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IV. LISTE DES FIGURES

4 LA LIGNE NATURELLE DE DÉVELOPPEMENT

4.4 La conscience et les régulations

Até os dias hodiernos, Marco Túlio Cícero (106 a.C. – 43 a.C.) é lembrado e considerado, junto com Demóstenes (da Grécia Antiga), como os dois que figuram dentre os maiores e mais eloquentes oradores e pensadores políticos do mundo da Antiguidade Clássica greco-romana, e, com certeza, o maior de toda a história da Roma Antiga. Cícero nasceu em Arpinum (Arpino) e veio ser executado, morto por degola, em Formiae (Fórmia), sendo acusado de crimes políticos (traição ao governo e à pátria, além de subversão, dentre outros).

Apesar de Cícero ser classificado por alguns estudiosos como um pensador eclético, e por outros como estóico, o presente estudo adotará a segunda e última classificação, a que o enquadra no estoicismo, como crítico e concomitante difusor da “Escola Estóica” e de suas ideias gerais e de seus ideais prático-filosóficos.

Cícero nasceu num povoado do interior do Lácio, duma antiga família da classe equestre, à qual tinha sido dada a cidadania romana apenas em 188 a.C., e, que, por consequência disto, nunca havia participado da vida política de Roma, da esfera pública romana. Marco Túlio, após ter estudado e aprendido na escola pública, chegando, assim, à sua maioridade, foi entregue aos cuidados do homem público, célebre jurista e senador romano Múcio Cévola, que o introduziu no mundo prático das leis, da política e das instituições romanas de sua época.

Vivendo num período turbulento e conflituoso da história da Roma Antiga, após passar rapidamente pela vida militar, durante a Guerra Social (Civil) do século I a.C. (91-88 a.C.), Cícero pôde participar plenamente da vida pública e política romana. De volta à vida civil, após a campanha militar, passou a estudar filosofia, mas a sua atenção centrou-se na retórica e na oratória, tendo, assim, os seus primeiros contatos com o estoicismo, com a filosofia estóica.

Marco Túlio Cícero é considerado o primeiro dos romanos que chegou aos principais postos do governo (as magistraturas) com base e como consequência de sua eloquência, pela sua voz, postura, gênio, paixão e capacidade de improviso; e ao mérito à diligência com que exerceu as suas funções de magistrado civil.

Cícero, então homem público e político romano, ocupou, sucessivamente, a maioria dos cargos da magistratura romana, cronológica e hierarquicamente, sendo questor da Sicília, edil, pretor, e, finalmente eleito cônsul em 62 a.C., para exercício de suas funções do ofício de magistrado no ano seguinte, 63 a.C.. Por conseguir denunciar, inviabilizar e destruir a conjuração de Catilina (Lúcio Sérgio), em suas famosas e antológicas “orações” conhecidas como as “Catilinárias” foi declarado “Pai da Pátria”, em virtude de suas ações em defesa das instituições republicanas romanas.

A institucionalização do primeiro Triunvirato, formado por Crasso, Pompeu e Caio Júlio César, porém, fez com que as ambições políticas de Cícero sofressem um grande e rude golpe, e, destituído de suas funções políticas, voltou às suas atividades forenses, filosóficas e literárias.

Seis anos depois (51 a.C.), consoante e de acordo com uma lei de Pompeu, que obrigava os senadores de nível pretoriano ou consular a dividirem as províncias vagas entre si, Cícero foi governar a Cilícia, recebendo, por exercício de suas funções de defesa da cidade, de seus soldados o título de “Imperator”. Logo em seguida (50 a.C.) demitiu-se e foi a Roma protestar e reclamar a realização de um triunfo, mas a gênese inicial da Guerra Civil, ocasionada pelo começo das lutas entre Pompeu e César, impediu a sua concreta efetivação. Este foi o período mais crítico da vida de Marco Túlio Cícero, no tocante aos pontos de vista ético (moral) e político.

Querendo manter-se neutro em meio à feroz e violenta luta política a ele contemporânea, de sua época; tentou agradar aos dois campos, sem conseguir, ao final, satisfazer a nenhum deles. Cícero, no entanto, manteve-se sempre mais próximo a Pompeu, e do partido senatorial, do que de Júlio César, e do partido popular, e, de fato, acabou por decidir, pelo campo do partido senatorial.

O atentado e o assassinato de Júlio César (44 a.C.) trouxeram Marco Túlio, novamente, para o centro da atividade política, tentando, destarte, recuperar a influência pública e a vaga deixada por Pompeu na direção do partido senatorial. Mas Cícero foi impedido por Marco Antônio, que ocupou o lugar e as funções do finado César, e, ao estóico só restou escrever as “orações” contra o sucessor de Júlio César, as famosas “Filípicas”. Neste mesmo momento histórico, o filho adotivo de César, Otavio (Otaviano), é eleito cônsul e chega a um acordo com Marco Antônio e Lépido, formando-se, assim, o segundo Triunvirato.

Cícero, então, retirou-se, com alguns familiares para a cidade de Túsculo, ao sul de Roma e lá foi informado e teve o conhecimento de que Marco Antônio o havia colocado na “lista” dos proscritos, a saber, uma declaração, uma sentença de morte. Assim, viaja para Fórmia, na costa do Mar Adriático, com a intenção de embarcar em fuga para a Grécia, mas acabou por ficar e ser morto, executado por soldados de um antigo cliente seu, e ter sua cabeça e mãos cortadas e, por ordem de Marco Antônio, pregadas, ironicamente, na “Rostra”, a antiga plataforma na qual os oradores proferiam os seus discursos no Fórum de Roma.

Marco Túlio Cícero é autor de diversos tratados filosóficos sobre os mais diversos temas, dentre os quais, o Estado (De Res Publica, De Legibus), a velhice (De Senectude), o dever (De Officiis), a amizade (De Amicitia), a oratória e a retórica (De Oratore, Brutus, Orator), etc., além de quase um milhar de cartas que transmitem e divulgam a Tradição do Pensamento Clássico Greco-Romano e que constituem um valioso conjunto documental, um verdadeiro patrimônio histórico-filosófico da humanidade, e, mais especificamente, da civilização ocidental.