As TDIC foram incorporadas na EaD em meados do ano de 1990, tendo como recursos tecnológicos, preponderante, o computador e a internet. A utilização das TDIC na EaD tem se tornado cada vez mais sofisticada, pois vem acompanhada do avanço da Web, como pode ser visualizado no Quadro 01 – Gerações da Educação a Distância no Brasil. Para tanto, os recursos da Web exigem uma organização complexa, sendo necessário pensar a partir das especificidades apresentadas por estes recursos, a elaboração do material, o papel da equipe docente, enfim, em todo o processo pedagógico, para, assim, atender às necessidades dos
estudantes (MORAN, 2006) e, consequentemente, atingir os objetivos educacionais propostos.
Oliveira (2008) acrescenta que o planejamento, o procedimento e a forma de abordar o conteúdo na EaD precisa considerar as especificidades dos recursos da Web. Aponta também que a mediação em AVEAs deve ser constante por parte do docente, visando a interação de todos os envolvidos para se trabalhar de forma colaborativa. Oliveira destaca a importância da afetividade entre os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem na EaD para a construção não só do conhecimento, mas também do sujeito como um todo.
O papel do professor-tutor na EaD, para Prandini (2009, p. 77), tem o intuito de orientar o estudante “a desenvolver formas de aprender que permitam a ele selecionar, organizar e interpretar uma grande quantidade de informação, a qual passa a ter acesso facilmente”. Nessa perspectiva, Moran (2006) enfatiza a importância de o estudante conseguir relacionar o conteúdo proposto em um curso, contextualizando-o, a fim de integrar a informação em seu contexto pessoal, intelectual e emocional, de forma que o conteúdo se torne significativo para ele, transformando-o em conhecimento com o auxílio do professor-tutor.
Prandini (2009, p. 81) salienta que o desafio emergente da EaD é: [...] assumir a tecnologia como um recurso para ajudar-nos a fazer o que queremos fazer, isso implica vê-la como forma de incrementar o processo ensino-aprendizagem a favor de nossos objetivos, de acordo com nossa concepção de educação. É preciso, então, saber o que ela tem a nos oferecer.
Nesse sentido, Côrtes (2009) sublinha que os recursos tecnológicos têm a função de estar a serviço dos propósitos pedagógicos do processo educacional. As tecnologias presentes no processo educacional não se limitam a ser apenas ferramentas, isto é, envolvem a ampliação das possibilidades de comunicação e informação modificando a forma de viver, sentir, pensar e aprender das pessoas (KENSKI, 2013).
Para Barros e Crescitelli (2008, p. 73), “interações virtuais, por serem a distância, impõem desafios aos professores e alunos para a sua realização e para a sua manutenção com sucesso, em razão da ausência do contexto físico partilhado”. Isso se deve em virtude de a sala de aula on-line possibilitar um novo espaço de interação, no qual as relações são diferentes das que ocorrem em uma sala de aula convencional/presencial. Utilizar um meio tecnológico na prática educacional, conforme a visão de
Silva (2004), não significa dizer que o professor está trabalhando de forma interativa, pois para que a interatividade aconteça é primordial romper com a pedagogia da transmissão do conhecimento e possibilitar a participação/intervenção dos sujeitos no processo de comunicação.
Na EaD, as ferramentas tecnológicas disponibilizadas, nos dias atuais, são inúmeras e é quase impossível imaginar essa modalidade educacional sem internet. Corrêa (2010) aponta que o computador passa de uma simples máquina a uma ferramenta sociocultural, que possibilita a uma gama de pessoas relacionarem-se em um espaço interativo, partilhando e socializando informações. Nesse contexto, Donnamaria e Terzis (2012) evidenciam que não é por acaso que o termo “virtual” tende a cair em desuso, no que tange aos relacionamentos mediados pela internet, sendo gradualmente substituído pelas expressões on-line e/ou a distância, expressando, assim, uma conscientização de que o sujeito se encontra e se afeta no ciberespaço. Donnamaria e Terzis (2012) acrescentam que os relacionamentos reais não têm necessariamente que ter presença física, pois estes acontecem quando o sujeito se sente envolvido o suficiente para atribuir-lhe real importância, sentido e significado.
A afetividade e as emoções constituem-se elementos essenciais em qualquer prática pedagógica, uma vez que, quando a afetividade acontece, poderá proporcionar maior participação e interação dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem, contribuindo para a construção do conhecimento e auxiliando o desenvolvimento da autonomia (SERRA, 2005). Em contrapartida, quando a afetividade é menor, pode gerar um sentimento de isolamento por parte dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, resultando em uma menor participação do estudante na interação e na ideia de construção do conhecimento de forma colaborativa (SERRA, 2005).
De acordo com Santos e Oliveira (2010), a comunicação na sala de aula on-line é estabelecida, na maioria das vezes, por meio da escrita em fóruns de discussão, mensagens, feedbacks nas atividades, entre outros, por isso o uso de estratégias de natureza afetiva é essencial para assegurar uma maior participação dos estudantes no processo educacional. Para tanto, é desafiador construir elos de afetividade entre os envolvidos nesse processo na EaD, pois a linguagem oral é acompanhada de gestos, tom de voz, entre outras características ausentes em uma comunicação escrita comumente utilizada em AVEA (ALVES; SILVA, 2009).
Cabe salientar, porém, que a linguagem possui um papel fundamental na prática do docente on-line, tendo em vista que a linguagem escrita também retrata a emoção dos sujeitos, bem como a
articulação entre emoção e razão, a negociação entre a racionalidade e a irracionalidade (ALVES; SILVA, 2009). Para ler, compreender e interpretar as especificidades da linguagem na interação dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem na EaD, é preciso ter um olhar atento às formas de comunicação apresentadas, pois cada sujeito é único e tem seu próprio modo de se comunicar.
Santos e Oliveira (2010) dizem que o uso de estratégias interacionais de natureza afetiva como saudações, emoticons, elogios, perguntas, sugestões, recomendações, avaliações, entre outras, pode produzir efeitos positivos de interatividade no relacionamento entre professor-tutor e estudante mediado pelas TDIC na EaD, estabelecendo entre eles uma relação afetiva que propicia uma interação colaborativa. Entretanto, Palloff e Pratt (2004, p. 155) assinalam a importância de o docente atentar-se para quantidade e frequência do feedback que dão aos estudantes, de modo que os estudantes “saibam que os professores estão presentes e atentos, mas não de uma forma que sobrecarregue o grupo ou que domine a discussão”. Ao fazer isso, o docente pode encontrar um equilíbrio na sua prática pedagógica.
Diante disso, a afetividade é considerada neste estudo como um elemento importante para manter a interação entre os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem na EaD. O docente precisa estar atento ao uso adequado da linguagem nesse contexto educacional, uma vez que as atividades de ensino-aprendizagem se constituem, em sua maioria, na e pela interação por meio da língua escrita, sendo essa interação determinante para proporcionar novas formas de interagir com as TDIC (SANTOS; OLIVEIRA, 2010).
1.4 MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA