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Les acteurs exclus de GRASP 108 

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CHAPITRE 2 : UNE INITIATIVE STRATÉGIQUE DES ORGANISATIONS POUR LA

2. GRASP II : vers une conversion des organisations de conservation au référentiel de

2.3. Les acteurs exclus de GRASP 108 

pensamento que nos ocorre quando olhamos para as revistas que estabelecemos como objeto empírico. Sob uma mirada inicial reconhecemos que, segmentadas ou não para o público

GLBT, as revistas3 dedicadas ao estilo de vida, moda, luxo, viagens, cuidados do corpo e beleza são iguais. Desta constatação primeira nos surge a pergunta: a única diferenciação então é o público para o qual a revista se destina, pois no restante elas são iguais? Não, as diferenças vão além. Devemos evitar este silogismo simples para analisar os veículos que elegemos. Mesmo que eles estejam organizados sob as normas e as estruturas capitalistas; ainda que seu aspecto gráfico vise atrair novos investimentos de publicidade e propaganda; ou que muito de seu espaço seja destinado mais a entreter que a informar; as revistas são fundamentais para evidenciar outros tipos de visibilidade homossexual.

Talvez estes meios de comunicação digam muito pouco para o público geral. Talvez digam muito pouco também para diversos segmentos do mundo homossexual. Mas, indiscutivelmente, elas são um equipamento valoroso da vida e da cultura GLBT. Apesar de destinadas a um coletivo dentro do amplo grupo dos homossexuais, as revistas representam mais do que apenas um espaço onde temas recorrentes são tratados – como a homofobia, a aids, a luta por direitos e as conquistas. Estes veículos de comunicação estão em uma triangulação semiótica com o leitor e sua experiência na vida homossexual. É possível que surja desta consideração uma crítica: “revistas como a espanhola Zero e a francesa Têtu se referem apenas aos burgays, elas refletem somente esta pequena parcela do mundo homossexual”.

Na medida desta crítica, as revistas privilegiariam apenas um tipo de simbolização e na triangulação adquiririam uma supremacia sobre os outros dois vértices, chegando mesmo a condicioná-los. Defendemos, porém, que a intenção de significação deste núcleo simbólico pretende alcançar o interprete com valores de significação agregados que não são os de narcotização das consciências. Muito antes pelo contrário, estes veículos produzem valores na articulação com a experiência ordinária de seus leitores. Tal articulação possui uma função cognitiva, materializada na relação simbólica da revista com seu público. Uma rede simbólica só possível no vínculo entre as partes envolvidas. Os símbolos, tal como Pross os definiu, reproduz em um objeto geral e não individual. Nesta medida, os símbolos formam parte das

3 Muniz Sodré caracterizou a revista como um meio de comunicação que é uma extensão da imprensa diária. O objetivo destes

veículos pode variar entre a opinião ou o aprofundamento de temas de natureza humana. De acordo com a avaliação de Sodré, nas revistas de luxo o jornalismo está atrelado a publicidade e a propaganda. “É evidente que as revistas elegantes (especialmente as femininas) fornecem informações desejáveis sobre assuntos específicos, mas na realidade elas funcionam mais como departamentos auxiliares do Consumo (os anúncios são pagos, em geral, por indústrias de roupas, cosméticos, diversão, etc) do que como um sistema fortemente caracterizado por um produto original, que seria a informação, com vistas a opinião

experiências dos envolvidos na relação de produção e interpretação simbólica. Nos apropriamos dos signos sob a guia de nossas realidades sociais. Deste modo, Pross define a simbolização como uma função designadora, que alinha a representação de uma classe de objetos com as consciências interpretantes.

