• Aucun résultat trouvé

La maille et le point

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 46-49)

I.5 Notre approche

II.1.2 La maille et le point

Segundo Wellmer, no texto a que nos referimos, a teoria habermasiana da evolução social, enquanto estratégia de fundamentação de uma teoria crítica, estaria formulada em dois níveis que diriam respeito, respectivamente, a duas importantes teorias do aprendizado.

O primeiro nível estaria representado no modelo de uma lógica evolutiva interna do processo de racionalização social que haveria levado as sociedades ocidentais, depois de uma estagiação seqüenciada de aprendizado, ao modo de organização em que o Estado de Direito integra socialmente os indivíduos, por meio de uma linguagem própria, produzida mediante procedimentos autônomos em que todos têm, ou deveriam ter, segundo um princípio democrático inspirado no princípio do discurso (D), acesso incoativo de modo poder dar sua aceitação. A esse nível explicativo da Modernidade, Wellmer chama modelo-Piaget152, assinalando que ele “se referiria à consecução de novos estados de desenvolvimento e, com isso, à formação de novas habilidades moral-cognoscitivas (assim como novos princípios de organização social)”153. Ele serviria para estabelecer um padrão de desenvolvimento social capaz de dar fundamento às pretensões habermasianas de uma formalização da integração social de uma maneira parecida com a que Piaget descrevia a formalização das capacidades

152 WELLMER, Albrecht. Sobre razón, emancipación y utopía: acerca de la fundamentación teórico-

comunicacional de una teoría crítica de la sociedad, pp. 199 e s, 205, 207.

cognitivas humanas154. O limite desse desenvolvimento, na visão da teoria do discurso, seria formas de vida a que não tocariam mais quaisquer mundos da vida com conteúdos a- problematizáveis. Essas sociedades teriam atingido um nível de individualização das personalidades e dos projetos de vida para o qual não caberia mais uma última palavra acerca de opções de vida boa que pudessem vincular como um padrão cultural hetero-referente. Cada um estaria autorizado a optar, por si mesmo, por seus próprios projetos de vida, ao mesmo tempo em que caberia às instituições políticas apenas uma imparcialidade procedimental mediada pela limitação recíproca das liberdades, com fins a resguardar essas escolhas155.

O outro nível da teoria evolutiva habermasiana, inspirado na psicanálise, se basearia em um esclarecimento da sociedade acerca dos elementos bloqueadores que a impediriam de trazer, à superfície das práticas generalizadas explícitas, coações, distúrbios e distorções típicas de estágios anteriores de aprendizado os quais a manteriam presas a formas evolutivamente já logradas de desenvolvimento social. Esse nível, a que Wellmer denomina

modelo-Freud, consistiria em uma “eliminação de obstáculos à comunicação e numa

supressão de coerções inconscientes no nível das habilidades e princípios de organização que hão sido já alcançados (formalmente)”156. Graças à aquisição de um nível teórico-evolutivo determinado, tornava-se possível à teoria social determinar padrões formais de avaliação com que julgar processos patológicos de desenvolvimento. Do mesmo modo que o psicólogo é capaz de demonstrar que uma criança tem um desenvolvimento patológico com a ajuda de uma teoria ortológica do desenvolvimento cognitivo, o teórico poderia aportar para o debate político, e mesmo sociológico, juízos críticos de um caráter quase-clínico acerca dos

154 Ibidem, p. 199.

155 HABERMAS, Jürgen. Facticidad y validez, pp. 386-92.

156 WELLMER, Albrecht. Sobre razón, emancipación y utopía: acerca de la fundamentación teórico-

176

processos de socialização que levassem a resultados diferenciados em relação àquele padrão teórico. Isso dependeria de um modelo exemplar que haveria sido produzido por uma reconstrução, oferecida no modelo-Piaget, apoiada pelos materiais mais diversos das teorias sociais, psicológicas, da historiografia, da ciência política, da hermenêutica etc.

