• Aucun résultat trouvé

le chemin battu. Je gage qu'il est tout en haut de quelque châtaignier

Dans le document A la plus belle / Paul Féval (Page 99-104)

Desta obra pretendo analisar dois aforismos que penso serem pertinentes aos objectivos deste projecto, a saber, o aforismo dezenove do primeiro volume de HH e o aforismo onze do segundo

volume. O primeiro aforismo analisado lida com a questão da identidade por igualdade e de coisidade, ou seja, se é possível que duas ou mais coisas sejam idênticas entre si e, portanto, possam ser contadas. Enfim, que se trata de uma ‘coisa’ instanciada em vários casos. O segundo aforismo analisado lida com a idéia de fluxo universal de todos os eventos e fenômenos defendida por Nietzsche de todos os eventos e fenômenos deste mundo, com a idéia de ‘factos isolados’ que ele critica negativamente e com uma negação da idéia de livre-arbítrio. A idéia de factos isolados, segundo ele, acaba por desembocar na falsa idéia de ‘factos idênticos’ que mais tarde ele passará a chamar de ‘casos idênticos’, a qual ele amplamente critica negativamente em obras posteriores.

AFORISMO 19

Number. - The invention of the laws of numbers was made on the basis of the error, dominant even from the earliest times, that there are identical things (but in fact nothing is identical with anything else); at least that there are things (but there is no 'thing'). The assumption of plurality always presupposes the existence of something that occurs more than once: but precisely here error already holds sway, here already we are fabricating beings, unities which do not exist.13

Este aforismo é um dos primeiros de Nietzsche nos quais o filósofo expõe o que Steven D. Hales chama de seu antirrealismo. Novamente como em SVM, Nietzsche pensa ser impossível que dois eventos ou fenômenos que não são um e o mesmo - que são necessariamente discerníveis - possam ser idênticos entre si. As leis axiomáticas dos números pressupõem, na aritmética standard,

13NIETZSCHE, FRIEDRICH. HUMAN, ALL TOO HUMAN. CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS, 1996, pg. 22, aforismo 19. Translated by R. J. Hollingdale.

que a pluralidade de factores - os números - depende da ocorrência da mesma ‘coisa’ várias e várias vezes, mas não existe nada como uma ‘coisa’, um quê abstracto categorizável ou pertencente a uma categoria ou idêntico com qualquer outra coisa. Assim sendo, quando contamos coisas, estamos cometendo o erro de supormos a ocorrência da mesma coisa em instâncias de casos fenomenais diferentes. Por esta razão estamos em erro quanto as nossas percepções espaciais e temporais, ou seja, em consideração do Princípio da Identidade dos Indiscerníveis, pois tudo o que julgamos espacialmente e temporalmente depende de nossa capacidade de contar diferentes coisas como sendo as mesmas. Tal quando mensuramos algo, ou quando contamos a duração de eventos como de variáveis de velocidade média num gráfico de distância sobre o tempo; em consideração a este princípio leibniziano, chegamos, segundo Nietzsche, a contradições lógicas.

Porque nossos julgamentos e cálculos espaciais e temporais lidam com magnitudes falsas, ou seja, as ‘mesmas’ magnitudes - e.g. em metros ou quilômetros, ou segundos e horas -, e porque continuamos a calcular com estas mesmas magnitudes, a rigorosidade dos cálculos aumenta. Quando continuamos o cálculo com as mesmas magnitudes falsas, segundo Nietzsche e a teoria atômica de sua época, o acúmulo de erros mostra-se notório quando lidamos com a teoria dos átomos. Para realizarmos o cálculo do movimento de algo, supomos a existência e um substrato, de um material, ou ‘coisa material’, ou ‘matéria’ e todas as ciências naturais parecem voltadas à idéia de essências, ou matérias atômicas em movimento e no cálculo desses movimentos, separando aquilo que move do que é movido. Segundo Nietzsche, não podemos nos livrar deste tipo de preconceito porque acreditamos na existência de ‘coisas’ desde tempos imemoriais.

Citando Kant, que pensa que não derivamos as leis da natureza ao analisá-la, mas prescrevemo- la leis, Nietzsche pensa como absolutamente correcto que a natureza equacionada como ‘um mundo de idéias’ é na realidade ‘um mundo de erros’, erros humanos que só são válidos no mundo humano. Aqui

Nietzsche passa, como podemos ver, a considerar as formas de espaço e tempo apenas como ilusões humanas, um passo tomado ainda mais céptico do que aquele que ele assume em SVM.

VOLUME II

- O ANDARILHO E SUA SOMBRA -

AFORISMO 11

“Freedom of will and isolation of facts.” Nietzsche critica aqui a idéia de factos, como se eles não pudessem ser vistos como isolados, nem que haveria espaços vazios entre eles dados em conjunto a estes: isto seria um modo enviesado e impreciso de observação. As seguintes proposições são caras a este projecto:

In reality, however, all our doing and knowing is not a succession of facts and empty spaces but a continuous flux.14

Ora, para Nietzsche, a realidade não é um conjunto de factos isolados e vazios, nem a sucessão destes, mas um contínuo fluxo; um caos torrencial de sensações, percepções e efeitos contínuos de 14NIETZSCHE, FRIEDRICH. HUMAN, ALL TOO HUMAN, CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS 1996

fenômeno a fenômeno sem interrupção. Considerando a idéia de contínuo fluxo, ele põe em dúvida a suposição de livre-arbítrio; esta hipótese pressupõe que cada acção é isolada e indivisível, conquanto que se a realidade é um contínuo fluxo homogêneo e não dividido, se tudo é tocado por este fluxo, então não há tal coisa como livre arbitrariedade. Este nosso modo de observação sobre factos leva-nos a crer em caracteres idênticos e factos idênticos, os quais Nietzsche a ambos os nega como existentes. Sobre a falsa pressuposição de factos idênticos nós pensamos que há uma classe e ordem graduada de factos, factos isolados, como acções boas, más, simpáticas ou invejosas e porque o fazemos de modo a isolá-las, caímos em erro. A origem deste erro, segundo Nietzsche, está na ‘palavra’ e ‘conceito’, ou seja, na linguagem. Com a linguagem, palavras e conceitos nós pensamos que atingimos o verdadeiro das coisas. Em razão das palavras e conceitos nós pensamos as coisas como se fossem em si mesmas algo independente de nosso modo de considerá-las, como se fossem separadas e indivisíveis. A linguagem, para Nietzsche, portanto é uma evangelista da liberdade de vontade, fazendo-nos crer em mitologias como factos isolados e factos idênticos.

Dans le document A la plus belle / Paul Féval (Page 99-104)