2. L’interaction verbale et son contexte
2.2 Du risque de l’interaction sociale à celui de l’interaction verbale
Nesta secção foram analisados criticamente aspetos ergonómicos na equipa 41C bem como uma outra situação específica numa peça de outra equipa.
4.3.6.1. Análise ergonómica
Relativamente à análise ergonómica dos postos de trabalho foi usado o método Ergonomic
Workplace Analysis (EWA) onde foi avaliado ponto por ponto e foram colocadas verbalmente
as respetivas questões aos trabalhadores (Anexo 11 – Análise ergonómica de postos de trabalho e Anexo 12 – Inquérito acerca das condições ergonómicas dos postos de trabalho, respetivamente), de forma a recolher as suas opiniões do qual foi possível destacar como pontos a estudar:
local de trabalho;
postura e movimentos;
restritividade do trabalho.
Relativamente ao ponto “local de trabalho” salienta-se apenas o desconfortável assento em que as costureiras estão durante 8 horas de trabalho diário, que em muitos casos é ultrapassado através do uso de uma almofada.
Quanto à “postura e movimentos”, o ponto mais crítico, destaca-se na zona de pescoço e ombros a postura tensa com rotação e flexão do pescoço – existem muitos casos de problemas nos ombros das colaboradoras da Coindu. Na zona de cotovelos e pulsos salienta-se a necessidade de aplicação de uma força considerável com braços e pulsos o que provoca o principal problema
de saúde de trabalho, as tendinites nos pulsos. A postura e movimento na zona das costas caracterizam-se pelo tronco curvado sobre a máquina com rotação e inclinação do tronco sem qualquer apoio. Por fim, a zona menos problemática, ancas e pernas, uma vez que a este nível a postura é boa apesar de um pouco limitada uma vez que têm que carregar no pedal para a máquina trabalhar.
Relativamente ao último ponto, nomeadamente “restritividade do trabalho”, considera-se a limitação na liberdade das costureiras de se moverem e de escolherem como e quando realizar as suas operações.
Dos questionários entregues às costureiras foi possível verificar a concordância em alguns dos pontos considerados críticos na análise ergonómica efetuada e discordância noutros. A descrição e os resultados dos questionários acerca da ergonomia na célula podem ser analisados ao detalhe no Anexo 12 – Inquérito acerca das condições ergonómicas dos postos de trabalho.
Quanto ao desconforto do assento considerado na análise EWA apenas duas das costureiras inquiridas partilham essa opinião, sendo que as restantes o consideram confortável. Apesar de serem apenas duas a considerarem desconfortável o assento, uma vez que inúmeras costureiras de toda a secção de costura utilizam almofadas para o tornarem mais confortável.
O ponto mais crítico considerado pelas costureiras vai de encontro ao ponto “postura e movimentos” considerado na análise EWA. Destaca-se que 6 delas consideram que é necessária muita força de mãos e dedos para executar as diversas operações, sendo que as restantes três consideram essa força razoável. As tarefas executadas diariamente por parte das costureiras provocam dores em inúmeras partes do corpo sendo por si consideradas as mãos, as costas, os braços, os dedos, os pulsos e o pescoço. Destas zonas do corpo aquelas nas quais as costureiras se “queixam” de mais dores são os braços e os dedos. É também importante destacar que 3 costureiras consideram que não se posicionam da forma mais correta para executar as suas tarefas. Estas constantes dores e até mesmo lesões músculo-esqueléticas provocam um grande absentismo nas equipas de costura como é possível ver na Tabela 9 onde se encontra a percentagem de absentismo específica devido a dores e doenças profissionais em 2012 nas duas unidades portuguesas.
Tabela 9 – Absentismo geral das unidades produtivas portuguesas nos primeiros quatro meses de 2012
1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre
Joane Arcos Joane Arcos Joane Arcos Joane Arcos
N.º Trabalhadores 908 448 906 449 928 473 933 504 Total Faltas 8399,5 3164,67 7959,1 3344,2 8762 4314,6 7041,8 3686,9 Total Horas Potenciais 152544 75264 144960 71840 155904 79464 156744 84672 Taxa Absentismo Específica 5,51% 4,20% 5,49% 4,66% 5,62% 5,43% 4,49% 4,35%
Da análise às respostas dadas pelas 9 costureiras foi também possível aferir que estas consideram o ritmo de trabalho elevado o que limita a sua liberdade de movimentos e de escolha como e quando realizar as suas operações (ver Tabela 36 do Anexo 12 – Inquérito acerca das condições ergonómicas dos postos de trabalho). Este ritmo elevado de trabalho adunado às características da costura de couro acarreta também um grande desgaste a nível das articulações como foi possível comprovar nas respostas à questão acerca das zonas em que costumam sentir dor.
Das respostas aos questionários importa também destacar o facto de grande parte das costureiras considerarem a temperatura do ambiente de verão ou de inverno apenas como “razoável”, existindo até quem considere a temperatura ambiente no verão como “elevada”.
Por fim destaca-se ainda o nível de iluminação do PT considerada apenas como “razoável” por parte 4 costureiras sendo que uma delas considerou mesmo que a iluminação do seu posto é “insuficiente”.
4.3.6.2. Elevada dificuldade de uma operação
Sendo a Coindu uma empresa têxtil que tem como principal matéria-prima o couro existem inúmeros casos de tendinites e de problemas mais graves de saúde devido à dureza do couro, situação esta que foi possível confirmar na análise ergonómica efetuada e nas respostas aos questionários das costureiras (secção 4.3.6.1).
Contudo existiam casos em que a execução de determinadas operações era de extrema exigência a nível físico para as costureiras. É o caso da operação de união de duas peças de uma variante de AT produzidos. Nessa união a costureira tinha de fazer “crescer” uma das peças cerca de 16 mm, como é possível observar-se na Figura 36. A dificuldade e a dureza desta operação eram exponenciadas quando o couro em questão era extremamente seco e rígido não apresentando praticamente níveis de elasticidade.