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La location du sol, des habitations auto-construites sur des terrains loués

Production de l'espace urbain dans la ville coloniale

3. Du centre de colonisation à la ville coloniale

3.2. Les lotissements "indigènes"

3.2.2. La location du sol, des habitations auto-construites sur des terrains loués

Proclamada a República, inicia-se uma nova fase de perseguição à capoeira. De 1890 até 1930 a capoeira passa a ser crime no Código Penal Brasileiro. Afirmava o Decreto Lei 487, de 11 de outubro de 1890 (Código Penal Brasileiro) que os indivíduos que fossem encontrados nas ruas e praças públicas executando exercícios de agilidade e destreza corporal e fazendo corridas, que fossem portadores de armas ou instrumentos capazes de produzir lesões corporais cumpririam uma pena de dois a seis meses e que os capoeiras não poderiam andar em grupos; os chefes destes grupos pagariam pena dobrada, aplicando-se ao indivíduo uma pena, de um a três anos; os mesmos seriam deportados para ilhas marítimas ou fronteiras do território nacional (SANTOS, 1990, p.20).

Nesse período, provavelmente, teriam surgido toques de berimbau como o Cavalaria, que avisaria a todos os presentes na roda de capoeira que a polícia montada estava se aproximando e havia o risco de violenta repressão por parte das autoridades, já que a prática da capoeira era um crime. Em tal contexto, o berimbau revelaria seu

aspecto ambíguo, ora como instrumento musical (com o toque Cavalaria), ora como uma lança contra a cavalaria em momentos de necessidade.

A legalização da capoeira ocorreu entre os anos de 1929 e 1930, quando Manuel dos Reis Machado - o Mestre Bimba - resolveu metodizar e aperfeiçoar a capoeira até então caracterizada somente como Capoeira18, que tinha como grande representante Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha, 1889 - 1981). Mestre Bimba criou a atual Capoeira Regional. Conseguiu, em 9 de julho de 1937, o registro oficial de sua academia na Secretária de Educação, Saúde e Assistência Pública, qualificando a capoeira como ensino de Educação Física (SANTOS, 1990, p.21).

Esses dois mestres negros, originários das camadas pobres da cidade de Salvador (Bahia), ganharam notabilidade social por meio da capoeira, a qual, a partir das décadas de 1930 e 1940, abarcou cada vez mais pessoas brancas provenientes das classes médias da cidade (BRUHNS, 2000, p.28).

Em 1937, Getúlio Dornelles Vargas descriminalizou a capoeira como parte de seu projeto político nacionalista e a reconheceu como luta nacional brasileira. A capoeira saiu das ruas e da marginalidade e passou a ser ensinada nas academias. O berimbau pintado criado por Mestre Waldemar (Waldemar Rodrigues da Paixão, 1916 - 1990), representando o estilo de capoeira Angola, e o berimbau lixado e apenas com uma demão de verniz do Mestre Bimba representava o estilo de capoeira Regional e ganharam maior destaque e importância para todas as camadas sociais do país.

A institucionalização como esporte oficial ocorreu na década de 1970, conforme portaria expedida pelo Ministério de Educação e Cultura. É importante citar o fluxo migratório norte e nordeste-sudeste ocorrido ao longo das décadas de 1960 e 1970. Nessa época, foram para São Paulo capoeiras nordestinos que lá se fixaram, disputaram fatias do mercado com as artes marciais orientais e abriram academias de capoeira na cidade. Na década de 1980, em São Paulo, ocorreu a fundação da primeira federação de capoeira do país: a Federação Paulista de Capoeira (BRUHNS, 2000, p.32).

Àquela altura, o berimbau mostrou sua importância e tornou-se ícone da capoeira, representado em muitos brasões, estandartes, bandeiras e logotipos dos grupos, associações, ligas, federações e confederações de capoeira por todo o mundo. O arco musical aparecia representado sozinho, em dupla com o côncavo voltado um para o outro, em trio representando os três tipos de berimbaus – gunga, médio e viola – usados

na orquestra da roda de capoeira Angola e estilizado de diversos modos.

1.2.3 Atualidade

Em 2008, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou a capoeira como patrimônio cultural brasileiro. A capoeira passou a ser um dos 14 patrimônios culturais do Brasil.

Hoje, a capoeira é considerada atividade física, musical e histórica. Sua aprendizagem ocorre em um ambiente multilíngue e rico em ofertas de experiências sensoriais, praticada em academias, clubes e entidades educacionais em todo o país. Segundo dados da pesquisa organizada pelo pesquisador Dr. Lamartine Pereira da Costa (2005), em 2003 o Brasil tinha seis milhões de praticantes de capoeira. No entanto, ainda sofre preconceitos e discriminação por ter sido inicialmente praticada pela população negra e ser considerada pela elite como brincadeira de malandro ou luta de marginais (SANTOS, 1990, p.23).

Não obstante, atualmente, a capoeira é considerada expressão de identidade nacional autônoma e independente que exporta a imagem dos brasileiros e do Brasil. A prática da capoeira se transformou em uma febre que gera uma importante porta de acesso à cultura brasileira no estrangeiro. Segundo o IPHAN, a capoeira é divulgada e praticada em mais de 150 países (IPHAN, 2007, p.51). Esse fato gera acesso à língua portuguesa, já que as músicas de capoeira são cantadas em português do Brasil.

Observamos que ao mesmo tempo em que a Capoeira é divulgada amplamente, transformando-se numa expressão da cultura nacional, com a multiplicação de seus usos nas áreas da educação, do esporte, do lazer, da cultura, das artes e da medicina, também teve incrementada a sua comercialização, dando oportunidade a um trabalho profissional com prestação de serviços e produção de aulas, espetáculos, oficinas etc. (MESTRE XARÉU, 2009).

Na atualidade, vários mestres de capoeira receberam o título de doutor honoris causa. Muitos livros, periódicos, documentários e filmes sobre capoeira foram e estão sendo publicados. A capoeira ganhou a popularidade que Mestre Bimba queria, com milhões de praticantes no Brasil e em diversos países.

Hoje, o berimbau é divulgado e tocado por todo o mundo; onde tem capoeira tem berimbau. O mestre de capoeira, por meio do berimbau, continua comandando a roda de capoeira, animando, mediando e disciplinando os jogadores. O arco musical

também estendeu seu uso à música popular brasileira, tendo músicos famosos como os percussionistas Naná Vasconcelos e Dinho Nascimento reconhecidos como tocadores de berimbau.