Embora tenho implementado uma intenção de planeamento cooperativo, na rotina matinal do grupo de 1º ciclo onde intervim, grande parte deste era feito por mim, por vezes o professor cooperante dava uma ideia ou uma opinião acerca do que se poderia fazer em determinado conteúdo, no entanto grande parte da planificação era executada por mim. A planificação semanal era feita na semana anterior, deixando algum tempo para a preparação de materiais precisos para o desenvolvimento das atividades.
O planeamento da minha intervenção em 1º ciclo foi realizado com intencionalidade, através do levantamento das necessidades dos alunos, dos conteúdos programáticos que deveriam ser lecionados e das sugestões dadas pelas crianças.
Tal como em pré-escolar a observação revelou-se indispensável neste processo, sendo essencial para conhecer cada criança e o grupo, isto é as suas capacidades, interesses e dificuldades, sendo esta um grande apoio para o planeamento e avaliação.
Tentei valorizar as produções das crianças, utilizando as paredes como expositores permanentes das suas produções, onde todos se reviam nas suas obras de desenho, pintura ou texto. Esta realidade remete-nos para o trabalho cooperativo onde a participação de todos e de cada um individualmente é importante para a aprendizagem e a metacognição.
Ao planear e avaliar as atividades tive em conta, alguns documentos de referência como a Organização Curricular e Programas, as Metas de Aprendizagem e os novos programas de matemática e língua portuguesa. Estes documentos apoiam o professor nas decisões sobre a sua prática, ou seja, para conduzir o processo educativo a desenvolver com as crianças.
Tal como refere a Organização Curricular e Programas:
A avaliação, particularmente neste ciclo, terá de centrar-se na evolução dos percursos escolares através da tomada de consciência partilhada entre o professor e o aluno, das múltiplas competências, potencialidades e
motivações manifestadas e desenvolvidas, diariamente, nas diferentes áreas que o currículo integra. (OCP, 2006:25)
Neste contexto a planificação era feita tendo em conta vários e distintos aspetos como o grupo de crianças, as rotinas diárias na qual se inserem o tempo de recreio e as atividades extracurriculares em que o grupo estava inserido, neste caso o apoio ao estudo, ensino da música, atividade física desportiva, inglês e a expressão dramática.
Tendo e conta o trabalho desenvolvido pelo professor cooperante, tive a preocupação de dar continuidade ao trabalho que estava a ser realizado. Procurei não negligenciar o Projeto Curricular de Turma, assumindo-o como um documento estruturante da prática educativa.
Para além disso durante o planeamento houve sempre a tentativa de abranger as várias áreas de conteúdo, promovendo a interdisciplinaridade sempre que era possível.
Apesar de estar inserida num ambiente mais tradicional, pensei que seria uma boa prática fazer uma pequena planificação com os próprios alunos, para além da planificação que já referi. Começou por ser uma rotina matinal o facto de eu dizer oralmente o que pensava fazer para aquele dia específico. Esta decisão foi tomada porque a determinada altura os alunos perguntavam o que iriam fazer durante o dia, então achei que seria uma forma de planificar com eles o facto de dizer oralmente o que iriamos fazer. Passadas algumas semanas, os alunos já não prescindiam dessa informação e tudo o que ficava por fazer eles diziam, oralmente, que deveria ser feito durante o próximo dia e/ou semana. Nesta altura a participação dos alunos neste momento de planificação era uma constante. Por sua vez esta participação levou a uma forma de avaliação por parte dos alunos que identificavam todas aquelas atividades que não tinham ainda iniciado ou que estavam por acabar. Este fator foi importante, pois à partida, no dia seguinte, os alunos já sabiam que algures durante esse dia iriam acabar e/ou começar as atividades em falta. Toda esta prática tinha a intencionalidade da cooperação. Este planeamento partilhado permitia uma envolvência, dos alunos, mais marcada na tomada de decisões.
Relativamente ao tipo de atividades que constavam na minha planificação e também algumas sugestões dadas pelos alunos, tentei oferecer um leque alargado de práticas que promovessem a aprendizagem dos alunos.
A OCP defende que:
Os programas propostos para o 1º ciclo implicam que o desenvolvimento da educação escolar…constitua uma oportunidade para que os alunos
realizem experiências de aprendizagem ativas, significativas, diversificadas, integradas e socializadoras que garantam, efetivamente, o direito ao sucesso escolar de cada aluno. (OCP, 2006:23)
O levantamento das necessidades dos alunos, e o feedback que recebi destes eram tidos em conta durante o planeamento. Apesar da avaliação caber sobretudo a mim, no final do dia os alunos e, quando assim o era possível, os alunos tinham a oportunidade de fazer uma pequena retrospetiva do que tinha sido feito e aprendido. O que os alunos listavam oralmente servia de ponto de partida para novas atividades, pois eu conseguia ter uma perceção mais rápida das dificuldades/facilidades dos alunos.
Por outro lado eram feitas fichas avaliativas mensais de língua portuguesa, matemática e estudo do meio, as quais não eram cotadas, mas que tinham um caráter avaliativo. A partir dessas fichas de avaliação eu recolhia mais informações sobre quais as atividades e conteúdos que tinha de incluir nas minhas planificações. No final do1º período todos os alunos da turma fizeram uma ficha de avaliação final com um caracter avaliativo quantitativo, em que os resultados foram bastante satisfatórios, mostrando que todo o grupo se enquadra no nível de conhecimentos médio-alto.
Capítulo VI – Aprender em Cooperação: Práticas em Pré-escolar e 1º
Ciclo do Ensino Básico
It should be clear that there is more to group work than sitting students in groups and asking them to work together. (Blatchford et al, 2003:155) O facto de ter estagiado em grupos tão diferentes do ponto de vista do trabalho em grupo, permitiu que refletisse sobre esta dinâmica. As diferenças são substanciais e é por esse fator que vou começar este capítulo, expondo as principais diferenças do trabalho cooperativo em pré-escolar e 1º ciclo.
Também falarei da importância que o trabalho de grupo tem na aprendizagem das crianças, sendo este uma estratégia uma estratégia metacognitiva para o desenvolvimento da aprendizagem.