Chapitre 4. L A QUESTION DE LA MOTIVATION
5.1. L’activité de conception en général : point de vue des sciences cognitivessciences cognitives
5.1.1. Définition de la notion de conception
A semelhança em termos do comportamento dos indivíduos com dois e três fi lhos, identifi cada na Figura 4.5 4.5b e Figura 4.5d através da proporção cumulativa de nascimentos, contrasta, contudo, com o número efetivo de indivíduos que transitaram do segundo para o terceiro fi lho. Somente 16 % de homens e mulheres transitaram do segundo fi lho para o terceiro (Figura 4.6). Porém, e como referido na secção introdutória deste capítulo, esta tendência
26. Possivelmente porque
se casaram sem terem previamente coabitado, pois muitos respondentes casados não experienciaram a coabitação.
é transversal à maioria dos países europeus, observando -se, nomeadamente, naqueles que apresentam um número médio de fi lhos por mulher inferior a 1,5 (Mills e Balbo, 2011; Frejka, 2010; Kohler et al., 2005; Berinde, 1999).
Com o acentuar da tendência de um número médio de fi lhos que fi ca essencialmente pelo primeiro nascimento (Tomé, 2015; Sobotka e Beaujouan, 2014), em que uma reduzida proporção transita para o segundo fi lho, importa compreender quais os determinantes na transição para o terceiro. No con- texto desta transição, e considerando a abordagem metodológica utilizada nas anteriores análises, a obtenção da idade mediana em função de cada uma das variáveis em estudo e para cada uma das suas categorias é condicionada pelo reduzido número de observações. Ainda assim, recordemos que a idade média de homens e mulheres com dois fi lhos que transitaram para o terceiro é de, aproximadamente, 35 e 32 anos, respetivamente (Tabela 4.6).
Na Figura 4.26 apresentam -se as curvas K -M relativas a quatro caracte- rísticas principais do indivíduo, a saber, o sexo, a naturalidade, a geração e o nível de instrução do próprio.
• Dos indivíduos com dois fi lhos e que transitaram para o terceiro, apesar da probabilidade de transição das mulheres ser maior que a dos homens, estas diferenças não são signifi cativas. O período de maior risco de tran- sitar ocorre a partir dos 27 anos (Figura 4.26a).
• No caso da naturalidade (Figura 4.26b), observa -se um comportamento semelhante para os indivíduos portugueses e para os restantes até aos 32/33 anos, sendo que após estas idades o risco de transitar para o terceiro fi lho parece ser maior para os indivíduos nascidos fora de Portugal. Contudo, a diferença entre as duas curvas K -M não é estatisticamente signifi cativa. • Numa perspetiva estritamente demográfi ca, a questão da geração de pertença é fundamental, procurando -se, por isso, identifi car diferenças de comportamento entre indivíduos nascidos antes e depois da Revolução de abril de 1974. No entanto, verifi ca -se que na transição para o terceiro fi lho não existem efetivamente diferenças entre gerações (Figura 4.26c). • Relativamente à variável nível de instrução (Figura 4.25.d), observa -se que, uma vez mais, são aqueles que apresentam níveis de escolaridade mais baixos os que mais cedo transitam para o terceiro fi lho. Observa -se também que as duas curvas K -M para os ensinos secundário e superior são muito próximas.
Figura 4.26 Curvas de Kaplan -Meier para as variáveis: sexo (a), naturalidade (b), geração (c) e nível de instrução do próprio (d).
15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada Homens Mulheres Pós 25 de abril Pré 25 de abril (a) (b) (c) (d) Outra Portuguesa Ens. superior Ens. secundário Ens. básico
A tomada de decisão da transição para o terceiro fi lho, assim como para as anteriores transições, pode ser condicionada pelo agregado familiar de origem, em que características como o nível de instrução do pai ou da mãe, o número de irmãos e a existência ou não de separação dos pais são fatores importantes. Assim, na Figura 4.27 é possível analisar a transição para o ter- ceiro fi lho, de acordo com estas variáveis.
