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Le radar ` a vis´ee lat´erale ou compression en distance

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I.2 Le principe du radar ` a ouverture synth´etique

I.2.1 Le radar ` a vis´ee lat´erale ou compression en distance

Iniciamos este subcapítulo com a curiosa e interessante história do Águia d’Ouro que, supostamente terá trazido o primeiro cinema “falante” para Portugal, mais concretamente Porto, em 1908, através do aparelho «cronomegaphone». Naturalmente, este “falante” não era o cinema sonoro que conhecemos – era antes um «engenhoso artifício» onde um grupo de artistas colocados atrás da tela declamavam as falas em sincronia com o que era projetado360.

357 Cf. BARREIRA – Imagens na Imagem em Movimento…, p. 181-182 358 PINA – História do Cinema Português…, p. 72

359 Barnier (2014). A Severa. In Ferreira, Carolin Overhoff (org.) – O Cinema Português Através

dos seus Filmes…, p. 27

No entanto, na linha da difusão do sonoro propriamente dito em Portugal, em 1930, podemos situar a sua chegada ao Porto poucos meses depois da estreia do sonoro em Lisboa, no Cine Royal. O Porto experimentou esta nova «sensação», a 5 de junho de 1930 como vemos o jornal Comércio do Porto a anunciar, referindo-se à estreia do «Cinema falado» que, embora não se tratasse de uma novidade a nível mundial, ou mesmo nacional, era, ainda assim, um «assunto novo» e, logo, uma «nota modernista» para a cidade do Porto. A mesma notícia termina com: «E tudo quanto e progresso, progresso civilisado, só nos faz bem. É mais um passo.»361

A estreia a que se refere esta notícia foi desvendada dois dias depois, a 7 de junho, no mesmo jornal: será no Cine-Teatro Odeon, com o filme O Cantor Louco, com Al Jolson. Na publicidade pode-se ler:

A grandiosa superprodução em 11 p. Film legitimamente sonoro-falado e cantado. A maravilhosa obra d’arte. Filme consagrado como uma obra prima. O maior sucesso cinematrográfico. No ODEON362.

Este filme esteve em exibição no Odeon, até dia 15 de junho, «em virtude de compromissos» com mesmo363, sendo que, a dia 12, a empresa gerente desta sala de

espetáculos, fez um aviso ao público acerca da baixa de preços para que «todas as pessoas possam admirar este famoso film sonoro-cantado e falado»364.

Na programação apresentada na coluna dos Espetáculos de O Comércio do Porto durante estas datas, é-nos dado a conhecer que todos os outros cinemas em funcionamento à época, ainda passavam mudo365. Contudo, não demora a aparecer uma outra notícia – desta vez sobre o Salão Jardim da Trindade – que começava a fazer publicidade à inauguração da época do cinema ao ar livre em junho de 1930366, mas que em julho do

361 [s.a.] – Cinema Falado In Pela Cidade. O Comércio do Porto. (5 jun. 1930), p. 2. Ver Anexo 3.2.5. 362 Publicidade referente ao Odeon. O Comércio do Porto. (6 jun. 1930), p. 2. Ver Anexo 3.1.4., Fig. 3 363 Publicidade referente ao Odeon. O Comércio do Porto. (10 jun. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4., Fig. 4 364 Publicidade referente ao Odeon. O Comércio do Porto. (12 jun. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4., Fig. 5 365 Rúbrica Espetáculos. O Comércio do Porto. (6 jun. 1930), p. 3

366 Publicidade referente ao Salão Jardim da Trindade. O Comércio do Porto. (21 jun. 1930), p. 3. Ver

mesmo ano já dava aviso ao público do seu encerramento temporário para remodelação e para a instalação de um aparelho eletrónico para exibição do cinema sonoro367.

Ainda assim, e antecipando-se ao Salão Jardim da Trindade, o Águia d’Ouro vem, a 12 de setembro de 1930368, publicitar a inauguração do sonoro que ficaria agendado para o dia 15 de setembro. Refere que o «actual Programa PARAMOUNT» seria o «Ultimo silencioso», com os filmes Pele Vermelha e Na Intimidade369. Para as novas sessões sonoras, seriam exibidos os filmes Troika e Chique370 e pode-se ler numa

publicidade: «TROIKA / Super-produção Sonora Cantada e Musical» e, ao lado, «CHIQUE / (“É A FINGIR…”) / Filme sonoro, de Pierre Colombier / Falado e cantado em Francez»371. Para além destes dois, são apresentadas as notícias sonoras mundiais da Fox e Documentário Português372. Também, na mesma publicidade é apresentado, como

vemos acontecer quase sempre, o aparelho sonoro utilizado, neste caso o Western- Electric: «precisamente iguais em marca, força e volume de som aos do Cinema PARAMOUNT de Paris»373.

