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RÈGLES APPLICABLES À LA SERVITUDE DE CONSERVATION

Arta 8. Terme de la servitude

Ao abordarmos a experiência juvenil na contemporaneidade, tendo como sujeitos da pesquisa alunos do Ensino Médio, torna-se pertinente perpassarmos por alguns conceitos e

definições sobre as juventudes. Para isso, baseamo-nos no aporte teórico construído por autores, principalmente Dayrell e Carrano (2014).

Iniciamos esta discussão com um trecho de uma canção de Charlie Brown Jr., intitulada “Não é sério17”, a qual explicita contradições e descrenças da sociedade em relação à juventude:

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério O jovem no Brasil nunca é levado a sério [...]

Sempre quis falar Nunca tive chance Tudo que eu queria

Estava fora do meu alcance [...] Não se pode parar de lutar.

É comum escutarmos o relato de educadores, salientando que os estudantes não se preocupam, não possuem interesse, são dispersos, enfim, várias características negativas que desmerecem essa etapa da vida, inerente a todo ser humano. Conforme a letra da canção, “o jovem no Brasil nunca é levado a sério”. Há uma falta de consideração da sociedade em relação a ideias, opiniões e decisões dos jovens.

Dayrell e Carrano (2014, p. 106) discorrem sobre o hábito de visualizarmos a “juventude como uma transição, passagem; o jovem como um „vir a ser‟ adulto [...]. A tendência, sob essa perspectiva, é a de enxergar a juventude pelo lado negativo. [...] Nega-se assim o presente vivido”. Com isso, negamos também toda a trajetória histórica construída pelos estudantes.

Nessa perspectiva, os autores deixam claro que não devemos ver o jovem como um “pré-adulto” porque podemos correr o risco de não considerarmos seu passado e presente pelo fato de continuamente projetarmos para ele um futuro. Além da necessidade de compreendermos a realidade dos alunos, precisamos entender que a relação da escola com as juventudes “não se explica em si mesma: o „problema‟ não se reduz nem apenas aos jovens nem apenas à escola e aos seus professores. É fundamental superar nossa tendência em achar „o culpado‟ de um relacionamento problemático”. (Ibid., p. 104).

Em nosso cotidiano, enfrentamos situações conflituosas em todos os contextos socioculturais. Todo ser humano possui suas particularidades e, na escola, não é diferente. Por conseguinte, o que podemos fazer é melhorar nossas atitudes frente às adversidades. Ademais, os estudantes também estão construindo suas próprias histórias, cada um com suas próprias expectativas e trajetórias.

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Nesse sentido, ao referirmo-nos aos jovens, de quem estamos falando? Segundo o Estatuto da Juventude, Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013 (BRASIL, 2013, Art. 1º), “são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade”.

Pela definição de Dayrell e Carrano (2014, p. 109), a adolescência e a juventude “correspondem a uma construção social, histórica, cultural e relacional que, por meio das diferentes épocas e processos históricos e sociais, foram adquirindo denotações e delimitações diferentes”. Esses fatores possuem relação não apenas com a idade, mas com as experiências e intensidades que os jovens passam. Dessa forma, os autores apontam que a idade não possui relação com as experiências juvenis, mas sinalizam a importância de considerarmos as diferenças em relação a ela, já que influenciam nos fatores internos do desenvolvimento fisiológico e psíquico de cada jovem. Apenas nesse sentido é que a idade distingue os sujeitos.

Seguindo essa lógica, devemos usar o termo juventude, com acréscimo do “s”, evidenciando a existência das juventudes, pois não existe apenas um único grupo, mas vários que se aproximam conforme trajetória, interesses e expectativas, como explicam Dayrell e Carrano (2014, p. 105):

Aproximação e conhecimento dos estudantes que chegam à escola como jovens, sujeitos de experiências, saberes e desejos. Eles se apropriam do social e reelaboram práticas, valores, normas e visões de mundo a partir de uma representação dos seus interesses e de suas necessidades; interpretam e dão sentido ao seu mundo. É nessa direção que não podemos trabalhar com a noção de que existe uma juventude, pois são muitas as formas de ser e de se experimentar o tempo de juventude. Assim, digamos: juventudes.