• Relativamente à infl uência do nível de instrução do pai e da mãe (Figura 4.27a e Figura 4.27b), não se registam diferenças signifi cativas entre os três níveis de instrução.
• A dimensão do agregado parental de origem, nomeadamente, o número de irmãos que cada indivíduo tem, pode aumentar ou diminuir as pro- babilidades de este desejar ter uma família de maior dimensão. A Figura 4.27c refl ete de certa forma a tendência observada nas anteriores tran- sições (Figura 4.8c e Figura 4.18c), em que são aqueles com dois ou mais irmãos que mais cedo transitam para o fi lho seguinte, neste caso, para o terceiro fi lho.
• Ainda no âmbito da influência do agregado parental de origem, em função do facto de os pais se terem ou não separado (Figura 4.27d),
os comportamentos são semelhantes, e as diferenças observadas, nomea- damente, um maior risco de transição a partir dos 30 anos no caso em que os pais não se separaram, não são estatisticamente signifi cativas.
Figura 4.27 Curvas de Kaplan -Meier para as variáveis: nível de instrução do pai (a), nível de instrução da mãe (b), número de irmãos (c) e existência de separação dos pais (d)
15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada Ens. secundário Ens. básico Ens. superior 2 ou mais irmãos Até 1 irmão Ens. secundário Ens. básico Ens. superior
Nunca viveram juntos Sim, separaram-se Não, não se separaram
Outra
(a) (b)
(c) (d)
O adiamento do início da coabitação/casamento é condicionado, à par- tida, pelo adiamento da saída de casa dos pais, que infl uencia posteriormente a idade em que os pais transitam também para as paridades seguintes, quando o decidem fazer. No entanto, também a idade ao primeiro emprego poderá infl uenciar as referidas transições, uma vez que os jovens casais só mais tar- diamente atingem a estabilidade económica e profi ssional (Billari e Kohler, 2002; Bettio e Villa, 1998). Na Figura 4.28 é possível analisar a forma como os indivíduos transitam para o terceiro fi lho, de acordo com a idade com que estes deixaram o agregado parental de origem, a idade à primeira coabitação, o estado civil e a idade ao primeiro emprego.
• Os indivíduos que viviam ainda com o agregado parental de origem aquando do nascimento do primeiro fi lho são os que mais cedo transi- taram para o terceiro fi lho. Já os indivíduos que mais tarde deixaram o seu agregado de origem apresentam o menor risco de transitar para o
terceiro fi lho, sendo apenas depois dos 35 anos que esse risco se torna mais relevante. Numa situação intermédia encontram -se os indivíduos que deixaram o agregado de origem antes dos 25 anos (Figura 4.28a). • Por analogia, a idade à primeira coabitação (Figura 4.28b) apresenta comportamentos em tudo semelhantes aos observados na variável ante- rior, em que são aqueles que não coabitam ou não coabitavam antes do nascimento do primeiro fi lho que mais cedo transitam para o terceiro nascimento. São, por sua vez, os que experienciaram a primeira coa- bitação depois dos 25 anos os que têm menor risco de transitar para o terceiro fi lho. Por exemplo, observa -se que, para uma pessoa de 35 anos, a probabilidade de ter transitado para o 3.º fi lho é um pouco menos de 50 % caso não tenha coabitado antes do nascimento do primeiro, cerca de 20 % caso o tenha feito até aos 24 anos e apenas de 5 % no caso de ter coabitado com 25 ou mais anos.
• Na transição para o terceiro fi lho, relativamente ao estado civil (Figura 4.28c), podemos identifi car comportamentos análogos entre divorciados e solteiros, com probabilidades de transição muito próximas. Por outro lado, os casados são os que mais tarde fazem a transição para o terceiro fi lho. • Os indivíduos que começaram a trabalhar depois dos 18 anos (Figura 4.28d) são os que mais tarde transitam para o terceiro fi lho, comparati- vamente com os que começaram a trabalhar antes, o que aliás se tinha observado na transição para a parentalidade (Figura 4.9d) e para o segundo fi lho (Figura 4.19d). São os que aquando do nascimento do seu primeiro fi lho não trabalhavam que mais cedo transitam para os segundo e terceiro fi lhos, apresentando nesta última transição um risco maior até aos 35 anos.
