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Les avantages cachés du dualisme et de la séparation du corps et de l’esprit

CHAPITRE 2 : LE DUALISME ET L'AVÈNEMENT DU CHRISTIANISME EN

3. Une contre voix : la présence d'une conception androgyne de Dieu

3.2. Les avantages cachés du dualisme et de la séparation du corps et de l’esprit

“o design, como uma modalidade de mediação da coniguração externa do mundo, situado entre a construtividade técnica,

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O Brasil vivenciava um processo de renovação cultural desde a pri- meiras décadas do século XX, tendo na Semana de Arte Moderna de 1922 o ponto de partida da ruptura com as tradições nas artes, que, segundo Aracy Amaral (1998:22) “abriu de forma definitiva o século XX para a criação artística e o pensamento nacionais”. A busca por uma identidade nacional, motivada pela crescente industrialização paulista se traduz na assimilação das inovações culturais originadas na Europa, representadas por movimentos partidários do abstracio- nismo, que partilhavam a aversão pela cultura acadêmica.

Também em nosso país chegariam os ecos das inovações plás- ticas da Escola de Paris, da Bauhaus Alemã de Gropius, assim como do movimento expressionista. Nesse aspecto, foi uma revolução a exposição de Anita Malfatti em 1917 em São Paulo, a rua Libero Badaró, e sua conseqüência inevitável foi vários artistas jovens se unirem a ela em solidariedade e interesse pela ruptura com a arte acadêmica (IBDEM:30).

Além das pioneiras abstrações geométricas de Rêgo Monteiro e Tarsila do Amaral, destaca-se nesse período a revista literária Klaxon, projeção das vanguardas modernas da Europa. Publicando textos de modernistas como Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Guilher- me de Almeida e Menotti del Pichia. demonstrava, segundo Amaral

(IDEM), um “anseio por uma nova visualidade, distante já dos obsoletos princípios gráicos identiicados com o século XIX”. Bonet (2010:11) a

descreve como pioneira da presença construtivista na comunicação gráica paulista, atentado para o fato de ser um trabalho tipográico e não uma pintura, a primeira obra abstrata construtiva brasileira. Um manifesto proclamando a internacionalidade, a era da construção e rejeitando o romantismo, evidenciava a intenção em romper com o academicismo passadista, caracterizando a revista como o princi- pal registro moderno de comunicação gráica. A composição exibia aventuras tipográicas, que irrompiam contra a estética predominante na época, sendo comparadas por Wollner (2003:58) a Merz, de Stijl, e o construtivismo russo (na capa do primeiro número, as cores da bandeira do estado de São Paulo) lamentando que, sua inluência na época icou restrita à comunidade intelectual.

Atualizar as idéias estéticas a partir de modelos europeus recentes, sobretudo na área de artes plásticas, surgiu como uma possibilidade de renovação para a arte brasileira: cubismo, renovação cultural

Capa do catálogo e cartaz da exposição da Semana de Arte Moderna de 1922 por Emiliano Di Cavalcanti e A Gare, óleo sobre tela com inspiração industrial de Tarsila do Amaral de 1925, registros do despertar da consciência nacional no meio artístico. A partir da década seguinte, conforme airma Aracy Amaral (1998:49), surgiria

um “tipo de criador até então inédito: o artista preocupado com a problemática sócio-política e com a função de sua arte no organismo social”.

klaxon

Capa da primeira edição, e páginas inter- nas da revista.

A composição gráica remete tanto às ex- periências tipográicas do futurismo italia- no, quanto a sua inspiração em Mallarmé e Appolinaire, enquanto o anúncio da Lacta sugere uma ligação ao dadaísmo.

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expressionismo, idéias futuristas, dadaísmo, construtivismo, sur- realismo, e o “clima” parisiense (…), resultaram em inspirações que, direta ou indiretamente, alimentaram os artistas modernis- tas brasileiros, uma elite que só apresentará aberturas a partir da década de 20, além da excepcional inluência da Alemanha e da Suíça francesa (AMARAL,1998:23,24)

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Posteriormente, as primeiras intervenções com composições geométri- cas – inspiradas principalmente pelo art decó – aplicadas à decoração são realizadas por artistas como Lasar Segall, Antônio Gomide, Regina Gomide Graz e John Graz. No entanto, esses trabalhos realizados para eventos e residências de famílias abastadas – decoração de festas, vitrais, painéis, pisos, tapeçaria, etc. – icavam restritos, com rara ex- cessões, ao uso e apreciação da elite paulistana.