Os estudantes do Ensino Médio estão nessa condição juvenil: uma fase da vida cheia de descobertas e incertezas quanto ao futuro. Portanto, sentem a necessidade de serem aceitos em grupos e de expressarem seus sentimentos e opiniões.

Perguntamos, então, o que nós, educadores, estamos considerando? Privilegiamos experiências, saberes e desejos dos alunos? Oportunizamos a eles o diálogo? Enfim, levamos os jovens a sério ou reproduzimos velhos paradigmas associados a percepções sem sentido, típicas de métodos tradicionais?

Dayrell e Carrano (2014) abordam algumas dimensões sobre a condição juvenil como a cultura, a sociabilidade e o tempo/espaço. Quanto às culturas juvenis, manifestam-se em “expressões simbólicas, na diversidade em que essas se constituem, ganhando visibilidade por meio dos mais diferentes estilos, que têm no corpo e seu visual uma das suas marcas

distintivas”. (DAYRELL; CARRANO, 2014, p. 115). No cotidiano escolar, verificamos que isso acontece em grupos e em espaços próprios que se aproximam por essa identificação.

Realizada a aproximação, acontece a sociabilidade que “é um momento próprio de experimentações, de descobertas e testes das próprias potencialidades e de demandas de autonomia que se efetivam no exercício de escolhas”. Nesse processo, forma-se uma identidade de grupo e “a turma de amigos é uma referência: é com quem fazem os programas,

trocam ideias, buscam formas de se afirmar diante de outros grupos juvenis e do mundo

adulto”. (Ibid., p. 119, grifo dos autores). Para finalizar, apontam:

O tempo e o espaço. As dimensões da condição juvenil, que viemos tratando até

então, estão condicionadas ao espaço onde são construídas. Esse passa a ter sentidos próprios, transformando-se em lugar, em um espaço do fluir da vida, do vivido, além de fornecer suporte e mediação para as relações sociais com sentidos próprios, o lugar como ancoragem para a memória, tanto a individual quanto a coletiva (DAYRELL; CARRANO, 2014, p. 118-119, grifo dos autores).

Cerri (2011, p. 31) discorre sobre a relação temporal (passado, presente, futuro) para justificar a aproximação dos sujeitos. Ou seja,

Em comunidade, os homens precisam estabelecer a ligação que os define como um grupo, cultivar esse fator de modo a permitir uma coesão suficiente para que os conflitos não resultem num enfraquecimento do grupo e coloquem a sua sobrevivência em risco. Uma versão, ou um significado construído sobre a existência do grupo no tempo, integrando as dimensões do passado (de onde viemos), do presente (o que somos), e do futuro (para onde vamos) é o elemento principal da ligação que se estabelece entre os indivíduos.

Desse modo, para construção de ações pontuais, precisamos entender a realidade e as experiências dos estudantes, como orienta Thompson (1998). Igualmente, as condições juvenis relatadas por Dayrell e Carrano (2014) por meio das dimensões temporais de passado, presente e futuro sob a ótica de Koselleck (2006).

Partindo, então, do olhar de dois contextos para verificarmos concepções e projetos de vida dos estudantes, bem como reagem e produzem relações de aprendizagem, e também, como influenciam e são influenciados nos meios sociais em que estão inseridos. Tendo em vista esses aspectos, na próxima seção, apresentamos os sujeitos desta pesquisa e descrevemos os espaços em que estão inseridos.

A prática de escutar os alunos e procurar caminhos para solucionar ou amenizar suas aflições possibilita-nos uma relação de proximidade com os sujeitos, no intuito de criar iniciativas para melhorar o sistema educacional, no qual estamos inseridos. Este, com certeza, é um objetivo comum entre estudantes e educadores.

4.3 CARACTERIZAÇÃO DOS CONTEXTOS ESCOLARES – O UNIVERSO DA