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Les aliénations ou la gestion raisonnable du patrimoine Si les aliénations ecclésiastiques sont interdites,

No que se refere às pretensões para o futuro, a pesquisa demonstrou que os estudantes que tiveram a oportunidade de, ao longo do curso, participar de projetos de

pesquisa, extensão ou monitoria manifestaram interesses acadêmicos como fazer mestrado e ou doutorado.

Nessas situações, a atuação profissional, ou seja, a conquista de um trabalho na área não aparece como perspectiva para logo após a conclusão do curso, conforme demonstrado pelos estudantes Anderson e Fernanda:

É... Por enquanto, o que eu tenho em mente é o mestrado mesmo. Depois, se eu conseguir, o doutorado. Mas eu quero seguir carreira acadêmica, que é onde eu tenho uma oportunidade de estudar, de dedicar, de chegar longe (Anderson, Museologia noturno, 5º período).

Para Fernanda, a motivação para fazer disciplinas eletivas do turno noturno é a rápida conclusão do curso, e seus interesses futuros são:

É, na verdade, eu já consegui eliminar um período já e aí eu faço disciplinas separadas dos períodos e faço o 6ª período à noite. Então, assim, é meio complicado mesmo! À tarde, eu faço o 7º, o 8º, 5º e à noite eu faço o 6º. Então, assim, é o que quero, eu quero mesmo é tirar o atraso, né? Eu quero formar o mais rápido possível, porque meu intuito é o mestrado e o doutorado (Fernanda, Pedagogia vespertino, 5º período).

Ao ser questionada se pretende atuar na área de Pedagogia, Fernanda mencionou que não, pois não tem perfil de educadora:

Eu não tenho perfil de alfabetizadora! Não tenho... Assim, assim, até que, se a criança tiver muita dificuldade, eu tenho. Meu negócio é muita dificuldade. Eu até pensei ir pro lado de dificuldade de aprendizagem, sabe e tal (Fernanda, Pedagogia vespertino, 5º período).

Para além do conforto financeiro proporcionado aos estudantes que optaram por largar o emprego e dedicar-se aos estudos, as bolsas acadêmicas são descritas pelos estudantes acima citados como uma possibilidade de crescimento no mundo acadêmico, pois, de acordo com Fernanda:

Aí vem a importância do PIBID, né? Em relação aos estudantes que precisam daquela bolsa, né? É, além do aprendizado que a gente tem, porque eu fui Pibidiana e sei o aprendizado que isso traz para o futuro docente! Além disso, a pessoa tem uma ajuda de custo, porque a pessoa tem que abrir mão! Chega uma hora que não dá mais (Fernanda, Pedagogia vespertino, 5º período).

Anderson também comentou sobre a importância da bolsa acadêmica em sua formação, pois, trabalhando em meio horário durante a graduação de História, que

concluiu, e o curso de Museologia, em andamento, participa de projetos de extensão e monitoria e afirmou que essa participação favorece o conhecimento de mais pessoas e proporciona mais segurança financeira no decorrer do curso:

O ICHS é bom nesse aspecto que, a universidade é boa por isso! E teve um período lá que eu trabalhei como bolsista do PED UFOP História e aí era uma verba a mais que me ajudava bastante, aí foi um momento tranquilo, assim, que eu conheci mais gente, assim. É do PIBID, eu acho, é um projeto de estímulo à docência que chama, que desenvolve, que eu trabalhei em duas escolas em Ouro Preto, que é do Horácio Andrade e Dom Veloso. Eu fiquei dois anos como bolsista do PED, aí esses dois anos foi mais tranquilo, que eu tinha bolsa (Anderson, Museologia noturno, 5º período).

Almeida (2014) também encontrou, em sua pesquisa, informações sobre a vantagem de ser bolsista como forma de se abster do trabalho em tempo integral sem necessariamente abrir mão da renda do trabalho que é imprescindível para a manuntenção do estudante e, às vezes, até suporte à família.

