CHAPITRE 2 UN ENJEU CENTRAL DE LA COMPARAISON DES LANGUES : LES COMPETENCES
2.2 La comparaison des langues : un travail métalinguistique et pluriel sur les langues
2.2.1 Deux cadres fondateurs pour la comparaison des langues
Será apresentada nesta tese a classificação de músicos profissionais brasileiros e a de pesquisadores em Música, de modo a demonstrar a diversidade de atuações possíveis a um especialista de música brasileira. Essa classificação é necessária, pois ao descrever os diversos perfis de músicos profissionais, aponta-se para um grupo mais heterogêneo, que possui um tempo considerável de imersão na música brasileira como compositor, arranjador, intérprete ou produtor.
Para compreender a profissão de músicos no Brasil, foram feitas consultas em relação às orientações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para a classificação de ocupações. Essa classificação aconteceu em 1977, resultante de um convênio firmado com a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base na Classificação Internacional Uniforme de Ocupações (CIUO) de 1968. A Classifica- ção Brasileira de Ocupações (CBO)149, disponibilizada à sociedade pelo MTE, é o documento que reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mer- cado de trabalho brasileiro. A nova versão – 2ª edição, publicada em 2002 – contém as
ocupações do mercado brasileiro, organizadas e descritas por famílias ocupacionais150. Cada família constitui um conjunto de ocupações similares, correspondente a um domínio de trabalho mais amplo que aquele da ocupação. Nessa edição, o método utilizado no processo de descrição das ocupações envolveu comitês de profissionais que atuam nas famílias, partindo-se da pre- missa de que a melhor descrição é aquela feita por quem exerce, efetivamente, cada ocupação.
Na CBO, as normas que regulamentam a profissão de músico são: a Lei nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960, que cria a ordem dos músicos do Brasil, dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de músico e dá outras providências; e a Portaria nº 3.346, de 30 de setembro de 1986, do Ministério do Trabalho, que dispõe sobre a fiscalização do trabalho de artistas e técnicos em espetáculos de diversões, além dos músicos. Nesta classificação, o músico encontra-se no grande grupo (GG) dos Profissionais das Ciências e das Artes (2), no qual o nível de competência151 é 4, correspondente à escolaridade (níveis de 1 a 4). As ocupações no mercado de trabalho, no campo da Música, estão organizadas nos subgrupos apresentados no Quadro 24.
150 Categoria sintética ou um constructo, isto é, criadas a partir de informação reais, mas não existe objetiva-mente. 151 A adequação do modelo da CIUO 88 à realidade brasileira infere que os níveis de competência mais elevados
pressupõem maior complexidade das atividades exercidas que do nível de escolaridade. A Clasificación Inter- nacional Uniforme de Ocupaciones (CIUO) é uma das principais classificações sob a responsabilidade da Or- ganização Internacional do Trabalho (OIT) e pertence à família internacional das classificações econômicas e sociais. Mais informações em http://www.ilo.org/public/spanish/bureau/stat/isco/.
Quadro 24: Famílias, ocupações e sinônimos das profissões de músico no Brasil 2 – Profissionais das Ciência e das Artes (GG)
26- Comunicadores, Artistas e Religiosos (SGP)
262- Profissionais de espetáculos e das Artes (SG)
2626- Músicos compositores, arranjadores, regentes e musicólogos (F) 262605- Compositor (O)
2626-05- Autor de música (S) 2626-05- Compositor de música (S) 262610- Músico Arranjador (O)
2626-10 – Orquestrador (S) 262615- Músico Regente (O)
2626-15- Auxiliar de maestro (S) 2626-15- Diretor regente de bateria (S) 2626-15- Diretor regente musical (S) 2626-15- Instrutor de banda (S) 2626-15- Instrutor de fanfarra (S) 2626-15- Maestro (S) 2626-15- Maestro correpetidor 2626-15- Maestro de banda 2626-15- Mestre de banda 2626-15- Mestre de bateria 2626-15- Regente assistente 2626-15- Regente de coral 2626-15- Regente de banda 2626-15- Regente de coral 2626-15- Regente de orquestra 2626-15- Regente interno 262620- Musicólogo 2626-20 – Historiador em música 2626-20- Pesquisador em música 2627- Músicos intérpretes
262705- Músico intérprete cantor
2627-05- Músico intérprete cantor erudito 2627-05- Músico intérprete cantor popular 262710- Músico intérprete instrumentista
2627-10- Músico intérprete instrumentista erudito 2627-10- Músico intérprete instrumentista popular Fonte: adaptado da tabela de profissões da CBO.