Figura 4.28 Curvas de Kaplan -Meier para as variáveis: idade a que deixou de residir com o agregado parental de origem (a), idade a que coabitou pela primeira vez (b), estado civil (c) e idade ao primeiro emprego (d).
(a) (b) (c) (d) 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada
Até aos 24 anos 25 ou + anos Não deixou o agregado Até aos 24 anos 25 ou + anos Não deixou o agregado
Solteiro Viúvo Casado Divorciado
Até aos 24 anos 25 ou + anos Não coabitava
Até aos 18 anos 19 ou + anos Não trabalhava
A possibilidade de conciliação materna e paterna entre trabalho e família e a opinião sobre a presença de ambos os pais até à idade escolar dos fi lhos podem ser igualmente fatores importantes da transição para o terceiro fi lho. A Figura 4.29 apresenta as curvas K -M relativas à opinião dos indivíduos sobre a conciliação materna e paterna entre trabalho e família e a opinião sobre a importância da presença materna e paterna junto dos fi lhos até à idade escolar. • Relativamente à perceção da conciliação materna e paterna (Figura 4.29a e Figura 4.29b) não se identifi cam diferenças signifi cativas na transição para o terceiro fi lho.
• Também não se registam diferenças signifi cativas entre os indivíduos que concordam ou discordam de que é prejudicial para uma criança em/até à idade escolar que a mãe trabalhe fora de casa (Figura 4.29c) e os que con- cordam ou discordam de que é prejudicial que o pai trabalhe fora de casa.
Figura 4.29 Curvas de Kaplan -Meier para as variáveis: conciliação materna (a) e paterna em termos de trabalho e família (b) e a presença materna (c) e presença paterna (d).
(a) (b) (c) (d) 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada Não trabalhar Trabalhar Concorda Discorda
Não trabalhar e/ou trabalhar parcialmente ou a partir de casa
Trabalhar a tempo inteiro fora de casa
Concorda Discorda
Sobotka e Beaujouan (2014) identifi caram que, na sua maioria, os jovens casais europeus, embora desejem ter pelo menos dois fi lhos, nas últimas déca- das apresentam uma forte tendência para permanecerem apenas com um fi lho único. Também a perceção dos indivíduos relativamente às questões relacionadas com a importância que cada qual atribui à constituição de uma família, tal como o facto de o nascimento de um fi lho ser considerado uma forma de realização pessoal, é destacada por Billari e Wilson (2001) como um fator importante nas transições entre as várias paridades.
A Figura 4.30 apresenta as curvas de transição para o terceiro fi lho, con- siderando a fecundidade desejada dos indivíduos, o número ideal de fi lhos numa família, qualquer que ela seja (não necessariamente a do indivíduo), a importância da família e a realização pessoal através da parentalidade.
• Os indivíduos que desejam um número de fi lhos maior que dois (Figura 4.30a), bem como aqueles que consideram que para uma família o número ideal de fi lhos é também superior a dois (Figura 4.30b) são os que mais cedo transitam para o terceiro fi lho, apresentando em ambos os casos um risco maior depois dos 28 anos.
• Relativamente às questões relacionadas com a importância da família (Figura 4.30c), não se identifi cam diferenças signifi cativas na transição para o terceiro fi lho. Não existem, assim, diferenças entre os que con- cordam e os que discordam de que uma criança precisa de viver com o pai e a mãe para crescer equilibrada.