La facultad designadora, natural al hombre, su capacidad de dar signos y recibirlos y poner em práctica reflexivamente esa capacidad de distancia de mera naturaleza. Lo que significa para el hombre “realidad” es captado por él a través de los médios artificiales de los signos, de forma que para él no hay más realidad que la experimentada y objetivadad por signos. (PROSS, 1980: 23-24)

Pensamos que é um risco avaliar as revistas somente sob uma perspectiva mercadológica ou nos limites do recorte que determina um grupo a ser influenciado. O mercado não é autônomo, ele flutua ao sabor dos comportamentos sociais. Por exemplo, como explicitamos anteriormente, o aumento dos investimentos em publicidade e propaganda para o mercado GLBT, em 2004 e anos posteriores, foi resultado de uma mudança jurídica de grande impacto: a aprovação do casamento homossexual. Por outro lado, como bem diz Baitello Júnior (2006), limites e fronteiras não servem apenas para isolar, servem também para aproximar: quando criamos fronteiras, criamos juntamente os vizinhos. Acreditamos que o mais adequado é perceber estes meios de comunicação em sua perspectiva relacional, em sua interação com a experiência do público receptor de suas mensagens. O público pretendido pelas revistas não vive dentro de uma bolha social, sua experiência com os media não está restrita apenas a um meio de comunicação. Na trama de sua experiência, no seu exercício de experimentar a vida, o leitor prende por entre os dedos fios narrativos, vindos de diversas fontes, para tecer suas redes simbólicas. Na composição de seu ethos, de seu ambiente, as revistas são um dos elementos ativos. Definitivamente, elas não têm a totalidade da influência sobre os leitores, são apenas fontes de referência às experiências do grupo que pretende alcançar.

Sem dúvida nenhuma, as revistas selecionadas repetem um conhecimento sobre o corpo elaborado pela indústria da beleza e da técnica do embelezamento. Mas, além disso, elas colocam em circulação um conhecimento da vida homossexual produzido por atores da cena homossexual, relatando acontecimentos da vida ordinária destes sujeitos: a festa, o encontro, a moda, os lugares de sociabilidade, os anseios e as lutas. Remontado novamente a pensamento de Pross, é um atributo dos sujeitos definir o curso da socialização. Conceber as relações entre os objetos e os signos, organizar e inter-relacionar as cadeias de signos a ponto de se transformarem em simbolismos altamente sofisticados, são processos iniciados nas experiências iniciais da corporeidade individual dos sujeitos – ou seja, a experiência inscrita

no corpo forma e é formada na ação simbólica. A interação entre o leitor e a revista acontece sob a designação do médium como símbolo de algumas experiências do grupo.

Outrossim, o modo como ocorre o encontro dos corpos nos editoriais de moda e estilo está pleno de uma afetividade típica de seu público. São corpos que narram não apenas uma coleção ou produção de moda, eles fabulam as situações vividas pelo coletivo de leitores da revista. São imagens produzidas com a função de ser um duplo do objeto que representam. Nessa lógica, as revistas convocam o leitor para participar dela, para dentro dela – seja por reconhecimento, identificação ou mesmo desejo de estar ali.

O projeto editorial das revistas coloca em movimento palavras e imagens. Em se considerando a revista Zero, veículo central de nossa análise, percebemos que os temas dos artigos e reportagens referem-se a situações de interesse direto da vida homossexual. A disposição dos corpos nos textos verbo-visuais da Zero desvela um gesto, uma forma de comunicação do corpo forjada nos ambientes do mundo gay. Nestes textos, palavra e imagem se juntam para descrever uma forma corporal não dada na forma física, mas na cultura. Médium ampliado que compartilha um mundo de sentido. Baitello Júnior tomou de empréstimo a noção de mundo partilhado (Mit-Welt) de Rudolph Zur Lippe para ampliar o conceito de corpo.

Este (o corpo) é compreendido neste contexto não apenas como espaço físico, mas já como entidade comunicativa, como trânsito e movimento, como mídia e pensamento, como história e narrativa. Estamos portanto diante de um corpo semiótico e cultural, composto de significados, símbolos e sinais, de memórias e histórias, tanto quanto de órgãos e trocas bioquímicas. Um corpo é, sim, um todo orgânico que apenas sobrevive sob determinadas condições físicas, mas que em contraposição requer igualmente a permeabilidade dos limites estabelecidos pela pele individual. No corpo semiótico e cultural, a base física é expandida pelo corpus de significados trazidos por outros corpos, por suas trajetórias, por suas vidas e suas histórias. (BAITELLO JÚNIOR, 2006: 85)

