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Sous l’angle de la variable organisationnelle

SECTION 4 O RIENTATION METHODOLOGIQUE

2.2 E NQUETE EXPLORATOIRE QUALITATIVE

2.2.2 Les résultats dégagés des entretiens

2.2.2.2 Sous l’angle de la variable organisationnelle

Despontamos em nosso 4º cenário com a última categoria intitulada corpo- aprendizagem, que nos revela que o corpo pode ser sim um lugar de aprendizagem. O potencial de desenvolvimento contido em nosso corpo muitas vezes acaba sendo negado pela escola. Ele é tão importante para nossa existência enquanto sujeitos aprendentes, existência humana, quanto o desenvolvimento das capacidades

100 cognitivas. Foi perguntado aos nossos colaboradores qual a concepção de aprendizagem eles têm e nos foi revelado os seguintes excertos:

Aprendizagem para mim e um processo, lento continuo e depende de cada indivíduo, de cada criança [..] Eu entendo que a aprendizagem e esse processo na educação infantil envolve tudo o educar, o cuidar. Eu acredito que está muito mais dentro da interação do adulto com criança. (AZUL- CLARO).

Aprendizagem está muito ligada ao estímulo, quando se é estimulado é mais fácil aprender, é tanto que a gente que tem muito tempo na sala de aula, a gente percebe que algumas crianças que já conhece cores, que já faz uma leitura não convencional, e isso muitas vezes é estimulo não só da escola, também vem de casa. (ROSA)

Aprendizagem ... são os caminhos percorridos que nós conseguimos sobre o conhecimento, que quando você está ensinando você está propondo novas aprendizagens [...] (VERDE-LIMÃO)

Aprendizagem[...] Não é fácil não falar de aprendizagem [...] É a parte mais difícil da pesquisa, porque a gente aprende o tempo todo, aprendemos de tudo, somo seres muito completos [...] A nossa capacidade ela é infinita. A gente tem a capacidade de aprender sobre diversas coisas e de ensinar, ta muito relacionado a nosso campo de interesse. (VERMELHO)

Os discursos apresentados trazem informações como: “falar de aprendizagem não é algo tão fácil”. Demonstraram dificuldade em considerar a dimensão corpo como elemento constitutivo dessa prática pedagógica e que a aprendizagem está muito ligada à cognição, logo, ao conhecimento.

Tais declarações refletem ainda concepções envolvidas por um processo histórico de valorização do cognitivo em detrimento de outras dimensões do ser humano, sejam elas motoras, afetivas, emocionais. Isso acabou refletindo muitas vezes nesse dualismo corpo versus mente, marcado pela sociedade ocidental nos séculos passados, resultando na marginalização desse corpo, como se o sujeito fosse dois em um: ora sujeito corpo, ora sujeito mente e vice-versa.

A professora Pink apresentou um depoimento sobre aprendizagem também voltado para o aspecto cognitivo, no entanto com uma diferença, “a aprendizagem é você adquirir um conhecimento, aprender é você estar com o outro, não existe aprendizagem sozinha, a gente aprende através das relações” (PINK).

No excerto acima, tivemos a oportunidade de interpelar outros elementos, perguntando a mesma “de que forma poderíamos então aprender com o outro?”, “que relações são essas?” A mesma replicou da seguinte maneira:

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Ahhhhh [...] Para mim a aprendizagem não pode ficar condicionada apenas ao conhecimento, quando me referi que aprendemos com o outro, estou falando da interação, da troca, cada qual tem sua individualidade, seus próprios saberes. A aprendizagem para mim é uma construção, uma troca, e essa troca também pode se dar no corpo, quando eu considero essa individualidade, essa subjetividade de cada um. (PINK)

Percebemos que em um primeiro momento a professora Pink volta seu discurso de aprendizagem como conhecimento, entretanto, na continuidade de seu discurso, ao nos relatar que a aprendizagem não pode ficar restrita apenas ao conhecimento, percebemos em sua fala o corpo no processo pedagógico. Embora de forma indireta, em seu discurso sobressai elementos fundamentais que debatemos no capítulo O corpo entra em cena, dando ênfase à importância da interação, subjetividade, relação, individualidade, expressões que comungam junto à teoria do filósofo Merleau-Ponty.

