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2 Les comparutions mensuelles ou trimestrielles

Dans le document Procédure pénale (Page 172-174)

A Magneti Marelli (MM) foi fundada em 1919 na Itália, com metade do capital integralizado pela Fiat Torino e a outra metade pela Ercole Marelli & Co. Em 1967, a Fiat adquiriu as ações da Ercole Marelli e assumiu o controle integral da empresa. O grupo atuou em diversos segmentos de mercado ao longo de sua história, passando por vários processos de fusões e aquisições, até que, no final da década de 1990, concentrou seu foco no desenvolvimento e na produção de sistemas e componentes para veículos. Em outubro de 2002 o grupo Fiat decidiu

transformar a MM em uma holding, agrupando todas as suas unidades de autopeças, até essa ocasião independentes.

Desde então a MM iniciou uma nova fase, tendo como objetivo de médio e longo prazo fortalecer sua própria posição competitiva e sua solidez econômico-financeira, enquanto empresa de autopeças. A sede do grupo MM fica atualmente em Corbetta, na região metropolitana de Milão, na Itália. A empresa considera que sua missão, como fornecedor mundial de componentes automotivos, é tornar suas tecnologias essenciais disponíveis para seus clientes finais a um preço aceitável, combinando alta qualidade, tecnologia e flexibilidade em uma oferta competitiva. Por meio de um processo contínuo de inovação e sustentabilidade ambiental, a MM incorpora o seu know-how e expertise abrangente em eletrônica, ao desenvolvimento de sistemas inteligentes, para segurança ativa e passiva de veículos, conforto embarcado e tecnologias para sistemas de motorização (MARELLI, 2012).

O grupo MM obteve €5,9 bilhões de faturamento em 2011, com crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior, contando com 34,8 mil colaboradores, distribuídos em 83 unidades de produção, 12 centros de P&D e 26 centros de aplicação, e com operações em 18 países: Itália, França, Alemanha, Espanha, Polônia, República Tcheca, Rússia, Eslováquia, Turquia, Estados Unidos, México, Brasil, Argentina, China, Japão, Índia, Malásia e África do Sul. De acordo com o último relatório anual da Fiat (2012, p. 76, 114), o lucro comercial da MM em 2011 foi de €181 milhões, quase o dobro dos €98 milhões obtidos no ano anterior, aumento que foi obtido devido ao aumento no volume de vendas e na eficiência da manufatura, que compensaram as pressões de custo dos altos preços dos materiais. Entretanto, devido a custos de reestruturação e outros não usuais, o seu lucro operacional caiu de €73 milhões em 2010 para €27 milhões em 2011.

A MM atua nas seguintes áreas de negócio:

i) Iluminação automotiva (sistemas para iluminação dianteira e traseira);

ii) Sistemas para motores (powertrain) (sistemas de controle para motores a diesel, gasolina, álcool e multicombustíveis; caixas de engrenagens de transmissão semiautomática “Freechoice”);

iii) Sistemas eletrônicos (clusters de instrumentos, telemática e entretenimento informativo

iv) Sistemas de suspensão (amortecedores, suspensões e sistemas dinâmicos (amortecedores controlados eletronicamente));

v) Sistemas de exaustão (escapamentos, catalizadores e silenciadores); vi) Módulos e componentes plásticos para veículos;

vii) Peças e serviços de reposição (aftermarket);

viii) Motorsport (sistemas eletrônicos e eletromecânicos com tecnologia de ponta, específicos para competições como Fórmula 1, Moto GP, SBK e WRC).

As suas linhas de negócio de alta tecnologia (iluminação, powertrain e sistemas eletrônicos) foram responsáveis em 2011 por 58% da receita total do grupo, como mostra o Gráfico 11.

Gráfico 11 – Porcentagem da receita da MM em 2011 por unidade de negócio. Fonte: Elaborado pelo autor, com dados de FIAT, 2012, p. 114-116.

A empresa se posiciona no mercado como “sistemista”, fornecendo componentes e sistemas diretamente para as principais montadoras da Europa, Ásia e das Américas. Os investimentos totais representaram 8,3% do faturamento anual do grupo, sendo 5,4% somente em P&D, com cerca de três mil funcionários envolvidos com inovação de produto e melhorias de processo, em seus centros de tecnologia localizados em quatro países (Itália, França, Alemanha e

Brasil), e nos centros de aplicação. Pode-se observar na Figura 12 a presença mundial do grupo Magneti Marelli, com suas fábricas, centros de P&D e de aplicação.

Figura 12 – Presença da Magneti Marelli no mundo. Fonte: Apresentação corporativa fornecida pela MM COFAP.

Criou-se em 2004, na unidade Powertrain, um modelo de cooperação entre a indústria e o mundo acadêmico denominado JRAUM (Joint Research Area University Marelli). Esse modelo posteriormente foi estendido para as outras unidades de negócio - segundo estimativa da empresa, atualmente 20% das atividades de P&D estão cobertos por acordos de cooperação com universidades e institutos de pesquisa, em especial para desenvolvimento de pesquisa básica. A partir desse modelo, constituiu-se na Itália uma rede com dez grandes laboratórios virtuais, denominada LAB NET, para atender as necessidades de pesquisa básica de três hubs tecnológicos: (i) Mechatronics and Automation; (ii) Design and Simulation; e (iii) New

materials, linings and nanotechnologies. O propósito destes laboratórios virtuais é

potencializar as sinergias de centros de pesquisa da MM e de instituições acadêmicas.

Todas as linhas de negócio da Magneti Marelli estão presentes no Brasil, com instalações em oito cidades de dois estados, na região sudeste do país: Mauá, Santo André, São Bernardo do Campo, Hortolândia e Amparo (SP), além de Contagem, Itaúna e Lavras (MG), empregando cerca de oito mil funcionários, distribuídos em 13 unidades produtivas, de 9 plantas industriais. Dentre as atividades de P&D da MM no Brasil, destaca-se o mais avançado centro de pesquisa da América do Sul, na área de motores e aplicações veiculares, da unidade Powertrain, no qual foi desenvolvida a tecnologia para motores com Flex Fuel (bicombustível

Flex). Esse centro tecnológico também é um beneficiário da cooperação da MM com instituições de pesquisa e universidades. A Figura 13 ilustra a atuação das unidades de negócio da MM, naqueles que são considerados pela empresa como os “países de melhores

custos”.

Figura 13 – Unidades de negócio da Magneti Marelli nos “países de melhores custos” Fonte: Apresentação corporativa fornecida pela MM COFAP.

Nota: Mantidos os textos originais em inglês.

Conforme já mencionado, desenvolve-se este estudo de caso na unidade de amortecedores, MM Cofap, cuja subsidiária brasileira participou de alguns processos de internacionalização. Essa linha de negócio foi criada em 1997 no grupo MM, a partir da aquisição da divisão de amortecedores da Cofap, uma empresa brasileira que já atuava nesse segmento. No intuito de facilitar a compreensão da trajetória dessa subsidiária, apresentam-se a seguir os antecedentes do processo de aquisição, iniciando-se pela história da Cofap enquanto empresa brasileira, abordando-se em seguida os fatores que levaram a MM a decidir criar sua unidade de amortecedores, culminando com a compra da Cofap e sua integração ao grupo MM.

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