• Aucun résultat trouvé

CHAPITRE 2. LES PARADIGMES POÉTIQUES (1850-1960) (1850-1960)

2. Usages scolaires des genres poétiques

2.1. Les genres poétiques scolaires : figer l’instable 1

Durante a realização deste trabalho foi possível estudar um conjunto de edifícios antigos existentes no centro histórico da cidade de Viseu, mais concretamente as paredes de tabique que lá existiam. Apresentam-se em seguida as principais conclusões que resultam deste trabalho.

No capítulo 2 efetuou-se uma apresentação dos principais aspetos construtivos de cada um dos edifícios analisados. Em todos existiam paredes de tabique, algumas das quais com funções estruturais. Em todos as paredes interiores eram de tabique, excetuando em alguns edifícios na zona do r/chão em contato com o solo. Apenas num dos edifícios (casa da Calçada) é que não existiam paredes de tabique exteriores. Foi ainda possível constatar que cada edifício apresentava especificidades próprias, sobretudo ao nível das ligações e travamentos das paredes de tabique.

No Ed.1 verificou-se a aplicação de algumas chapas metálicas que efetuavam ou complementavam ligações entre paredes de tabique. Foram utilizadas tábuas diagonais de forma complexa (nas duas direções e em todos os pisos). No Ed.2, pese embora se tenham identificado algumas chapas metálicas, a prevalência de diagonais era enorme. Com efeito, observou-se a aplicação de tábuas diagonais nas duas direções e em todos os pisos superiores, sendo que essa aplicação resultou na presença de muitas variantes de acordo com o que foi ilustrado no capítulo 3. No Ed.3 apenas existiam duas diagonais, sendo que neste edifício se verificou uma grande utilização de chapas metálicas para ligar as paredes de tabiques a paredes de alvenaria de pedra e aos pavimentos. Por último, no Ed.4, as paredes de tabique aí existentes tinham sobretudo um papel de compartimentação.

158

No capítulo 3 procedeu-se à caracterização geométrica e arquitetural das paredes de tabique, identificando as principais soluções observadas nos edifícios estudados, em função do número e do tipo de aberturas existentes nestes elementos.

Procedeu-se também à definição de várias tipologias de paredes de tabique que foram encontradas nos edifícios estudados. Para efetuar essa definição foram tidas em consideração as características dos vários elementos que as constituem, com particular enfase nas tábuas verticais onde a variabilidade dos elementos era maior. Associada às tipologias foram ainda estudadas as principais dimensões de cada tipo de parede tendo-se verificado que dentro das paredes de tabique a variabilidade das principais dimensões dos seus elementos constituintes é bastante grande. Ainda neste capítulo, e tendo em conta o elevado número de diagonais encontradas, tanto no Ed.1 e sobretudo no Ed.2, procedeu-se ao estudo e pormenorização das várias configurações de diagonais existentes, tendo-se constatado que existem múltiplas soluções distintas, desde diagonais isoladas a combinações de várias diagonais num só pano de parede. Foi ainda estudada a influência destes elementos na estrutura, através da criação de esquemas tridimensionais dos edifícios 1 e 2 com a localização espacial das respetivas diagonais. Constatou-se que a aplicação destes elementos na estrutura não era feita ao acaso e que é possível identificar alinhamentos desses elementos quer ao longo do plano horizontal, quer ao longo do plano vertical (entre pisos). Assume-se que o papel destes elementos é fundamental para o comportamento geral dos edifícios.

Posteriormente, estudaram-se as ligações de paredes de tabique com os restantes elementos do edifício, tendo-se verificado que existe uma enorme variedade de soluções construtivas. Os principais elementos utilizados para efetivar essas ligações são os frechais e as chapas metálicas.

Foram ainda abordadas de forma sucinta algumas particularidades da técnica de tabique, nomeadamente aspetos construtivos relacionados com os vãos (portas e janelas) e aspetos que mais contribuem para a incrementar a aderência entre as argamassas e a estrutura de madeira. Foi ainda apresentado um tratamento estatístico dos diversos tipos de argamassas utilizadas no Ed.1, verificando-se que dentro de um mesmo edifício as argamassas utilizadas no revestimento de paredes de tabique podem ser variadas.

No capítulo 4 foram explicados os ensaios realizados e efetuada a apresentação dos resultados obtidos. Nos conectores metálicos foram realizados ensaios à tração, à dureza e análise da sua microestrutura. Através dos resultados obtidos nos ensaios de tração foi possível constatar que a degradação acumulada pelos elementos metálicos ao longo dos anos prejudicou a sua capacidade resistente. Isso levou a que os valores obtidos para os respetivos módulos de elasticidade ficassem muito aquém do expectável, até mesmo para um ferro fundido. Na determinação da dureza dos conectores verificou-se que os seus valores não diferiam substancialmente dos obtidos por Pinto (2013).

Com os resultados obtidos nos dois ensaios, e seguindo a metodologia apresentada por Vantyne, (2008) tentou-se correlacionar o número de dureza obtido com a resistência à

tração das peças. No entanto, os resultados ficaram aquém dos obtidos por Vantyne (2008). Concluiu-se que a degradação das peças afeta a sua resistência à tração o que pode ter reflexos no estabelecimento da correlação proposta. No futuro, de modo a verificar se este método pode vir a ser viável na caracterização recomenda-se para além da replicação do processo executado, a introdução nos ensaios de uma amostra de propriedades conhecidas, que permita servir de grupo de controlo.

Na análise microestrutural foi possível observar microscopicamente amostras dos conectores do Ed.1 e do Ed.3, tendo-se em ambos os casos constatado a degradação existente nos elementos (elevado numero de inclusões) e os efeitos provocados nos elementos metálicos pelos métodos antigos de forjagem, nomeadamente, a criação de zonas distintas de ferrite e perlite.

Nos ensaios às madeiras estudaram-se amostras de pinho e castanho à flexão, à compressão e à dureza.

In situ procedeu-se ainda à avaliação do estado de conservação de alguns elementos da

estrutura do Ed.1, recorrendo ao ensaio do Resistógrafo, tendo-se verificado que na generalidade as amostras se apresentavam em bom estado de conservação, com fendas de secagem pontuais.

Nos ensaios de flexão constatou-se uma diferença de comportamento entre os tipos de rotura observados na madeira de pinho e de castanho. Verificou-se que, embora os dois tipos de madeira tivessem densidades idênticas e próximas dos valores de referência recolhidos da bibliografia consultada, o comportamento da madeira de castanho foi significativamente melhor que a de pinho. Refira-se ainda que a madeira de pinho, em comparação com os valores de referência, ficou aquém da resistência expectável, enquanto a de castanho superou, ainda que de forma ligeira, os valores de referência.

Nos ensaios de compressão verificou-se novamente um comportamento aquém do esperado na madeira de pinho. Por sua vez, nas amostras de madeira de castanho obtiveram-se bons resultados de acordo com a bibliografia consultada (Carvalho, 1996). No ensaio de dureza as amostras de pinho apresentaram excelentes resultados (acima dos valores de referência), enquanto as de castanho apresentaram valores normais, segundo a bibliografia consultada.

Os maus resultados da madeira de pinho podem ser explicados pelo facto de ser um tipo de madeira resinosa, que está mais exposta aos ataques biológicos e, em consequência, pode sofrer degradação mais facilmente que o castanho, que é uma madeira folhosa.

Nos ensaios de argamassas efetuaram-se ensaios à compressão de várias amostras recolhidas nos Ed.1 e Ed.3.

As amostras foram separadas por lotes, em função da sua espessura. De seguida tentou-se estabelecer uma correlação entre a esbelteza das amostras e a sua resistência à compressão. Embora os resultados não tenham sido totalmente negativos, também não se obtiveram resultados que nos permitam afirmar que existe uma relação direta. Sobretudo nas amostras

160

de menor espessura (inferior a 2 centímetros) verificou-se que existe uma enorme dispersão de resultados.

Refira-se que com a enorme quantidade de dados recolhida, nos quais se incluem dimensões dos diferentes elementos de paredes de tabique, dimensões totais dessas paredes, amostras de argamassa, conectores e chapas metálicas, fasquios, frechais e material fotográfico se pretende criar uma base de dados sobre paredes de tabique.

A grande variedade de soluções encontradas permite perceber a complexidade desta técnica, que em muito dependia da qualidade da mão-de-obra que a executava, da capacidade financeira do dono de obra, e da facilidade de acesso aos materiais que a constituíam como madeiras, componentes da argamassa e conectores metálicos.

Apesar da enorme quantidade de informação relevante recolhida, alguma da qual que não foi possível mencionar e dar o devido destaque nesta dissertação por constrangimentos de tempo e espaço, este trabalho carece de continuidade futura, através do estudo de diferentes edifícios e do aprofundamento de matérias aqui abordadas de forma superficial mas que será importante serem estudadas e divulgadas.