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Les enjeux d’efficience dans un contexte d’incertitude

informationnelles permet-il une meilleure maîtrise des risques bancaires ?

3. Le sens du reporting pour la gouvernance bancaire

3.4. Les enjeux d’efficience dans un contexte d’incertitude

Qualquer processo de análise que se adopte, não esgotará todos os elementos a avaliar, não esgotará a globalidade da análise requerida, sem que se corra o risco de inviabilizar, essa mesma, análise e de a encerrar, bem como, ao objecto a avaliar, num acanhado invólucro sem possibilidade de se abrir à inteligibilidade científica e aos utilizadores e destinatários. O processo de elaboração de um manual escolar é complexo e articula-se à volta de inúmeros actores. O manual escolar reflecte uma interpretação da cultura e do seu imaginário, para além, de considerar dimensões escolarizáveis e práticas educativas. Vivemos num tempo de conhecimento, marcadamente, ocidental, aliás, o que acontece com todas as outras sociedades, que se encontram ocidentalizadas ou em vias de ocidentalização. Não é um conceito etnocêntrico, mas tão-somente, a verificação de facto da situação de hoje. E neste sentido, nesta civilização do conhecimento, que representa a cultura para os seus pensadores, mas neste particular caso, o que representa ela para os professores? De que modo eles, intelectuais ou não, mas fiéis depositários da chave que abre portas ao saber, têm consciência da sua importância, ora como transmissores do conhecimento, ora como oleiros de uma cultura padronizada e ligeira?

escolar. Aqui, os cadernos diários dos alunos, os seus testes de avaliação, os seus trabalhos de projectos, exposições finais, poderiam constituir o acervo a dar claridade a este problema de avaliação.

Digamos que muito poucos professores participam da construção cultural da nossa sociedade, mas só alguns mantêm com ela, uma relação pessoal crítica e oportuna e a utilizam como processo emancipador em direcção à democracia. São, em muitos casos, repetidores de cultura, reconstruindo ou simplificando a imagem da realidade como forma, mais fácil, de a transmitir. Jean-François Revel tem uma ideia muito precisa sobre a função do professor e do modo como ele age no colectivo, quando reflecte, então, que “en todas las épocas, pero sobre todo desde que ha penetrado en todas las capas sociales la instrucción obligatoria, el pedagogo ha cumplido esa función de intérprete que proporciona a cada generación la traducción condensada del estado de los conocimientos y de los valores en un momento dado. Pero todo traductor, como se sabe, puede mostrarse infiel al texto original” (Revel, 2007, p. 374). O professor pode ensinar ou doutrinar e, assim, a função educativa é cumprida de diversos modos. Se o ensino se sobrepõe ao endoutrinamento, está cumprida a principal função da educação, mas pelo contrário, realça Revel “cuando es el adoctrinamiento el que se impone, se convierte en nefasta, abusa de la infancia y substituye la cultura por la impostura” (idem, p. 375) e se os professores

agirem como actores políticos, cometerão um abuso de posição dominante, perante um público que não tem outra opção que não ouvir. Então, como poderão eles fazer do manual escolar um instrumento activo, confrontador e de expressão livre, quando na maioria dos casos, são os próprios professores que se apoiam no manual, como o orientador dos seus percursos pedagógico- didácticos e o conciliador do currículo oficial? Porque a aprendizagem é quase o inverso, é um processo permanente de rectificação, por integração constante de novos dados à representação inicial, que não a alterando, a enriquece nos

seus pressupostos principais. Estamos perante uma ambiguidade, porque não

mesmo, perante uma espécie de anfibiologia, que convinha desfazer e torná-la objectiva e clara, de modo, fosse possível perceber-se o que representa a educação-informação (instrução) e o que caracteriza a educação-formação (educação).

