A BNCC visa alinhar as políticas e ações educacionais em âmbito nacional, abrangendo as esferas federal, estadual e municipal no que tange à formação de professores, à avaliação, à elaboração dos conteúdos e aos critérios de oferta de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da educação. De acordo com esse referencial, a intenção é que se evite a fragmentação das políticas educacionais e que ocorra o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo e que seja balizada a qualidade da educação, no que se refere não só ao acesso e a permanência, mas também à qualidade.
Embora a Base tenha pretensão a esse alinhamento, os currículos devem e podem se adequar às diferentes realidades de cada local, de cada região, de cada Estado, considerando, assim, a autonomia dos sistemas de ensino, das instituições escolares e da diversidade cultural. As críticas à BNCC são relevantes e pertinentes, devem ser levadas a sério no processo de implementação. Todavia, ao analisarmos essas críticas, cremos que o maior desafio na sua implementação está, justamente, em torná-la um currículo nacional, que de fato seja acessível a todos os educadores brasileiros, não importando o lugar onde estes estejam. Ela deve ser trabalhada numa perspectiva que atenda às necessidades básicas dos alunos de forma inclusiva, transcendendo a visão de um currículo que tende apenas trazer direcionamento sobre conteúdo a serem trabalhados, mas que leve em consideração a diversidade humana presente no território brasileiro.
A partir desta pesquisa, realizada no município de Pocinhos/PB, acreditamos que atualmente tem sido um grande desafio tornar a Base acessível a todos os profissionais, enquanto referencial relevante, porém, passível de críticas e adaptações, de maneira que sejam capazes de mudar o perfil da educação de forma efetiva, no cotidiano da sala de aula com todos os seus potenciais e limites. Na medida em que falta uma formação e ou uma dinâmica de estudos mais efetiva sobre o documento, sobre as condições e demandas locais, sobre as adaptações curriculares que resulte de uma análise aprofundada e crítica, pouco ou nada se produzirá de mudanças que possam sinalizar com a melhoria da qualidade da educação. Em muitos casos, falta até mesmo um interesse por parte dos educadores em conhecer esses elementos. Acreditamos que
existe um longo caminho a ser percorrido para que, de fato, possamos ver na prática a concretização do que está proposto na BNCC.
Para além do documento, são necessárias políticas públicas intersetoriais porque os problemas educacionais no Brasil são graves, têm origem na extrema desigualdade econômica e social a que as populações são submetidas. Essas desigualdades determinam, em grande medida, as condições de vida de um modo geral, incluindo as condições educativas. Portanto, as diferenças e desigualdades que afetam a educação não serão resolvidas com um documento e este não tem como mudar determinadas condições de desigualdade e injustiça social, ainda que possa ser um delineador de uma vontade política, nesse sentido, e possa indicar medidas relevantes.
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