Conclusion Des outils chiffrés vecteurs d’une coordination entre acteurs, malgré leurs carences techniques
Section 2 Des théories conventionnalistes à l’appareil d’investigation précis
2.2 Des conventions pour étudier la comptabilité, la relation salariale et les suppressions d’emplois
O mercúrio é tóxico para vários órgãos. Os seus efeitos deletérios são devidos à liberação de íons que favorecem a precipitação de proteínas, sendo altamente tóxicos para as células (CLARKSON, 1968, 1972 a, b; FELTON et al., 1972; FRIBERG & VOSTAL, 1972). Os compostos mercuriais desnaturam proteínas, inativam enzimas e rompem membranas celulares (BRUBAKER et al., 1973; LUCIER et al., 1973; BRYAN et al., 1974; SOUTHARD et al., 1974; SHAMOO & MAC LENAM, 1975; FOWLER, 1978; STARA & DRAHOTA, 1978). Na membrana celular seu efeito é geralmente irreversível, devido à sua forte ligação aos radicais sulfidrilas (-SH). Conseqüentemente, ele reduz a atividade de enzimas tais como a Na+/K+-ATPase em vários
tecidos (CHÁNEZ et al., 1989; ANNER et al., 1992). Essa enzima tem um papel importante nas funções neuronais, na manutenção do gradiente eletroquímico de sódio e potássio transmembrana e no controle de captação e liberação de neurotransmissores em nível pré- sináptico (SCHWARTZ, 1972; SCHURMANS-STEKHOVENS & BONTING, 1981; ANNER, 1985).
No miocárdio, também foi observada uma inibição da Na+/K+-ATPase sarcolemal, o
que diretamente favorece um aumento na força de contração (HALBACH et al., 1981; OLIVEIRA et al., 1994). A redução da atividade dessa enzima pelo Hg, em baixas concentrações, pode aumentar a concentração de Na+ intracelular, o que diminui a eficácia do mecanismo de troca
Na+Ca2+ (VASSALO et al., 1990). Essa redução no gradiente transsarcolemal de Na+ reduziria a
extrusão de Ca2+, elevando sua concentração intracitoplasmática, favorecendo o aumento da força
de contração em corações isolados de ratos (OLIVEIRA & VASSALO, 1992). Além de reduzir a atividade da Na+/K+-ATPase, o mercúrio ainda deprime a atividade da Ca2+-ATPase, interferindo
na captação de Ca2+ do retículo sarcoplasmático (RS) cardíaco (AHAMMAD-SAHIB et al., 1988;
REDDY et al., 1988; HECHENBERG & BEYERSMANN, 1991; HALBACH et al., 1981), e dos canais de Ca2+ que se abrem na dependência de radicais -SH, facilitando a sua penetração no
sarcoplasma (ABRAMSON & SALAMA, 1989).
O mercúrio afeta ainda outras enzimas que exercem funções importantes no sistema cardiovascular, tal como a enzima conversora de angiotensina (ECA), que tem sua atividade reduzida pela ação do Hg2+. AMARAL et al. (1996) investigaram a possível ligação entre
a queda de pressão arterial e a inibição da ECA e mostram que após a injeção de mercúrio, o efeito hipertensivo ocasionado pela angiotensina I foi reduzido, sugerindo que o Hg2+ inibe a
atividade da ECA. SU & CHEN (1979) avaliaram os efeitos do dihidróxido MeHg sobre a freqüência do nódulo sino-atrial e a tensão isométrica do átrio esquerdo e músculo papilar de ratos estimulados eletricamente. Observaram que baixas doses (0,5 a 2 ppm) foram capazes de aumentar a freqüência de disparo e diminuir a tensão isométrica do átrio direito isolado. Já em altas doses (> 2 ppm), ambos os parâmetros acima foram reduzidos. Os autores também verificaram dilatação e edema de mitocôndrias e RS e, ocasionalmente, depósito de material amorfo na mitocôndria e degeneração das fibras do miocárdio.
Além disso, esse metal é conhecido por suas propriedades pró-oxidantes. A contaminação aquática é citada como um dos principais responsáveis pelo estabelecimento do estresse oxidativo, devido ao aumento da produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) nos organismos expostos (AHMAD et al., 2000; SILVA et al, 1999) tais como o ânion superóxido (O2-), radical hidroxila (OH), o peróxido de hidrogênio (H2O2), entre outros, que podem reagir com
macromoléculas biológicas suscetíveis e causar peroxidação lipídica (LPO), danos no DNA e oxidação de proteínas, resultando em estresse oxidativo (LIVINGSTONE et al., 1993; NORDBERG & ARNÉR, 2001; SHI et al., 2005). O estresse oxidativo celular é um fenômeno
biológico que leva a perdas funcionais, gerando o envelhecimento dos tecidos, desencadeando patologias de caráter crônico-degenerativo. O acúmulo de metais nos tecidos pode potencializar esse mecanismo (PASCALICCHIO, 2002).
