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DES COMPETENCES REQUISES PAR L ’ ENVIRONNEMENT ?

2. L’ EDUCATION DU CONSOMMATEUR

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Deus seria , assim, não só a essência da luz espiritual que aparece como a flor mais recente da evolução, não só a meta espiritual da redenção na qual culmina toda a criação, não só o fim e o alvo derradeiro, mastambém a causa mais obscura e ínfima das trevas da natureza. Este é um tremendo paradoxo que reflete obviamente uma profunda verdade psicológica. De fato, ele não exprime senão o caráter contraditório de uma só e mesma entidade cuja natureza mais intima é uma tensão entre dois opostos. A Ciência designa esta entidade pelo nome de energia, pois a energia é um equilíbrio vivo entre opostos. Por isso é que o conceito de Deus, em si mesmo paradoxal, pode ser tão satisfatório para as necessidades humanas, que nenhuma lógica , por mais justificada que pareça, é incapaz de lhe resistir. Jung (1998[1928] § 103)

o começo do século passado vivia-se um período de negação da fé, vista como obstáculo ao atingimento pleno da razão, do desenvolvimento humano. A era da ciência não podia coexistir à era da fé racional, da crença como pertencente ao natural do humano. Hoje, diferentemente, observa-se que há um movimento de retorno à antiga perspectiva da fé como elemento intrínseco da vontade do ser, como parte indissociável da vida. Não é, contudo, um retorno puro e simples ao ‘status quo ante’. É, antes, uma volta no sentido da correção do entendimento da fé, não mais vista apenas como dogma, ou como pertencente ao quadro desta ou daquela instituição religiosa. Trata-se da razão que não vê mais na espiritualidade o seu anátema; ao contrário, considera que a busca de um sentido além- ego é exatamente um exercício da razão, já que é considerado parte das necessidades de todos os homens e, pelos resultados obtidos neste trabalho, fator de promoção de resiliência, capaz de habilitar ao melhor enfrentamento das adversidades, capaz de promover o desenvolvimento humano.

Evidencia-se, pela natureza desta amostra, composta por pessoas de alto padrão sócio-econômico-cultural, que a espiritualidade não é vista como um entrave ao

desenvolvimento intelectual, ou medida da razão. Pelo contrário, os pacientes que compuseram tal quadro mostram que a espiritualidade faz parte da eterna busca pela felicidade e, assim como uma pulsão, não pode ser ignorada.

Quanto à resiliência, verifica-se facilmente que seu conceito definitivo ainda está por vir. São várias as idéias, polêmicas e armadilhas causadas pela tentativa da compreensão mais profunda do fenômeno que representa um sério desafio para os pesquisadores. Enquanto alguns estudiosos mantêm o foco de suas investigações nos aspectos relacionados aos fatores fisiológicos ou constitucionais do processo resiliente, outros se atêm de tal forma à complexidade do conceito, ao ponto de defender sua impossibilidade de operacionalização e avaliação. Entretanto, apesar de toda a incipiência do novo constructo, sua estruturação teórica e conjecturas, é certo que já há bases suficientes para justificar a adoção de práticas necessárias à sua promoção.

No atual estágio, há que se salientar que qualquer tipo de reducionismo em torno do conceito pode, além de prejudicar o andamento das investigações do fenômeno, interferir nas práticas de sua promoção, hoje, comprovadamente eficazes no desenvolvimento de potencialidades humanas e sociais, como mostram os resultados dos primeiros trabalhos direcionados à promoção de resiliência.

Pode-se dizer que o desenvolvimento do constructo caminha no sentido de entender a resiliência dentro de uma perspectiva mais complexa, em que o homem é um sujeito ativo da sua história, capaz de resignificar e criar novas alternativas de atuação e adaptação frente a situações de adversidade; a concepção ultrapassa o simples conceito de adaptação, uma vez que o indivíduo é fortalecido pela vivência da superação destas situações adversas, restando inequívoco seu caráter transcendente.

Totalmente permeada pela ética, a resiliência é um processo no qual a consciência do outro é fundamental para que ocorra, e as transformações resultam no bem-estar não somente no plano individual, mas coletivo. Trata-se de um fenômeno que transcende o ego, na medida em que tem, além de suas bases e raízes, o objetivo final nas inter-relações humanas, sempre implicando, ainda que indiretamente, a participação de toda a sociedade.

A criação de uma consciência, de um comportamento ou modo de ser resiliente pressupõe, antes de tudo, a ciência do outro, a alteridade. Esta inclusão do outro na nossa maneira de ser e estar no mundo representa o fundamento ético da construção de

uma sociedade resiliente. E neste sentido, o fator espiritualidade torna-se um elemento importante na sua efetivação. Estes são pontos convergentes nos conceitos de resiliência e espiritualidade.

O ser resiliente é aquele que traduz um imperativo categórico ditado pelo Self, de condução à integração com a totalidade, sem o que não há que se falar em resiliência. É neste sentido que a espiritualidade representa a alma da resiliência, enquanto disposição humana capaz de despertar o sentimento de unidade para com o próximo, com o mundo e com a natureza permeando as inter-relações de afetos mais profundos, promovendo vínculos mais efetivos, capazes de desenvolver competências necessárias para resultados mais resilientes. A fé, a convicção de pertencer ao universo, de fazer parte de um propósito supremo trazem responsabilidade, sentido e significado para a existência, capazes de dotar o indivíduo de dispositivos fundamentais no trato das adversidades.

Pode-se dizer que os dados deste trabalho apoiam as conclusões que relacionam a espiritualidade como um fator importante no enfrentamento de doenças crônicas e, portanto, mediadora do processo resiliente. Tem seu objetivo concluído na confirmação da hipótese que associa resiliência e espiritualidade, positivamente.

Ressalta-se que esta conclusão apoia-se nos dados de uma amostra da população brasileira de padrão socioeconômico-cultural alto, constituída de indivíduos que contam com o apoio de uma rede social, já que a maioria tem companhia, trabalha e tem filhos. Situações que, guardada a devida atenção à dinamicidade do processo resiliente, podem ser consideradas de proteção, já que possibilitam, ainda que não necessariamente, a presença de fatores resilientes, importantes na superação das adversidades.

Fica, então, a sugestão para que outros estudos estendam esta pesquisa para novas amostras com características sociodemográficas diferentes. Outros fatores abordados também merecem uma investigação mais direcionada, ou mais aprofundada no sentido de buscar uma confirmação estatística, como no caso das diferentes relações entre os fatores de bem-estar religioso, bem-estar existencial e resiliência; a possibilidade da doença como um fator desencadeante da espiritualidade e individuação; os fatores de bem-estar religioso, existencial e resiliência nas religiões instituídas; a relação entre práticas espirituais individuais e resiliência etc.

Conclui-se que resiliência é um processo evolutivo que implica em desenvolvimento de potencial humano, devendo, portanto, ser abordado dentro de uma perspectiva biológica, psicológica, social, espiritual e ecológica.

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