LE PAYSAGE DANS LES TERRITOIRES DU QUOTIDIEN
2. L’effacement du paysage
A técnica de tratamento e análise de dados privilegiada neste estudo foi a análise de
conteúdo.
Segundo Esteves (2006), “análise de conteúdo” é uma expressão genérica que abarca um conjunto de técnicas de tratamento de informação, entretanto recolhida, e que se estrutura em várias etapas: a) constituição do corpus documental, b) leitura flutuante e c) tomadas de decisão sobre o tipo de categorização, as unidades de registo, as unidades de contexto e as unidades de enumeração a utilizar.
Segundo uma classificação de Van der Maren (1995, citado por Esteves, 2006), os dados, que constituem a matéria-prima da análise de conteúdo, podem ser de dois tipos: a) dados
80
invocados pelo investigador ou b) dados suscitados pelo investigador. Por dados invocados referimo-nos aos dados da observação direta, registados em protocolos, às notas de campo, aos documentos de arquivo, às peças de legislação, aos artigos de jornal, aos livros ou às biografias, entre outros. Por dados suscitados os que resultam da concretização de protocolos de entrevistas semidiretivas e não diretivas, às respostas abertas solicitadas em questionários, as histórias de vida, os diários, os relatos de práticas ou portefólios, entre outros.
A análise de conteúdo é uma técnica que ainda não completou cem anos, tendo sido apontado o ano de 1925 como a data do seu aparecimento (Esteves, 2006). Inicialmente, a técnica foi utilizada por jornalistas, sociólogos e especialistas em literatura. No quadro seguinte são enumeradas algumas definições de análise de conteúdo, que surgiram desde essa data.
Autor/ano Definição
Kaplan /1943 “a análise de conteúdo é a estatística semântica do discurso político” Berelson e
Lazarsfeld/1952
“A análise de conteúdo é uma técnica de investigação para a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação.”
Holsti/1968
“A análise de conteúdo é uma técnica para fazer inferências por identificação sistemática e objetiva das características específicas de uma mensagem.”
Stemler/2001
“a análise de conteúdo é uma técnica sistemática e replicável para comprimir muitas palavras de texto em poucas categorias de conteúdo, baseada em regras explícitas de codificação”
Esteves/2006
“Descrição com regras” [que] “prossegue com a realização de inferências pelo investigador, inferências essas que, por se apresentarem com um fundamento explícito, possam ser questionadas por outros, e possam ser corroboradas ou contrariadas por outros procedimentos de recolha e de tratamento de dados, no quadro de uma mesma investigação ou de investigações sucessivas.”
Quadro 10 - adaptado de Esteves (2006)
No âmbito de uma análise de conteúdo, é necessário proceder à categorização, uma tarefa que, para Esteves (idem), é uma operação central. Para este processo, apenas têm interesse os
81
dados pertinentes, que depois de identificados são “arrumados” em categorias ou classes. A definição de categorias está relacionada com dois tipos de procedimentos: (i) um
procedimento fechado quando utilizamos categorias definidas previamente, à luz de uma
teoria geral e de um quadro teórico; (ii) um procedimento aberto quando as categorias emergem do material recolhido. Este último é o mais comum na investigação em Educação. Contudo, no caso do principal instrumento de recolha de dados ser a entrevista, as categorias poderão ser inicialmente esboçadas a partir dos objetivos ou dos tópicos que constam do seu guião de preparação. Nos procedimentos abertos, “a categorização… mantém-se como provisória ou instável até todo o material pertinente ter sido absorvido” (Esteves, 2006, p. 110).
Ainda no caso dos procedimentos abertos, Ghiglione e Matalon (1978, citados por Esteves, 2006) sugerem que as categorias sejam definidas de acordo com o percurso que o investigador seguir (contagem frequencial, análise temática, identificação de concomitâncias temáticas, análise por cachos ou análise por campos semânticos).
Por sua vez, Bardin (1977, citado por Esteves, 2006), afirma que a análise de conteúdo se pode realizar de várias formas: análise categorial, análise de avaliação, análise da
enunciação, análise da expressão, análise das relações ou análise do discurso
(quadro 11).
Tipo de análise Definição
Análise categorial
Forma primordial e clássica de análise de conteúdo, que se materializa na utilização de categorias existentes ou na criação de categorias específicas (de acordo com os princípios enunciados por Ghiglione e Matalon).
Análise de avaliação
Tipo de análise de conteúdo na qual se criam categorias que acolhem unidades de registo com carga avaliativa com o objetivo de estabelecer a direção e a intensidade das atitudes do (s) sujeito (s) em relação a determinados objetos.
Análise da enunciação
Tipo de análise de conteúdo que encara o discurso como um processo, em relação ao qual se pode pretender pesquisar as condições de produção da palavra, as estruturas sintáticas, a lógica do discurso e do seu encadeamento ou as figuras de retórica para fazer inferências sobre o autor do discurso.
82
Análise da expressão
Tipo de análise de conteúdo no qual se trabalha com categorias formais de ordem morfológica e sintática com o desiderato de caracterizar estilos discursivos e proceder a conclusões sobre a autoria de um texto, a sua autenticidade ou os valores ideológicos que promove.
Análise das relações
Análise de conteúdo na qual se procura identificar co-ocorrências ou concomitâncias existentes num discurso ou num conjunto de discursos.
Análise do discurso Análise de conteúdo que pretende, ao mesmo tempo, ser uma análise semântica, sintática e lógica.
Quadro 11
Quivy e Campenhoudt (2008, p. 230) destacam as principais vantagens da análise de conteúdo, que aqui transcrevemos por terem constituído uma referência na realização deste trabalho:
“Todos os métodos de análise de conteúdo são adequados ao estudo do não dito, do implícito.
Obriga o investigador a manter uma grande distância em relação a interpretações espontâneas e, em particular, às suas próprias.
Uma vez que têm como objeto uma comunicação reproduzida num suporte material (geralmente um documento escrito), permitem um controle posterior do trabalho de investigação.
[Os métodos de análise de conteúdo] são construídos de uma forma muito metódica e sistemática sem que isso prejudique a profundidade do trabalho e a criatividade do investigador”.