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CONTRE LE SIDA

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126 Aqui, temos uma mulher amarrada ao que parece ser uma mesa de um restaurante sofisticado. Índice dado pela disposição do prato e talheres, perfeitamente arrumados diante dela, além da taça de vinho branco e do encosto dourado e rebuscado da cadeira. O vestido preto que ela usa combinado com o colar e com o penteado mostram tratar-se de um jantar especial. Supõem-se pela imagem e por todos os índices que veremos a seguir que o prato solicitado contém justamente o foie gras. Veio, então, a condenação: ela está sendo violentamente induzida a engolir ração através de um funil, como se alguém a interrogasse: “Você sabe como fazem a comida que pediu? Não? Então, veja!” O algoz é um garçom.A cena é bem indicial e demonstra de que maneira esta iguaria francesa é fabricada. O sangue na boca da modelo e seu olhar assustado reforçam a imposição. O anúncio tem o texto verbal que explica o procedimento e objetivo do anúncio:

Foie gras is made by force-feeding terrified ducks until their livers become painfully diseased and engorged. Please call 311 to urge your alderman to keep this cruel product banned in Chicago. (O foie gras é feito com alimentação forçada de gansos aterrorizados até o fígado ficar dolorosamente doente e empanturrado. Por favor, ligue para 311 e peça para seu vereador manter este produto cruel proibido em Chicago.)

O foie gras é um inimigo antigo dos protetores dos animais, em especial do PETA. Para banir o produto, eles alegam, sobretudo, os maus-tratos aos gansos criados para o abate. Abaixo, texto publicado na Folha Online, em 14/05/2009, sob o título “Caviar, foie gras e palmito integram cardápio „ecologicamente controverso‟ ”.

A prática de forçar a alimentação de patos e gansos para extrair seu fígado gordo remonta à época dos romanos. Em pequenas propriedades da França, a ave passa seus últimos dias confinada e recebe uma alimentação semilíquida através de um cano de metal.

No Brasil, a “gavage”, como esse método é conhecido, não é adotada. Em vez disso, os patos que fornecem o fígado gordo são presos em galpões com iluminação artificial nas duas últimas semanas de vida, com alimentos energéticos à disposição. “Os animais entendem que, por ser dia, é hora de comer”, afirma Martha Autran, professora de gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi. Sem espaço para se exercitar, engordam e acumulam gordura no fígado - que cresce até dez vezes em comparação ao tamanho normal.

Para o veterinário Enrico Lippi Ortolani, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, algumas espécies animais toleram melhor do que outras o acúmulo de gordura no fígado. “O pato não desenvolve insuficiência hepática. Já o homem poderia morrer”, afirma.

Segundo Marcondes Moser, sócio da Villa Germania, produtora de Indaial (SC), a gordura que se acumula no fígado da ave diminui quando a alimentação é reduzida. “O fígado volta ao normal. Se estivesse doente, não teria esse retorno nem o pato chegaria vivo ao abate. Isso é fiscalizado pelo SIF [Serviço de Inspeção Federal]”, diz.

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Para a WSPA (World Society for the Protection of Animals, Sociedade Mundial de Proteção Animal, em inglês), os efeitos físicos nas aves são incontestáveis e há fortes evidências de que esse procedimento causa sofrimento aos animais. “Se o fígado não funciona corretamente, todas as toxinas fluem pelo sangue, prejudicando a função de vários órgãos e causando estresse e sofrimento. A respiração torna-se difícil devido à pressão do fígado contra outros órgãos”, dizem os representantes da entidade.

Todas as características citadas acima são aspectos singulares indicativos. Elas estão dentro de um contexto, no caso o que deveria ser uma alimentação socialmente responsável, e indicam de forma inequívoca o objeto ao qual o signo, ou melhor, o conjunto de signos, trata, que é de um modo geral a proteção aos animais.

Os aspectos qualitativos estão, principalmente, no jogo das cores preto e vermelho. O preto presente no fundo da imagem se mistura com o colete do garçom e vestido da modelo. O vermelho ao fundo por vezes se funde com o preto e está fortemente presente nos lábios da mulher, desde o batom até o sangue que escorre de sua boca, na toalha da mesa e em alguns pontos no prato. Outros aspectos qualitativo-icônicos estão no branco da luva e camisa do garçom, na transparência da taça e no dourado que aparece no encosto da cadeira e no cabelo da moça.

Sob o ponto de vista convencional-simbólico, notamos que nesta peça, ao contrário das outras, não há associação da modelo como sendo protetora dos animais. Também não há apelo à nudez. Ela é apenas uma personagem da encenação, proposta pelo PETA, para mostrar como o patê é fabricado, e está no papel dos consumidores da iguaria, isto é, pessoas de alto poder aquisitivo que não abrem mão de um bom restaurante e acompanhamentos caros, como é o foie gras. O objeto dinâmico é manter o foie gras proibido em Chicago, nos Estados Unidos, como está bem indicado no texto verbal no canto superior esquerdo, além de dar informações sobre a tortura que os gansos sofrem para que as pessoas saboreiem o patê. Tudo isso é representado pela modelo sendo forçada a ingerir algo contra sua vontade, em castigo ao prato que acabara de pedir. O potencial interpretativo está em mostrar, utilizando o ser humano como exemplo, como os gansos são tratados e, assim, criar na mente do público repulsa por este alimento, considerando tudo o que ele envolve. O horror na expressão da modelo reforça a comunicação. Sob o interpretante dinâmico, temos uma imagem que chama a atenção pela violência num primeiro momento, mas com um tom que pode soar cômico e caricato, com o olhar assustado da mulher dirigido para o garçom e para o grande funil que ocupa boa parte da cena.

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