• Também não se registam diferenças signifi cativas entre aqueles que concordam e aqueles que discordam de que um homem ou uma mulher precisam de um fi lho para se sentirem realizados, apesar de grafi camente parecer que os que concordam têm um risco ligeiramente maior, nomea- damente depois dos 27/28 anos (Figura 4.30d).
Figura 4.30 Curvas de Kaplan -Meier para as variáveis: fecundidade desejada (a), número ideal de fi lhos numa família (b), importância da família (c) e realização pessoal (d).
(a) (b) (c) (d) 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 15 20 25 30 35 40 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada + de 2 filhos Até 2 máx. Concorda Discorda Alguma discordância Concordância plena + de 2 filhos Até 2 máx.
Finalmente, e ainda no contexto dos valores individuais e sociais rela- cionados com o adiamento da entrada na parentalidade e paridades seguintes, a Figura 4.31 apresenta -nos a transição para o terceiro fi lho, considerando as variáveis que relatam a perceção relativamente à autonomia feminina, ao adia- mento da fecundidade por parte das mulheres e à compensação.
• Não se registam diferenças signifi cativas entre os indivíduos que dis- cordam e os que não discordam da importância da capacidade de uma
mulher conciliar vida profi ssional e vida familiar de forma equilibrada, bem como da sua aptidão em criar um fi lho sozinha (Figura 4.31a). • Relativamente às questões do adiamento da entrada na parentalidade, avaliado quer através do desejo por uma vida profi ssional bem -sucedida, quer pelas implicações do adiamento em si, observam -se diferenças signifi - cativas, contrariamente ao que acontecia nas anteriores transições (Figura 4.31b). São efetivamente aqueles que apresentam alguma discordância em relação a estas questões que mais cedo transitam para o terceiro fi lho. • Por fi m, e no que às questões da compensação diz respeito, verifi ca -se que são aqueles que discordam de que é preferível ter apenas um fi lho com mais oportunidades e menos restrições do que ter mais fi lhos que têm um maior risco de transitar para o terceiro fi lho, mas as diferenças são apenas signifi cativas a partir dos 30 anos (Figura 4.31c).
Figura 4.31 Curvas de Kaplan -Meier para as variáveis: autonomia feminina (a), adiamento (b) e compensação (c). 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada (a) Alguma discordância Concordância plena 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada Alguma discordância Concordância plena 15 20 25 30 35 40 0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 Idade (anos) S(t) estimada Concorda Discorda (b) (c)
Também para o caso da transição para o terceiro fi lho, começámos por ajus- tar um modelo de Cox cujos coefi cientes, bem como os respetivos desvios -padrão estimados e valores p associados, são apresentados na Tabela C.15 (Anexo C).
Uma vez mais, e à semelhança do que aconteceu nas transições anteriores, também nesta transição, para algumas das variáveis consideradas, não se verifi cou o pressuposto dos riscos proporcionais. Considerando as mesmas variáveis do modelo de Cox, ajustou -se o modelo aditivo de Aalen (Tabela C.16 do Anexo C). O efeito de cada variável foi novamente analisado com base na representação gráfi ca das estimativas acumuladas e respetivos intervalos de confi ança a 95 %. • O facto de se terem dois ou mais irmãos aumenta o risco de transição para o terceiro fi lho até aos 30 anos (mais acentuado a partir dos 25 anos), sendo a partir dessa idade a diferença dos riscos acumulados aproxima- damente constante (Figura 4.32a).
• Para os indivíduos que discordam parcialmente das questões do adiamento, o risco de transição é maior entre os 25 e os 32/33 anos (Figura 4.32b). • Os indivíduos que discordam de que é preferível ter apenas um fi lho com mais oportunidades e menos restrições do que ter mais fi lhos têm um maior risco de transitar para o terceiro fi lho, mas apenas entre os 30 e os 38 anos (Figura 4.32c).
Figura 4.32 Função de regressão acumulada e respetivos intervalos de confi ança a 95 % para indivíduos com dois ou mais irmãos vs. indivíduos com no máximo um irmão (a); para aqueles que discordam parcialmente das questões do adiamento vs. os que concordam plenamente (b); para os que discordam de que é preferível ter apenas um fi lho com mais oportunidades e menos restrições do que ter menos fi lhos vs. os que concordam (c).