A essência dos ideais manifestados pelas vanguardas européias seria assimilada e trabalhada no Brasil de maneira consistente e atuante a partir da década de 1950, impulsionadas pelas mar- cantes transformações culturais e políticas, que possibilitaram a realização de uma série de iniciativas que desencadeariam no que Wollner (2002:66) qualifica como “metamorfose evolutiva”, proces- so que segundo ele, está diretamente relacionado à participação social do artista por intermédio de seu envolvimento com os meios de comunicação. Como observa Rejane Cintrão (2002:8), “a São Paulo futurista , desejo dos modernistas dos anos 20, começa a se tornar real nos anos 50”, com a criação do MASP (Museu de Arte de São Paulo) do IAC (Instituto de Arte contemporânea do MASP) e a realização das Bienais Internacionais de São Paulo, que, como ressalta Wollner, introduziram em nosso ambiente cultural as principais realizações do mundo moderno. Conforme explica, esses acontecimentos despertaram em nosso meio a essência da comuni- cação visual, exigindo do artista o equilíbrio entre sua inspiração/ intuição e seu conhecimento técnico-científico.

No despertar dessa consciência, a introdução do ensino do design igura como um componente signiicativo para o despertar do que Wollner deine como “uma nova forma de pensar a arte” (WOLLNER, 2002:67,70).

Em Desenho: Um revolucionador de idéias o pesquisador e professor de design Luiz Vidal de Negreiros Gomes, apresenta as propostas de Rui Barbosa como marco inicial na discussão da importância do ensino dessa disciplina para o desenvolvimento de nossa sociedade, ainda no

ruptura com a tradição nas artes

antonio gomide lazar segall

Acima, vitral de Antonio Gomide locali- zado no Parque da Água Branca em São Paulo e estudo para biombo.

Abaixo, retrato de Mário de Andrade por Lazar Segall.

século XIX, não apenas para o proissional de arte e desenho industrial, mas para a formação de uma sociedade mais capacitada a se relacionar com os novos signos de comunicação e cultura:

O cálculo é indispensável às primeiras operações do espírito; o desenho, imprescindível para as ixar. Demais, o desenho serve de introdução a todas as artes gráicas; e, além de que presta eminentes serviços à indústria, tem a vantagem de centuplicar as forças da memória. (BARBOSA, APUDGOMES, 2004:46)

Como já visto anteriormente, a idéia do projeto como etapa espe- cífica do processo de produção – uma das princípais características da Revolução Industrial – toma impulso no início do século XIX;

“encarregá-la a um trabalhador especializado faz parte de qualquer sistema industrial de fabricação” (CARDOSO, 2004:16). Em Desenho: Um

revolucionador de idéias, Luiz Vidal de Negreiros Gomes revela a intenção de Rui Barbosa em preparar a nação para a industrialização emergente através da instituição do ensino do desenho, condição que considerava imprescindível para o progresso. Em discurso profe- rido em 1882, exalta a importância do Liceu da Artes e Ofícios para a formação de indivíduos dotados de educação para o “gosto indus- trial dos tempos modernos” (APUDGOMES, 2004:46):

O dia em que o desenho e a modelação começarem a fazer parte obrigatória do plano de estudos na vida do ensino nacional, data- rá o começo da história da indústria e da arte no Brasil.

A compreensão entre o componente artístico e produtivo permeia o discurso de Rui Barbosa, não com o objetivo de debater a postura do proissional, mas com o propósito maior de esclarecer suas premissas, mostrando-se alinhado com o pensamento progressista de sua época. Como lembra André Villas-Boas (1997:57), essa diferenciação se constrói nesse período, e “tem origem na mecanização trazida pela primeira Revolução Industrial” , atentando para o fato de que, nesse momento, a distinção entre esfera artística e a esfera produtiva, “e pode-se substi- tuir o binômio esfera artística/esfera produtiva por arte/produção, arte/ técnica,arte pura/arte aplicada, etc.”

Ao mostrar-se preocupado com a visão elitista – que, em grande parte, contribui para promover de maneira equivocada e improdutiva a ligação da prática do desenho a uma concepção romântica de arte – restringin- elizeu visconti

Italiano radicado no Rio de Janeiro, repre- sentante da tradição de artistas dedicados a execução de trabalhos de comunicação gráica no Brasil no inal do século XIX e início do século XX. Tendo estudado na França, seus cartazes apresentam elemen- tos característicos da estética art-noveau predominante nesse período.