De acordo com Almeida (2014, p. 257):

Alguns dos pesquisados conseguiram bolsas de pesquisa – possibilitando-os trabalhar meio periodo –, com isso, puderam usufruir, de modo mais pleno, dos serviços que a universidade dispõe, aproximando-se de um tipo de aluno mais bem posicionados em termos socioeconômicos.

Conforme apontado por Almeida (2014), ser bolsista permite ao estudante vivenciar a universidade de forma mais efetiva, participando de atividades extra-classe e comunitárias, além de promover a cidadania do estudante mediante a disponibilidade de tempo para participar de conselhos e movimentos estudantis, entre tantas outras atividades de socialização e aprimoramento do curso, como a opção de cursar línguas estrangeiras, frequentar eventos culturais.

Sob tal perspectiva, a aquisição de bolsas de extensão ou pesquisa favorece uma melhor inclusão do estudante de camadas populares no ambiente universitário, principalmente para o estudante trabalhador que, caso estivesse trabalhando em horário integral e fora do meio universitário, jamais teria conhecimento e acesso aos bens culturais, sociais e profissionais que a universidade proporciona como um todo.

O Ensino Superior também aparece também como uma possibilidade de aquisição de conhecimentos sem necessariamente estar vinculado a uma busca imediata com o retorno financeiro, como apontado por Fernanda.

Também para Reginaldo, a motivação para cursar o Ensino Superior não se deu pela necessidade imediata de retorno financeiro, pois ele já possui um cargo estável como servidor público municipal. Para Reginaldo, a aquisição do curso superior está vinculada a ideia de criar uma estrutura cultural e incentivar escolarmente o filho de dez anos, conforme expressou:

Era, eu acho, uma questão de ter um curso superior ou coisa assim... A minha esposa fala muito que a gente tem que ter pra incentivar o menino. Pra ele ir pra frente! “Ah, meu pai! Curso superior ele tem! Minha mãe também tem! Então, eu tenho que...” Ela... A gente trabalhou mais nessa perspectiva de incentivo. Ou também falar assim ó: “Foi tão assim, tinha tanta dificuldade antes pra estudar né? Hoje, hoje, apesar de tudo. melhorou muito, Nossa! Melhorou muito!” Eu gosto de falar: “Hoje, nós estamos discutindo a dificuldade de ajuda, de permanência! Antes, a gente nem tinha a perspectiva de entrar” (Reginaldo, Estatística noturno, trancou o 5º período).

Dentre as pretensões futuras de Reginaldo, foi citada a vontade de dar continuidade ao curso de Estatística, trancado recentemente, mas, para isso, e vislumbra buscar alternativas visando conciliar trabalho, estudos e família.

Para o estudante Anderson, iniciar uma segunda graduação tem a ver com a vontade de cursar Museologia, pois, inicialmente, ficou receoso, uma vez que este curso era novo e optou por fazer História. Contudo, suas pretensões, tanto na graduação de História quanto em Museologia, também são voltadas para o âmbito de prosseguimento da carreira acadêmica, conforme destacou:

Eu fiz umas boas iniciações científicas assim, pensei até fazer mestrado, mas aí, antes de fazer História, eu quis fazer Museologia, mas como o curso era novo, eu esperei um tempo. E agora que está há mais tempo, eu fui fazer Museologia, mas eu não trabalho na área de História, não (Anderson, Museologia noturno, 5º período).

Josiane tem dúvidas em relação ao curso que está fazendo e não menciona prosseguir nos estudos na área da graduação que escolheu:

Eu sinceramente cheguei a um ponto que, acho que eu fiquei meio traumatizada com esse negócio, porque ela falou que “nem tudo é faculdade”, sabe? Nem tudo se resume à faculdade, com isso, eu pensei que a gente ia ter um apoio melhor nessa questão! Aí, como não aconteceu esse apoio, eu fiquei pensando: “Será que eu tô perdendo meu tempo?” Às vezes, você para e pensa... Só que eu pensei assim: se eu tô aqui querendo uma vaga há tanto tempo, é pra eu ter decidido logo no início, porque eu podia ter dado oportunidade para outra pessoa né? Aí eu fui pensando, mas eu pretendo levar o curso até o fim (Josiane, Serviço Social vespertino, 5º período).