Quiçá a similaridade do padrão estético entre as revistas segmentadas para homossexuais e as segmentadas para heterossexuais faça a real diferença. Quando representantes do mundo GLBT produzem textos culturais com os temas da homoafetividade, produzem as narrativas sobre si mesmo com as mesmas condições editoriais e comerciais que os veículos destinados ao público heterossexual, colidem frontalmente como os modelos desejosos de associar as práticas homossexuais, especialmente as masculinas, apenas a promiscuidade e pornografia. Estes modelos visam empurrar os homossexuais para o beco sombrio das práticas proibidas. Registrar o afeto entre os corpos nos textos verbos-visuais ficcionais e documentais fortalece, na simplicidade da ação, um exercício de resistência a domesticação que pretende enclausurar os corpos. A demonstração de amor entre pares é, neste sentido, um projeto libertário.

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Dentre todas as realizações a comunicação é a mais notável. Trata-se de um prodígio, diante do qual a transubstanciação se torna pálida, que as coisas passem a ser capazes de transferir-se do plano das impulsões externas para o desvelamento, para o homem, e assim para si próprias; que o resultado da comunicação possa ser a participação e o ato de compartilhar. Quando ocorre o comunicar-se, todos os eventos da natureza tornam-se sujeitos a reconsideração e a revisão; são readaptados para que enfrentem as exigências da conversação, quer seja esta o discurso público, quer seja o discurso prévio chamado pensamento. (Dewey, 1980: 29)

Ao final da nossa dissertação, retomei a noção de rizoma (Deleuze e Guattari) para retratar a imagem do trabalho - um segmento provisoriamente interrompido, potencialmente aberto a novas conexões e ramificações. Chegar ao final da tese nos produz uma sensação semelhante: o ponto final não é uma impossibilidade de prosseguir. O lugar de fala propiciado pela pesquisa é um ponto inicial na trajetória investigativa do pós-tese.

À medida que construíamos o quadro teórico-conceitual nos deparamos com a necessidade de reconfigurar nosso objeto. As perguntas surgidas sob a angulação teórica que se formava indicavam um outro caminho para a análise. Começamos a entender a noção de horizontal (Pross) como um território existencial (Deleuze e Guattari) a ser conquistado no dia-a-dia. Com a definição dos contornos do quadro, este princípio revelou-se como chave. Para que pudéssemos pensar a inter-relação entre dominação e resistência, foi preciso equacionar os pesos entre os efeitos do verticalismo e as possibilidades de conquista da horizontal.

Em nenhum momento tomamos o equacionamento dos pesos sob uma visada ingênua de que a resistência tem força igual ao poder. A desigualdade de forças não significa ausência de força. É esta força, ainda que menor em quantidade, que coloca em atrito os fluxos da vertical com a horizontal. O fluxo da horizontal se expande de modo irregular. Ele é permanentemente cortado pelo fluxo da vertical. Enquanto um ponto se interrompe, outro passa a crescer em um lugar diferente e assim o fluxo horizontal segue seu caminho.

O fluxo da vertical é o fluxo da homogeneidade, da indiferenciação. Contrariamente, o fluxo da horizontal é o da transformação, da multiplicidade. O vertical é da ordem da imposição,

o horizontal é da ordem da conquista. A autonomia dos sujeitos é processual, ocorre sob avanços e retrocessos. A busca pela autoderteminação é cercada pelos enfrentamentos. A sofisticação da violência simbólica serve bem às estratégias de controle vertical do poder. Um sem número de máquinas de produzir imagens coloca os sujeitos em exposição constante, sujeitados às imagens. As estratégias de controle alcançaram os corpos, se inscreveram neles, imprimiram sobre o corpo um regime discursivo imagético despótico. Este regime efetiva um discurso que pretende estabilizar uma noção do corpo como máquina produtiva. Como regime discursivo, ele opera no controle do desejo. Frente as diferenças de temporalidades e durabilidades próprias a cada corpo, resta as estratégias do controle recorrer aos media como instrumento de sincronização. A ação de sincronizar é na verdade um corte no tempo. Como o tempo não se estagna, a sincronização não significa igualar tempos; mas, estabelecer verticalmente um tempo em que os corpos devam estar.

Estar no tempo sincronizado dos media é como estar preso em uma fenda do tempo. Como uma metáfora invocada da pintura Saturno devorando a un hijo, de Francisco de Goya, um corpo simbolizado devora os corpos biológicos. Os corpos imagéticos que circulam nos media tentam comer as cabeças dos outros corpos, transformar os sujeitos em homens com a cabeça de papelão, tal como satirizou João do Rio. Mas, o cotidiano permite ao corpo outras experiências que não apenas a dos media. Com um movimento dialético entre a dureza e a delicadeza o corpo, na vida ordinária, é marcado pelo tempo, modificado pela dor, tencionado pelos medos, relaxado pelos prazeres. É na experiência da vida ordinária que o corpo resiste. A experiência é uma ação, um encadeamento de acontecimentos na vida dos sujeitos.

O acontecimento é algo sobre o qual atribuímos um valor, produzimos uma sensação, uma mudança no estado do mundo. Ele deve ser compreendido como singularidade, na extensão e na qualidade das forças que se assenhoram do tanto quanto existe. O acontecimento é pluralidade (Deleuze). O acontecimento põe o corpo a cavalgar no devir em direção a horizontal.

Como parte de nossa conclusão, é fato que as revistas analisadas reproduzem o modelo normativo de corpo desenhado pelas estratégias de controle. Compreendemos que as revistas, por sua linha editorial, estão submetidas às regulações da publicidade e da propaganda. Todavia, é preciso sermos cuidadosos para não invalidar a importância destes meios para a identidade homossexual.

e na publicidade, o que encontraremos é uma unidade de sentido entre a revista Zero e as demais a que foi contrastada. Os corpos são muito parecidos. Tornou-se evidente para nós que nas imagens dos corpos está construído um objeto comum tanto para os desejos homossexuais quanto para os heterossexuais. Porém, se deixamos o recorte e nos atentarmos ao conjunto da revista, é possível perceber um outro caminho. Os textos verbo-visuais das revistas são uma narrativa identitária considerável do coletivo de leitores.

As revistas utilizam o modelo de corpo vigente, mas sob a lógica de uma cultura homossexual. Elas não podem ser consideradas um mero reprodutor dos formatos das publicações heterossexuais, dissipando-se qualquer possibilidade de existir uma atitude de resistência. Mesmo existindo um padrão de produção muito próximo entre as revistas comparadas, há nas revistas destinadas aos homossexuais uma iconofagia dotada de um valor positivo, uma revitalização das presas antropofágicas do dominado. Não é prudente, para uma análise crítica dos veículos, desconsiderar o lugar de fala da revista homossexual e como este lugar está inscrito nas pautas veiculadas.

O reconhecimento de um valor positivo da iconofagia não foi pensado sob a forma de um silogismo simples: como há um valor negativo, haverá um positivo. Ao assumirmos como princípio o pensamento foucaultiano de que a resistência ao poder nasce no seio do próprio poder, percebemos que os atos de resistência podem e se servem da iconofagia. É como dizer: sua imagem permanecerá, mas será acompanhada de meu texto. Ou ainda, para utilizarmos a figura das comutações em Roland Barthes, os acontecimentos, as experiências da vida homossexual enxertam mudanças no plano de significação das imagens dominates. Como algo comutado, a iconofagia positiva fará nascer um novo sentido decorrente da articulação entre os valores pré-existentes na imagem e o contexto sócio-cultural dos receptores.

A revista é dos elementos da cultura homossexual. Tal como a esta cultura, a revista é atravessada por extratos da cultura homossexual. Sob harmonia ou sob embate, sempre há uma convivência entre os valores simbólicos de matrizes culturais distintas. Este princípio nos levou à conclusão de que Pross assume o signo triádico do modelo semiótico americano para colocar a cultura como o terceiro. Pross critica o conceito de signo cunhado por Charles S. Peirce. A primeira vista, a crítica pode indicar um distanciamento da noção de signo cunhada pelo americano. Entretanto, Pross não abandona por inteiro a noção peirciana. A noção de signo para Peirce é de processo, enquanto a de Ferdinand Saussure é de sistema. O signo

peirciano é sempre triádico, ao ponto que o signo saussuriano é binário. Pross buscará em Max Bense uma definição símbolo – que foi derivada da noção triádica de Peirce. Ao compreender a proposta de Bense como uma semiótica relacional, Pross conceberá o signo como um trípode em que o ponto axial é o símbolo, apreendido na rede da cultura.