Outro discurso que merece destaque é o da professora Vermelho, que aponta:

Aprendizagem está ligado a aprender que está ligado a ensinar, eu acho que é um processo, né [...] Aprendizagem é aprender [...] Aiiii, realmente não é fácil falar de aprendizagem, está ligado a ensinar [...] Bem eu acho que a gente aprende em todo momento, qualquer oportunidade que a gente tem, a gente constrói e descontrói tudo , a todo momento, e o corpo tem muito a ver com isso, pois ele é oportunidade de se desenvolver, de aprender, envolve muitas coisas ele é oportunidade de aprendizagem, pois a gente aprende a todo tempo. (VERMELHO)

No fragmento da Professora Vermelho, também há em seu discurso a presença do corpo como elemento de oportunidade e que não podemos fechar os olhos para essa reflexão. Elementos esses que mostram uma existência fundada na corporeidade, evidenciando que não existe aprendizagem sem o corpo, uma vez que já denotamos que toda a aprendizagem passa pelo corpo (FERNÁNDEZ, 1991).

O que se precisa deixar claro é que o corpo não pode ser visto como instrumento para a aprendizagem, mas o meio por onde ela ocorre. Trocando em miúdos, não há aprendizagem que não esteja no corpo. Na sala de aula existe uma relação que é acima de tudo corporal, além da dimensão cognitiva e estabelecida pelos sujeitos em sua vivência com o seu eu, com o outro, como sujeito presente no mundo que o cerca (NÓBREGA, 2016).

O que se tem observado nas práticas pedagógicas na infância nos últimos anos é o delineamento do brincar pelo brincar, sem ato intencional, sem o lúdico vivido, e

102 um trabalho de movimento como foco na dimensão racional em busca de aprendizagem de letras e números, colocando esses aspectos em um campo dualista, como se não fossem possíveis que essas ações estivessem integradas no cotidiano da escola e da própria vivência da infância. Os educadores infantis compreendem que o lugar do corpo é parte do profissional de Educação Física, não cabendo a eles qualquer tipo de relação.

Assim, emerge uma reflexão contraditória a esse entendimento. Se nós professores da infância temos que promover o desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos, como deixar de fora desse processo o corpo? Como promover interações, brincadeiras, autonomia, constituição de sua identidade deixando o corpo para o profissional da Educação Física? Para agravar mais ainda a situação, nos Centros Municipais de Educação Infantil esse profissional nem existe, pois são contratados para atuarem nas séries inicias do Ensino Fundamental.

O movimento humano vai além do movimento exercido em relação ao meio físico (WALLON, 1968). Tão importante quanto a capacidade instrumental é a dimensão afetiva do movimento, como experiência essencial pela qual a criança dialoga com o mundo através de capacidade singular de expressão. A criança com Síndrome de Down tem muito isso, essa capacidade única e subjetiva de se relacionar com o meio, com o outro, com o mundo.

Compreendemos aqui essa subjetividade, entendida como resultado da relação dialética estabelecida entre o vivido e o sentido, o cognitivo e sua motricidade, socialmente elaborados em um mundo natural, social, político, cultural e histórico, como forma de exteriorização que cada sujeito percebe o mundo que o circunscreve (MERLEAU-PONTY, 2006).

Não podemos pensar em um sujeito expresso apenas pela sua cognição, bem como um sujeito exclusivamente motor, mas sim na relação dialógica e dialética entre movimento, afetividade, cognição, como faces de um processo para a aprendizagem.

Para dialogar com os discursos apontados pelos nossos interlocutores, assinalamos a importância dessa formação continuada sempre. Jesus (2008) assinala que a formação continuada se constitui em uma prática de fortalecimento de saberes com o propósito de favorecer a qualidade de seu fazer em toda sua totalidade. Para complementar esse diálogo, trazemos Nóvoa (2009) na assertiva de que cheguem aos espaços escolares novos olhares, novas práticas, novas pedagogias

103 com suas múltiplas facetas e cenários, tentando se aproximar a essa diversidade que adentram os espaços escolares.

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