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IV.2 Résultats expérimentaux
IV.2.2 Distribution moyenne du nombre de photons
Há um pensamento geral de que ética e moral são sinônimos. Exemplo comum pode ser extraído quando da constatação da existência de um problema ético ao mesmo tempo considerado um problema moral, circunstância que, de pronto, faz surgir um juízo de valor sobre aquela conduta: se aprovável ou não.
Contudo, ética e moral não podem ser consideradas sinônimos. A ética é parte da filosofia e assim considera concepções naturais, concepções de fundo, repleta de princípios e valores capazes de orientar pessoas e sociedades. Neste plano, uma pessoa pode ser considerada ética quando se orienta por princípios e convicções livres. Diz-se, então, popularmente, que ela apresenta caráter e boa índole.
77 SOLOMON, Robert C.; HIGGINS, Kathleen. M. The big questions: a short introduction to
philosophy. 8th. Belmont: Wadswhort, 2010. Disponível em: <http://www.amazon.com/The-Big-
Questions-Introduction-Philosophy/dp/0495595152>. Acesso em: 28 jan. 2012.
Lado outro, a moral representa a parte da vida concreta das pessoas quando se expressam valendo-se de costumes, de hábitos e de valores aceitos socialmente. Constata-se a aplicação da moral quando alguém age de acordo com os costumes previamente estabelecidos e assim conhecidos, costumes estes que podem ser, eventualmente, questionados pela ética, diante do fato em que uma pessoa praticando atos atrelados à moral por seguir determinados costumes, distancia-se da ética por não obedecer a princípios.
Estas definições, entretanto, apesar de úteis a qualquer estudo, resultam no campo da abstração por não preencherem completamente o processo como a ética e a moral, efetivamente, surgem. Para este caso, buscando a mais completa compreensão sobre o tema, a melhor fonte de consulta são os gregos por que eles sempre partem de uma experiência de base, considerada válida. Usam como exemplo o conjunto das relações entre o meio físico e as pessoas, titulada de morada a que, também, chamam de ethos. Contudo, para que esta morada possa ser habitável, há necessidade de se organizar o correspondente espaço físico (quartos, sala, cozinha) em sintonia com o caráter humano, este representado pelas relações dos moradores entre si e com seus vizinhos, observando critérios, valores e princípios para que tudo esteja a contento. Isso deve atribuir características peculiares tanto a casa como às pessoas. Nesta morada os seus habitantes têm costumes, maneiras de organizar os encontros, as refeições, as formas de relacionamentos.
Desta forma, diante do que está escrito acima, a conclusão é no sentido de que esses costumes (moral) formam o caráter (ética) das pessoas. Foi neste sentido que Sigmund Freud se dedicou às relações familiares como forma de parametrizar o caráter de um grupo de pessoas. Estas pessoas serão éticas, ou seja, terão princípios e valores, se tiverem tido uma boa moral resultante de relações harmoniosas e inclusivas, dentro da morada.
Ainda sobre moral, tem-se que os medievais usavam o termo moral tanto para representar os costumes como para o caráter. Desta forma, observa-se uma constante confusão que se dá entre as expressões moral e ética o que existe há muitos séculos. É que a origem destes vocábulos, por si, resulta em dissensão tendo em vista que a etimologia da palavra ética encontra respaldo no termo grego “ethos”
que representa a forma de ser, sendo que a palavra moral tem origem latina, de “mores”, o que significa costumes. Um esclarecimento mais completo acerca dos dois temas, pode ser adotado trazendo a moral como um apanhado de normas reguladoras do comportamento humano frente aos seus iguais, sendo que estas normas são obtidas do convívio social em decorrência da educação, da tradição e do cotidiano coletivo.
A palavra ética foi definida por Motta como um
[...] conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social.79
Ou seja, ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social. Há uma certeza de que a moral sempre existiu, tendo em vista que todo ser humano possui registros na consciência que o levam a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. O reforço de que ela se fixou quando o indivíduo passou a viver em coletividade se justifica quando do aparecimento das sociedades primitivas. A ética teria surgido com Sócrates, por exigir um maior grau de cultura para sua constatação, eis que ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por hábito ou tradição, mas, primordialmente pelo uso da inteligência e convicção.
