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SECTION III : Comparaison entre Porphyre et Plotin

4. La substance

No processo de discussão das políticas públicas de informação é dado um destaque à Biblioteca Pública por acreditar-se no seu potencial de disseminação da informação na sociedade. Entende-se esta como um dos espaços mediadores da informação pública que dispõem para acesso ao conhecimento, produto da produção cultural humana, em vários formatos, garantindo à população o direito de conhecê-los. Por isso que se considera a Biblioteca Pública (embora sua realidade seja de certo descaso e de funcionamento precário) uma instituição também responsável pelo processo de educação e de formação do cidadão especialmente para a população que já não freqüenta mais a escola.

No entanto, existem outros espaços importantes para disponibilizar a informação pública, mas é certo que esta precisa de um espaço físico. Não bastam máquinas que ofereçam o acesso a um mundo de informações. Além do espaço físico é necessária a orientação/mediação adequada para potencializar na pessoa o processo educativo da busca de informações que saciem suas necessidades. Estes espaços, de acordo com Milanesi (2002), podem ser as Bibliotecas Públicas ou Municipais, Centros Culturais, Museus e, quando se tratam de atividades itinerantes, podem ser Praças, Terminais Rodoviários, Fábricas, Presídios, Asilos, entre outros. Espaços que permitam não apenas juntar documentos ou dados mas aproximar as pessoas que estão conhecendo determinados conteúdos e que podem participar de atividades coletivas, como cursos, oficinas de produção artística, etc.

As ações e atividades que configuram uma Política Pública de Informação podem ser desenvolvidas em diferentes espaços da comunidade mas o fundamental é que se ultrapasse a idéia de um acervo (real ou virtual) a espera de um público. De acordo com Milanesi (2002), pouco adianta um espaço se não houver uma “sintonia permanente” entre o serviço de informação e o público-alvo.

Quando se pensa na possibilidade de satisfazer as necessidades de informação de uma comunidade, o primeiro desafio é conhecer quem é o público que futuramente poderá ser beneficiado com determinados serviços. No entanto, sabemos que a população que se encontra nas ruas, no comércio, no campo, empregados ou desempregados, profissionais de diversas áreas, pessoas que passaram ou não pela escola, entre outros cidadãos comuns, que, além de heterogêneos, provavelmente, possuam uma característica em comum: serem

desinformados.

Milanesi (2002) questiona o que é ser ou estar desinformado e pergunta: será que as pessoas, em geral, sabem o que é importante para saber? E a resposta certamente será bem complexa, tendo em vista dois elementos:

a) de um lado temos no imaginário da maioria das pessoas, uma ilusão de mundo e sonhos criados pela mídia que talvez sejam consideradas, por boa parte da população, como informações sobre o cenário televisivo como importantes para sua formação; b) de outro se tem a heterogeneidade de interesses, onde o imprescindível para um grupo,

para outro pode ser inútil.

Por isso, quando se pretende estabelecer um serviço público de informação para um determinado local, é necessário conhecer o público potencial, suas necessidades de informação. Nesse caso, para um grupo segmentado em interesses o processo se daria através de um estudo de comunidade, que iria delinear o universo de informações e serviços que possam interessar à comunidade e identificaria os interesses imediatos de informação e cultura. Esse estudo é a base para a criação de serviços de informação e estas atividades podem impulsionar novas necessidades e demandas. Este é o caminho para qualquer serviço de informação: traçar o público e o seu universo de conhecimento, para saber atendê-lo mas, sobretudo, visando a um aprimoramento futuro dos serviços em movimento com a população.

Os espaços da informação pública, através de atividades de ação cultural31, potencializam a criação de necessidades, estimulam a busca pelo novo. E a biblioteca pública aparece como um espaço mediador e socializador de conhecimento em condições de criar serviços de informação ativos32 que atendam demandas específicas.

Benefícios na forma de um serviço possuem essa característica, ou seja, não podem ser definidos de maneira precisa. No entanto, uma política pública de informação tem essa perspectiva de atender e criar demandas de informações. Mas, quando se pensa em atividades ou serviços de informação que visem a reflexão e o livre pensar para o exercício da cidadania, também se torna necessário o estímulo para a busca de novas informações. E como, muito provavelmente a população seja composta por uma “maioria silenciosa33”, a criação de novos espaços, para além dos meios de comunicação de massa torna-se uma importante atitude do Estado com a devida pressão dos grupos organizados da Sociedade Civil. Espaços de informação pública com prática ativa de acesso aos bens culturais, análise e crítica, orientado por profissionais da área da informação, que busquem relação do público com o conteúdo do serviço oferecido. Segundo Milanesi (2002, p.88), “esse tipo de atividade

foge do previsível, do que é imposto e abre espaço para a criação de novos discursos para o indivíduo e seu meio”. E, concordando com este autor, como possibilidade informativa, as

bibliotecas públicas ou municipais (sob responsabilidade do Estado ou município e com verba

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Milanesi (2002, p.95) conceitua Ação Cultural, como tipos diferentes de atividades que, de modo geral, giram em torno das artes como música, teatro, dança, literatura, ópera, exposições, saraus, recitais, concursos literários, etc. É entendida como atividade implantada a partir da possibilidade de disponibilizar seus conteúdos.

