SECTION III : Comparaison entre Porphyre et Plotin
3. La division : implication, nombre et ordre
Quando se refere a um espaço de formação para crianças, adolescentes ou jovens, o que vem à mente são escolas ou universidades. Mas qual é o lugar de acesso à informação para quem já não faz parte do ensino fundamental, médio ou superior? A dita Sociedade da
Informação traz uma visão de que “todo lugar é espaço para aprender”. Sendo assim, o
cidadão, a população comum, trabalhadora, que está nas ruas, no trânsito, na indústria, no comércio, na cidade, na periferia, entre outros, possui todos os lugares para se informar e, ao mesmo tempo nenhum. Segundo Milanesi (2002), este cidadão possui uma característica, entre outras, que é ser desinformado29. Mas certamente possui acesso a dois meios para informação: o rádio e a televisão que, nesse contexto, consideram-se meios que mais criam valores e desejos, que formam cidadãos conscientes de suas próprias necessidades e possibilidades.
As Bibliotecas Públicas, com seus acervos, podem não ser consideradas espaços importantes para o acesso à informação, uma vez que não são espaços muito conhecidos ou freqüentados. Milanesi (2002) diz que não se têm dados sobre a porcentagem de pessoas que freqüentam bibliotecas públicas, mas avalia que se os estudantes30 fossem excluídos do total de usuários, restaria um número insignificante de pessoas que vão lá para ler ou participar de atividades. Mesmo assim, a Biblioteca Pública é um dos espaços para disponibilização do conhecimento produzido pela humanidade e de socialização de
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Nesse momento não está em questão a discussão sobre as diferentes “correntes” teóricas da educação. Optamos por citar como um dos objetivos da educação a formação e qualificação para o mercado de trabalho, reproduzindo as relações sociais de produção, como discute Cunha (1982) e Bourdieu (1982). No entanto, compartilha-se com a concepção de educação de Snyders (1981), que percebe a existência das classes sociais e diz que as mudanças que a educação necessita para sua transformação e emancipação se realizará no processo contraditório e dialético da luta de classes (a educação em conjunto com os movimentos sociais).
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Para Milanesi (2002, p. 73), uma pessoa desinformada “é aquela que não sabe o que é necessário
saber”. E a complexidade dessa discussão leva muito mais a indagações, do que à respostas, pois “será que o indivíduo sabe ou não o que é importante para ele próprio saber?”.
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Luiz Milanesi, em boa parte de suas obras (Ordenar para desordenar, A casa da Invenção e
Biblioteca), aborda de maneira crítica o público de uma Biblioteca Pública ser majoritariamente estudantil. Isso por que as escolas públicas geralmente não possuem bibliotecas escolares que atendam às demandas dos alunos e a Biblioteca Pública acabou adaptando-se aos estudantes e esquecendo dos demais membros da população em geral (suas necessidades e expectativas).
informações diversas. Um local que necessita ser ampliado, tanto em diversidade de conteúdos e nas diferentes formas de acesso a essas informações, quanto na mudança de conceitos, identificando-a não mais a um templo intocável do saber destinado a intelectuais, mas a um espaço público aberto ao acesso de informações e conhecimentos interessantes à toda população. Acredita-se que uma política pública de informação coerente seja capaz de transformar as bibliotecas públicas fechadas e empoeiradas em um canal de informação com a comunidade, provocando a procura, o gosto e o entusiasmo pela busca de novas idéias para ampliar conhecimentos individuais ou coletivos.
A dita Sociedade da Informação, no que diz respeito ao processo de coleta, processamento e disponibilização de informação à população, prevê que “gigantescos
acervos de conteúdos, sobre os mais variados temas, em diferentes formatos, para todos os públicos, estão sendo desenvolvidos, principalmente nos países avançados (...)”
(TAKAHASHI, 2000, p. 60). Deduz-se que, especialmente, os “países avançados” sejam priorizados devido ao controle que estes (América do Norte e Europa), exercem na economia e na sociedade. No Brasil, é notável, que os acervos de Bibliotecas, Museus, Arquivos, entre outros não estão sendo construídos para fins de socialização, mas estão, no máximo, sendo mantidos com dificuldades e, na maioria dos casos, ainda nem foram informatizados.
