Entrevista à Supervisora do grupo
Caracterização:Nome: Clara Rolo Idade: 62 anos
Local de trabalho: Escola Superior de Educação de Lisboa
Percurso Escolar:
Liceu
Magistério primário
Licenciatura
Mestrado em Ciências de educação
Percurso Profissional:
15 anos como professora do 1º ciclo.
6 anos na coordenação dum projeto de formação contínua de implementação dos
centros de apoio pedagógico em Lisboa, Mafra e Oeiras.
3 anos na coordenação distrital dos formadores que dinamizam os centros de apoio
pedagógico
2 anos na coordenação a nível regional dos formadores que dinamizam os centros
de apoio pedagógico
Em1986 integra equipas para formação contínua na ESE de Lisboa, no 1º ano
colabora na elaboração do plano de estudos para o “ Bacharelato em 1º ciclo”.
Desde 1987 até ao momento fica responsável pela supervisão da prática
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Movimento da Escola Moderna (MEM)
O MEM surge em que altura da sua vida? Como?
Quando eu era professora do 1º ciclo, estive colocada na escola nº1 de Beja e ao lado da minha escola funcionava o Centro de Observação e Orientação Médico-Pedagógica, coordenada por Sérgio Niza, membro fundador do MEM. Este centro dava apoio às crianças com dificuldades de aprendizagem e por isso trabalhavam directamente connosco, professores da escola nº1 de Beja.
O MEM abre um estágio de iniciação ao modelo que eu frequentei, cria-se um grupo cooperativo e a partir daí sigo os princípios do modelo.
Quais as primeiras concepções que se alteraram ou reafirmaram aquando do contacto com o modelo do MEM?
Principalmente, alterou-se a minha atitude face ao ensino, a minha concepção do que era ensinar, do que era aprender, ser professor e ser aluno.
O meu ensino deixou de ser centrado no professor para ser centrado nos alunos, desta forma a diferenciação pedagógica substituiu a ideia de haver um mesmo trabalho para todos realizado ao mesmo tempo.
Resumindo, a transmissão de conhecimentos deu lugar à preocupação em criar condições para que todos os alunos pudessem aprender e evoluir ao seu ritmo.
Mais tarde, quando comecei a dar aulas na ESE de Lisboa, tentei também aí trabalhar segundo alguns dos princípios do MEM. Inicialmente, privilegiei uma gestão participada na sala de aula, promovi o diálogo sobre a avaliação e tentei sempre que as aulas fossem tempos de apoio e desenvolvimento dos alunos. Em 2002, já consegui implementar, nas minhas aulas, instrumentos e rotinas mais estruturadas como a utilização do Plano Individual de Trabalho (PIT).
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Grupos cooperativos
Como aparece o grupo de formação e o seu papel de supervisora neste grupo?
Não gosto muito de “supervisora” para denominar o meu papel nestes grupos. Quando dou aulas na ESE tenho papel de supervisora, mas nestes grupos considero-me mais como uma colega que apenas tem mais experiência e anos de trabalho que o resto dos membros.
Estes grupos são parte integrante do modelo de trabalho do MEM e é precisamente pela minha experiência como professora na ESE e pelo contacto que mantenho com as minhas ex-alunas, agora professoras, que aparece o meu envolvimento nos grupos cooperativos.
O meu papel é essencialmente um papel de ajuda. Preocupo-me em ajudar o desenvolvimento profissional dos professores, em fornecer pistas e novas questões para a reflexão a partir das problemáticas e dos conflitos que as professoras trazem da sua prática. Continuo a querer muito aprender e reflectir com os outros, especialmente sobre o modelo.
Porque é que é importante para si estar e pertencer a este grupo?
Pertencer a estes grupos possibilita que também eu aprofunde a minha prática, a partir da reflexão sobre as práticas dos outros. O fato de nos encontrarmos num ambiente descontraído faz com que os membros do grupo sintam mais à vontade para expor as suas dificuldades e dúvidas, permite-nos aprender a profissão.
É um prazer ver a profissão e o desenvolvimento profissional tomarem conta das pessoas, o deslumbramento transformar-se em reflexão e apropriação. É gratificante ajudar as pessoas a contornar obstáculos e a seguirem um caminho, o caminho em que acreditam e que acreditam ser o mais indicado para a sua profissão.
Quais os Aspectos que considerou mais positivos no funcionamento deste grupo?
Considero que o fato de haver um clima de confiança e descontracção permitiu que as pessoas fossem autênticas e se “expusessem” com maior facilidade. O fato do grupo se chamar cooperativo passa precisamente pelo fortalecimento que damos uns aos outros, o que faz com que as pessoas não desistam de lutar pelo que acreditam.
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Quais os Aspectos que considerou menos positivos no funcionamento deste grupo ? Um dos Aspectos menos positivos talvez passe pela dificuldade em arranjar tempo para nos encontrarmos devido aos diferentes horários e sobrecargas dos membros do grupo.
Outro aspecto está relacionado com o desencanto que me traz a desistência de alguns dos membros do grupo. Começamos com muita gente, mas depois alguns deixam de vir aos encontros. Parece-me que este decréscimo se prende com os diferentes níveis em que os membros se encontram, e as pessoas que não estão tão à vontade, que se sentem num nível abaixo dos outros, muitas vezes acabam por desistir.
Relativamente ao seu papel no grupo, quais os aspectos que considera mais positivos e os aspectos que acha que deverá melhorar?
Às vezes não convivo muito bem com o meu papel dentro do grupo porque os outros membros vêem-me mais como uma supervisora e não como um par, especialmente que a maioria dos professores são meus ex-alunos da ESE. Por outro lado, o fato de terem sido meus alunos facilita a relação e a descontracção dentro do grupo.
Outro aspecto relaciona-se com o fato de eu já não estar ligada a uma prática com meninos do1º ciclo, o que por um lado acentua esse sentimento de me verem com um estatuto diferente, mas por outro lado consigo mobilizar do ponto de vista teórico, conhecimentos que a maior parte ainda não possui. Acrescento reflexão, ligando a teoria à prática, baseando essa reflexão num quadro teórico consistente e adequado às situações.