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