Comment construire un terrain ?
B) Le Lieu-Dit : du début de l’enquête à la construction du terrain
2) Élaboration du guide d’entretien et traitement des observations
Para análise aprofundada de diferentes aspectos do conhecimento semântico, pesquisadores têm adotado a prática de testar o mesmo aspecto linguístico com diversas provas.
Nomeação por confrontação visual: esta prova é amplamente utilizada
para investigar o resgate de informações do sistema semântico. Ao nomear um objeto, compreendemos, categorizamos, classificamos e comunicamos o que estamos observando (Krishnan et al., 2014). A nomeação visual é um processo cognitivo complexo que, antes do início da fala, envolve o reconhecimento visual do objeto apresentado ou da figura apresentada, acesso ao significado do objeto e à forma/imagem auditiva correta da palavra, e, finalmente, a programação motora e a preparação para articulação da palavra (Indefrey; Levelt, 2004; Liljeström et al., 2014). Fatores como idade de aquisição e frequência do uso do item lexical, bem como o nível de escolaridade interferem no desempenho da prova.
A categoria gramatical, como substantivos e verbos, também importa para o processamento da linguagem. Os substantivos são adquiridos antes dos verbos no processo de desenvolvimento de linguagem da criança, pois objetos são mais facilmente representados de modo concreto (Spezzano; Mansur; Radanovic, 2013). Estudos em pacientes com lesão cerebral mostraram que estas categorias podem ser prejudicadas de maneira seletiva. Estudos de neuroimagem funcional mostram que as duas classes gramaticais ativam circuitos neuronais distintos: giro fusiforme anterior esquerdo para substantivos e córtex pré-frontal esquerdo, lóbulo parietal superior esquerdo e giro temporal superior esquerdo para verbos (Scott, 2006).
Estruturas neocorticais frontotemporoparietais esquerdas participam ativamente da nomeação, como se observa nos vários tipos de afasia (Goodglass; Kaplan, 1984). Entretanto, a participação de estruturas temporais mesiais em provas de nomeação normalmente não era considerada. Para Mesulam (1985), as informações já consolidadas ao longo da vida, como nome das cores e significado das palavras, são processadas em estruturas
neocorticais do HE e apenas as informações novas são processadas pelas estruturas hipocampais.
Nomeação responsiva: uma abordagem alternativa à prova de
nomeação visual é a prova de nomeação responsiva ou por confrontação auditiva. Nesta prova, o indivíduo ouve a definição de um objeto e deve nomeá- lo. Hamberger et al. (2001) compararam o desempenho de pacientes com EMTe e EMTd nestas duas provas de nomeação e mostraram que pacientes com EMTe tiveram maior dificuldade na nomeação responsiva. Esta dificuldade também se mostrou maior em relação a pacientes com ELT sem esclerose de hipocampo. Os autores atribuíram este achado às distintas áreas cerebrais envolvidas em cada prova, pois a nomeação responsiva utiliza áreas temporais anteriores, as mesmas afetadas na EMT. Já a nomeação visual utiliza áreas temporais posteriores (Hamberger, 2015; Hamberger et al., 2001).
A dificuldade de nomear foi relacionada à disfunção do hipocampo em vários estudos que associaram esta estrutura ao processo de resgate lexical (Sawrie et al., 2000). Na revisão de Bartha-Doering; Trinka (2014), 75% dos pacientes com ELTe e 19% dos pacientes com ELT à direita (d) apresentaram distúrbios na nomeação responsiva.
A nomeação visual e a nomeação responsiva envolvem os mesmos processos cognitivos: reconhecimento do estímulo visual ou compreensão da definição de um conceito familiar; acesso ao significado do objeto ou ao seu conceito no sistema semântico; recuperação da representação lexical e acesso à forma fonológica da palavra no sistema lexical; por fim, o planejamento motor que leva à articulação da palavra (Deleon; Gottesman; Kleinman, 2007).
Fluência verbal ou geração de palavras: prova comumente utilizada
para investigar linguagem, demanda o resgate rápido de palavras atendendo a critérios semânticos (por ex.: gerar palavras de uma certa categoria semântica, como animais ou frutas) ou fonológicos (por ex.: gerar palavras que comecem com um determinado fonema, como m ou p). O desempenho é medido pelo número total de palavras gerados em 60 segundos.
As provas de fluência verbal também têm sido usadas para avaliar funções executivas: além de acessar o léxico mental, é necessário sustentar a atenção, selecionar e não repetir palavras. Recentemente, um estudo comprovou que o processamento de linguagem é componente essencial para esta tarefa, tanto para critério fonológico quanto para critério semântico (Whiteside et al., 2016).
Os critérios semânticos e fonológicos para a busca da palavra dependem de processamentos e substratos neurais diferentes: a fluência semântica é mais dependente de regiões do lobo temporal e a fluência fonológica, mais de regiões do lobo frontal (Troyer et al., 1998). Pacientes com lesão hipocampal geraram menos palavras na fluência semântica do que na fluência fonológica. Pacientes sem lesão hipocampal não apresentaram este padrão, sugerindo influência do acometimento do hipocampo no declínio da fluência verbal semântica. Em pacientes com ELTe, a fluência verbal mostrou-se prejudicada independentemente de dano ao hipocampo. Em pacientes com ELTd, a fluência verbal mostrou-se prejudicada apenas na presença de dano hipocampal (Gleissner; Elger, 2001).
Definição de palavras: a capacidade de definir palavras adequadamente
depende de acesso intacto à informação e de habilidades metalinguísticas, como representar e coordenar o conhecimento sobre o uso da linguagem (Astell; Harley, 2002).
A prova de definição de palavras é, habitualmente, empregada para avaliar a memória semântica na demência de Alzheimer (DA) e APPS. Estes pacientes apresentam dificuldade acentuada em gerar informações semânticas sobre uma palavra apresentada visualmente (figura de objeto) ou oralmente (Astell; Harley, 2002). Nestes pacientes, estas dificuldades são atribuídas à degradação da memória semântica, mas muito se especulou se não poderiam ser atribuídas a dificuldades no acesso ou na recuperação do léxico (Bayles; Tomoeda; Trosset, 1990; Bell; Hermann; Woodard, 2001).
Estudo com pacientes com ELT comparou o desempenho na prova de definição e de nomeação visual, e também relacionou deficiências no conhecimento conceitual à dificuldade de nomear. Este estudo sugeriu que
dificuldades no conhecimento semântico podem contribuir para a dificuldade de nomeação, mas que estas dificuldades seriam causadas, principalmente, por dificuldades na recuperação lexical (já discutidas anteriormente) (Bell; Hermann; Woodard, 2001).
As provas de definição e as provas de nomeação são fortemente relacionadas: palavras/objetos pobremente definidos são inadequadamente nomeados e vice-versa, revelando correlação entre nomeação e conhecimento semântico, e que a prova de definição é indicador altamente sensível da integridade do conhecimento semântico (Hodges et al., 1996; Bell; Hermann; Woodard, 2001).
Compreensão de palavras: a avaliação da compreensão investiga o
processo de codificação de informações. Diferentes provas de compreensão podem ser utilizadas. Em pacientes com DA, observou-se correspondência entre dificuldades de compreensão de palavras e de nomeação, evidenciadas por provas de pareamento palavra-figura (Hodges et al., 1996). Estudos envolvendo pacientes com EMT mostraram resultados uniformes, que indicaram pior desempenho em pacientes com lesão à esquerda (dominante para a linguagem) (Hermann; Wyler; Somes, 1991; Saykin et al., 1995; Giovagnoli, 1999a).