Sabe-se que o êxito de um manual escolar, nos campos comercial e educativo, depende, em muito, da decisão do professor e cabe, seguramente, às editoras conceberem manuais que não causem grandes danos ao corpo docente! Cabe a elas produzirem e editarem manuais escolares em que,

aparentemente, haja uma neutralidade do conhecimento, à luz de um falso laicismo, como se permanecêssemos no século XIX, quando se combatia o domínio ideológico no ensino, sem nos apercebermos de que ele, próprio, representa em si mesmo, a imposição de uma visão do mundo. Os manuais escolares representam contradições exemplares, voltando a intervir Revel, se “impuestos a los niños como única fuente de información en la matéria” (ibidem, p. 380), mas que não devem, por isso, infligir traições ao compromisso entre verdade e conhecimento, nem abusar da posição dominante dos professores e dos autores de manuais, em “relación a un auditório que no tiene opción entre escuchar y no escuchar” (ibidem, p. 400). O manual escolar não deve perder de vista os seus destinatários mais directos, os alunos, pelo que, há que se apreciar a sua legitimidade como indivíduos e como sistemas de acolhimento, em função da sua personalidade, experiências anteriores e estruturas cognitivas. Qualquer manual escolar, de qualquer disciplina, deve saber fornecer sugestões de aprendizagem, o mesmo será que dizer, permitir e favorecer a passagem de uma estrutura de acolhimento inicial, para uma nova estrutura. O manual será, sempre, um sistema aberto que desempenhará uma plataforma interface com outras áreas e conhecimentos e só se legitimará, na medida das suas consequências educativas e na medida da qualidade das aprendizagens que desafia. Senão, ele remeter-se-á ao estatuto de instrumento frio e distante dos seus destinatários.

Como itinerário da nossa investigação, a expor na 2ª parte da tese, deu- se realce a linhas orientadoras, principalmente, relacionadas com o apoio às aprendizagens, à direcção da multiculturalidade, ao perfil iconográfico, ao contexto estrutural e à promoção da educação expressiva. No entanto, conhecem-se as várias opções político-institucionais, o volume de negócios em causa, a precariedade dos estudos sobre esta temática, a falta de uma política adequada para o manual escolar (preços, gratuitidade, concorrência, certificação de qualidade, processos de produção, regime de adopção, etc.) e dos interesses particulares (editoras, autores, escolas, professores, encarregados de educação), que têm envolvido e polvilhado de interferências o processo de produção e edicação dos manuais escolares e que lhe tem prejudicado um debate que se desejava atento, rigoroso, independente e estratégico, ao serviço do bem do público.

Este emaranhado de aspectos não nos pode desviar do centro da investigação – análise e elaboração de bases técnicas para a construção de manuais escolares de Educação Musical – como contribuição para a construção de dispositivos adequados ao aluno do ensino público regular, como unidades tipo rosa-dos-ventos em que se perceba o modo como o aluno os acolhes, se identifica com eles e como deles se apropria. Os manuais escolares constituem-se em instrumentos essenciais dos processos educativos, de modo a que as novas gerações possam compreender adequadamente, as culturas existentes, em que vivem ou a que pertencem. A socialização, como processo de integração e compreensão do envolvente, é indispensável ao desenvolvimento de conhecimentos e das capacidades necessárias à participação no tecido económico, social e cultural, num contexto de vida democrática. A Figura 13 apresenta o itinerário seguido quanto ao desenvolvimento do processo de análise conduzido através dos manuais escolares estudados, tentando-se procurar linhas de continuidade e de funcionalidade, como lugares de identidade e de cidadania. Qualquer proceso de análise que se adopte, não esgotará todos os elementos a avaliar, não esgotará a globalidade da análise pretendida, sem que se corra o risco de inviabilizar, essa mesma análise e de a encerrar, bem como ao objecto a analisar, num acanhado invólucro sem possibilidades de se abrir à inteligibilidade e aos utilizadores e destinatários.

MANUAL ESCOLAR

O que é Conceitos Função Construção de modelo de análise

Linhas de investigação Indicadores Unidade de análise

Grelha de análise

Manuais de 5º e 6º anos de Educação Musical Figura 13: Rede conceptual e organizadora da análise

CAPÍTULO 7

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