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Nouvelles conditions de la traduction Biblique

CHAPITRE IV CONTEXTE LINGUISTIQUE ET INSTITUTIONNEL

2 CONTEXTE INSTITUTIONNEL

2.3 Nouvelles conditions de la traduction Biblique

As primeiras décadas da república marcam a facilitação do acesso ao ensino superior, em relação a mudança na forma de admissão e no aumento do número de IES. O aumento do número de instituições e as mudanças na forma de acesso foram resultado das transformações econômicas que o Brasil vivenciou na época, o que fez aumentar a procura pelo ensino superior. A implantação dos exames vestibulares para o ingresso nas faculdades foi uma maneira encontrada para atender à nova demanda. Os cursos superiores ofertados naquela época eram Direito, Medicina e Engenharia. Importante ressaltar que no período colonial e imperial não existiu no Brasil nenhuma instituição com status de universidade. Houve tentativas para criação das universidades, mas todas sem sucesso (CUNHA, 2010).

Referindo-se ao vestibular, Gisi (2006) aponta o seguinte:

Com o passar do tempo, os cursinhos preparatórios foram se aprimorando, nas mãos de instituições de ensino privado, que “vendem” por altos preços a entrada na educação superior, sendo possível, tão somente, aos alunos com condições econômicas para tanto. Não só em razão de deficiências da educação básica, mas também pela falta de vagas em universidades públicas, que aumenta a cada ano a concorrência e leva os alunos a necessidade de complementar os estudos em cursinhos dirigidos ao tipo de vestibular existente (GISI, 2006, p. 5).

Com o surgimento do vestibular, surgiram também os cursinhos preparatórios (um negócio para o setor privado, dada concorrência por uma vaga nas universidades públicas), porém, esses cursinhos em grande maioria eram prestados por alunos com condições econômicas para custear as mensalidades. Assim, aqueles com condições socioeconômicas desprivilegiadas eram excluídos desse espaço.

A primeira instituição denominada universidade foi criada no Brasil em 1920 no Rio de Janeiro, em 1927 surge a segunda universidade, a de Minas Gerais e, somente em 1934, é criada a terceira instituição no Rio Grande do Sul. As universidades, embora recém-criadas, sofreram muitas críticas de professores que as caracterizavam como menos abertas em comparação ao modelo de universidade dos outros países. No entanto, as críticas mais incisivas em relação ao modelo de universidade criado no Brasil vieram dos estudantes que levantaram a necessidade de uma reforma universitária. Assim, fica o movimento estudantil o principal responsável pelo projeto de reforma universitária que propunha a democratização da educação superior (CUNHA, 2010).

Embora o período de ditadura militar tenha gerado consequências nocivas, foi nesse período que o projeto de universidade brasileiro teve uma grande investida, no entanto, foram várias as perdas que as intuições de ensino superior vivenciaram no período. Parte dos professores e pesquisadores foram obrigados a se aposentarem, sendo que alguns professores foram exilados ou até mortos, houve impedimento da entrada de novos professores ou de progressão dos ativos, demissões de reitores, nomeação de novos reitores a partir de intervenções e perda da autonomia administrativa das instituições. Os movimentos estudantis foram duramente coagidos e silenciados (CUNHA, 2010).

Com o fim da ditadura militar em 1985, a universidade volta seus olhares para a redemocratização do país. Os movimentos estudantis, por meio da resistência, retomaram seus espaços de lutas, docentes e técnico-administrativos se organizaram a partir de entidades sindicais. No pós-ditadura, há uma expansão rápida do ensino superior, que substitui o modelo de cátedras3 (cadeiras) pelo modelo departamental nas universidades, o governo passa a incentivar também a criação de instituições privadas, com isso, há mudança de perfil dos alunos e de professores (CUNHA, 2010).

De acordo com Pereira, May e Gutierrez (2014), a universidade chega aos anos 1970 como uma universidade “funcional”, nos anos 1980 ela passa a ser uma universidade “de resultados” voltada para a atividade empresarial e chega aos anos 1990, como “operacional” (responsável pela formação de mão de obra qualificada para atender às demandas do mercado). Assim, segundo os autores, a universidade brasileira chegou ao novo século apresentando novos aspectos “número de instituições, de vagas e de estudantes que ingressam e se formam influenciada por setores externos à comunidade acadêmica (Estado, indústria, mercado etc.)” (PEREIRA; MAY; GUTIERREZ, 2014, p. 128).