A CBO também fornece uma descrição resumida de cada subgrupo, 2626 e 2627, inclu- indo a formação, a experiência e as condições gerais do exercício da profissão do compositor, arranjador, regente, musicólogo e intérprete (cantor e instrumentista):
(i) Músicos compositores, arranjadores, regentes e musicólogos (2626)
Descrição Sumária: compõem e arranjam obras musicais, regem e dirigem grupos vocais, instrumentais ou eventos musicais. Estudam, pesquisam e ensinam música. Editoram partituras, elaboram textos e prestam consultoria na área musical.
Formação e Experiência: as ocupações da família requerem formação específica na área, seja ela formal (conservatórios, ensino superior, etc.) ou informal (estudo com
profissionais de renome, por exemplo). O exercício pleno das atividades requer ex- periência superior a cinco anos.
Condições Gerais de Exercício: trabalham com música popular e erudita em ativi- dades culturais e recreativas, em pesquisa e desenvolvimento, na edição, impressão e reprodução de gravações. É comum atuarem concomitantemente no ensino. A grande maioria dos profissionais trabalha por conta própria, exceção feita aos pou- cos empregados registrados, vinculados a corpos musicais estáveis, em geral, esta- duais ou municipais. O trabalho se desenvolve individualmente e em equipes, ge- ralmente em horários irregulares, com deslocamentos constantes para exercê-lo. Em algumas atividades, podem trabalhar sob condições especiais, por exemplo, em po- sições desconfortáveis por longo tempo, em ambientes confinados (poço da orques- tra no teatro), sob ruído intenso.
(ii) Músicos intérpretes (2627)
Descrição Sumária do Subgrupo: interpretam músicas por meio de instrumentos ou voz, em público ou em estúdios, desgravação e, para tanto, aperfeiçoam e atualizam as qualidades técnicas de execução e interpretação, pesquisam e criam propostas no campo musical.
Formação e Experiência: o processo de formação dos músicos e intérpretes é bas- tante heterogêneo, podendo ocorrer em conservatórios musicais, junto a professores especialistas ou em cursos de nível superior em música, de forma isolada ou cumu- lativamente. Há, também, profissionais autodidatas, alguns dos quais se especiali- zam no exercício das suas atividades no mercado de trabalho.
Condições Gerais de Exercício: dedicam-se à música erudita e popular e costumam exercer suas atividades organizando-se em grupos sob formato de duos, trios, quar- tetos, bandas, coros, orquestras e também individualmente, em carreiras solo. Po- dem combinar essas duas modalidades ou se especializar em uma delas. A maioria trabalha como autônomo para empresas e instituições diversas, públicas ou priva- das, apresentando seu trabalho nos mais variados ambientes e para os mais diversos públicos; apenas uma pequena parcela é empregada, geralmente em corpos musi- cais estáveis, vinculados à esfera pública estadual e municipal ou a universidades. Seus horários de trabalho costumam ser irregulares e, em algumas das suas ativida- des, alguns profissionais podem permanecer em posições desconfortáveis por lon- gos períodos, trabalhar sob pressão e ruído intenso.
Outros profissionais – como o crítico de música, o letrista (2615-15) e o professor de Música no Ensino Superior (2349-15 – estão enquadrados em outras grandes áreas. Embora o GG (2) a qual pertencem todas as ocupações de músico, mencionadas no Quadro 1, agregue os empregos que compõem as profissões científicas e das artes de nível superior, de acordo com o CBO, é possível perceber que há a heterogeneidade na formação. É possível a atuação profis- sional sem a necessidade de certificados de cursos técnicos ou superiores (autodidatismo).
