1. RÉPONSE AU PREMIER OBJECTIF DE RECHERCHE
1.2 Le regroupement des situations professionnelles par axe de compétences
Seja no início da aula, ou durante uma atividade, quando a professora precisa obter a atenção dos alunos é rara a situação na qual os alunos se silenciem ou parem o que estão fazendo para ouvi-la. Pelo contrário, constitui-se um verdadeiro desafio chamar a atenção das crianças para começarem uma aula ou dar novas instruções em meio a uma atividade. Tal tarefa pode ser desgastante se a professora optar por elevar o tom de voz ou provocar ruídos. A professora Maria relata que a idéia de esperar o silêncio é errônea:
- Tem uma coisa que é ruim que é esperar o silêncio. Ele não vem. “Fulano, fulano, fulano...” Um cala, outro conversa, eu acho que o professor tem que começar. Claro que tem um distúrbio geral que ele tem que dar uma acalmada. Ele tem que começar, porque começando a atividade a atenção vem. Se você ficar lá aguardando esse silêncio para
depois começar a atividade, você corre o risco de ficar dez, quinze minutos ou mais lutando. (Maria)
- Concordo... (Lúcia)
- Chamo a atenção: “Um, dois, três” e vou começando... “Fulano e fulano” e vamos começando, porque senão você não começa nunca. Só aguardar, aguardar, eles não param de falar... No meio da atividade também fica difícil de retomar. (Maria)
Maria justifica porque prefere começar as atividades após alguns alunos estarem atentos a ela, mesmo que nem todos tenham silenciado. Lúcia concorda com esse procedimento e Maria continua sua fala dando exemplos. Para as professoras do Núcleo Básico do CP, as estratégias de chamar a atenção dos alunos são melhores do que a alteração do tom de voz, que cansa tanto a professora quanto os alunos. Maria relatou que a dispersão dos alunos pode levar a perder minutos da aula, já Ludmila alerta que a dispersão atrapalha tanto as crianças que querem ouvi-la quanto a própria professora que perde a concentração. Esses argumentos justificam o uso de estratégias alternativas para chamar a atenção dos alunos. Nas falas seguintes a professora Maria reafirma a validade da estratégia relatada por Ludmila.
- “Vamos lá, quem está me ouvindo, bate uma palma, estala os dedos”... Aquela estratégia para o menino aquietar e você ser o centro das atenções. Pode ser que eles estejam com a cabeça em outro lugar, mas ele deixa o outro ouvir. Porque se eles ficam quietos eles não ouvem e não deixam o outro ouvir, e o pior tira a minha atenção que estou falando. (Ludmila)
- Exatamente. Eu fico irritada às vezes porque eu desconcentro. (Maria) - Isso é pior do que tirar a atenção do colega do lado. (Ludmila)
Ou ainda em outro momento da discussão Lúcia relata que nunca utilizou uma estratégia ali sendo discutida, mas que recomenda o uso de outra exemplificando com uma situação real:
- Não é nem uma questão de falta de atividade, mas vira e mexe quando tem outras coisas que interessam às crianças, surgem comentários e por aí vai. Eu nunca fiz essa primeira sugestão de recitar uma parlenda, mas essa segunda é infalível, você consegue chamar a atenção, não só de uma turma, mas semana passada, por exemplo, eu estava com quatro turmas em um ambiente ‘super-pequeno’ e os meninos conversando, conversando e a gente querendo iniciar a apresentação e foi só começar a falar: “quem está me ouvindo, bate uma palma, quem está me ouvindo...” e rapidinho os meninos fizeram silêncio. O interessante que antes disso outras duas professoras já tinham tentado pedir silêncio: “gente, ô gente!”, “gente assim não dá, vamos fazer silêncio!” Elas estavam nessa tentativa há uns dez minutos... (Lúcia)
- Quanto mais o tempo passa pior fica... (Maria)
- Quanto mais o tempo passa pior fica, eu mando parar de conversar e o outro começava, o que estava parando, começava e aí invertia... Eu peguei e comecei a falar assim o que eu
aprendi aqui com as colegas, com a Ludimila: “quem está me ouvindo, bate uma palma,
quem está me ouvindo bate duas palmas”. Você nem precisa falar mais de quatro frases, na terceira estão todos me ouvindo e eu falo mais uma ou duas, só para fazer um pouco de graça com eles também. Eu acho que é uma sugestão bem legal, poupa a voz, a gente não tem que ficar gritando e nem estressando porque se você pedir o silêncio e os meninos não derem a gente fica irritada. Dessa forma eles calam e é rezar para que a atividade que você vai propor consiga manter esse silêncio. (Lúcia)
Maria concorda com a estratégia relatada por Lúcia e esta por sua vez narra que aprendeu aquela estratégia com a professora Ludmila. Todas as professoras concordaram com o uso dessas estratégias, pois como Lúcia justificou, dessa maneira poupa-se a voz, o estresse e a irritação da professora e também diminui o cansaço das crianças.
