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Section 1 Enjeux écologiques et scientifiques

1.1. Lutter contre la déforestation du bassin du Congo

A análise dos dados é o processo de busca e de organização sistemática de transcrição de entrevistas, observações e de outros materiais que foram acumulados, “com o objetivo de aumentar a sua própria compreensão desses mesmos materiais e de lhe permitir apresentar aos outros, aquilo que encontrou” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 205).

Ainda segundo os autores, a análise e a interpretação de dados são realizadas por indicação, em que o pesquisador não tem a preocupação de comprovar hipóteses ou responder a perguntas previamente formuladas e inertes (Idem, 1994). Nessa pesquisa, os dados foram analisados com caráter interpretativo e qualitativo, visto que, neste tipo de diagnóstico, alcança-se um nível desejável de compreensão das percepções, crenças e relações pessoais da investigada.

O estudo pedagógico é essencial para a utilização dos dispositivos móveis na educação. A utilização destes dispositivos foi estabelecida a partir do contexto social da Profª Júlia, de ações colaborativas e das condições fornecidas pela Escola Verde. Para isso, a análise considerou as estratégias de ensino discutidas e elaboradas junto com a pesquisadora, assim como buscou respostas para o problema desse estudo, a fim de atender aos objetivos previstos considerando novos pontos de vista e interpretação.

Desse modo, os recursos usados para a análise dos dados brutos gerados foram: os áudios das entrevistas transcritos e digitados em um editor de texto; as observações e os diários de campo da pesquisadora digitados e impressos para facilitar a identificação da categorização dos dados; as fotografias agrupadas por evento e separadas em pastas datadas foram avaliadas conforme as categorias advindas do referencial teórico, em seguida foram organizadas de acordo com as suas representações, significados e importância.

Para constituir categorias foi necessário realizar um sistema de codificação. Bogdan e Biklen (1994) apontam este processo, na sua dimensão metodológica, asseverando que:

O desenvolvimento de um sistema de codificação envolve vários passos: percorre os seus dados na procura de regularidades e padrões bem como de tópicos presentes nos dados e, em seguida, escreve palavras e frases que representam estes mesmos tópicos e padrões. Estas palavras ou frases são categorias de codificação (Idem, 1994, p. 221).

Em consonância, Strauss e Corbin (2008) apresentam que a codificação é o artifício por meio do qual os dados são separados e conceitualizados para constituir suas relações, ou seja, é o processo de analisar os dados. No decorrer da codificação são identificados códigos (conceitos) e categorias. Um código nomeia um elemento de interesse para o investigador, ou seja, a codificação é o procedimento em que os dados são codificados, confrontados com outros dados e indicados em categorias. Neste sentido, as categorias formam um conjunto de conceitos ligados em um nível de abstração mais elevado.

O processo de codificação pode ser dividido em três fases: codificação aberta, axial e seletiva. A codificação aberta envolve a comparação, a conceituação e a categorização dos dados. Devido à leitura dos textos, o pesquisador explora os dados analisando detalhadamente aquilo que lhe parece relevante. Na fase de codificação axial o objetivo é confrontar as categorias entre si fazendo a comparação entre os códigos e, em seguida, entre os conceitos. Na seletiva, identifica-se a categoria central, contendo instruções relativas ao projeto de pesquisa em evolução (STRAUSS; CORBIN, 2008).

À vista disso, foram previstas categorias com base no referencial teórico. Outras surgiram no decorrer da pesquisa, à proporção que os processos foram sendo vivenciados. Tendo como base essa premissa, a análise permitiu responder ao problema e aos objetivos deste estudo, a partir da elaboração da teia de significados advindos das categorias surgidas dos dados. Como a pesquisa emprega uma abordagem qualitativa, que envolve a pesquisa- ação, percebeu-se, a partir dos dados, que o problema precisaria ser coletivo para se alcançar um real sentido ao estudo até chegar ao que está expresso neste trabalho.

Em se tratando de uma pesquisa-ação, os dados gerados no estudo foram confrontados a partir da triangulação, concomitância e informações adicionais. Como afirma Elliot (1993), a triangulação apresenta diversas vantagens, na medida em que pode ser utilizada não só para se examinar vários aspectos do mesmo fenômeno, como também para proporcionar novos elementos ao entendimento da questão.