A este respeito, de acordo com a Lei nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960, que cria a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e dispõe sobre a regulamentação do exercício da profis- são de músico, é livre o exercício da profissão, em todo o território nacional, se observados os requisitos da capacidade técnica e de demais condições estabelecidas no art. 28: (i) diplomados pela Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil ou por estabelecimentos equiparados ou reconhecidos; (ii) pelo Conservatório Nacional de Canto Orfeônico ou outros conservató- rios, escolas ou institutos estrangeiros de ensino superior de música, legalmente reconhecidos (com revalidação de diploma no país); (iii) professores catedráticos e aos maestros de renome internacional que dirijam ou tenham dirigido orquestras ou coros oficiais; (iv) alunos dos dois últimos anos dos cursos de composição, regência ou de qualquer instrumento da Escola Nacio- nal de Música, ou outros estabelecimentos reconhecidos; (v) músicos de qualquer gênero ou especialidade; (vi) músicos que foram aprovados em exame prestado perante a Banca Exami- nadora, constituída de três especialistas, no mínimo, indicados pela Ordem e pelos sindicatos de músicos do local, e nomeados pela autoridade competente do Ministério do Trabalho e Pre- vidência Social153.
Tomando também a literatura como respaldo na escolha dos entrevistados especialistas, a pesquisa da Fundação A. W. Mellon – Centro para Estudos em Educação Superior (CSHE), na Universidade de Califórnia, na cidade de Berkeley (UC Berkeley) – realizada em 2007, trouxe alguns insights a respeito do tipo de informação musical que os profissionais das dife- rentes subáreas da Música utilizam para atuar em suas respectivas áreas. Nesta pesquisa, a li- mitação dos materiais musicais foram aqueles relacionados diretamente com a música, exclu- indo outros materiais como literatura, fotografia, libreto, entre outros.
Harley et al. (2010) concluíram em seus estudos que a natureza da disciplina Música é multifacetada, porque abrange o trabalho acadêmico e é aplicada nas artes e ciências humanas. Em linhas gerais, o estudo acadêmico da Música diz respeito à história, aos contextos culturais e à interpretação de música. Os subcampos acadêmicos da área incluem a Musicologia (a
história de tradições musicais ocidentais), a Teoria Musical (os símbolos e o seu funciona- mento), a Etnomusicologia (seu contexto sociocultural) e os estudos mais interdisciplinares, como a Psicologia e a Cognição Musicais, a Filosofia da Música, os Estudos em Música Popu- lar, os Estudos Culturais e a Educação Musical.
As áreas aplicadas em Música dizem respeito às competências em Composição, em Per-
formance (instrumental ou vocal) ou em Regência. Essa divisão em músicos acadêmicos e apli-
cados não estão está muito clara e é confundida por muitos estudiosos nas instituições acadê- micas. Além desses dois subcampos, nos últimos 30 anos desenvolveu-se a área interdisciplinar de pesquisa em Música assistida por computador. Os estudiosos dessa área investigaram as possibilidades de criação de música digital (por exemplo, composição assistida por computador, novos modelos de interatividade ou difusão de músicos e novos instrumentos, bem como a acústica, a percepção, a cognição, a análise e a síntese do som.
O que chamou a atenção neste estudo é que os acadêmicos enfatizam a necessidade de materiais bibliográficos, incluindo principalmente materiais musicais manuscritos e os que são aplicados, buscam as gravações, as partituras, as composições e os arranjos. Nota-se que, entre os especialistas em Música, há diferentes objetos informacionais de interesse nas subáreas. Desta maneira, optou-se pelos músicos aplicados, uma vez que o foco desta pesquisa recai nos recursos materiais que representam a música diretamente e não naqueles literários sobre a mú- sica. Além disso, uma vez que a ocupação de músicos intérpretes se divide em erudito e popular, considerou-se que seria mais coerente a escolha por músicos populares, uma vez que os eruditos podem não atuar tão diretamente na música brasileira, alguns inclusive poderiam ter uma ênfase insignificante nela quanto à sua formação e experiência. Assumiu-se que os músicos populares possibilitariam uma visão mais ampla de gêneros e estilos brasileiros.
Ao considerar que o objeto de estudo desta tese – a música brasileira, divulgada quase que exclusivamente em gravações – enfatiza que os especialistas que têm maior domínio de diversos aspectos da informação musical são aqueles que possuem atuação profissional, a es- colha dos participantes, a partir do vínculo com a Escola de Música de Brasília (CEP-EMB), se deu pelos seguintes motivos: é uma escola representativa no ensino e na divulgação de música brasileira há mais de 20 anos e seus professores e alunos possuem a imersão em da prática dessa música.