Durante a atividade quando os alunos dispersam também há grande dificuldade em atrair a atenção de novo, principalmente quando o tópico os interessa. Professoras inglesas quando percebem que as crianças estão se dispersando fazem brincadeiras de bater palmas ou estalar os dedos até recobrar a atenção de todos. Sarah, uma professora irlandesa, utiliza de músicas e rimas durante as transições de atividades para manter o foco das crianças (Muller et al., 2007).
Lúcia realiza perguntas para o grupo de alunos sem levantar o volume da voz e aos poucos consegue chamar a atenção das crianças: “Gente, será que eu vou esperar muito ou vou esperar pouco?” Ela afirma que também não espera um tempo longo pelo silêncio, ela tenta abaixar os ânimos, diminuir o nível de dispersão e começa a atividade quando todos ou quase todos estão prestando atenção. Outro recurso utilizado pelas professoras é apagar a luz, para as crianças perceberem algo de diferente na sala e se acalmarem. Taíssa e Maria transitam pela sala tocando nas crianças dispersas e assim chamando sua atenção de maneira tranqüila:
- Agora eu acho que essa coisa da dispersão faz parte, não tem como... Agora daí a gente querer trabalhar isso. Eu vou apagar a luz, não vou chamar muito a atenção da criança que eu acho positivo, muitas vezes eu brinco com a criança: “Nossa eu estou doida para você olhar pra mim, eu estou com saudade de você e você não olha para mim!” Às vezes, eu chego baixinho e dou um beijo, eles levam um susto e falo baixinho “pára um pouquinho, olha para mim”, muitas vezes essas estratégias dão certo, a maioria, eu acho que eu já tenho tentado todas... (Taíssa)
(...)
- Para poupar a voz, eu comecei a fazer isso, eu encosto nos meninos. Eles me cansam... Se eu for chamar a atenção do Jonas todas as vezes, eu vou ficar doida, então eu encosto no bracinho dele, no cabelo dele, ele dá uma calada, eu encosto no outro menino... (Maria) - Vai colocando a mão, até eles se calarem... (Cecília)
- Nós vamos agora fazer uma atividade do livro. Para parar de ficar: “fulano, fulano, fulano!” A gente fica cansada. O olhar funciona, o contato visual direto com os olhos funciona também. (Maria)
Cecília concorda com essas estratégias e parece também utilizá-las. Maria continua sua fala anterior justificando o uso dessas estratégias e relatando ainda o uso do contato visual para chamar atenção. Caminhar na sala, de aluno em aluno, e o contato corporal (por exemplo, encostando-se ao ombro do aluno) são estratégias que as professoras na Suécia e na Finlândia também utilizam para trabalhar em sala de aula (Muller et al., 2007). Essas estratégias corroboram com a constatação de Gauthier e colaboradores (2006) de que professores evitam interromper inutilmente suas aulas para repreender um aluno, ignorando as distrações menos graves. Para isso lançam mão de outras estratégias como, por exemplo: advertir com um contato visual, fazer perguntas ou um comentário para atrair a atenção dos alunos.
Já a professora Fabiana ressalta que nem sempre é interessante chamar a atenção das crianças via estratégias lúdicas:
Essa coisa do silêncio. Eu acho assim. Eu uso estratégias diversas. Da mais democrática a mais autoritária. Já brinquei com essas parlendas: “Hoje vai ter festa, boa, boa, boa” Os meninos começam a ouvir. Aqueles que sabem começam até a recitar. Acho que às vezes ela é uma estratégia legal. Mas acho também que não é só dessa maneira que os meninos devem aprender que eles precisam ter um nível de resposta e de atenção que é necessário à aula. Às vezes é no lúdico e recupera. Às vezes é na bronca, eu acho, é na consciência que eles precisam desenvolver e muitas vezes eles sabem e não estão atendendo.
Professoras inglesas costumam explicitar antes do desenvolvimento das atividades que nível de barulho é esperado da turma, se é necessário o silêncio total ou trabalhar falando baixinho (Muller et al., 2007).