Estudo para a capa da Revue du Bresil, 1895 Cartaz do pano de boca do Cassino Antártica na Urca , guache e aquarela sobre papel

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do o reconhecimento da sua função objetiva para a sociedade, Barbosa airma que “o desenho é um dote acessível a todos os homens, e não um previlégio dos artistas por vocação e proissão” (APUDGOMES, 2004:46).

Em trecho de outro discurso, adverte :

…nós, porém, pelo comum, vivemos ainda, no Brasil, sob o domínio do erro crasso que vê no desenho uma prenda de luxo, um passatempo de ociosos, um requinte de distinção, reser- vado ao cultivo das classes sociais mais ricas, ou à vocação excepcional de certas naturezas privilegiadas para as grandes tentativas de arte (IBDEM, 21).

Ressaltando que esses discursos de Rui Barbosa datam do final do século XIX, a comparação com um episódio relatado por Alexandre Wollner (2003:41) ocorrido em 1942 (ou seja, praticamente 60 anos

depois) atesta a resistência demonstrada pela sociedade e o sistema de ensino imposta por esses preconceitos

Minha mãe –naturalmente pensando num futuro sem diiculda- des e com diploma– me doutrinava para que escolhesse como proissão a carreira de arquiteto, já que vivia desenhando. Rejeitei essa idéia, pois pretendia ser artista – desenhista ou pintor. Como eu insistisse nisso com irmeza, ela concordou em me levar até a escola de Belas-Artes. A primeira pergunta que fez ao diretor foi se escola fornecia diploma após o curso: como a resposta foi negativa, então nem pensar, disse minha mãe, e fomos embora – eu saí aos prantos.

Convém observar que Rui Barbosa se situa em um período em que não se fala em desenho industrial (nem tampouco em design) sendo o mo- delo de ensino proissionalizante o Liceu de Artes e Ofícios, instituição que, como deine Gomes (2004:33), exercia a função desempenhada por esses cursos atualmente, sendo o “primeiro estabelecimento de ensino proissional, que tinha como como proposta o estudo das Belas Artes […]como aplicação necessária aos ofícios industriais”.

Ao formular suas preposições, Rui Barbosa se mostrava informado em como as principais nações industrializadas tratavam a questão do ensino direcionado à indústria. Reconhecendo um absurdo “que na maior cidade industrial da América Latina não existisse preocu- pação nenhuma com a forma do produto” (WOLLNER,2003:51), coube ofícios industriais

Operário semeando as artes no Brasil

água forte de Carlos Oswaldo.

Adepto das aspirações de John Ruskin, que citava com frequência, Rui Barbosa defen- dia o ensino do desenho na formação da sociedade moderna através da capacita- ção do proissional para a era industrial.

ao italiano Pietro Maria Bardi, a missão de realizar suas aspirações, criando no IACMASP o primeiro curso de desenho industrial da Ame- rica Latina. Recorda Wollner (2002:71), um dos alunos, que a metodo-

logia implantada seguia a do curso fundamental da New Bauhaus de Chicago, instituto de ensino fundado pelos integrantes da Bauhaus alemã, tida como o marco no desenvolvimento do projeto pedagógi- co para o design. Convém entender então seu percurso.

No início do século XX, a Alemanha já manifestava um profundo interesse pela industrialização. Incorporando idéias extremamente objetivas, a arte nova na Alemanha caracterizada pela produção dos movimentos Jugen- dstil e Deustcher Werkbund, e também em Viena – então capital do impé- rio austro-húngaro – com o Sezession, contribuíram decisivamente para a formação do desenho industrial moderno. Através da visão de persona- lidades a eles ligadas, distanciando-se deinitivamente do teor nostálgico do arts and crafts, estabeleceram-se noções claras para a aproximação entre arte e indústria, entre as quais se destacam Hermann Muthesius, Henry van de Velde, Peter Behrens, Josef Hoffmann e Koloman Moser. A respeito da aproximação objetiva alemã em direção à indústria, bem como sua participação efetiva na formação do design, Nikolaus Pevsner (1980:32) descreve a influência do pensamento britânico, res-

saltando fatores determinantes para que a Alemanha superasse com maior eficiência os impasses gerados pela industrialização. Pevsner relata que após a morte de Morris, a Inglaterra se afastou do debate do projeto moderno, que se intensificou na Alemanha, assumindo o centro do progresso na Europa. Segundo ele, a discussão despertou o interesse dos ingleses enquanto se concentrava nas esferas mais abastadas da população; a partir do momento em que a questão passa a envolver a população em geral – incluindo conseqüente- mente os setores mais pobres – é tratada com mais habilidade por uma sociedade com menores contrastes sociais.

