Chapitre II : La formation de la relation concentrative.
Section 1 : Le marché des produits.
I. Le test SSNIP.
Natal, outono de 2013.
Prezado Senhor, Prezada Senhora.
Tenho a honra de informar a Vossa Senhoria que há uma edição das Lettres organizada por Don Juan López de Peñalver (1798), considerada importante pelo seu valor histórico e que traz logo na abertura uma advertência que indica a utilidade da obra para a instrução intelectual da juventude da época, pois segundo seu tradutor, “ninguém negará a importância de conhecer as causas dos efeitos naturais que continuamente temos diante dos olhos”. (PEÑALVER apud PÉREZ, 1990, p. 75).
A história nos demonstra muitos exemplos de misérias, injustiças e perseguições, originadas da ignorância dessas causas”. E pouco depois continua:
Parece-me algo vergonhoso ignorar absolutamente tantos efeitos naturais como os que se apresentam diariamente. Este descuido, esta espécie de inatividade em que cresce e vive a juventude, acostumada a olhar com indiferença o que deveria chamar sua atenção, amortece nela a curiosidade que é o princípio do saber. Indiferentes a tudo, qualquer resposta lhe satisfaz; e por falta de conhecer o que ignoram, se fazem orgulhosos não valorizando o ouvir falar dessas matérias, às vezes desprezando aos que deveriam honrar. (PEÑALVER apud PÉREZ, 1990, p. 75).
Depois justificam os jovens, porque faltam livros simples e claros para a instrução, com os quais seguramente se apegariam e se aprofundariam nas ciências. Segue depois um elogio das matemáticas e em especial da álgebra, mostrando que é um idioma, ao que se precisa dedicar ao mesmo tempo e os mesmos exercícios como se fora o francês ou o inglês. Termina indicando que na tradução utiliza a edição de Paris de 1787.
Henry Hunter, o primeiro estudioso a traduzir Lettres para a língua inglesa em 1795, seguiu a última edição francesa editada por Condorcet e De La Cruz em 1787. Escreveu em seu prefácio que estava surpreso com o fato de que uma obra tão popular no continente europeu, de reconhecido valor ainda fosse desconhecida na Inglaterra e sem tradução para a língua inglesa. (HUNTER apud ALEXANDERSON, 1983).
Hunter acreditava que o principal objetivo de Euler ao escrever as Lettres foi o de educar as mulheres. Por este motivo, ele considerou ser um seguidor fiel dos passos do seu mestre, dando ênfase na sua tradução à educação das mulheres britânicas. Confiara que seu livro se tornaria imprescindível à educação feminina, tornando-se uma espécie de manual da boa educação, acompanhando-as no desjejum a mesa, nas salas de estar de todo o reino e, ao mesmo passo que instruiria sobre “as fases da lua, o fluxo e refluxo das marés, sobre a teoria dos sons nas vibrações dos acordes de um violino e ao tocar as teclas de uma clave” (HUNTER apud KLYVE, 2011, p.25, tradução livre)
Enquanto em São Petersburgo, Berlim, Paris, e em cada cidade do principado alemão, os jovens ganhavam em conhecimento pelo trabalho engenhoso de Euler, a juventude britânica encontrava-se mortificada, refletindo sobre “as ilusórias e sedutoras produções de Rousseau e as efusões venenosos de Voltaire” (HUNTER apud ALEXANDERSON, 1983, p. 276, tradução livre).
Hunter apud Alexanderson (1983, p. 276, tradução livre) destacou o papel didático- pedagógico das Lettres, considerando as temáticas tratadas e a metodologia utilizada como totalmente compatível com a finalidade a que foi destinada: “conduzir jovens de ambos os sexos, com igual prazer e desenvoltura, para um conhecimento muito competente sobre filosofia natural”. Para isto, os jovens ao serem iniciados na leitura de Euler, deveriam apenas adquirir alguns pré-requisitos elementares que rapidamente poderiam ser alcançados.
Hunter apud Alexanderson (1983, p. 276, tradução livre), complementou suas orientações sobre a instrução escolar de jovens, sugerindo que os estudos sobre as “ficções poéticas elegantes e divertidas da antiguidade cedessem um pouco de espaço ao conteúdo das Lettres”, ou a outro livro de Euler também considerado um livro para a instrução, Introductio
em infinitorum analysin de 1748, uma vez que considerava imperdível a sua clareza de exposição e o riqueza do conteúdo apontado.
Klyve (2011) emite seu parecer sobre Lettres a une Princesse d'Allemagnedefinindo- as como um tesouro virtual, cheio de insights fascinantes em seus pontos de vista para o mundo natural e da natureza da ciência. Comenta que, Euler faz uso de sua competente habilidade como mestre e professor para fixar o foco de seus alunos, daí uma das razões que as Lettres foram tão amplamente publicadas e traduzidas.
Klyve (2011) detém a maioria de suas discussões sobre as Lettres nas distorções ocasionadas pelas sucessivas traduções. Usa o ditado italiano Traduttore Traditore (tradução é traição) para iniciar um rol de problemas de traduções detectados em suas investigações. Algumas destas divergências estão relacionadas a modificações nos pronomes de tratamento utilizados ao referir-se à princesa, às divergências entre as unidades de distância mencionadas e à inclusão de planetas ainda não descobertos no período em que Euler escrevera as cartas. As descobertas de Klyve foram resultantes de estudos realizados na sua coleção de edições da obra composta por dezesseis publicações em meia dúzia de línguas diferentes, excetuando-se as versões em dinamarquês, sueco e russo, as quais não considerou para suas análises devido a dificuldades com o idioma.
As contradições encontradas nas diferentes traduções por Klyve (2011) levaram-no a concluir que nunca a história sobre a tradução das Lettres foi totalmente contada, movendo-o a procurar questões ainda mais profundas do que as divergentes traduções. Klyve (2011, p. 26, tradução livre) aponta que existem vários exemplos de traição textual nas edições francesas. Esclarece que “em grande parte das edições amplamente distribuída das Lettres (incluindo a que Hunter usou para fazer sua tradução), as Cartas de Euler foram sistematicamente cortadas para fins políticos”. Hunter corrobora para estas conclusões ao afirmar que os "Filósofos, bem como outros homens, estão sob a domínio das circunstâncias locais e temporárias " (HUNTER apud KLYVE, 2011, p.26)
Com a grata satisfação de ter ficado sem espaço nessa missiva para tecer mais considerações a respeito do tema tratado, considero ter prestado os esclarecimentos necessários a Vossa Senhoria a fim de que possa dar prosseguimento a novas investidas teóricas sobre as Lettres a une princesse d’Alegmane.