Em condições fisiológicas normais, os efeitos prejudiciais das ERO são efetivamente neutralizados por sistemas de defesas antioxidantes do organismo. Há dois tipos de defesas antioxidantes: (1) as defesas enzimáticas, conferidas por enzimas antioxidantes como a superóxido desmutase (SOD), a glutationa peroxidase (GPx); a glutationa S-transferase (GST), glutationa redutase (GR) e a catalase (CAT); (2) defesas não-enzimáticas, exemplificadas pela ação do sistema glutationa - reduzida (GSH) e oxidada (GSSG), da vitamina E, entre outras (HALLIWELL, 1996). Tais sistemas antioxidantes são os biomarcadores mais freqüentemente utilizados na avaliação toxicológica (DOYOTTE et al., 1997; ORUÇ et al., 2004). Estes biomarcadores são excelentes ferramentas para monitorar a saúde dos ecossistemas aquáticos e têm sido incluídos em vários programas modernos de monitoramento ambiental de países desenvolvidos (WALKER et al., 1996).
Em ratos, o MeHg tem papel importante como mediador do estresse oxidativo, ativando proteínas quinases, causando distúrbios no metabolismo mitocondrial do músculo esquelético, induzindo a diminuição dos níveis de enzimas como a citocromo c oxidase e a succinato dehidrogenase (USUKI et al., 2001). Em mamíferos, o mercúrio é capaz de induzir um estresse oxidativo via produção de H2O2, diminuição dos níveis de glutationa reduzida e causando
peroxidação lipídica (STOHS & BAGCHI, 1995). A produção de ERO, em condições fisiológicas normais, está em equilíbrio com a ação desses sistemas de defesas. Na diminuição desses sistemas, no excesso da produção de ERO, ou na conjugação das duas situações, o meio celular fica sujeito ao estresse oxidativo (BIESALSKI, 2000).
Uma vez estabelecido o estresse oxidativo, as ERO podem produzir danos, como a peroxidação de lipídios insaturados das membranas celulares, oxidação de proteínas e danos oxidativos ao DNA. A lipoperoxidação é o evento citotóxico primário desencadeado pela ação das ERO, uma reação em cadeia que se propaga continuamente, resultando em transtornos de permeabilidade, alteração do fluxo iônico e de outras substâncias, perda de seletividade para a entrada e/ou saída de nutrientes levando à destruição e morte celular (HOGG & KALYANARAMAN, 1998). A oxidação de proteínas e DNA pode fazer com que estas biomoléculas percam total ou parcialmente sua função, o que por sua vez, pode afetar o metabolismo celular. A oxidação do DNA pode provocar quebra da dupla fita e modificações de bases nitrogenadas, o que pode acarretar processos mutagênicos e carcinogênicos (SIES, 1986; LIVINGSTONE, 2001).
As ERO também estão associadas a lesões oxidativas dos miócitos e disfunções no miocárdio. O aumento da produção das ERO no tecido cardíaco como resultado de lesões isquêmicas ou xenobióticas levam a alterações bioquímicas que incluem diminuição na atividade
das ATPases da sarcolema, responsáveis pela manutenção das concentrações de íons intracelulares e modificações na permeabilidade da membrana, como resultado dos processos oxidativos como a peroxidação lipídica (TAYLOR & SHAPPEL, 1995). Vários estudos feitos com corações de ratos, usando o modelo de isquemia-reperfusão, mostraram que as ERO geradas durante estes processos reduziram a atividade da Na+/K+-ATPase e esse efeito foi inibido em
vários graus pela administração de SOD e de CAT (BURTON et al., 1984; YTREHUS et al., 1986; JACKSON et al., 1986; KIM & AKERA, 1987).
As enzimas da sarcolema podem ser inibidas em decorrência da peroxidação lipídica, pois a diminuição da atividade da Na+/K+ ATPase foi acompanhada por um concomitante
aumento dos níveis de malondialdeído (MDA) (KIM & AKERA, 1987). KRAMER et al. (1984) verificaram que miócitos de cães adultos expostos a um sistema produtor de radicais livres mostraram perda de atividade enzimática da sarcolema, juntamente com aumentos na peroxidação lipidica medidos pela formação de MDA. Além disso, a destruição peroxidativa das membranas celulares compromete a função dos miócitos através de um aumento geral na permeabilidade de íons como o sódio, devido à perda da integridade da dupla camada de fosfolipídios da membrana (TAYLOR & SHAPPEL, 1995).