Para isso, foi utilizada a triangulação dos instrumentos, com a finalidade de atender os objetivos da investigação. Para o autor, o uso da triangulação exige, inclusive, a combinação de múltiplas estratégias de pesquisa capazes de apreender as dimensões qualitativas do objeto, garantindo a representatividade e a diversidade de posições dos professores que formam o universo da pesquisa.

Os dados das transcrições das entrevistas, as observações e as anotações no diário de campo foram gerados durante os meses de setembro a dezembro de 2015 e incluíram fatos e acontecimentos apresentados durante a pesquisa. De posse desse material, foram realizadas várias leituras para constituir uma visão geral dos dados e, depois, analisar os elementos da pesquisa.

Em conformidade, Strauss e Corbin (2008) ressaltam ainda que o investigador, após comparar todos os dados, faz uma opção a respeito da permanência relativa dos

problemas apresentados na cena em estudo. Além disso, os autores consideram que o pesquisador pode usar os procedimentos que achar necessários para satisfazer seus objetivos de pesquisa. Assim, nesta pesquisa, não foi utilizado software específico para análise de argumentos e codificação de textos, no entanto, os dados gerados foram digitados, tabulados, copiados, colados e classificados por códigos a mão (QUADRO 5), utilizando editor de texto e de planilha eletrônica para contagem e organização.

Quadro 5 - Codificação dos elementos da pesquisa

Elementos Descrição Exemplos

Instrumentos

São transcrições de entrevistas e observação representadas por código e suas cores.

E-ANT: Entrevista semiestruturada antes da

elaboração do projeto;

E-EP: Entrevista semiestruturada realizada no

encontro para elaboração do projeto;

E-AP: Entrevista semiestruturada após o projeto; O-A: Observação das aulas;

Citações

Fragmentos relevantes das entrevistas, observações e diário. Estes estão referenciados pelo código do instrumento, seguido da data.

“Eu vi uma amiga minha aqui da escola usando os netbooks e ouvia também os comentários dos alunos dizendo que a aula da professora tal foi ótima!” (E-ANT: 08/09/2015)

“A tecnologia promove o ensino quando tem um professor que aposta nela e quando chama os alunos para pensar junto, porque se você for ver não aprendi tudo.” (E-EP: 29/09/2015)

Notas de análise

Descrevem a interpretação da pesquisadora e os resultados das codificações.

DC: Diário de campo da pesquisadora.

“Em várias ocasiões a Profª Júlia reforçava que todos estavam no mesmo barco, com o mesmo objetivo e no mesmo nível, cada um aprendendo com o outro aquilo que não sabia.” (DC:

01/12/2015)

Fonte: Elaboração própria.

Desta organização, obteve-se a quantidade de 3 (três) páginas transcritas na primeira entrevista, 4 (quatro) na segunda e 7 (sete) na terceira. Em relação às observações das aulas e diário de campo, gerou-se, respectivamente 10 (dez) e 21 (vinte e uma) páginas de

anotações das atividades desenvolvidas no projeto. No que se referem aos vídeos, estes se detinham às produções dos alunos, totalizando 23 (vinte e três) minutos. Já as fotografias foram catalogadas por evento e data e agrupadas em pastas, perfazendo 42 (quarenta e duas) fotos selecionadas e analisadas.

Após as leituras, as macrocategorias e categorias emergiram. Assim, as macrocategorias Prática Docente Apoiada por Dispositivos Móveis e Aprendizagem Colaborativa Móvel estão vinculadas ao referencial teórico, como também aos roteiros de alguns instrumentos de coleta (APÊNDICE A e B). A partir dos aspectos comuns entre elas e devido aos objetivos da pesquisa, as categorias examinadas surgiram do grupo de conceitos abstraídos da literatura de acordo com os termos explicativos mais abstratos. Para isso foi necessário comparar os referencias teóricos, identificando categorias conceituais, suas propriedades (características particulares) e dimensões (representam a localização de uma propriedade). Segundo Strauss e Corbin (2008), é nesse momento que o pesquisador desempenha sua sensibilidade teórica e usa seu conhecimento para interpretar o significado dos dados, da maneira mais exonera possível.