Distanciar-se do estilo floral e decorativo francês em direção a for- mas geométricas elementares, enfatizando a padronização por meio de construções modulares foi grande contribuição do Sezession, o movimento de secessão vienense, cujo nome remete ao afastamento dos estilos históricos (HOLLIS, 2001:21). Baseados nas teorias do arqui-

teto tcheco Adolf Loos, advogavam a funcionalidade e a rejeição por qualquer forma de decoração inútil. Para Loos, “orgânico não significava o curvilíneo, mas o uso das necessidades humanas como

projeto pedagógico para o design

alemanha industrial

Enquanto a Inglaterra foi incapaz de estabelecer um diálogo entre o realismo do arts and crafts e o conservadorismo de seus industriais e a França privilegiou a obra exclusiva e luxuosa e uma arte de- corativa elitista, a Alemanha foi a única na Europa a conceber uma visão mais moderna. Peter Behrens, Otto Eckmann, Fritz Hellmut Ehmcke e Lucian Bernhard criam novas ferramentas para edição. Ao contrário de Morris, que odeia a má- quina e se agarra à idéia do artesanato, os alemães pensam fundamentalmente que a arte e o comércio podem ser complementares e não necessáriamente antagônicos, colocando-se a serviço da produção em massa (WEILL, 2010:32,35)

Lucian Bernhard, cartaz para velas auto- motivas Bosch,1914

Fritz Helmuth Ehmcke, cartaz exposição Deutsche Werkbund , 1913

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padrão para mensurar a forma utilitária” (MEGGS, 2009:294). Ele também alertava para a importância do uso dos espaços vazios, percepção que seria posteriormente assimilada dentro dos princípios de organi- zação da composição gráfica a partir da nova tipografia.

A função, a honestidade dos materiais e a proporção harmoniosa eram preocupações constantes; a decoração somente era usada quando atendia esses objetivos e não os violava. Mestres carpin- teiros, encadernadores, metalurgistas e trabalhadores do couro eram empregados para trabalhar com os designers no esforço de elevar as artes aplicadas aos padrões das belas artes. (IBDEM: 298).

O pintor Gustav Klint liderava o movimento, aplicando conceitos geometrizantes e assimétricos, e explorando a bidimensionalidade na produção de cartazes e catálogos. Ex-professores da Vienna Kunst- gewerbeschule (Escola de artes e ofícios de Viena) Koloman Moser e Josef Hoffmann aplicaram esses princípos de maneira objetiva em projetos gráicos. A identidade visual da Wiener Werkstätte, é gover- nada pelo quadrado, desde a construção dos símbolos e monogramas até as marcas de dobra do papel de carta (HOLLIS, 2001:22).

Os seminários do Werkstätte, em que eram divulgados trabalhos exal- tando a união entre as belas-artes e as artes aplicadas como alternati- va para artigos mal projetados produzidos pela indústria, assim com o revista mensal Ver Sacrum (Primavera sagrada), dedicada a publicação de trabalhos da vanguarda literária e artistas da secessão, iguram entre as grandes contribuições de Hoffmann e Moser para o design gráico, ao explorar não só a visualidade, mas também as técnicas de reprodução e os formatos do papel (IBDEM:23).

Fundada em 1907 em Munique, a Deutscher Werkbund (Associação Alemã de Artesãos) via na união entre artistas, artesão qualiicados e a indústria o caminho para o futuro, conigurando a noção de projeto como “meio para conferir forma e signiicado a todas as coisas feitas pela máquina”. Hermann Muthesius, seu fundador, defendia que essa união proporcionaria a elevação das qualidades funcionais e estéticas da produção em massa, particularmente nos produtos de baixo custo

(MEGGS, 2009:303). Airmando que a qualidade desses produtos estava

diretamente condicionada ao domínio da ferramenta pelo homem, e enxergava na a padronização um caminho para a construção do gosto comum (WOLLNER, 2002:50) ambicionada por Ruskin e Morris.

gustav klimt

Pintor bastante requisitado na de- coração dos edifícios da nova Viena, liderou o movimento que se afastava dos estilos históricos, formando uma associação de artistas que se tornou conhecida como Secessão.

