• Aucun résultat trouvé

Le modèle générique DICE du processus de Serious Game Design

Quanto às palavras terminadas em –l e ditongo em –u, outras variáveis foram adotadas a fim de investigar se os falantes aplicariam a pluralização em –l ou –u para as palavras analisadas. Apesar de apresentarmos essa codificação em apenas uma subseção, em termos estatísticos analisamos em separado os itens terminados em –l e os terminados em ditongo em –u, de modo que pudéssemos observar de forma mais detalhada as peculiaridades de cada uma dessas classes. No entanto, para evitar redundâncias, já que os fatores são basicamente os mesmos para os dois grupos, redigimos apenas uma subseção

sobre as variáveis consideradas para essas duas classes. Minúcias relativas à codificação para esses grupos serão mencionadas quando for necessário.

As variáveis lingüísticas selecionadas foram:

1. Tipo de plural adotado (variável dependente); 2. Estrutura morfológica; 3. Tonicidade; 4. Número de sílabas; 5. Vogal precedente; 6. Freqüência de ocorrência; 7. Palavra.

Cada uma dessas variáveis será explorada abaixo.

1. Tipo de plural adotado

Essa era a variável dependente a ser analisada nesse grupo de palavras. Mais uma vez, convém salientar que esse código referia-se ao plural que o informante adotou, e não ao plural considerado correto pela gramática normativa. Por exemplo: se, para a palavra “troféu”, o informante adotou o plural “troféis” (aplicando a regra de pluralização em –l, em vez de –u), foi utilizado o código para “plural em –l adotado”. As opções de codificação, portanto, foram:

a) Plural em –l adotado: “sal”/“sais” b) Plural em –u adotado: “véu”/“véus” c) Ausência de plural: “troféuØ”

d) Outra forma de plural adotada: “móvel”/“móvis”

Os itens “c” e “d” acima foram considerados porque, na coleta de dados, houve casos em que, apesar de a frase apresentar figuras claramente no plural, o falante adotou a forma singular; da mesma maneira, houve algumas ocorrências em que os falantes pronunciaram formas não convencionais de plural, como o caso de “móvis” para “móveis” ou de “míssis” para “mísseis”.

Conforme já afirmamos anteriormente, nossa expectativa era de que, por causa da alta freqüência de tipo da classe em –l, as palavras terminadas em –u poderiam estar sujeitas a generalizações em direção ao grupo terminado em –l.

2. Estrutura morfológica

A variável estrutura morfológica foi considerada porque queríamos analisar se o fato de a palavra ter sufixo interferiria na preservação ou mudança da regra de plural. Os códigos adotados foram:

a) Sufixo: “europeu”, “infantil”, “responsável” b) Não-sufixo: “anel”, “céu”, “degrau”

No caso das palavras terminadas em ditongo em –u, apenas o morfema –eu (=GY? ou ='Y?) representa sufixo (origem, como “europeu”, “judeu”, ou aumentativo, como “fogaréu”, “povaréu”), (Cf. subseção 2.3.2, no Capítulo 2, “Grupos de Plurais”); em função disso, apenas a terminação –eu (nos casos em que representava sufixo) recebeu esse código. Os monossílabos foram classificados como não-sufixo.

Nossa hipótese aqui era que palavras com sufixo teriam representações mais fortes no léxico mental e, por isso, estariam menos propensas a generalizações de plural, nas duas classes analisadas (em –l ou ditongo em –u).

3. Tonicidade

Com o critério tonicidade, nosso objetivo era avaliar se haveria diferença na generalização em função da sílaba em que o plural recaía. As possibilidades eram:

a) Palavras oxítonas (com plural na sílaba tônica): “azul”, “pastel” b) Palavras paroxítonas (com plural na sílaba átona): “difícil”, “acessível”

Estes códigos eram válidos somente para palavras terminadas em –l, uma vez que todas as palavras terminadas em ditongo em –u já são, naturalmente, oxítonas, como,

por exemplo, “berimbau”, “degrau, “judeu”, “troféu”. Os monossílabos foram incluídos na classe de plural em sílaba tônica.