Sua insatisfação e dúvidas em relação ao prosseguimento do curso de Serviço Social foi motivada devido à estrutura rígida da grade curricular, conforme apontado pela estudante anteriormente, e também pelo fato de dúvidas com sua escolha, visto que sua área de atuação sempre foi a Informática e a estudante possui muita afinidade com a mesma:

Pois eu já gostava mais de Informática, porque assim, lidar com máquinas é melhor mesmo! Aí, fui fazer esse outro! [curso de Serviço Social] Mas aí, fui continuar trabalhando com pessoas e procurar ajudar os outros, como uma referência que poderia ajudar (Josiane, Serviço Social Vespertino, 5ª período).

Por outro lado, mesmo diante dos transtornos acadêmicos vivenciados no decorrer do curso, a estudante afirma: “Sabe, pretendo atuar na área!” Neste sentido, a estudante deixou transparecer, em sua fala, que seu objetivo, após a conclusão do curso superior, é a inserção no mundo do trabalho.

O fato de Josiane não ter tido contato com projetos de pesquisa, de extensão ou outras atividades extraclasse leva a inferir que esse também seja um fator que pode ter influenciado na não menção a seguir carreira acadêmica ou prosseguir nos estudos, pois, no decorrer do curso superior, o trabalho sempre ocupou um papel central em sua trajetória:

No momento, eu preciso trabalhar, que eu não posso ficar sem, então acaba assim não participando tanto, porque, às vezes, tem um tempo para pesquisa e extensão e ele até me liberou. Sabe, aí ele disse que eu podia fazer, porque era dia de sexta-feira. Mas tudo o que eu faço, eu tenho que repor depois. É, ele deixou! Mas assim, deixou muito claro que eu posso fazer, mas depois tenho que repor aquelas horas. Às vezes, eu deixo de fazer, porque eu fico, assim, muito cansada (Josiane, Serviço Social vespertino, 5º período).

Conforme acima destacado pela estudante Josiane, o trabalho é parte indissociável em sua vida acadêmica e condição principal para a permanência na universidade, pois, conforme também aponta Siqueira (2011, p. 12), a relação entre trabalho e estudo acontece dentro de uma troca possível, em que, para a maioria desses estudantes, o trabalho possibilita estudar e vice-versa. Nestas situações, o desafio posto é como conciliar tempo para o trabalho e para o estudo, considerando-se que o estudo é possível numa condição aquém da necessária para uma boa formação profissional.

Assim, as condições reais de estudo e participação de atividades acadêmicas extraclasse estão diretamente vinculadas à quantidade de tempo e dedicação que o

trabalho exige desse estudante, pois o trabalho é uma instância da qual o estudante não pode abrir mão, preservando-o em detrimento até dos estudos.

Contudo, não se pode considerar o fato de que prosseguir nos estudos ou seguir carreira acadêmica tem relação, sobretudo, com o perfil pessoal e com o papel que o trabalho ocupa na vida destes estudantes.

Com base nos relatos acima, é possível inferir que as pretensões após a conclusão do curso superior estão diretamente relacionadas com as experiências e vivências universitárias a que esses estudantes foram submetidos, fato que acaba por influenciar na relação com os estudos no decorrer da graduação e, consequentemente, após a conclusão do curso superior.

Finalmente, cabe ressaltar a perseverança e mobilização pessoal desses estudantes pesquisados que, mesmo diante de desafios tanto de ordem acadêmica como dificuldades pessoais em relação a conciliar trabalho e estudo de adaptação ao ritmo e forma de estudo no Ensino Superior, persistem por esses dois anos decorridos dando prosseguimento à graduação.

É relevante destacar o movimento de superação desses estudantes trabalhadores que tiveram que se adaptar ao ritmo e forma de estudo no Ensino Superior, sendo que, para Josiane e Reginaldo, essa adaptação aconteceu decorridos longos anos da conclusão do Ensino médio ou, no caso de Fernanda, após a conclusão do ensino via EJA e com histórico de longo intervalo de tempo entre a conclusão do Ensino Fundamental e Médio.

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