• Aucun résultat trouvé

Situations professionnelles suscitant une grande fierté et une grande difficulté

2. RÉPONSE AU DEUXIÈME OBJECTIF DE RECHERCHE

2.3 Situations professionnelles suscitant une grande fierté et une grande difficulté

Morin (2000) afirma que o desenvolvimento da inteligência é inseparável da afetividade, da curiosidade e da paixão, há estreita conexão entre inteligência e afetividade. A capacidade de raciocinar pode ser diminuída, ou até destruída, pela ausência de emoção, não há um estágio superior da razão que domina a emoção, mas uma relação entre intelecto e afeto. A professora Maria afirma que não quer construir uma dinâmica de trabalho no qual os alunos têm medo dela, medo da repressão: “Eu acho que é o afeto, algo que vai e volta”. Para Tardif (2007), o trabalho docente repousa sobre emoções, afetos, sobre a capacidade de perceber e sentir as emoções, temores, alegrias e traumas dos alunos. O professor experiente sabe provocar entusiasmo, sabe motivar os alunos.

Por meio das falas das professoras do Núcleo Básico do CP percebe-se o uso do diálogo para evidenciar o sujeito com histórias, culturas e desejos; sujeito ativo, portador de problemas e potencialidades. Reconhecer tais diferenças é apontado pelas professoras como uma das melhores formas de dar sentido ao trabalho de aprendizagem em sala de aula, criar vínculos afetivos entre professores e alunos e entre os próprios alunos, como narra a professora Maria:

É você criar uma relação mais afetiva. Eu lembro de uma dia, no auge do GTD14, cada dia mais cansativo que o outro. Um dia eu levei um monte de desenhos para eles colorirem. Sentamos para colorir, eu sentei para colorir também e cada um escolheu um desenho, bacana e tal. Nós sentamos em volta para colorir, fiquei pertinho deles e começamos a conversar, contar caso e conversar (...) Conversamos, conversamos e conversamos. Desse dia em diante, mudou. Eu encontrava com eles em outros momentos, de merenda e eles me cumprimentavam: “Professora, professora” (...) As coisas mudaram. “Eu vou te respeitar, não é porque você é professora e você manda em mim, mas porque eu não quero que você fique chateada comigo. Se eu fizer alguma coisa para te desrespeitar ou para bagunçar a sala de aula, você vai ficar chateada. Eu não quero te ver chateada porque eu gosto de você”. Então as coisas mudaram.

14

O GTD é o Grupo de Trabalho Diferenciado, um reagrupamento dos alunos do Primeiro Ciclo em um dia da semana para atendimento em uma área específica.

Nesse caso, as crianças ainda não conheciam a professora Maria e ela relata que após várias aulas cansativas, ela buscou se aproximar dos alunos por meio de desenhos para colorir e do diálogo, ou seja, criou um vínculo com os alunos possibilitando a criação de um espaço afetivo. Segundo a professora, após este dia, as aulas se transformaram. Em sua pesquisa Vieira (2002) evidencia saberes constituídos pelos professores sobre situações de conflito na escola. Uma professora afirma que pára a aula para conversar sobre a vida e o futuro quando as crianças estão agitadas. Em outra pesquisa empírica, Ambrosetti (2006) também observa a professora fazer uso de oportunidades para conversar sobre a vida das crianças, sobre seus interesses, sobre o que se espera deles enquanto alunos.

Ribeiro e Jutras (2006) parecem concordar com a fala da professora Maria e também com as pesquisas citadas acima. Para as pesquisadoras a afetividade é importante para o ensino e para a aprendizagem, pois contribui para a criação de um ambiente de compreensão, de confiança, de respeito mútuo, de motivação que beneficiam a aprendizagem escolar. Em um ambiente afetivo, seguro, os alunos mostram-se calmos e tranqüilos, constroem uma auto-imagem positiva, participam das atividades propostas. O professor afetivo percebe seu aluno em suas múltiplas dimensões, complexidade e totalidade. O professor esforça-se por desenvolver estratégias educativas dinâmicas e criativas que estimulam o aluno e o envolve nas decisões e nos trabalhos de grupo que demandam participação e nas quais os alunos aprendem a conviver uns com os outros.

O exemplo narrrado pela professora Maria evidencia a personalidade da professora, suas emoções e sua afetividade, que segundo Tardif (2007), são integrantes do trabalho docente: a pessoa com suas qualidades, defeitos, sensibilidade, tudo o que ela é torna-se seu instrumento de trabalho. A professora Taíssa concorda com o posicionamento da Maria:

Mas Maria, você falou uma frase que eu acho que devia ser nosso ponto de partida. Você falou o seguinte: “Eu vi que o único jeito era o afeto”. Eu acho que essa conquista dos meninos, essa sedução de relação professor/alunos, eu acho que o ponto de partida deve ser o afeto. É uma arte. Cheguei à conclusão que é uma arte de sedução. Eu acho que nossa sedução tem que iniciar pelo primeiro ano. Seja a sedução pelo afeto, seja a sedução por acolher, seja a sedução por chamar a atenção, por dizer não, por arrumar o espaço. O professor dá uma cara para a sala de aula. (...) Eu fico pensando no sentimento dos meninos, o que é entrar numa sala que você pensa “alguém está cuidando disso aqui”.

Perrenoud (2001) explica que a sedução no ensino não significa necessariamente se fazer amar, mas propiciar uma transferência, fazer amar os conteúdos porque se ama o ambiente,

o jogo, o suspense, a emoção, a surpresa, etc. Taíssa ressalta o acolhimento das crianças, a colocação de limites e a organização do espaço escolar como expressões de afeto. Esses exemplos como vivência da afetividade em sala de aula são sustentados por Mahoney e Almeida (2005). As pesquisadoras salientam que o acolhimento é importante em qualquer idade: seja o acolhimento da criança pelo grupo familiar, pelos amigos, colegas e professores; seja o acolhimento do professor pela direção, pares e alunos e ressaltam que a afetividade no processo ensino-aprendizagem exige a colocação de limites. Freire afirma que existe uma “eloqüência do discurso pronunciado na e pela limpeza do chão, na boniteza das salas, na higiene dos sanitários, nas flores que adornam. Há uma pedagogicidade indiscutível na materialidade do espaço” (Freire, 2002, p. 50).

Outline

Documents relatifs