O acesso ao ensino superior segundo Rosa (2014) continua repleto de barreiras, dentre elas, a autora cita o número de vagas menor que a demanda, o que resulta em um grande número de candidatos disputando uma mesma vaga e o rigor dos exames vestibulares, que foi modelo único de ingresso nas instituições por um longo período. Para os alunos das classes populares, o acesso torna-se ainda mais difícil, pois aliada às barreiras citadas, somam-se outras como: deficiência na formação e dificuldades financeiras. Ao comparar os estudantes de escolas

3As universidades surgem na Idade Média organizadas como uma corporação de mestres e discípulos, aspirantes

à universalidade do saber e a eles dedicados. Nascem marcadas pela cátedra ou cadeira, nas quais seus regentes, acomodados fisicamente em um plano superior ao de seus ouvintes, detinham amplos poderes, convivendo intensamente com seus alunos e discípulos, lendo os livros, fazendo-os repetir e coordenando os debates com destreza de argumentação (FÁVERO, 2000, p. 01).

particulares com os provenientes de escolas públicas, Rosa (2014), afirma que esses encontram- se em desvantagem qualitativa em relação aos outros.

Para Pereira, May e Gutierrez (2014), a questão do número de vagas para o ensino superior público ser inferior à demanda, faz com que um quantitativo significativo de estudantes tenha que acessar esse nível de ensino em instituições privadas. Neste contexto, a democratização do acesso ao ensino superior não acontece de forma eficaz, e há uma transferência de demanda para o setor privado, que muitas vezes visa apenas o lucro e não a formação integral do sujeito.

Rosa (2014), ao fazer uma análise do perfil dos estudantes brasileiros em todos os níveis de educação chega à conclusão de que os alunos da educação básica da rede pública em sua maioria são de baixa renda e as suas condições sociais, econômicas e culturais os colocam em condição de desigualdade de escolarização em comparação aos demais grupos da sociedade. Para a autora, a taxa de escolarização está diretamente relacionada às condições financeiras “[...] quanto melhores as condições econômicas, maior é o índice de indivíduos matriculados na educação superior” (p. 242). Neste contexto, o acesso ao ensino superior apresenta relação direta com as experiências sociais, econômicas e culturais construídas pelos indivíduos ao longo da trajetória de vida. Assim, considerando o histórico de desigualdades presente na sociedade, é imprescindível a criação de políticas com a finalidade de democratização do acesso à educação superior pública, como forma de romper com as barreiras enfrentadas pelas classes populares.

De acordo com Rosa (2014):

Em decorrência das transformações de ordem social e econômica que perpassam a sociedade do final do século XX e início do século XXI, a garantia do acesso à educação superior tornou-se alvo não apenas das parcelas menos abastadas da população, mas também passou a se constituir como meta de políticas públicas, em razão de ordenamentos e indicações de organismos econômicos internacionais, que apregoam o acesso a esse nível de ensino como propulsionador do desenvolvimento econômico (ROSA, 2014, p. 243).

A criação de políticas que contribuem para a expansão do acesso à educação superior surge como forma de atender à demanda da sociedade e, também como indicativo de maior desenvolvimento do país. A ampliação da oferta de vagas nas instituições de educação superior pública brasileira e de novos mecanismos de acesso, como a criação das ações afirmativas, tem como objetivo contemplar os grupos sub-representados no nível superior de ensino.

Discutidas as questões relacionadas às novas formas de ingresso, é preciso então voltar o olhar para a diversidade do público que tem adentrado as universidades nos últimos anos em decorrências das políticas de democratização.

Para Rosa (2014):

Garantir reserva de vagas na educação superior para grupos com histórico de discriminação étnico-racial, com condições socioeconômicas fragilizadas, com formação escolar e cultural deficitária, ou ainda por sua deficiência física, sendo essa garantia desvinculada de uma política de promoção da permanência dos mesmos no âmbito da universidade, não oportuniza a democratização plena do acesso, mas apenas expande as condições de acesso à educação superior. Portanto, a partir do momento que se institui uma política de cotas, é fundamental a criação de políticas de acolhimento desse alunado (ROSA, 2014, p. 255).

Pereira, May e Gutierrez (2014) corroboram com Rosa (2014), afirmando que a democratização está para além da inclusão de estudantes com histórico de exclusão no ensino superior. Para os autores, democratizar é atuar contra as desigualdades sociais, nesse sentido, aliado ao acesso é preciso proporcionar concorrência justa que é a oferta de condições de permanência para os estudantes em situação de vulnerabilidade. Assim, se efetiva a democratização da universidade, “menos elitista, mais aberta, mais plural e diversa, abarcando de forma representativa segmentos étnico-raciais, etários, de gênero e de classe” (PEREIRA; MAY; GUTIERREZ, 2014, p. 133). Os autores afirmam ainda, que a ampliação de vagas em instituições públicas e privadas destinadas às classes populares sem se pensar na importância das condições de permanência, geram problemas ao invés de soluções e em nada modificam a realidade dos indivíduos.

A democratização do ensino superior está para além da garantia de acesso, considerando os diversos problemas enfrentados pelo público atendido pelas cotas e pensando no verdadeiro sentido de democratizar, sem mecanismos que contribuam para a permanência não há democratização nem promoção social do indivíduo e sim exclusão. As instituições precisam ser sensíveis à realidade de diversos alunos que formam o corpo discente das universidades e instituírem políticas em nível local pensando na permanência e na verdadeira inserção desses indivíduos no espaço universitário.