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Milanesi (2002, p.75) destaca que um Serviço de Informação Ativo exige interação com a população. É aquele que se aventura na criação de demandas.

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Milanesi (2002, p.87) identifica como essa maioria silenciosa como “àquela que, regularmente,

assiste a telenovela ou aos programas de auditório na televisão (...) um círculo que restringe o sujeito a um mundo pré-determinado pelo conteúdo da mídia”. A grande massa consumidora dos

prevista e destinada a essas) poderiam ser entendidas como “o instrumento mais apropriado

de informação pública” (MILANESI, 2002, p.91).

Independente da existência de uma baixa demanda por informações, é necessário que as escassas atividades de informação existentes se ampliem e, ainda, que se criem motivos para a população ampliar seus conhecimentos. É essa motivação que pode criar a demanda, a busca por informações sobre seu cotidiano ou outras que forem individuais ou coletivamente mais interessantes.

No entanto, ainda permanece a dúvida sobre o que seriam as necessidades de informação e as atividades que estimulam a curiosidade e busca de novos conhecimentos que podem ser uma série de ações centradas em temas significativos para o grupo ao qual se destinam. Atividades variadas, mas sempre em torno de um conteúdo que se deseja discutir (meio ambiente, habitação, datas comemorativas, religião, guerra, paz, teatro, etc). Acredita- se, então, que o estímulo e a variedade de atividades criativas e curiosas, num médio e longo prazo, fazem surgir novas necessidades de informação, uma vez que o baixo interesse que possa se identificar inicialmente não é voluntário, mas construído socialmente por vários fatores, como a mídia e outros produtos da indústria cultural, já citados, além da falta de acesso à produção cultural na sociedade.

Muito provavelmente não interessará, à maioria da população, Marx, Aristóteles, Beethoven e, talvez, nem romances da literatura brasileira, mas certamente as informações utilitárias como datas de vacinação ou classificados para procura de empregos. Assim, mesmo sendo a informação utilitária uma das necessidades de informação da população, a informação social (que visa a promoção da assistência social, da cultura, da defesa do patrimônio, da educação, da saúde, da segurança alimentar, conservação do meio ambiente, ética, paz, direitos humanos e outros valores universais) deve existir e ser estimulada através da ação cultural.

Nesse sentido, colheram-se alguns exemplos de atividades de informação que, mesmo não pretendendo ir à exaustão, indicam alguns caminhos que podem ser envolvidos em políticas públicas de informação conforme segue:

Quadro 02 – Exemplos de atividades e serviços, baseados em Eisenberg (1999) e Fundação Biblioteca Nacional (2000):

produtos da indústria cultural, cujas informações tendem a não ser conflitivas, que variam apenas de acordo com as novas ficções inseridas na mídia de tempos em tempos.

ATIVIDADES DE INFORMAÇÃO FINALIDADE

Concursos literários, críticas de livros, clubes de leitura ou círculos do livro, dramatização da leitura (teatro), feira de livros, hora do conto, jograis, gincanas, lançamentos de livros, mural de poesias, conferências, exposições (em locais públicos ou itinerantes), feiras culturais, seminários, varal cultural, cursos de curta duração, teleconferências, alfabetização de adultos, fóruns de discussões, apresentações musicais, mostra de filmes, audiovisuais, multimídia, atividades itinerantes de ação cultural como saraus literários, teatro na praça, biblioteca ambulante em presídios e asilos, oficinas de produção textual com a comunidade e posterior exposição dos trabalhos ali realizados, palestras sobre assuntos de interesse comunitário cinema, etc. Promoção da Leitura Formação Cultural Aprendizado Lazer

Informação pública (via internet) gerada na prefeitura sobre suas atividades como: cronogramas de serviços e avisos da administração municipal, informação comunitária sobre entretenimento e eventos culturais, formulários eletrônicos para cadastros diversos e solicitações diversas (ex. solicitação de iluminação pública), bancos de dados para acesso livre, com informações sobre trânsito, aluguéis, segurança, construção civil, etc.

Informação Utilitária

(utilidade pública)

Endereço eletrônico a todos os que tiverem interesse e fizerem solicitação, espaço virtual disponível à comunidade para construção de

home pages, organização de visitas orientadas a espaços históricos da

cidade jornal do bairro, criação de sites ou portais que disseminem conteúdos de interesse comunitário, promoção da igualdade de oportunidades de acesso às TICs, etc.

Acesso

A finalidade ou objetivo da atividade/serviço é que gera a necessidade. Esse conjunto de atividades e serviços de informações são, na realidade, exatamente necessidades de informação da população brasileira que vive na ausência de acesso a uma série de bens culturais que lhes parecem inatingíveis.