(a) (b) (c) 0.0 0.1 0.2 Número de Irmãos (2 ou mais) Adiamento Alguma Concordância Compensação Discorda 0.2 0.1 0.0 0.3 -0.1 0.0 0.1 0.2 20 25 30 35 40 Idade (anos) 20 25 30 35 40 Idade (anos) 20 25 30 35 40 Idade (anos)
• Quem deseja ter mais de dois fi lhos tem maior risco de transição, sendo a diferença signifi cativa depois dos 30 anos (Figura 4.33a).
• Por outro lado, aqueles que não coabitavam ao nascimento do primeiro fi lho27 apresentam um maior risco em transitarem para o terceiro fi lho do que os que coabitaram com 25 ou mais anos, parecendo esse risco acentuar -se próximo dos 35 anos (Figura 4.33b).
• Os indivíduos que coabitaram antes dos 25 anos têm um maior risco de transição entre os 25 e os 35 anos, sendo a partir dessa idade a diferença dos riscos acumulados, entre estes e os que coabitaram com 25 ou mais anos, aproximadamente constante (Figura 4.33c).
27. Provavelmente, o facto
de não ter coabitado pode indiciar que é solteiro ou que se tenha casado sem coabitar.
Figura 4.33 Função de regressão acumulada e respetivos intervalos de confi ança a 95 % para indivíduos que desejam ter mais de dois fi lhos vs. indivíduos que desejam ter no máximo dois (a); para aqueles que nunca coabitaram vs. aqueles que coabitaram pela primeira vez depois dos 25 (b); para aqueles que coabitaram pela primeira vez antes dos 25 vs. aqueles que coabitaram pela primeira vez depois dos 25 (c).
(a) (b) (c) 0.0 0.1 0.4 0.3 0.2 Fecundidade Desejada (+2 filhso)
Idade à 1.ª Coabitação (não coabitava) Idade à 1.ª Coabitação
(até 24 anos) 20 25 30 35 40 Idade (anos) 1.5 0.2 0.1 0.0 0.0 0.5 1.0 20 25 30 35 40 Idade (anos) 20 25 30 35 40 Idade (anos)
Considerou -se também nesta transição o ajustamento de modelos para- métricos, mas os ajustamentos ainda apresentaram resultados menos aceitáveis do que os obtidos para as transições anteriores, pelo que optámos por não apresentar os resultados de qualquer modelo.
Em síntese, são fatores potenciadores na transição para o terceiro fi lho: • O desejar ter mais de dois fi lhos;
• O ter dois ou mais irmãos;
• O nunca ter coabitado ou tê -lo feito antes dos 25 anos;
• O discordar das questões relativas ao adiamento e à compensação.
4.4. A transição para os que adiaram até aos 40 e mais anos
Nas anteriores análises, procurou -se encontrar os fatores determinantes nas diferentes transições para os indivíduos entre os 18 e os 39 anos, conside- rando ainda, numa primeira abordagem, as mulheres grávidas no ano de 2013. Na presente secção procura -se dar resposta à caracterização dos indivíduos que transitaram para as diferentes paridades depois dos 40 anos (primeiro, segundo e terceiro fi lhos).
Sendo que o número de nascimentos depois dos 40 anos é reduzido em Portugal e que 80 % dizem respeito ao nascimento do primeiro fi lho, enquanto os restantes 20 % correspondem aos segundos e terceiros nascimentos, a presente análise foca -se, por essa razão, na transição para o primeiro e segundo fi lhos.
A análise apresentada nesta secção é diferente das anteriores, assentando essencialmente numa análise descritiva recorrendo a gráfi cos do tipo mosaico, a partir dos quais serão caracterizadas as proporções de indivíduos em função de diferentes características sociodemográfi cas.