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b) Le point de vue interne de quelques membres de SEQ-2

Le laboratoire de recherche senior : analyse d’une sociabilité cohésive et coopétitive

III.2. b) Le point de vue interne de quelques membres de SEQ-2

O positivismo assenta na posição epistemológica do objetivismo, de acordo com a qual para se obter conhecimento, o investigador deve observar imparcialmente o objeto de estudo, captando, com base nas suas observações, a essência do próprio objeto. Esta posição epistemológica é baseada na premissa ontológica do realismo. Ontologicamente, a investigação contabilística mainstream é dominada pela crença no realismo físico – a reivindicação de que há um mundo de realidade objetiva, o qual existe independentemente dos seres humanos (Chua, 1986). No mesmo sentido, Hoque (2006) considera que a pesquisa que usa perspetivas ou teorias positivistas observa a realidade como uma estrutura concreta. Com efeito, do ponto de vista positivista, os objetos apresentam significados antes e independentemente de qualquer consciência sobre eles (Crotty, 1998). Para o positivismo a realidade existe e deve ser observada de forma objetiva, separando os objetos dos sujeitos, reivindicando que a ciência deve apresentar-se neutra, livre de valores pessoais, éticos, morais, sociais ou culturais (Delanty e Strydom, 2003).

O paradigma positivista é empirista por natureza, procurando, através da observação, regularidades universais e relações causais (Chua, 1986). A procura de regularidades e relações causais conduz à necessidade de um elevado número de observações empíricas isentas de valor, fazendo com que o positivismo dependa de rigorosos métodos de recolha e análise de dados que eliminem o subjetivismo. No paradigma positivista, o mundo tende a ser expresso em equações matemáticas e modelos de relações causais que permitam testar uma teoria, ou seja, há um mundo da observação separado daquele da teoria, e o primeiro deve ser utilizado para atestar a validade científica do segundo (Chua, 1986). Desta forma, no positivismo é necessária uma teorização apriorística, a qual deve identificar o que observar.

O positivismo recorre à indução, implicando tal indução que as teorias gerais ou afirmações universais possam ser validadas através da generalização dos comportamentos individuais. Popper (1959) considera que independentemente da quantidade de observações individuais efetuadas, não é razoável transformar proposições individuais em universais, propondo que as teorias científicas não sejam validadas, mas antes falsificadas. Em conformidade, não se afirma que uma teoria é verdadeira, mas que não se demonstrou errada. Propõe, assim, que a ciência deve procurar falsificar as teorias e as hipóteses. Popper (1959) não descarta o positivismo, embora a sua posição prudente seja a de considerar que as teorias não são verdadeiras, mas apenas que não se conseguiu demonstrar que são falsas.

3.3.1.2 Interpretativismo

O interpretativismo assume-se como uma resposta ao positivismo no que tange à exclusão do sujeito das observações do mundo. Uma abordagem positivista, através de uma observação alegadamente livre de valores, procura identificar caraterísticas universais da humanidade, da sociedade e da história que ofereçam explicações e, logo, controlo e previsibilidade. Contrariamente, a abordagem interpretativa procura interpretações do mundo historicamente situadas e derivadas da cultura (Crotty, 1998). O interpretativismo considera que a realidade não apresenta significado em si mesma, ocorrendo este através da iteração entre essa realidade e o ser humano. Em conformidade, a epistemologia do interpretativismo é baseada no construcionismo: os significados não podem ser descobertos, são antes construídos pelos sujeitos. Esta posição não nega a ontologia do realismo, ou seja,

simplesmente descrito como objetivo. Da mesma forma, também não pode ser simplesmente descrito como subjetivo. Objetividade e subjetividade necessitam de se unir e assim se manter indissoluvelmente (Crotty, 1998). Contrariamente ao positivismo, a epistemologia construcionista adotada pelo interpretativismo, admitindo que os significados são criados numa base individual, declina a existência de significados universais.

