2.2. Etude de classifications de jeux
2.2.1. Classifications de jeux dits « traditionnels »
Utilizando o livro de Inês Gil, “A Atmosfera no cinema – O caso de A Sombra do Caçador de Charles Laughton. Entre o Onirismo e o Realismo”, como guia para as definição de atmosfera e suas implicações no cinema, podemos dizer que a noção de atmosfera está associada a uma visão romântica do espaço, como se este carregasse um peso através do prolongamento da alma das coisas do Mundo, pondo em causa a relação do Homem com esse Mundo. Uma atmosfera num filme é quase um estado de alma, ela está relacionada com as macro-percepções, que podem ser criadas ou controladas através da luz, cenário ou relação entre o corpo dos actores. A este tipo de atmosfera, podemos chamar atmosfera concreta. Por sua vez a atmosfera abstracta define-se por ser invisível mas percebida pelo espectador. Devido a estas características que apontamos, a vivência da atmosfera é diferente de pessoa para pessoa, o que torna a sua natureza subjectiva. De forma breve podemos dizer que a atmosfera geral de um filme é a “impressão” que se mede através das forças afectivas e estéticas que o espectador retém no fim do filme. Por isso a experiência da atmosfera reside na memória pessoal do espectador, sendo subjectiva e ambígua. O princípio fundamental para a análise da atmosfera fílmica é: a representação visual, que corresponde à atmosfera visual de um filme; os elementos sonoros, que correspondem à sua atmosfera sonora, o espaço dramático da representação, que corresponde à sua atmosfera dramática; e o espaço plástico que corresponde à sua atmosfera plástica. A atmosfera tem uma natureza fugidia e obriga a respeitar a sua flexibilidade
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Grilo, João Mário, As Lições do Cinema. Manual de Filmologia, Edições Colibri /Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 2007. p115.
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Grilo, João Mário, As Lições do Cinema. Manual de Filmologia, Edições Colibri /Faculdade de Ciências Sociais e
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no método de a classificar quer na diversidade quer na relatividade. Segundo Inês Gil, a atmosfera tem sete propriedades principais que a definem na sua diversidade e relatividade.6A atmosfera é sempre um meio envolvente e por isso múltiplo. Tem densidades diferentes que podem alterar a sua consistência, podendo ir da rarefacção até à maior das densidades. Tem viscosidade, por isso contamina. Essa capacidade de contaminação que tem a viscosidade de uma atmosfera verifica-se quando o espectador de cinema fica afectado com o que vê. A atmosfera é dinâmica, mudando muito rapidamente, estando por isso dependente das contracções ou relaxamento das tensões. É muda pois vai para além do dizível, é um inconsciente não verbalizado, apresentando o conhecimento e o reconhecimento do não-dito, mas sentido, exprimindo por isso o aparentemente inexprimível que de outra forma seria impossível. É sempre exterior mesmo quando a sua origem é interior. E finalmente, é imanente porque o espaço interior é projectado para o espaço exterior, sugerindo sempre qualquer coisa mas que nunca é a coisa em si, aproximando-se de um ponto em particular mas nunca o atingindo, pois está em constante devir, a transformar-se e a deslocar-se. Outras das características menos importantes também são também a intensidade e o volume. Devido a estas variáveis a noção de atmosfera é algo difícil de definir claramente, mas convém tentar clarificar qual a sua função no contexto cinematográfico. A atmosfera levanta uma problemática que se prende com a problemática da relação entre percepção e consciência. Ela é a consciencialização de um espaço que lhe proporciona qualidades específicas. Pode dizer-se que quanto à sua natureza existem dois tipos de atmosfera. Uma tangível e a outra abstracta. A primeira materializa-se e está relacionada com o real, enquanto a segunda é invisível e irreal. No caso do segundo tipo de atmosfera torna-se mais difícil de descrever, mas na sua presença ela torna-se para nós inconfundível.
Podemos dizer que qualquer filme, ao definir uma perspectiva ou ponto de vista, tem uma atmosfera, estabelecendo o “tom” da representação que a caracteriza, conferindo-lhe propriedades, qualidades e intensidades. De forma mais directa pode-se estabelecer esse ponto de vista, ou se quisermos, dar uma determinada visibilidade, através da direcção de actores, do trabalho de luz e som, ou mais subtilmente, utilizando o fora de campo, a profundidade de campo ou o jogo com o enquadramento/desenquadramento escolhido. Geralmente a atmosfera cinematográfica contém aquela que é intrínseca ao filme e a que se estabelece entre o espectador e a representação projectada. A atmosfera pode ser o elemento de ligação entre a origem física do dispositivo cinematográfico com o psicológico do espectador que assiste ao filme. O espectador de cinema percebe a atmosfera de um filme, onde uma cena, segundo critérios pessoais, se irá projectar no ecrã
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Gil, Inês, A Atmosfera no cinema – O caso de A Sombra do Caçador de Charles Laughton. Entre o Onirismo e o
realismo, Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas, Fundação Calouste Gulbenkian para a Fundação para a
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durante a sessão. Por isso pode afirmar-se que a atmosfera no cinema se divide em duas categorias principais: atmosfera espectatorial e atmosfera fílmica. A atmosfera espectatorial existe entre o espectador e o filme a partir da crença ou reconhecimento do que é representado na tela, pondo em causa os processos de identificação, distanciamento ou outros. Por sua vez a atmosfera fílmica está relacionada com os elementos visuais e sonoros e pela relação entre eles. Ao fim ao cabo a atmosfera fílmica é uma condição primária do cinema pois consiste na relação que existe entre as imagens projectadas e o espectador, entre corpo e imagem, enquanto a atmosfera espectatorial é subjectiva pois o mesmo filme que nos faz encolher de medo, a outros pode fazer rir por o acharem ridículo.