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SECTION III : Comparaison entre Porphyre et Plotin

5. La sémantique

Nas leituras realizadas, a fim de conhecer um pouco mais o município (sua história, economia, população e outras características), percebe-se óticas diferentes da mesma história, que podem ser divididas entre uma visão “propagandística”, divulgada estrategicamente para atrair turistas ou novos investidores e uma visão mais realista, com análises mais precisas de uma localidade que possui as mesmas dificuldades dos demais municípios das cinco regiões do país.

De acordo com Theis (2000), há uma certa imagem de Blumenau construída no imaginário de quem conhece ou já ouviu falar dela, cujos elementos estão fundados na tradição, na força e na habilidade dos imigrantes europeus, principalmente alemães, que civilizaram algumas léguas de terras. Um tipo de “ideologia étnica”, ou seja, uma espécie de “auto-retrato” que a elite local constrói há mais de 150 anos.

Mas a “Europa do Sul” não é feita apenas de produtos têxteis, cristais, chope e

Oktoberfest, mas também de enchentes,

(...) é um espaço no qual convivem seres humanos que se relacionam mal com o meio ambiente e entre si - como em qualquer cidade capitalista – há certamente vencedores, inclusive de concursos de misses37. Mas há também perdedores (...) e notar a existência de perdedores significa humanizar o discurso sobre a cidade (THEIS, 2000, p.15)

Segundo Hillesheim (2000), o poder econômico e político utilizam-se de diversos mecanismos formadores de opinião, como a mídia e os aparelhos de poder do Estado local para afirmação e generalização dessas características. Inclusive as informações turísticas da cidade auto-intitulam a região de “Vale Europeu”, cristalizando essa idéia de “primeiro mundo” e construindo um determinado imaginário sobre a cidade, um consenso coletivo vitorioso e próspero. Essa imagem de Blumenau é criada de fragmentos positivos da realidade urbana e

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O autor ironiza a conquista de títulos “inclusive de concursos de misses”, devido à vitória da atriz

expressa-se com ares de primeiro mundo como estratégia de atração turística, política, cultural e comercial de novos investidores, buscando a renovação do espaço de acordo com as necessidades econômicas.

Na versão encontrada no site da prefeitura municipal sobre a História de Blumenau, (http://www.blumenau.sc.gov.br/ historia/historia.htm) é observável que a cidade já nasceu de um negócio, pois em 1850, um filósofo alemão chamado Hermann Bruno Otto Blumenau, obteve do governo Provincial aproximadamente 13 Km² de terras (duas léguas), para nela estabelecer uma colônia agrícola com imigrantes europeus. A região era habitada por indígenas das tribos Kaigangs, Xoklengs e Botocudos, que durante anos enfrentaram os brancos contra a colonização. Já haviam colonos estabelecidos em regiões próximas do Rio Itajaí-Açú, mas em 1850 chegaram na futura cidade de Blumenau, os primeiros colonizadores que imigravam anualmente, atravessando o Atlântico em veleiros de companhias particulares, aumentando os povoados e cultivadores dos lotes medidos e demarcados ao longo do curso dos rios que banhavam o território da concessão.

De acordo com essa divulgação oficial da história do município, a Colônia manteve-se como propriedade particular até 1860 quando, por dificuldades financeiras, Sr. Blumenau conseguiu com que o Governo Imperial se responsabilizasse por ela, porém mantendo-se como dirigente da mesma até 1880, quando foi emancipada e elevada à categoria de Município. Nesse período de emancipação política e administrativa, seu território já havia se expandido por quase toda região da Bacia do Itajaí, compreendendo uma área de cerca de 20 mil km2, com uma população de 15 mil pessoas. Aos poucos, tornava-se um dos maiores empreendimentos colonizadores da América do Sul, criando um centro agrícola e industrial de significativa importância, com fontes de produção de ponderável influência na vida econômica do país. O antigo território do Município de Blumenau, que em 1934 compreendia uma área de 10.610 km2, desmembrou-se em 31 novos municípios, reduzindo sua extensão, que está com 520 km2.

Por essa característica de colonização, inicialmente de alemães, seguida de italianos, poloneses e, mais recentemente, de descendentes de portugueses, as cidades da microrregião incorporaram costumes e tradições, principalmente, a cultura alemã e italiana.

Mas vamos, dessa versão oficial da história local, de bravos desbravadores germânicos, para uma realidade objetiva e cotidiana um pouco diferente dos moradores da cidade. Blumenau enfrenta problemas de infra-estrutura e outras contradições que cresceram a medida em que a cidade se desenvolvia, como a marginalização e exclusão social, um crescimento desigual, fruto de um modelo econômico excludente típico da sociedade capitalista em que vivemos.

De acordo com Siebert (2000), a evolução urbana de Blumenau originou-se com o planejamento de lotes coloniais condicionados pela navegabilidade fluvial, ou seja, voltados para as necessidades de uma colônia agrícola e não para interesses de uma cidade que ali

surgiria. Com isso, o crescimento trouxe problemas estruturais que foram somando-se e, hoje, a cidade enfrenta sérios problemas com enxurradas, enchentes e áreas de risco.