Pross entende os signos como uma relação. Sua concepção acerca da violência simbólica exige uma análise dos aspectos históricos e culturais a que estão vinculados os assujeitados. A relação triádica do signo, para ele, estará sujeita aos processos de socialização. O estabelecimento e o reconhecimento da rede de signos e símbolos está condicionado à consciência crítica do sujeito. A rede da cultura está composta, então, por uma trama de referências simbólicas. Essa urdidura usa os fios dos teares de sentido das mais diversas experiências. A noção de texto verbo-visual como espaço de experiências semióticas e afetivas nos possibilitou perceber a importância da revista envolvida no processo de socialização de seu público. Esta conclusão é decorrente do entendimento da revista não como uma sucessão de imagens e textos, mas como um texto verbo-visual que articula códigos oriundos do regime visual e do regime textual para constituírem um novo texto.

O mundo homossexual, como qualquer outro, é diverso. Podemos detectar formas parecidas de viver a homossexualidade nos grandes centros urbanos capitalistas. Estas formas não são capazes de definir contornos rígidos de uma comunidade. Elas representam traços comunitários retirados de subconjuntos sociais que permitem o reconhecimento de algum nível de identificação de comportamentos e de linguagem. O estilo estético das revistas se destina a um grupo de homossexuais, que denominamos o coletivo de leitores da revista. Assim sendo, a revista Zero quer comunicar para um público recortado e ansioso por um tipo de informação. Não foi nossa proposta efetuar uma crítica sobre o fato dela comunicar para o “burgay” – argumento forte na crítica contrária a este tipo de meio. Mais que estabelecer um juízo de valor sobre para quem a revista se destina, nos pareceu mais interessante perceber se é realizada a proposta de comunicação pretendida. Acreditamos que sim. Para nós, a revista extrai sentidos existenciais do coletivo e os devolve como novos elementos para a constituição da subjetividade. As formas da vida social do coletivo se apropriam do discurso da revista de um modo desigual, propositalmente desigual, cada indivíduo toma para si o que lhe interessa. O próprio modo de recepção, envolvido em uma série de outros meios de informação, evita que a revista seja um instrumento de obliteração do coletivo. O coletivo antecede a revista, seu estilo de vida já estava instalado quando a revista nasceu.

A revista não está restrita aos aspectos sensacionais em suas abordagens. Para contemplarmos outras dimensões, devemos nos afastar da concepção da revista como espaço de fetichização do consumo. Sob seus componentes heterogêneos diferentes regimes de signos são organizados como substâncias significativas de uma forma social – a vida de um grupo homossexual. Concluímos que a ação de comunicação propiciada pelo veículo conecta subjetividades pela descrição de formas de sociabilidade.

A experiência do coletivo de leitores com a revista está orientada por um estilo estético. A mensagem da revista não é capaz de reduzir os comportamentos individuais isolados, conferindo homogeneidade ao coletivo. Ela apenas descreve um religare (Michel Maffesoli) próprio das sociedades de consumo. A possibilidade de existência de meios como a revista espanhola Zero, a revista americana Out, a revista francesa Têtu, ou qualquer outra de projeto editorial parecido a estas, é conseqüência da complexificação das relações sociais e das conquistas de direitos não apenas homossexuais, mas humanos. Esvaziar a importância destes meios sob o pretexto de que se dedicam apenas ao fútil é acabar com um instrumento discursivo e abrir espaço para a dominação.

O discurso é aquilo pelo qual se luta, nos ensinou Foucault. No decorrer desta tese tentamos demonstrar que a luta pelo discurso homossexual foi marcada pelo silêncio e grito, pela visibilidade e pela invisibilidade, movimentos sempre encenados sobre o corpo. O corpo foi exposto para ser torturado, humilhado, investigado, punido e controlado. Mas o corpo sempre

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