SECTION III : Comparaison entre Porphyre et Plotin
1. La visée des Catégories
Percebe-se que em relação à problemática da política de informação há um espaço privilegiado para a Sociedade da Informação na pauta dos governos. Cubillo (2003) destaca um “desmantelamento silencioso” de organismos nacionais que eram responsáveis por gerir essas políticas enquanto que, paralela e contraditoriamente, a Sociedade da Informação que, embora “pouco se saiba o que é, ou o que chegará a ser, a dita sociedade” (CUBILLO, 2003, p. 5, traduzido), ganhou destaque nas agendas dos governos em curto prazo.
Deduz-se que o motivo gerador do crescimento ou do maior destaque à Sociedade da Informação em relação às políticas públicas de informação se deve à perspectiva econômica, uma vez que os países que compõem a Sociedade, em sua maioria, são os mesmos que regulam a economia e, portanto, o mercado. De acordo com Takahashi (2000)25, uma questão central da Sociedade da Informação é o estímulo ao desenvolvimento de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Seu desafio é de, tanto de socializá-las em escolas, quanto de aplicá-las na expansão do comércio em rede, deixando claro que “o aumento da
importância econômica que a internet vem adquirindo sinaliza para uma demanda por conteúdos brasileiros voltados para os negócios eletrônicos” (TAKAHASHI, 2000, p.61).
Nesse sentido, o desenvolvimento das TICs para a expansão do comércio eletrônico torna-se economicamente mais atraente. Mesmo que isso, gradativamente, aumente a distância entre o avanço da tecnologia em si e o estabelecimento de uma política pública de acesso gratuito, tanto às ferramentas tecnológicas quanto na apropriação pedagógica de seu conteúdo comunicativo e informativo.
A Sociedade da Informação tem origem na década de 90 quando a UNESCO publica um manual metodológico para implementação de políticas nacionais de informação através do Programa Geral de Informação – PGI. Cubillo (2003) lembra que este documento foi produto de anos de pesquisas, colocado para avaliação em diferentes espaços e difundidos extensamente no mundo. Para ele, o conteúdo do PGI inspirava-se no princípio da ciência aberta, da cooperação, incorporando a idéia de informação como recurso e processo chave para o desenvolvimento. O momento representava o auge de um extenso estudo e,
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Tadao Takahashi coordena o grupo de implantação do programa Sociedade da Informação no Brasil (Livro Verde), composto por uma equipe de 150 especialistas, entre universidades brasileiras, instituições governamentais, associações profissionais, setores empresariais nacionais e internacionais, entre outras instituições de diversos países.
conseqüentemente, publicavam-se diversos manuais, organizavam-se seminários (nacionais e regionais), influenciando na maior compreensão e amadurecimento de idéias que acompanharam muitas ações. Enfim, uma época em que se criaram muitas esperanças no que diz respeito a políticas públicas de informação nos países latino-americanos.
Mas houve choque de interesses e a possibilidade de uma ordem informativa mundial, que previa um cenário de equilíbrio relativo entre os países não foi bem recebida, havendo uma “mensagem de fundo, que chegava ao Sul pelo Norte através de diferentes canais: a
informação, a comunicação e o conhecimento eram, definitivamente matérias opináveis, porém intocáveis” (CUBILLO, 2003, p.3, traduzido). Assim, os países Latino Americanos
tiveram uma perda de espaço significativa nos processos de formulação de políticas públicas de qualquer tipo ou área. Hoje, este autor percebe que, apesar de um contexto difícil e em menor proporção que na década de 90, progressivamente, retoma-se o tema das políticas públicas de informação como indicativo de um esforço para revitalizar o movimento na área, que é de grande importância para o desenvolvimento, tanto da necessária autonomia dos países latino-americanos quanto de conhecimento aos povos.
Os anos 90, segundo Moraes (2003), são marcados por um processo reformista (reformas econômica, tributária, fiscal, da previdência, educacional, produtiva, etc.) que se fez legitimar por um clima de consenso na sociedade (uma falsa harmonia entre capital e trabalho). Esse ar consensual para alguns e de apatia para outros, consolida-se através da
“pragmática construção de um novo vocabulário” (MORAES, 2003, p. 3) que deu suporte à
criação e ressignificação de conceitos, categorias e termos (como competência, cidadania, sociedade civil, democracia, verdade, conhecimento, etc). E acabaram sendo absorvidos pelo momento e “adquirindo sentido e significado aos novos tempos” (MORAES, 2003, p. 3).
Essas novas idéias, concepções e significados tiveram origem com intelectuais que intensificaram produções científicas de ampla circulação. E a Sociedade da Informação faz parte desse vocabulário, construindo-se com o auxílio de intelectuais como Castells (1998), um otimista do desenvolvimento da informação, entre outros, que argumentam a ocorrência de mudanças na base de produção da sociedade ao longo do tempo. Essas mudanças são representadas historicamente por uma divisão:
• a Sociedade Industrial (século XVIII e parte do XIX), com sua base de produção na industria;
• a Sociedade Pós-industrial (século XIX e parte do XX), cuja base era a produção de serviços;
• e a Sociedade da Informação, correspondente ao século XXI que, segundo Castells (1998), é baseada na produção de informação, considerando esse fenômeno como “o
terceiro elo” no estágio da evolução da sociedade moderna, uma era de facilidades na
disponibilização, acesso e troca de informações e conhecimentos, por intermédio da tecnologia.
Essa “nova sociedade” baseada na produção de informações não seria a mesma sociedade, centrada no trabalho e na produção de bens (de tratores a computadores) ou
serviços (desde serviços de limpeza, transporte, saúde, educação, até serviços de informação)? A base da sociedade não seria mais a produção de mercadorias que possuem valor de uso ou valor de troca, como Marx (1983) explicou quando estudava a economia capitalista? “A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista
aparece como uma imensa coleção de mercadorias, e a mercadoria individual como sua forma elementar” (MARX, 1983, p.45). Ou seria realmente um discurso pensado, absorvido e
justificado em nome dos novos tempos, para criar um sentimento de que o mundo mudou e que tudo está diferente? Tudo isso não seria para desviar as atenções da população do encontro com a cruel realidade, que continua com os mesmos problemas?
Certamente que a produção da sociedade, de bens e serviços, modificou-se, assumindo diversos formatos (de materiais a virtuais). No entanto, considera-se que tais transformações são reflexo da própria evolução humana e não de uma nova sociedade que instaura-se no século XXI sob o titulo de Sociedade da Informação. Hoje, segundo Moraes (2003), o domínio e acesso às TICs definiram-se como elementos de uma nova ordem mundial em incessante transformação que necessita informação e comunicação rápida entre os mercados e povos. Essa conjuntura faz com que os pilares da Sociedade da Informação sejam a produção e criação de novas tecnologias de informação e comunicação, especialmente para a expansão do comércio eletrônico. Assim, se houvesse a necessidade de categorizar o atual estágio da sociedade, poder-se-ia identificar como a velha sociedade capitalista e suas novas técnicas de comunicação e informação.
A Sociedade da Informação, que Castells (1998) identifica como um estágio de desenvolvimento social caracterizado pela possibilidade de obter e compartilhar qualquer informação, instantaneamente de qualquer lugar, parece não passar de discurso. Ou qual foi a saída encontrada pela Sociedade para a exclusão digital (conseqüência direta da exclusão social) com uma realidade brasileira, que tem uma média de 12, 46% da população com acesso ao computador e 8,31% com acesso à internet26? Se as prioridades fossem voltadas para a construção de políticas públicas de informação focadas no bem estar social e na socialização de informação e conhecimento, essa situação poderia inverter-se, ampliando-se o número de equipamentos disponíveis por habitante, qualificando-se e elevando-se o nível dos conteúdos disponibilizados, juntamente com um suporte pedagógico necessário no processo de busca de informações e apropriação crítica de conhecimento.
Com isso, deduz-se que a lógica da chamada Sociedade da Informação é a mesma da Sociedade Capitalista. Com uma retórica controversa e distante da realidade, a dita
Sociedade aparece, de fato, como um elemento definidor de status e competitividade entre
nações e indivíduos, disfarçada no discurso do acesso a tecnologias de informação e comunicação para compartilhar qualquer informação, de qualquer lugar e em qualquer
instante. E a distância entre as TICs e o estabelecimento de uma política pública de acesso à informação permanece como preocupação, mas que, de fato, não se transforma em ação. Então, temos uma idéia de Sociedade da Informação que se prolifera e é absorvida ingenuamente, ao mesmo tempo em que a população permanece distante de equipamentos informáticos e de informações importantes ou necessárias à sua sobrevivência intelectual e humana. Com isso, apresenta-se a indagação: a tal Sociedade da Informação existe ou é ilusão?