Nossa hipótese para esse fator era que palavras que apresentavam plural em sílaba tônica (oxítonas) sofreriam menos generalizações, por conta da prevalência da tonicidade na cadeia sonora da fala.

4. Número de sílabas

Mais uma vez, utilizamos o critério número de sílabas a fim de verificar se o tamanho da palavra causaria alguma interferência nas generalizações de plural. Consideramos as seguintes possibilidades:

a) Palavras monossílabas: “meu”, “sol”

b) Palavras com mais de uma sílaba: “azul”, “difícil”, “europeu, “museu”

A exemplo da codificação adotada para os itens de plural em –ão, utilizamos, também para os plurais em –l e ditongo em –u, apenas duas possibilidades de número de sílabas. Uma divisão em quantidades maiores de sílabas fatiaria muito os dados, deixando um número pequeno de itens para cada fator, já que havia 27 palavras terminadas em –l e 19 terminadas em ditongo em –u.

Para essa variável, nossa expectativa era que os itens monossílabos fossem menos suscetíveis a generalizações de plural, porque têm um número pequeno de sílabas e, por isso, qualquer mudança é muito saliente.

5. Vogal precedente

Investigamos, também, se o tipo de vogal que antecedia o segmento –l ou –u no fim da palavra interferiria em possíveis generalizações de plural. As possibilidades consideradas foram:

a) Vogal>D@ precedente: “jornal”, “mau” b) Vogal precedente >(@: “chapéu”, “mel” c) Vogal precedente >H@: “meu”, “responsável”

d) Vogal precedente >L@: “difícil”, “infantil” e) Vogal precedente >o@: “espanhol”, “sol” f) Vogal precedente >R@: o único item era “gol” g) Vogal precedente >X@: o único item era “azul”

O grupo das palavras terminadas em –u apresenta pequena quantidade de itens (Cf. Tabelas 9 e 11, no Capítulo 3, “Revisão de Literatura”), por isso pudemos contar apenas com palavras terminadas em –au e –eu. Segundo o Novo Dicionário Aurélio Eletrônico, o grupo em –iu tem nove palavras, o grupo em –ou tem 12 e o em –uu tem sete. Todas essas palavras são praticamente desconhecidas (como, por exemplo, “ararapitiu”, “clou”, “nambuu”) e de freqüência de ocorrência plural zero nos corpora consultados. Por causa disso, para o grupo de plurais em –u, resolvemos considerar apenas as palavras terminadas em –au e –eu, por serem essas mais freqüentes que as demais.

O grupo de plurais terminados em –l é mais numeroso (Cf. Tabelas 8 e 10, no Capítulo 3, “Revisão de Literatura”), por isso não tivemos problemas quanto à escolha de itens léxicos para cada um dos segmentos precedentes. Com relação à vogal precedente, não tínhamos nenhuma hipótese preliminar sobre os resultados.

6. Freqüência de ocorrência

Mais uma vez, codificamos as palavras de acordo com sua freqüência de ocorrência no plural, a fim de verificar se palavras mais usadas seriam menos suscetíveis a generalizações de plural. As faixas de freqüência consideradas foram:

a) Freqüência baixa (de zero a 99 ocorrências): “mausoléu”, “sol” b) Freqüência média (de 100 a 500 ocorrências): “céu”, “lençol” c) Freqüência alta (mais de 500 ocorrências): “hospital”, “museu”

As faixas de freqüência foram consultadas no Corpus NILC/São Carlos, para o qual já fornecemos detalhes anteriormente. Conforme já mencionamos na codificação para as palavras terminadas em –ão, nossa hipótese era que as palavras menos freqüentes,

devido à sua menor acessibilidade no léxico mental, seriam mais suscetíveis a variações de plural.

7. Palavra

Para o grupo de palavras terminadas em –l e em ditongo em –u, também acrescentamos um código para cada um dos itens adotados em nossos experimentos. Nossa expectativa era que as palavras apresentariam comportamentos diferenciados com relação à migração de plurais, já que, conforme a Difusão Lexical prevê, as mudanças são graduais e atingem o léxico item a item.

Finalizamos, assim, a descrição das variáveis lingüísticas analisadas em nossa tese. A próxima seção apresenta os fatores sociais que foram adotados.

Outline

Documents relatifs