O interpretativismo é, também, um paradigma empirista, na medida em que necessita de recolher dados para interpretação, embora se distancie do empirismo tradicional associado ao positivismo, uma vez que considera inexistirem observações isentas de valores. De igual forma, o interpretativismo não é normativo uma vez que não visa propor alterações, mas apenas compreender as ações humanas dentro de um contexto social (Chua, 1986). Dadas as suas caraterísticas próprias, o interpretativismo requer, igualmente, métodos próprios, tais como a hermenêutica (Crotty, 1998; Bryman, 2012).

3.3.1.3 Teoria Crítica

A posição epistemológica, o construcionismo, e a posição ontológica, o realismo, inerentes à teoria crítica, são idênticas às do interpretativismo. Não obstante, esta teoria considera que a potencialidade humana é restringida por sistemas prevalentes de dominação que alienam os indivíduos da realização própria (Chua, 1986). Esta teoria considera que o potencial humano se encontra limitado pelas estruturas de poder dominantes, mas que tais estruturas podem ser alteradas. Enquanto para o interpretativismo os aspetos sociais e históricos são parte do problema, a teoria crítica adota uma postura normativa, a qual considera que o investigador deve propor alterações à realidade existente. A realidade apresentada ao investigador não é separável da ideologia e interesse próprios dos grupos dominantes (Chua, 1986). Enquanto o interpretativismo procura compreender a relação entre os sujeitos e os objetos, enquadrados em determinado ambiente sociopolítico, a teoria crítica considera a história e a política como inseparáveis dos sujeitos. É o contraste entre a investigação que procura meramente entender e a investigação que desafia, entre a investigação que lê a situação e a investigação que a lê, mas na ótica dos conflitos e opressão (Crotty, 1998).

3.3.1.4 Posicionamento da investigação face aos paradigmas

São diversos os paradigmas, e encontram-se constantemente em mutação. O que hoje se considera boa investigação no âmbito de um paradigma poderá não ser reconhecida como tal no âmbito de outro. A este propósito, num artigo em que se descreve, na primeira pessoa,

a evolução da investigação desde a década de 60 do século passado, Hopwood (2007), relata a rejeição do artigo de Ball e Brown (1968) pela The Accounting Review com o argumento de que o mesmo não tratava de contabilidade, tendo o referido artigo sido publicado pelo

Journal of Accounting Research. A propósito deste episódio refere Hopwood (2007:1367)

que “nessa altura, no período decorrido até à atualidade, e na atualidade, existem pessoas que pensam que sabem o que é a contabilidade. Quão erradas estas pessoas estão21”. O que Hopwood pretende mostrar é que, em contabilidade, não há uma única forma de pensar e de investigar.

A estrutura desta tese segue a sequência associada ao paradigma positivo: objetivismo, positivismo, investigação por inquérito e análise estatística (Crotty, 1998). Esta investigação procura, através da recolha de um elevado número de observações empíricas, regularidades universais e relações causais e nesse sentido é sobretudo positiva. Porém, os resultados estatísticos e respetivas conclusões são objeto de interpretação, a qual não é alheia ao contexto histórico e político-institucional.

Na Tabela 3.2, procura-se, sistematizadamente, enquadrar o presente projeto de investigação, o qual se encaixa, epistemologicamente, no objetivismo empírico e, ontologicamente, no realismo.

Tabela 3.2: Posicionamento face aos paradigmas de investigação

Epistemologia Ontologia

Positivismo Objetivismo empírico: Observação

imparcial da realidade objeto de estudo.

Realismo: A realidade existe, independente-

-mente dos seres humanos.

Interpretativismo Construcionismo empírico: Observação

histórica e culturalmente contextualizada que permite construir uma visão da realidade.

Realismo: A realidade existe, embora não

tenha significado de per si.

Teoria Crítica Construcionismo: Observação do sujeito, o

qual é produto dos conflitos e opressão.

Realismo: A realidade existente é

condicionada pelos sistemas prevalentes de dominação, podendo ser alterada.