O Comércio do Porto, como já vimos, anunciou que o sonoro na cidade teria

inaugurado no Odeon. Porém, contrariando esta mesma notícia, voltou a anunciar a inauguração do sonoro no Porto, desta vez, no Águia d’Ouro. Pode-se ler: «Na proxima 2.ª feira: Estreia do CINEMA SONORO no Porto»374.

367 EMPRESA do Salão Jardim da Trindade – Salão Jardim da Trindade. [Aviso ao Público]. O Comércio

do Porto. (29 de jul. 1930), p. 2. Ver Anexo 3.1.4., Fig. 7

368 Publicidade referente ao Aguia D’Ouro. O Comércio do Porto. (12 set. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4.,

Fig. 8

369 Publicidade referente ao Aguia D’Ouro. O Comércio do Porto. (12 set. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4.,

Fig. 8

370 Publicidade referente ao Aguia D’Ouro. O Comércio do Porto. (12 set. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4.,

Fig. 8

371 Publicidade referente ao Aguia D’Ouro In O Comércio do Porto. (13 set. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4.,

Fig. 10

372 Cf. Decreto-Lei n.º 13.564. de 6 de maio do Ministério da Instrução Pública (Inspecção Geral dos

Teatros). Diário da República. I série, N.º 92 (6 de maio de 1927). Disponível em <https://dre.pt/application/conteudo/467443>

373 Publicidade referente ao Aguia D’Ouro In O Comércio do Porto. (13 set. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4.,

Fig. 10

374 Publicidade referente ao Aguia D’Ouro In O Comércio do Porto. (13 set. 1930), p. 3. Ver Anexo 3.1.4.,

Esta notícia foi replicada mais tarde pelo jornal Tripeiro375, e por diversos autores e investigadores que se debruçaram no estudo da história do cinema portuense. À partida não existe justificação para o facto do Cine-Teatro Odeon ter caído no esquecimento. Por outro lado, não acreditamos que tenha existido qualquer confusão, nem à época, nem posteriormente. Colocamos, assim, a hipótese de que o filme O Cantor Louco, ao ser um ainda da geração part-talkie da Warner Brothers – que pouco antes tinha estreado com sucesso o The Jazz Singer –, ambos estrelados por Al Jolson no papel principal, pode não ter sido considerado sonoro pela técnica que ainda usou.

Esta questão é, em parte, esclarecida no jornal O Tripeiro em 2004 que, ao relembrar o Cine-Teatro Odeon, explica que tinha sido uma sala história importante por ter sido aqui que o Porto «viu a “antestreia” do cinema sonoro, com a apresentação do fonofilme “The Jazz Singer”». Apesar da confusão do filme que estreou, acrescenta que esta “antestreia” aconteceu no mesmo ano (1930) que «o verdadeiro sonoro é inaugurado no Águia d’Ouro»376.

Porém, como refere Alan Williams: «The Singing Fool reverses the proportions of The Jazz Singer. It is a part-talkie that has more sync sequences than post-sync sequences», recorrendo ainda ao uso de diálogos em intertítulos mas que, de resto, todo o filme é completamente falado377. É, por isso, um filme que, estilisticamente, é mais ambicioso que o primeiro. Portanto, não é erróneo considerar que o Odeon terá, de facto, estreado o primeiro sonoro no Porto. Ainda assim preferimos deixar a questão em aberto. Terminamos este subcapítulo, citando Alberto Armando Pereira, que terá escrito na revista Aquila acerca da preocupação crescente à época, com o advento do sonoro:

Qué dê a Arte Cinematográfica? Fugiu! Mas o público não quer saber disso! O que quer é divertir-se! Venha o «Singing fool»! Venha as «Fox Folties»! Venha a «Hollywood Revue»! E não tarda muito que o público saia dos cinemas a cantarolar «Sonny Boy», «That’s You Baby», ou a marcha ao som da «Strike up the band».378

375 BARROS, Marc – Salas de cinema do Porto de finais do século XIX à «modernidade». O Tripeiro. Série

Nova (VII), ano XXIII (jan. 2004), p. 4-5

376 BARROS, Marc – Salas de cinema do Porto de finais do século XIX à «modernidade». O Tripeiro. Série

Nova (VII), ano XXIII (jan. 2004), p. 4-5

377 WILLIAMS, Alan – The Raw and The Coded.... In BROPHY, Philip – CINESONIC…, p. 235

378 REAL, Luís Neves – De 1919 a 1930. Carta Aberta a Alberto Armando Pereira. Depoimento de um

explicando acerca das lições do seu Mestre. 63º aniversário da publicação do primeiro número da revista

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