Sánchez Vásquez aponta que:
[...] a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.80
A necessidade que as pessoas têm de viver em coletividade faz com que os atos praticados sejam aceitos socialmente porque em obediência àquilo que está previamente estabelecido e aceito. Noutras palavras, trata-se a moral de um complexo sistema de normas e valores que norteiam as relações entre os 79 MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1984. p. 66. 80 SÁNCHEZ VÁSQUEZ, Adolfo. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. p. 83.
integrantes de uma determinada coletividade, normas estas adotadas de forma livre e consciente.
Na obra “Ética e Moral: a busca dos fundamentos”81, o teólogo e filósofo Leonardo Boff aborda as questões éticas e morais como bases para as relações humanas vislumbrando o desenvolvimento da sociedade o que inclui as relações do ser humano com o meio ambiente. Neste prisma, o autor põe em pauta o caminho da humanidade e que diante de tantos acontecimentos antiéticos e imorais, questiona qual será o destino dessa sociedade: se abismo ou apogeu, sendo que os efeitos serão experimentados por todos.
Ainda neste estudo, Boff destaca que para a busca e obtenção do desenvolvimento, o ser humano deverá se valer de alguns cuidados para obter e manter suas conquistas num ambiente que não dirija malefícios às relações humanas, destas com o universo e com o ser supremo. Relata, por oportuno, que há de se cuidar daquilo que conquistamos para que dure muito mais. Dá como exemplo que o ser humano necessita resgatar as essências espirituais e assim agir com um mínimo de ética, preservando a si, bem como as gerações futuras.
O Autor também torna mais aclarada a crise mundial de valores pela qual uma grande parcela da humanidade tem dificuldade em distinguir o que é certo ou errado, tendo em vista uma constante competição na busca pela superioridade, o que vem atropelando estes valores, sejam eles, éticos ou morais. Ele se mostra preocupado e adverte sobre o destino da humanidade, no todo. Diante dos acontecimentos últimos, considerados antiéticos e imorais, ratifica que o fim está voltado ao abismo e alcançará todos.
Destaca que a solidariedade está esquecida por muitos, ou nem mesmo é conhecida. Chama atenção a afirmativa feita pelo autor de que nos últimos cinquenta anos houve mais mudanças na sociedade do que desde a Idade da Pedra. Assim, ele acredita que a sociedade precisa e deve rever seus valores, pois são estes que darão capacidade de orientação ao ser humano para a manutenção e gerência do bem comum. Adverte que o consumismo, da forma que está sendo gerado pelo capitalismo, pode levar o planeta à falência.
Concluindo o seu trabalho, Boff destaca que o ser humano deve resgatar seus valores éticos e morais, que o induzirão às três virtudes mais importantes: o bem comum humano e de toda a comunidade de vida, a autocontenção e a justa medida. Isto representa o maior antídoto contra a apatia, o cinismo, os conflitos e as guerras que ainda assolam perigosamente a humanidade.
Com efeito, as lições acima dão conta de que a ética e moral representam os maiores valores do homem considerado livre porque significam o pleno respeito e veneração à vida. Este mesmo homem que com o seu livre arbítrio tem a oportunidade de formar o seu meio ambiente ou destruí-lo. E deste modo, a ética e a moral se juntam numa mesma realidade, porque se a moral está ligada ao conjunto de normas seguidas pelos indivíduos de modo a agirem de acordo com o que é considerado bom ou correto, por sua vez, a ética resulta numa reflexão sobre as condutas e as normas que as regem.
Ao fim, como reflexão, destacamos que se a ética permanece associada ao pensamento por refletir a legitimidade das condutas e desta forma é pensada, a moral está intimamente relacionada com esta própria conduta das pessoas porque assim é vivida.