Na etapa seguinte, as falas da entrevistada foram analisadas e codificadas por meio da “análise detalhada, linha por linha [neste caso, frase por frase] para gerar categorias iniciais” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 65). Antes de iniciar a análise dos dados, propriamente dita, foi feita uma verificação prévia do conteúdo das entrevistas semiestruturadas. A primeira entrevista continha basicamente comentários sobre os anseios, dúvidas da Profª Júlia sobre a utilização adequada dos dispositivos móveis. Isso provavelmente ocorreu devido a não convivência e manejo de tais recursos em sua prática docente. No entanto, a segunda entrevista compreendia uma série de comentários sobre como ela gostaria que o projeto fosse realizado, descrevendo seus desejos, apresentando sugestões e avaliando as participações dos seus alunos. Na última, as dificuldades e facilidades foram detalhadamente pontuadas.

Da mesma maneira, foram analisadas as observações das aulas e as anotações no diário de campo, buscando fazer um levantamento das estratégias utilizadas pela professora ao utilizar os dispositivos móveis com os seus alunos, das conquistas e dos desafios/dificuldades apresentados em cada atividade do projeto, ou seja, comparando “as propriedades e as dimensões inerentes ao incidente ou evento, agrupando coisas parecidas com coisas parecidas” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 119). As observações de acompanhamento das

aulas incluíam, em muitos dos casos, as mesmas ressalvas apresentadas nas entrevistas. Assim, as subcategorias, originadas dessas análises, foram relacionadas às categorias de interesse dessa pesquisa, as quais estão distribuídas no Quadro 6.

Quadro 6 - Macrocategorias, categorias e subcategorias

MACROCATEGORIA CATEGORIA SUBCATEGORIA

Prática docente apoiada por dispositivos móveis

Processo de ensino

Planejamento e

acompanhamento das atividades Conteúdos curriculares e critérios avaliativos Proposta de atividades

Uso na e além da sala de aula

Mediação docente Conectividade Aprendizagem colaborativa móvel Trabalho colaborativo Aprendizagem em diferentes contextos Negociação de ideias Produção colaborativa Uso de aplicativos e dispositivos móveis Mobilidade e ubiquidade Funcionalidades colaborativas

Fonte: Elaboração própria.

A macrocategoria Prática Docente Apoiada por Dispositivos Móveis está vinculada a duas categorias: a) processo de ensino que identifica a proposta do projeto pela Profª Júlia, ressaltando a importância de como ela propôs e desenvolveu as atividades com seus alunos, como foi feita a distribuição dessas atividades, como delegou as ações entre eles; b) uso de dispositivos móveis na e além da sala de aula, que representa todas as atividades realizadas na Escola Verde, mediadas pela Prof. Júlia, com o apoio de algum dispositivo móvel (netbook, tablet, smartphone), como também concebe toda e qualquer atividade pedagógica, desenvolvida no projeto, fora do espaço escolar.

Já a macrocategoria Aprendizagem Colaborativa Móvel está atrelada às categorias: a) trabalho colaborativo que identifica a aprendizagem em diferentes contextos,

compreende a produção colaborativa dos alunos e como eram negociadas as ideias e geridos os conflitos; b) uso de aplicativos e dispositivos móveis, que auxiliaram a realização das atividades em qualquer espaço e tempo a partir da pesquisa na Internet, do compartilhamento, da produção coletiva de materiais pedagógicos e da utilização de aplicativos colaborativos online como o Google Maps e o Google Drive.

No tocante aos procedimentos éticos adotados nesta investigação e de acordo com a Resolução nº 466 de 12 de dezembro de 2012, revela que toda pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser submetida ao sistema CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) por intermédio da Plataforma Brasil para apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Diante disso, esta pesquisadora submeteu o projeto de tese à CEP que aprovou, conforme o Parecer nº 1.376.505 (ANEXO A).

Ainda sobre essa Resolução, foi elaborado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), esclarecendo sobre ônus, riscos e benefícios, caráter voluntário do assentimento, confidencialidade e privacidade, uso de imagem e retorno dos dados. Nesta pesquisa, este termo se encontra no Apêndice J, bem como outros termos usados para autorização de imagens da professora, das crianças participantes (APÊNDICE H e I) e da utilização de celulares na sala de aula pela direção da escola (APÊNDICE K).

Segundo Strauss e Corbin (2008), o importante é encontrar o principal processo que explica a ação na cena social. Nesse sentido, no capítulo seguinte, os resultados deste estudo serão apresentados.