Mesmo percebendo e considerando as bibliotecas públicas, museus e escolas, como espaços importantes na construção de uma estratégia para o desenvolvimento nacional, a tal
Sociedade da Informação no Brasil, na realidade, desconhece uma política pública de
informação sólida e vive ausente das práticas governamentais. De acordo com dados obtidos em Takahashi (2000, p.64), existem pouco mais que 3.500 bibliotecas públicas, distribuídas nos mais de 5.500 municípios brasileiros, sendo que apenas 340 delas dispõem de computador (menos de 10%) e dessas, cerca de 100 possuem acesso à internet. Essa conjuntura, que a dita Sociedade da Informação traduz como uma realidade modesta em termos de recursos é, de fato, um caso de abandono e, nesse caso, exibe uma política pública de informação suicida.
Mas como a Sociedade da Informação percebe sua implantação na América Latina? Algumas perspectivas são apontadas por Takahashi (2000, p. 65), com um destaque ao papel estratégico da viabilização do acesso público, gratuito e orientado à internet em arquivos, bibliotecas, museus e centros de documentação. Porém o conjunto de indicações, que sintetizam as intenções da Sociedade da Informação no campo da Cultura, Educação e Informação para o Brasil, não trazem nada novo. São, na realidade, nada além de necessidades e ausências de acesso a uma série de bens culturais que parecem inatingíveis a uma boa parte da população e o descompasso que permanece entre o discurso e as ações para efetiva implantação de programas desse tipo ainda são grandes.
O descompasso visualiza-se melhor quando temos, contraditoriamente, a indicação de construção de quiosques de acesso público à internet, sendo que já existem experiências
desse tipo de ação na Europa, relatadas por Frey (2001), e que não foram bem sucedidas, pois “em Bremem, [Alemanha], os quiosques de multimídia falharam por que a população não
utilizou os serviços de maneira satisfatória e os custos para o município manter ou até mesmo aumentar o número de pontos de acesso eram muito altos” (FREY, 2001, p. 40). No mesmo
estudo, encontram-se exemplos bem sucedidos em cidades finlandesas, onde o acesso gratuito à internet foi posto à disposição da população em quase todas as bibliotecas públicas. A dita Sociedade da Informação não estaria refletindo sobre a consistência de suas propostas e, portanto, prevendo sua viabilidade? Não seria viável investir-se em espaços públicos já existentes na comunidade?
Outra contradição é que, mesmo prevendo o acesso gratuito à internet e para isso indica que bibliotecas, museus e arquivos como espaços públicos ideais para esse fim, a
Sociedade da Informação já antecipa “a necessidade de se prever algum esquema de pagamento eletrônico (ou local) (...) para os casos nos quais os serviços prestados sejam cobrados” (TAKAHASHI, p.70). E o que parecia ser um serviço gratuito como uma forma de
tornar pública a informação pública, já existe previsão de cobrança.
Essa breve análise do Programa da Sociedade da Informação mostra que o discurso do livre acesso às mais variadas TICs, da socialização de conteúdos/conhecimentos de interesse comum e da realização social prática desse programa permanece crivado de descompassos e contradições. Infelizmente, a prática predominante é uma concepção de uso das TICs que reduz a capacidade das pessoas em manusear as tecnologias. A previsão de cobrança nos serviços de informação ofertados à comunidade, não apenas contradiz, mas inviabiliza o próprio objetivo de tornar acessível e gratuita a internet, entre outras TICs em espaços públicos (como escolas, museus e bibliotecas, que são considerados estratégicos para este fim). Além disso a centralidade/prioridade da expansão do comércio eletrônico reforça ainda mais a idéia de informação como mercadoria e não como possibilidade de ampliação de conhecimentos para o exercício da cidadania.
Talvez, as contradições da Sociedade da Informação também sejam fruto da falta de discussão acerca das políticas públicas de informação (suas necessidades de implantação, finalidades, entre outras). E, por mais que existam abismos de distância entre esses projetos existentes e sua realização, esta dependerá também da interação dos movimentos sociais com a temática da informação pública.