O design de Klimt para a capa do catálogo da primeira exposição secessionista de 1898 apresenta, além de uniformidade no peso das linhas, uma extrema assimetria que uniica o desenho e as letras de ma- neira essencialmente gráica: o desenho resultante é bidimensional, criado para a reprodução gráica. (HOLLIS, 2001:21)

Poster para primeira exposição de seces- são, 1898

koloman moser josef hoffmann

Quando os artistas da Secessão Vienense rejeitaram o estilo loral francês, volta- ram-se para as formas planas e maior simplicidade. O design e as artes aplicadas passaram a ter cada vez mais importância, à medida que essa metamorfose culmina- va em ênfase na padronização geométrica e na construção modular.

A linguagem projetual resultante empre- gava quadrados, retângulos e círculos em repetição e combinação. A decoração e a aplicação de ornamentos apoiavam-se em elementos semelhantes usados em sequência paralela, não rítmica. Essa ge- ometria não era mecânica e rígida, mas sutilmente orgânica. (MEGGS. 2009:295)

Hoffmann/Moser, marca Wiener Werkstätte Moser, cartaz da XIII Exposição de Secessão,1902

Moser, cartaz para peça de teatro,1901 Moser, cartaz da V Wiener Werkstätte,1899 Hoffmann/Moser, catálogo Wiener Werkstätte,1905

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Influênciado por Morris, o belga Henry van de Velde se distanciou da pintura em direção a projetos gráficos, móveis e decoração. Repudia- va a ornamentação, conforme relata Pevsner (1980:11), ao qualificar

seu desenho como “rigidamente abstrato e – pelo menos teorica- mente – pretendia ilustrar a função do objeto, ou parte do objeto a que está ligado”. Sua maior contribuição foi no sentido de propagar a integração do artista com o mundo cotidiano, argumentando em favor da assimilação da arte pela indústria.

Ele ensinava que todos os ramos da arte – da pintura ao design gráico e da escultura ao design industrial– compartilhavam uma linguagem comum da forma, e são de igual importância para a comunidade humana. Eram necessários materiais adequados, formas funcionais e uma unidade de organização visual. Objetos produzidos por máquinas, airmava van de Velde, deviam ser iéis a seu processo de fabricação em vez de falsamente tentarem parecer ser feitos à mão. (MEGGS, 2009:272)

Embora imbuídos do mesmo ideal, Muthesius e van de Velde divergiam quanto a postura do artista perante a indústria: enquanto o primeiro vis- lumbrava uma orientação objetiva, direcionada ao trabalho em equipe e à padronização, o segundo insistia em conservar a individualidade do artis- ta, o que provocou o rompimento entre eles em 1914. (WOLLNER, 2002:50)

Peter Behrens é historicamente reconhecido como o primeiro de- senhista industrial, em virtude de sua atuação junto a Allgemeine Elektricitaets Gesellschaft (AEG). Contratado como “consultor artís- tico”, o que, como explica Bürdek (2004: 344) na deinição da época,

corresponde ao que hoje entende-se como designer corporativo, foi responsável por projetos que abrangiam a identidade visual da empre- sa, seus produtos e edifícios. Como deine Wollner (2002:51), seu estilo rico e ponderado, mesmo baseando-se em desenhos geométricos é de grande importância para a noção atual do desenho industrial. Com grande contribuição para o desenvolvimento do design gráico, foi um entusiasta do uso dos tipos sem-serifa, tendo publicado em 1990 Cele- bration of Life and Art: A Consideration of the Theater as the Highest Symbol of Culture – o primeiro livro composto em caracteres sem- -serifa para texto – incentivando profundamente a reforma tipográica que prosseguiria nas primeiras décadas do séc XX(MEGGS, 2009:299). Sua atuação como diretor da Escola de Artes e Ofícios de Dusseldorf tam- bém foi decisiva para a formação pedagógica do design.

henry van de velde

Arquiteto, pintor, designer e educador, sin- tetizou inluências como a gravura japo- nesa, o art nouveau francês, o movimento

arts and crafts inglês, e mais tarde a Escola de Glasgow em um estilo uniicado.

O trabalho de Van de Velde pode ser visto como um esforço sério para desenvolver novas formas para a época.

No design de livros, ele abriu um caminho criativo, desenhando formas lineares dinâ- micas que abraçam o espaço circundante e os intervalos entre elas. Seu trabalho evoluiu de formas inspiradas por símbolos e motivos da natureza para padrões rítimos lineares. (MEGGS, 2009:272)

Troppon, cartaz, 1897 projetos de livros:

Friedrich Nietzsche , Also sprach Zarathustra,1908

Friedrich Nietzsche, Ecce Homo,1908 Friedrich Nietzsche, Dionysos

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