Wellmer propõe uma pesquisa da origem e das implicações teóricas de ambos os modelos e do modo como eles foram absorvidos pela teoria do discurso. Sua intuição é a de que, no contexto da teoria da evolução habermasiana, pode-se mais uma vez ter a dimensão dos problemas que já haviam sido expostos por ele em uma dimensão mais analítica. Para efeito de nosso trabalho, isso será importante por dois motivos. Primeiro, porque é por meio desse modo genético que Habermas pensa poder fundamentar um princípio universalista depois de ter rompido com as estratégias filosóficas, que ao modo de Apel, realizam uma dedução transcendental dos pressupostos formais da linguagem. Segundo, porque essa abordagem nos ajuda a associar as duas críticas de que tratamos no presente capítulo: uma mais abstrata e dirigida à lógica do princípio universalista, como a de Wellmer, e outra dirigida à forma de compreensão da Modernidade como experiência cultural específica de uma forma de vida que tem implicações no horizonte político no qual as sociedades se reproduzem auto-interpretativamente, como é a crítica de Taylor.

Wellmer associa a origem do modelo-Freud, isoladamente considerado, a uma forma de compreender a Modernidade típica do que chama um “novo-hegelianismo” livre das suposições metafísicas de Hegel, que ele atribui a Charles Taylor157. Segundo essa interpretação, uma teoria crítica baseada em tal modelo deveria partir do suposto de que a Modernidade teria adquirido um nível irreversível de universalismo jurídico e liberdades públicas, conquistas que, no entanto, não viriam a ser objeto das preocupações de tipo

“freudiana”. O sistema econômico burguês significaria uma base irretrocedível de liberdades de que cada sujeito seria dotado depois do advento do reconhecimento igualitário, o que deveria ser entendido como um dado da nossa sociedade à luz da qual dever-se-ia pensar a crítica social. O cerne da crítica deveria portanto ser uma análise terapêutica das questões problemáticas vigentes nas sociedades atuais, que impediriam a liberação dos potenciais auto- realizativos daquilo que Taylor chamava uma Ética da Autenticidade, aquele horizonte de sentido ao qual teríamos de responder158. Ou seja, a Modernidade estaria livre de conteúdos tradicionais que impunham uma servidão em relação a sentidos autoritários, mas só se realizaria por meio de interpretações que fossem capazes de dizer de modo pleno de significado o que é ser livre, o que é justiça, o que é igualdade e desigualdade baixo condições de reconhecimento simétrico conquistados mediante uma experiência cultural de evolução.

Ao mesmo tempo, Wellmer associa o modelo-Piaget, isoladamente, a uma certa interpretação da utopia marxista, bastante influenciada por idéias kantianas, quanto a um reino de liberdades como reino de fins realizado. Segundo essa idéia, um modelo naturalista de estágios de desenvolvimento levaria a uma concepção de liberdade atada “à filosofia transcendental da liberdade”159 na qual a humanidade não encontra nenhuma resistência a não ser o reino das necessidades que representa o metabolismo homem-natureza. Isso aponta para uma idéia limite de sociedade emancipada que só poderia ser alcançada mediante uma crítica radical que indicasse um novo modelo societário, localizado para além das formas vigentes, algo que só em Marx consegue ter expressão adequada, embora ele afirme que tal formulação signifique, em realidade, “uma perversão naturalista da filosofia da liberdade de Kant”160.

158 Cf. Ibidem, p. 211; TAYLOR, Charles. La ética de la autenticidad, pp. 49-65,103-10.

159 WELLMER, Albrecht. Sobre razón, emancipación y utopía: acerca de la fundamentación teórico-

comunicacional de una teoría crítica de la sociedad, p. 216.

178

“Marx confia em que o que até agora havia obstaculizado a unificação do eu-numenal consigo mesmo na realidade histórico-natural de uma pluralidade de sujeitos é erradicado” à medida em que “se verifique a transição para uma sociedade sem classes”161.

3.2.2. Evolução e normatividade na teoria do discurso: a super-idealização

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 46-49)