Devido à ocupação irregular das áreas de risco, criou-se uma expressão “Bolsões de

Pobreza”, utilizada na cidade, para disfarçar a contradição que seria a existência de favelas

na “Loira Cidade do Sul”. Então, oficialmente não se reconhece a existência de favelas, mas de “Bolsões de Pobreza38”, que se trata da população de baixa renda que se instala nas

encostas dos morros, que se tornam áreas de risco devido aos deslizamentos provocados pelas enxurradas.

Os dados do IBGE estimam que, em 2004 Blumenau contou com 287 mil habitantes, com a população predominantemente urbana (241.900 ≅ 85%) e transformou-se em um centro industrial, da área têxtil, de importância nacional. Constituindo-se como a terceira maior cidade do estado de Santa Catarina. Mas que enfrenta graves problemas ambientais, sociais e econômicos. Os dados do IBGE apontam que, em Blumenau o índice de alfabetização é de 97,40%, com cerca de 6.335 pessoas residentes com mais de 10 anos de idade sem instrução ou menos de um ano de estudo. E mostram que o rendimento médio mensal de pessoas residentes com mais de 10 anos de idade é de R$ 779,31.

Ao enfrentar inúmeras enchentes, a cidade, de acordo com Siebert (2000), passou a se transformar, mudando para o alto dos morros, fugindo das enxurradas e em busca de terrenos menos valorizados. Como toda cidade possui contradições na evolução do espaço urbano, em Blumenau não é diferente e sua imagem oculta áreas ilegais, sem saneamento básico e ficando a mercê de deslizamentos. Em uma disputa por melhores localizações, aqueles que podem arcar com os custos ocupam as melhores e mais seguras áreas (espaço urbano legal) enquanto que os excluídos economicamente ocupam as áreas sujeitas a freqüentes enchentes e deslizamentos (espaço urbano ilegal).

Para Siebert (2000), essa ilegalidade se expressa na falta de fiscalização, na ausência de infra-estrutura e fornecimento de serviços urbanos (água, luz, saneamento, coleta de lixo, escola, etc). A legalidade seria a eliminação do impasse na execução desses serviços. Assim, a ilegalidade acaba servindo de justificativa à omissão do Estado, onde ruas abertas ilegalmente não são oficialmente nominadas e os moradores ficam destituídos de um endereço.

A justificativa utilizada pela administração municipal, conforme Siebert (2000), é de que o fornecimento desses serviços atrairia mais imigrantes e estimularia mais ainda a ocupação das áreas de risco. No entanto, de acordo com a entrevista piloto (anexo 04) e

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Não se têm dados sobre o número de “bolsões de pobreza” ou sobre as favelas em Blumenau. O

site oficial do IBGE (http://www.ibge.gov.br), que fala das Cidades brasileiras não aborda essa questão. Segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros de 2001, o IBGE aponta apenas a existência de favelas ou assemelhados das grandes Regiões e Unidades da Federação. E, em Santa Catarina, segundo o IBGE (2002), existiam, em 2001, 293 municípios, sendo que 78 deles possuem favelas, com um total de 414 favelas cadastradas em Santa Catarina, somando um total de 32.143 domicílios em favelas (Fonte: IBGE, 2002, p. 194).

conforme a legislação (anexo 02) a Administração Municipal, na gestão de 2000-2004, logo que assumiu, tomou uma atitude frente à população de áreas de irregulares nessa questão. Criou a Lei Complementar 273/2000 de 24/05/2000 que “autoriza colocar placas provisórias

nas vias inominadas e/ou irregulares de Blumenau” (onde as vias inominadas são

identificadas com placas vermelhas, vias irregulares com placas amarelas e os prolongamentos de vias com placas brancas, todas com a inscrição de “provisória”) e caberia às Associações de Moradores apresentar, através de qualquer vereador, a relação de vias acompanhadas da nominação.

Ainda assim, essa cidade ilegal, segundo Siebert (2000), interessa aos políticos adeptos de práticas clientelistas que a cada eleição asseguram seus votos prometendo infra- estrutura em loteamentos clandestinos e irregulares. Os presidentes de Associações de Moradores entrevistados (anexo 06), além disso, questionam o uso dos Projetos Municipais e a promessa de legalização da documentação das próprias Associações na troca por votos. A burocracia muito rígida para a legalidade também é um dos instrumentos que auxiliam a manutenção desse estado de coisas e que, segundo Siebert (2000), seria solucionado com a elaboração de uma legislação menos exigente, adaptada às reais possibilidades da população de baixa renda, concedendo dessa forma a cidadania a essa população sem deixá-la refém de práticas clientelistas.

Assim, tem-se uma noção geral e simplificada da Cidade através de fontes oficiais, que mascaram um pouco a realidade para firmar a imagem de cidade de primeiro mundo e fontes de pesquisadores da FURB (THEIS, 2000; SIEBERT, 2000 e HILLESHEIM, 2000), que humanizam um pouco o discurso sobre Blumenau e a percebem como uma cidade com problemas e contradições de qualquer cidade capitalista, com exclusão social, crescimento desordenado, entre outros. E, sabendo um pouco sobre o município, buscou-se então conhecer a realidade do associativismo comunitário da cidade através da literatura, antes das entrevistas com presidentes de Associações de Moradores.