Para esta tese, a escolha dos participantes considerou a proposta de conjuntos sonoros, pois uma seleção aleatória poderia incluir aspectos distintos, de variadas músicas brasileiras, se os participantes fossem parte de conjuntos sonoros diferentes. Tais conjuntos são definidos pelo
etnomusicólogo John Blacking como o grupo de pessoas que compartilham uma linguagem musical comum, com conceitos sobre música e seus usos, sendo que podem transcender grupos que falam o mesmo idioma e classes sociais. Pressupõem dois modos de discurso que, dialeti- camente, revelam como as pessoas pensam sobre música: um verbal, incluindo falas de pessoas que tocam, escutam e compartilham músicas, inclusive de pesquisadores e acadêmicos; e um modo não verbal, de prática musical enquanto um processo de conhecimento (BLACKING, 1995).
A amostra de respondentes foi obtida por meio de uma combinação de conveniência e amostragem “bola de neve”. Essa amostragem por conveniência é tipicamente usada em pes- quisa exploratória, e foi empregada desde o início do estudo, como o nome indica, porque é conveniente para o pesquisador. Amostragem “bola de neve” é frequentemente usada quando é difícil ou não há recurso para selecionar os entrevistados de forma mais aleatória. Essa amos- tragem se baseia em referências dos participantes iniciais para gerar novos informantes, e de- monstra ser eficaz na obtenção de acesso às populações de elite. Entendeu-se que as condições estavam vinculadas à atuação profissional atual dos entrevistados aliada à prática da música brasileira. Também em virtude do desempenho de funções, neste cenário musical, possibilitaria o levantamento das demandas informacionais, de maneira a emergir os insumos para esta tese. Dessa maneira, a amostragem bola de neve se mostrou eficaz, uma vez que os contatos iniciais foram com pessoas conhecidas da pesquisadora, a qual selecionou especialistas que, embora não sejam requisitados para atuar profissionalmente em variados gêneros de música brasileira, respondem de maneira uniforme a uma visão dessa música. Este aspecto foi perce- bido nas respostas às questões do roteiro, em que lhes foi solicitada a descrição das músicas que interpretam
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gravações de performance em fonogramas (em mídias física ou digital).De acordo com Vinuto (2014), o tipo de amostragem não probabilística não é encarado com seriedade “por se situar numa linha tênue entre os critérios de uma pesquisa que se preo- cupa com a representatividade do objeto e as técnicas de amostragem mais heterodoxas da pes- quisa qualitativa” (ibidem, p. 202). Para a autora, a amostragem nomeada como do tipo “bola de neve” utiliza cadeias de referência, ou seja, a amostragem não é determinada pela probabili- dade de seleção de cada participante para a pesquisa. A vantagem é que a amostragem é útil para estudar determinados grupos difíceis de serem acessados. O método da amostragem orienta a seleção do universo da seguinte maneira:
Para o pontapé inicial, lança-se mão de documentos e/ou informantes-chaves, nome- ados como sementes, a fim de localizar algumas pessoas com o perfil necessário para a pesquisa, dentro da população geral. Isso acontece porque uma amostra
probabilística inicial é impossível ou impraticável, e assim as sementes ajudam o pes- quisador a iniciar seus contatos e a tatear o grupo a ser pesquisado. Em seguida, soli- cita-se que as pessoas indicadas pelas sementes indiquem novos contatos com as ca- racterísticas desejadas, a partir de sua própria rede pessoal, e assim sucessivamente e, dessa forma, o quadro de amostragem pode crescer a cada entrevista, caso seja do interesse do pesquisador. Eventualmente o quadro de amostragem torna-se saturado, ou seja, não há novos nomes oferecidos ou os nomes encontrados não trazem infor- mações novas ao quadro de análise (VINUTO, 2014, p. 203).
No primeiro momento, foram escolhidos dez participantes “sementes” e, a partir das indicações dos primeiros contatos, foram enviados convites para outros participantes. Destes, doze aceitaram o convite e foram feitos os contatos com outros músicos com representatividade relevante no cenário local, nacional e até internacional.