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3.4 La calculabilit´e

3.4.2 Ing´enierie documentaire

A teoria dos estágios de evolutivos da internacionalização vem complementar os estudos em torno da dinâmica da internacionalização, que se têm centrado até então em grandes empresas e no investimento direto estrangeiro. No âmbito desta teoria, o processo de internacionalização é então considerado um processo gradual, que se desenvolve por estágios (Melin, 1992).

23 Hagen e Hennart (2004) oferecem uma síntese integrada das propostas de alguns dos autores que se dedicaram já ao enquadramento e identificação dos estágios do processo de internacionalização.

Autor / Ano Designação dos estágios

Rothschild (1983) (1) Doméstico (2) Quase-doméstico (3) Multinacional Johanson e Wiedersheim-Paul (1975) (1) Exportação direta (2) Exportação indireta (3) Vendas locais (4) Produção local Bilkey e Tesar (1977) (1) Aversão à exportação

(2) Resposta a encomendas espontâneas (3) Exploração da viabilidade de exportação

(4) Exportação experimental para um ou dois mercados (5) Experiência de exportação em alguns mercados (6) Exploração de novos mercados

Turnbull e Ellwood (1986) Estruturas de Marketing: (1) Doméstica simples (2) Doméstica completa (3) Internacional primária (4) Internacional completa (5) Multinacional/matriz global Cavusgil (1980) (1) Marketing doméstico (2) Pré-exportação (3) Envolvimento experimental (4) Envolvimento ativo (5) Envolvimento dedicado Czinkota (1982) (1) Completamente desinteressado (2) Parcialmente interessado (3) Explorador (4) Experimental

(5) Pequeno exportador experiente (6) Grande exportador experiente

Reid (1981) (1) Consciência da exportação (2) Intenção de exportação (3) Experimentação da exportação (4) Avaliação da exportação (5) Aceitação da exportação Cavusgil (1982)

(1) Empresas não exportadoras e sem interesse em reunir informação sobre a exportação

(2) Empresas não exportadoras, interessadas em reunir informação sobre a exportação

(3) Empresas exportadoras que exportam menos de 10% do output (4) Empresas exportadoras que exportam mais de 10% do output

Tabela 6 – Estágios da internacionalização

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Segundo Johnson, Scholes e Whittington (2008) – e conforme tivemos oportunidade de constatar no quadro acima – a internacionalização é um processo sequencial, segundo o qual a empresa vai adquirindo conhecimentos e competências de forma gradual, ao mesmo tempo que se vai envolvendo e comprometendo cada vez mais com o mercado. Nesta perspetiva de expansão internacional por estágios, as empresas tendem a iniciar a sua estratégia de expansão através de modos de entrada como o licenciamento e a exportação, de forma a adquirir conhecimentos locais minimizando a exposição dos seus ativos aos riscos internacionais. Assim que as empresas disponham de conhecimento e, consequentemente, confiança suficientes, poderá passar para modos de maior exposição tais como joint ventures ou, numa fase mais avançada, IDE.

Segundo os autores, cada vez mais as empresas mais pequenas contrariam a tendência das grandes multinacionais, internacionalizando de forma rápida numa fase inicial da sua atividade, utilizando diferentes modos de entrada para aceder simultaneamente a múltiplos mercados. Esta estratégia deu origem às chamadas “born global” (Rennie, 1993).

As born global, ou empresas “globais à nascença”, contrariam a teoria em análise na medida em que revelam um comportamento internacional prematuro, diferente do tradicional, atuando nos mercados internacionais por intermédio e uma globalização rápida, sem qualquer período de atuação prévio no mercado nacional (Oviatt e McDougall,1994; Gabrielsson e Kirpalani, 2004). Estas empresas costumam possuir competências técnicas e conhecimento dos mercados externos sólidos, procurando, no entanto, assimilar novos conhecimentos nos diversos locais onde operam. Regra geral, estas empresas atuam em nichos de mercados mundiais, estando associadas a uma oferta inovadora e diferenciadora. Pela sua rápida ascensão aos mercados externos, as born global tendem a carecer de conhecimento prático, devendo, portanto, gerir simultaneamente o processo de internacionalização e o desenvolvimento da sua estratégia geral.

Aqui, conforme veremos em seguida com mais pormenor, surgem ainda duas correntes de pensamento: o Modelo Uppsala e os Modelos Baseados na Inovação.

2.2.10.1. Modelo Uppsala

Proposto pela Escola Nórdica de Uppsala, que encontra as suas bases na teoria comportamental da empresa (Cyert e March, 1963; Aharoni, 1966) e na teoria do crescimento a empresa de Penrose (1959), este é o modelo mais frequente na escolha dos mercados-alvo estrangeiros na medida em que considera a internacionalização como um processo gradual, segundo o qual a empresa procura fomentar o seu envolvimento com o panorama internacional (Johanson e Wiedersheim-Paul, 1975; Johanson e Vahlne, 1977, 1990; Welch e Luostarinen, 1988).

Segundo este modelo, existem dois padrões de internacionalização: (1) o envolvimento é sequencial, com um grau de comprometimento crescente, desde a realização de exportações não regulares até ao estabelecimento de uma subsidiária produtiva local; (2) a empresa penetra mercados cultural, política e linguisticamente mais distantes.

Na prática, o modelo desenvolve-se em quatro estágios: (1) inexistência de atividades regulares de exportação - exportação direta; (2) realização de exportação por intermédio de agentes - exportação indireta; (3) estabelecimento de subsidiárias dedicadas à comercialização dos bens da empresa nos mercados estrangeiros; e, (4) estabelecimento de subsidiárias de produção local nos mercados estrangeiros.

25 Um importante pilar de sustentação desta teoria, reside na capacidade de reunir conhecimento acerca dos mercados externos, das operações e da afetação de recursos, que se torna um input para a formulação estratégica passível de reduzir os obstáculos à internacionalização e auxiliar a tomada de decisão incremental (Johanson e Vahlne, 1990; Luostarinen, 1990).

2.2.10.2. Modelos baseados na inovação

Cavusgil (1980) analisa os estágios da internacionalização em rácios de exportação (X/V, em que X = exportação e V = faturação total) que avaliam o grau de dependência ou envolvimento da empresa perante os mercados externos.

Tendo por base a teoria do ciclo de vida do produto de Vernon (1966), cada estágio corresponde a uma oportunidade de inovação para a empresa. Assim, de acordo com Cavusgil (1980), existem cinco estágios:

1. Mercado Doméstico: A empresa não exporta  rácio X/V=0;

2. Pré-Exportação: A empresa faz uma prospeção e avalia a viabilidade da exportação, carecendo ainda de informação básica sobre os custos e riscos da exportação  rácio X/V próximo de 0; 3. Envolvimento Experimental: A empresa exporta, com um grau de envolvimento marginal

inconstante e distâncias culturais e físicas dos mercados reduzidas  rácio X/V < 10%;

4. Envolvimento Ativo: Há um esforço sistemático, por parte da empresa, no sentido de alavancar as exportações para diversos mercados, segundo uma estrutura organizacional adaptada à nova realidade  rácio X/V entre 10% e 40%;

5. Envolvimento Comprometido: A empresa depende do exterior e dispõe de recursos limitados em ambos os mercados interno ou externo, podendo estar em pleno processo de investimento direto ou de contrato de licenciamento  X/V > 40%.

Posto isto, infere-se que a teoria dos estágios se torna mais relevante para os estágios iniciais do processo de internacionalização (Johanson e Vahlne, 2010) e para as PME (Viana e Hortinha, 2005).